Peixes
Acidente com caminhão leva à proibição de pesca e uso da água em represa no Paraná
Medida preventiva foi adotada após derramamento de produtos químicos e risco de contaminação.

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou no Diário Oficial do Estado de quarta-feira (6) a que proíbe temporariamente a pesca, o consumo de pescado e o uso da água da Represa do Capivari para atividades recreativas, como banho e natação. A medida é em decorrência de um acidente ambiental ocorrido em 26 de abril na BR-116, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
O texto também veda o uso da água para dessedentação (saciar a sede) de animais e outras finalidades que possam representar risco à saúde, em um raio de dois quilômetros do local do acidente. A proibição é válida por 30 dias a partir da publicação da peça jurídica.

A decisão foi tomada de modo preventivo após o derramamento de tintas, vernizes e solventes classificados pela Organização das Nações Unidas como substâncias com potencial de contaminação do corpo hídrico e da biota aquática.
Segundo portaria assinada pelo diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, há risco de presença de hidrocarbonetos, compostos orgânicos voláteis (VOCs), BTEX e metais pesados na água e nos organismos aquáticos. A dispersão desses compostos no ambiente pode representar ameaça à saúde pública por meio do consumo de pescado contaminado.
Restrição temporária
A restrição vale para todas as modalidades de pesca, incluindo profissional, amadora e de subsistência. A medida terá validade inicial de 30 dias, mas o prazo poderá ser prorrogado mediante avaliação técnica do órgão ambiental.
O acidente ocorreu após um caminhão sair da pista e cair na Represa do Capivari, no km 42 da BR-116, durante forte chuva. O veículo transportava carga de tintas e solventes. Parte do material atingiu o barranco e as águas da represa. Duas pessoas morreram.
Equipes do Corpo de Bombeiros do Paraná (CBMPR), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e órgãos ambientais atuaram no atendimento da ocorrência e nas ações de contenção ambiental logo após o acidente.
De acordo com o IAT, a medida segue os princípios da prevenção e da precaução previstos na Política Nacional do Meio Ambiente, além de resguardar a integridade dos ecossistemas aquáticos até a conclusão das análises laboratoriais da qualidade da água.
O descumprimento da portaria poderá resultar em sanções previstas na legislação ambiental vigente, incluindo penalidades administrativas e criminais.

Peixes
Pesquisa impulsiona cultivo comercial do lambari no Brasil
Tecnologias desenvolvidas pelo Instituto de Pesca ampliaram a produção, viabilizaram o processamento e abriram novos mercados para a espécie.

Poucas espécies de peixes despertam tanta memória afetiva nos brasileiros quanto o lambari. Presente em rios, córregos e lagoas de praticamente todo o território nacional, ele costuma ser lembrado como o primeiro peixe capturado durante a infância, em pescarias realizadas com pais, avós e tios. Além de ocupar um lugar especial na cultura brasileira, a espécie vem ganhando importância econômica, tanto como alimento, tradicionalmente apreciado na forma de petisco, quanto como isca viva na pesca esportiva.

Foto: André Thiago/Sanepar
Durante muitos anos, a produção de lambaris permaneceu baseada quase exclusivamente na captura em ambientes naturais ou na ocorrência dessas espécies como fauna acompanhante em cultivos de peixes de interesse comercial. O termo “lambari” abrange diversas espécies de pequenos caracídeos (vasta família de peixes de água doce) pertencentes a diferentes gêneros. O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desempenhou papel pioneiro na geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao cultivo comercial de diferentes espécies de lambaris, incluindo Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.
De acordo com o pesquisador do IP, Fábio Sussel, “a consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu o desenvolvimento de tecnologias específicas capazes de tornar sua produção previsível, eficiente e economicamente viável”.
Pesquisa e inovação para fortalecer a produção
Ao longo das últimas décadas, o IP desenvolveu e aperfeiçoou protocolos envolvendo diferentes etapas do processo produtivo, contribuindo para a consolidação de uma cadeia inexistente até então em escala comercial.
Entre as principais contribuições destacam-se o aperfeiçoamento dos protocolos de reprodução induzida, fundamentais para garantir a produção contínua de alevinos ao longo do ano, bem como o desenvolvimento de técnicas de larvicultura e recria em diferentes sistemas de cultivo, adaptadas às características biológicas das espécies estudadas.
Esses avanços proporcionaram maior regularidade na produção, aumento da sobrevivência dos peixes e melhoria dos índices zootécnicos, oferecendo maior segurança técnica aos produtores. Paralelamente, o Instituto de Pesca ampliou suas linhas de pesquisa para outras áreas estratégicas, desenvolvendo tecnologias para a produção de lambaris destinados ao mercado de iscas vivas para a pesca esportiva, avaliando o potencial dessas espécies em sistemas de aquaponia e utilizando diferentes espécies de lambaris como organismos bioindicadores em estudos de ecotoxicologia, voltados à avaliação dos efeitos de contaminantes ambientais e da qualidade dos ecossistemas aquáticos
Solução tecnológica amplia potencial do lambari para consumo
O lambari também representa um alimento tradicional de elevado valor gastronômico. Apesar dessa vocação, existia um importante gargalo tecnológico para ampliar seu consumo em larga escala: o processamento.
Buscando solucionar esse desafio, o pesquisador do IP, Fábio Sussel, propôs a criação de uma máquina para evisceração de lambaris, tecnologia posteriormente desenvolvida por uma empresa de Santa Catarina, especializada na fabricação de equipamentos para frigoríficos de peixes. O equipamento automatiza uma das etapas mais críticas do processamento, aumentando significativamente a produtividade, reduzindo custos operacionais e agregando valor ao pescado destinado ao consumo humano.
Segundo Sussel, “essa inovação representa um exemplo concreto da pesquisa aplicada desenvolvida pelo Instituto de Pesca, transformando resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade e fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira”.
Mais do que um peixe presente na memória afetiva dos brasileiros, o lambari tornou-se exemplo de como a pesquisa pública pode transformar conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inovação e segurança alimentar.
Peixes Genética aquícola
Nova linhagem de tilápia obtém crescimento 27% superior e maior eficiência alimentar
Primeiros resultados obtidos em uma piscicultura comercial no Oeste do Paraná indicam redução no consumo de ração, ciclo cerca de 30 dias mais curto e ganho de peso diário até 27% superior, reforçando o papel do melhoramento genético na eficiência produtiva.

