Suínos
Ácidos ganham espaço como aliados estratégicos na saúde intestinal dos suínos
Evolução tecnológica amplia eficiência dos acidificantes no controle sanitário, digestibilidade e desempenho produtivo nas granjas.

Artigo escrito por Flávia Cristina Silva, médica veterinária, MBA Gestão Empresarial, Coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex
Alternativa amplamente difundida e utilizada aos antibióticos, os ácidos são ferramentas importantes na nutrição animal desde a década de 60. No início, porém, ácidos como o propiônico e o fórmico eram usados na conservação de silagens e grãos úmidos, para controlar o crescimento de fungos e leveduras e auxiliar na fermentação.
Na década de 80, ácidos cítrico e fumarico começaram a ser empregados nas dietas de monogástricos, em especial nas rações de leitões recém-desmamados por causa da hipocloridria atribuída à imaturidade do trato gastrointestinal. Nesta década ainda, além da melhora da digestão de proteínas no estômago, observou-se redução da incidência de diarreias e eles começaram a ser considerados como substitutos aos Antibióticos Promotores de Crescimento (APCs) na Europa e para controle de patógenos como Escherichia coli e Salmonella, ambas bactérias Gram-.

Mas foi depois dos anos 2.000 que tecnologias foram desenvolvidas para que os ácidos pudessem chegar disponíveis em todas as partes do trato gastrointestinal, como intestinos delgado e grosso e exercer funções de modulação de microbiota e integridade de vilosidades intestinais.
Além de tecnologias como proteção ou microencapsulamento de moléculas com óleos vegetais, como o de palmiste, outros ácidos como o benzoico e o láurico foram introduzidos ampliando a gama de benefícios como a acidificação urinária e redução de amônia no ambiente (benzoico) e ação em bactérias Gram+ e fonte de energia rápida (láurico).
A escolha
Mas, e aí, você sabe qual escolher? Se a resposta é não ou talvez, você está na página certa deste jornal. Vamos começar pelo início: os ácidos podem ser classificados por critérios funcionais, físicos ou estruturais que determinam como eles agem dentro do suíno. A divisão química mais clássica separa os ácidos que possuem carbono em sua composição (orgânicos) dos que não o possuem (inorgânicos). Os ácidos orgânicos (como fórmico, lático, fumárico, cítrico e benzoico) são considerados fracos, ou seja, eles não se dissociam (liberam H+) completamente em solução aquosa. Essa dissociação vai depender do pKa (constante de dissociação iônica, Figura 1) do ácido e do pH do meio em que ele está (Figura 2).
Se o pH do meio for menor que o pKa do ácido, ele vai estar menos dissociado e vice-versa. Essa fração não-dissociada tem uma ação antimicrobiana direta em bactérias Gram- e quando dissociado exerce função acidificante do meio. Ao comparar o pKa do ácido candidato ao uso com o pH das diferentes partes do trato gastrointestinal dos suínos (Figura 2), você pode prever onde o aditivo será mais eficiente e qual ação você pode esperar naquela parte. Além dessas ações, ácidos como o cítrico e o fumárico, são fonte de energia rápida e direta para as células intestinais pois entram no Ciclo de Krebs (Ciclo do Ácido Cítrico) nas mitocôndrias. Ácidos como cítrico, benzoico e fumarico ainda são usados como palatabilizantes.

Figura 1 – Curva de titulação do ácido acético. O pH da mistura é medido após cada adição de NaOH à solução de ácido acético. Esse valor é colocado em um gráfico em função da quantidade de NaOH adicionada, expressa como a fração da concentração total necessária para converter todo o ácido acético (CH3COOH) na sua forma dissociada, acetato (CH3COO–). Os pontos obtidos geram a curva de titulação. Nos retângulos, estão mostradas as formas iônicas predominantes nos pontos indicados. No ponto central da titulação, as concentrações de doadores de H+ e aceptores de H+ são iguais, e o pH é numericamente igual ao pKa. A zona sombreada é a região útil com poder tamponante, geralmente entre 10 e 90% da titulação de um ácido fraco. (adaptado de Nelson, 2022).

Figura 2 – Variação do pH no trato gastrointestinal de suínos. (Gemini, 2026).
Na suinocultura, o ácido inorgânico mais comumente utilizado é o fosfórico. Eles são considerados ácidos fortes, ou seja, se dissociam completamente e imediatamente em solução aquosa. São excelentes para reduzir rapidamente o pH estomacal. A sua atuação é por via indireta, baixando tanto o pH do meio que bactérias patogênicas tem dificuldade de sobreviver. Atuam ativando enzimas digestivas estomacais, como a pepsina, e podem ser fontes de minerais, como o fósforo. Os pontos de atenção são a inclusão e duração do uso, além de ter ação restrita ao estômago e não ter ação antimicrobiana direta.
Os ácidos orgânicos são mais largamente utilizados por serem mais seguros e podem ser divididos em tamponados e não-tamponados. Os ácidos tamponados são os sais ácidos (como formiato de cálcio e butirato de sódio) desenvolvidos inicialmente para tornar os ácidos não-tamponados (livres) menos voláteis, menos corrosivos e com odor menos agressivo. Só que esse tamponamento requer o uso de inclusões maiores e perda da eficiência acidificante e bactericida em relação aos não-tamponados.
Blends