Durante décadas, a evolução da piscicultura brasileira foi impulsionada principalmente pelos avanços em manejo, nutrição, sanidade e qualidade da água. Agora, um novo fator começa a ganhar protagonismo dentro das propriedades rurais: a genética.
Os primeiros resultados obtidos com uma nova linhagem de tilápia em uma propriedade comercial de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, indicam que o melhoramento genético pode representar um novo salto de eficiência para uma cadeia que já colocou o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie.
Os números apresentados durante um dia de campo promovido pela GenoMar chamaram a atenção de cooperativas, técnicos e piscicultores da região. Nos dois primeiros viveiros avaliados, a conversão alimentar fechou em 1,29 quilo de ração para produzir um quilo de peixe e o ganho de peso diário alcançou 5,6 gramas.
Comparado a alguns dados históricos coletados na região, a GenoMar obteve um desempenho de aproximadamente 27% superior em crescimento, permitindo reduzir em cerca de 30 dias o ciclo de produção, assim como a diminuição de aproximadamente 300 gramas de ração consumida por quilo de peixe produzido.
- Dia de Campo GenoMar Foto: Divulgação/GenoMar
Mais do que números isolados, os resultados evidenciam o peso que a genética pode assumir na competitividade da piscicultura, especialmente em um cenário em que a alimentação representa a maior parcela dos custos de produção.
Ciência transferida da avicultura para a piscicultura
A GenoMar pertence ao grupo alemão EW Group, referência mundial em genética avícola. Segundo o diretor comercial da empresa, Rodrigo Zanolo, a experiência acumulada ao longo de décadas no melhoramento genético de aves passou a ser aplicada também à tilapicultura há cerca de 30 anos. “A ciência sempre esteve no DNA da empresa. Todo o conhecimento desenvolvido no melhoramento genético de aves está sendo aplicado agora à produção de tilápias. Nosso objetivo é replicar essa evolução dentro da aquicultura”, afirma.
A base genética utilizada pela empresa é proveniente da 30ª geração do programa GIFT (Genetically Improved Farmed Tilapia), considerado um dos mais importantes programas internacionais de melhoramento genético da espécie.
Após o encerramento da iniciativa global, a GenoMar adquiriu os direitos sobre o núcleo genético e, em 2021, importou os primeiros animais das Filipinas para o Brasil, formando o plantel de reprodutores que hoje abastece quatro unidades de produção no país.
- Núcleo Genético GenoMar Foto: Divulgação/GenoMar
Paraná como mercado estratégico
A escolha do Oeste do Paraná para as avaliações comerciais não ocorreu por acaso. O estado lidera a produção nacional de tilápia e reúne uma cadeia produtiva altamente organizada, baseada na integração entre piscicultores, cooperativas e frigoríficos. “O Paraná tem importância estratégica para nós por ser o maior produtor brasileiro de tilápia e possuir uma cadeia extremamente profissionalizada. Os primeiros alevinos chegaram ao Oeste em setembro do ano passado e agora estamos realizando as primeiras despescas para validar o desempenho dessa genética em condições comerciais”, explica Thalita Palanedi, especialista técnico comercial.
Segundo ela, a empresa optou por apresentar os resultados diretamente no campo, permitindo que produtores e técnicos observassem o desempenho dos animais, a conformação corporal e outras características relacionadas ao rendimento industrial.
- Conformidade corporal genética GenoMar Foto: Divulgação/GenoMar
Genética entra definitivamente na equação
Para Zanolo, a piscicultura brasileira já atingiu elevado nível de desenvolvimento em áreas como manejo, nutrição e sanidade. O próximo salto de produtividade deverá ocorrer justamente pelo avanço genético.
A avaliação é compartilhada pelo representante comercial da empresa no Oeste do Paraná e também piscicultor, Ricardo Zaneta, que destaca o potencial da região para acelerar a adoção dessa tecnologia. “O Oeste do Paraná é um dos principais polos produtores de tilápia do Brasil. Estamos apresentando aos produtores os primeiros resultados obtidos em campo para mostrar como a genética pode contribuir para aumentar a eficiência da atividade, reduzindo o consumo de ração e melhorando características importantes para a indústria, como o rendimento de filé”, salienta.
Resultados obtidos em condições comerciais
Os dados apresentados durante o dia de campo foram obtidos na Piscicultura A & R, em Assis Chateaubriand, propriedade que produz aproximadamente 600 mil tilápias por ciclo, realizando três ciclos a cada dois anos em tanques escavados.
Para o produtor Anderson Almeida Knebel, o comportamento dos peixes chamou atenção desde as primeiras semanas de cultivo. “Produzimos cerca de 600 mil tilápias por ciclo nesta propriedade. O que mais chamou a atenção foi o comportamento dos peixes. Eles atacam a ração com muito mais intensidade, apresentam crescimento rápido e um ciclo menor. Ficamos bastante satisfeitos com o desempenho observado”, enfatiza.
Além da conversão alimentar de 1,29, os dois lotes avaliados apresentaram ganho médio diário de aproximadamente 5,6 gramas, sobrevivência superior a 92% e peso final próximo de 1 quilo, resultados obtidos em ciclos entre 168 e 177 dias.
Eficiência que impacta diretamente o custo
Para Zanolo, a combinação entre maior velocidade de crescimento e menor consumo de ração permite aumentar simultaneamente a produtividade da fazenda e a eficiência econômica do sistema. “Quando combinamos crescimento mais rápido com melhor conversão alimentar, o produtor consegue produzir mais no mesmo espaço e com menor custo direto de produção. É exatamente isso que demonstramos nesses primeiros resultados”, ressalta.
Zanolo explica que o trabalho de melhoramento continuará avançando. A expectativa é lançar novas gerações genéticas periodicamente, mantendo ganhos contínuos de desempenho e consolidando a genética como uma das principais ferramentas de competitividade da piscicultura brasileira.
Se até poucos anos atrás o debate sobre eficiência na produção de tilápias estava concentrado na qualidade da ração, no manejo e na sanidade, os resultados apresentados no Oeste do Paraná indicam que a genética passa a ocupar lugar definitivo nessa equação. Para um setor que busca produzir mais, em menos tempo e com menor custo, esse pode ser o início de uma nova etapa de transformação tecnológica.
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Produtor e proprietário da Piscicultura A & R, Anderson Almeida Knebel
- Diretor comercial Rodrigo Zanolo, produtor Anderson Knebel, representante comercial Ricardo Zaneta e a especialista técnica comercial Thalita Palanedi
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Conformidade corporal genética GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo da GenoMar
- Dia de Campo Genomar
- Dia de Campo da GenoMar
- Grupo presente em um dos Dia de Campo da GenoMar
- Núcleo Genético GenoMar
Peixes
ExpoMar movimenta mais de R$ 50 milhões em negócios na terceira edição
Evento reuniu mais de 4 mil participantes de 12 países, promoveu mais de 30 horas de conteúdo técnico e consolidou Itajaí como polo da pesca e aquicultura.