Com a evolução da indústria, tecnologias de secagem de ácidos não-tamponados, ou seja, livres e geralmente líquidos, e de proteção ou microencapsulamento deles, tornou o uso desses ácidos seguro e eficiente. A última etapa dessa evolução, foi a combinação de vários ácidos não-tamponados em blends. Com isso, é possível somar os benefícios individuais de cada ácido e ter um produto com ação muito mais abrangente.
Hoje, temos blends de ácidos orgânicos não-tamponados que: são seguros para manipulação operacional na fábrica, para equipamentos e para consumo dos animais; a ração que os contém pode ser peletizada; a ração já sofre ação sanitizante na mistura; são palatabilizantes; ativam enzimas digestórias e melhoram a digestibilidade; tem ação bactericida direta e bacteriostática; são fonte de energia rápida e direta para as células intestinais; agem em todo o trato gastrointestinal e geniturinário; modulam a microbiota; tem ação antinflamatória e antioxidante (proteção por óleo vegetal); diminuem a pressão de infecção e a concentração de amônia no ambiente.
Embora as características técnicas apresentadas apontem a ação e eficiência, é a sua escolha que define o destino produção. Pois em cada ácido selecionado e tecnologia empregada, não há apenas uma fórmula química e uma técnica industrial, mas a visão de quem conhece a fundo os desafios da sua própria granja. A escolha é sempre sua!
A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Suínos
Pesquisa sobre javalis tem prazo ampliado até o fim de junho
Baixa adesão no Paraná leva à prorrogação do levantamento nacional que busca mapear a presença de javalis e javaporcos e os prejuízos causados ao agro.

Produtores rurais paranaenses ganharam mais tempo para participar do levantamento nacional que busca dimensionar a presença de javalis e javaporcos no campo brasileiro. O prazo da pesquisa “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)” foi estendido até 30 de junho, diante da necessidade de ampliar a adesão ao questionário, especialmente no Paraná, onde a participação ainda é considerada baixa.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT
A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com articulação do Sistema Faep, busca reunir informações diretamente das propriedades rurais para compreender a dimensão do avanço desses animais no país, os prejuízos registrados e os impactos ambientais, sanitários e econômicos relacionados à espécie. O levantamento também deverá subsidiar estratégias mais efetivas de controle e manejo.
“É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente. A participação é essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
A extensão do prazo reforça a importância da participação dos produtores que convivem com a presença dos animais ou já sofreram prejuízos. O questionário permite mapear ocorrências de javalis e javaporcos (resultado do cruzamento entre javalis e suínos domésticos), espécies que têm avançado rapidamente em diferentes regiões devido à ausência de predadores naturais e à elevada capacidade reprodutiva.
A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano, permitindo um retrato mais preciso da presença dos animais no país e contribuindo para a formulação de políticas públicas e medidas de enfrentamento mais eficazes. Além da pesquisa, o Sistema Faep também disponibiliza uma cartilha com orientações e informações sobre os riscos associados aos javalis e javaporcos.
Prejuízos

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente”
No Paraná, a preocupação com o tema não é recente. A mobilização teve origem na Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, que articulou diferentes instituições em torno do problema. O movimento culminou, em 2020, na criação do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, formado por órgãos como o Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Exército Brasileiro, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e representantes do setor produtivo.
Os prejuízos atribuídos aos suínos asselvajados vão desde a destruição de lavouras e ataques a rebanhos até danos à vegetação nativa, degradação de nascentes e impactos sobre ecossistemas locais. Também há preocupação com a segurança sanitária, já que esses animais podem atuar como vetores de enfermidades como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa, representando risco para a cadeia produtiva da suinocultura.
Suínos
Setor suinícola exporta US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026
Desempenho acumulado é impulsionado pelo recorde de 129,4 mil toneladas embarcadas em maio e pela ampliação dos mercados compradores.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

Foto: José Fernando Ogura
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor” – Foto: Mario Castello
embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Suínos
Preços do suíno vivo acumulam terceira queda seguida e atingem menor nível em quase 14 anos
Demanda enfraquecida no mercado interno e recuo dos embarques pressionaram as cotações em maio, segundo levantamento do Cepea.

Os preços do suíno vivo e da carne suína voltaram a cair em maio, acumulando o terceiro mês consecutivo de desvalorização. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre demanda interna enfraquecida e menor ritmo das exportações pressionou as cotações ao longo do mês.

Foto: Jaelson Lucas
Na praça SP-5, referência para o mercado paulista, a cotação média do suíno vivo em maio foi a menor, em termos reais, desde julho de 2012. O cálculo considera os valores corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI de abril de 2026.
Segundo pesquisadores do Cepea, houve uma melhora pontual da demanda nas semanas que antecederam o Dia das Mães, celebrado em 10 de maio. Tradicionalmente, a data estimula o consumo de proteínas animais e favorece as negociações da cadeia suinícola. No entanto, o movimento perdeu força após o período comemorativo, e a procura voltou a recuar nas semanas seguintes, provocando novas quedas nos preços.
No mercado externo, os embarques também apresentaram desaceleração. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a média diária das exportações de carne suína nos primeiros 15 dias úteis de maio ficou 15% abaixo da registrada em abril.
O Cepea destaca que, ao longo deste ano, a indústria suinícola brasileira tem priorizado as vendas ao mercado internacional como estratégia para

Foto: Shutterstock
reduzir a oferta disponível no mercado doméstico e sustentar as cotações. A redução do ritmo das exportações, porém, diminui a capacidade de escoamento da produção e amplia a pressão sobre os preços internos.
No atacado, os valores da carne suína também recuaram em maio. As quedas, contudo, foram menos intensas do que as observadas no mercado do animal vivo, refletindo uma acomodação mais gradual dos preços ao longo da cadeia.