Ao longo dos três dias, a ExpoMar reuniu mais de quatro mil inscritos de 12 países, com participação presencial e online de representantes de 20 estados e 181 cidades brasileiras. O evento contou com 90 marcas apoiadoras e expositoras e gerou mais de R$ 50 milhões em negócios, além de alcançar forte engajamento digital, com mais de 500 mil visualizações nas mídias sociais. A programação técnica e estratégica incluiu o Congresso Internacional da Pesca, o Simpósio Catarinense de Piscicultura, o Simpósio Brasileiro de Maricultura, a programação exclusiva da FIESC e o Festival Mar & Cultura, reunindo 70 palestrantes e mais de 30 horas de conteúdo.
A ExpoMar reafirmou seu papel como espaço de integração entre setor produtivo, instituições, academia e sociedade. Participaram pescadores, piscicultores, maricultores, algicultores, universidades, estudantes, empresas de insumos, prestadores de serviços e profissionais da assistência técnica, além de representantes do turismo, gastronomia e pesca esportiva.
Para Altermir Gregolin, ex-ministro da pesca e presidente da ExpoMar, a terceira edição consolidou definitivamente como um dos maiores eventos da Pesca e Aquicultura do Brasil, com recorde de público e expositores. “Mostrou a força do setor, apontou tendências, discutiu desafios e apresentou soluções e caminhos para o desenvolvimento sustentável da atividade. Gregolin encerra a terceira edição com a certeza de que a ExpoMar é um evento cada vez mais importante e estratégico para a pesca e aquicultura do país. “Agradecemos a todos que participaram e apoiaram a sua realização”.

Diretora da ExpoMar, Eliana Panty: “Esta edição da ExpoMar consolidou definitivamente a feira de negócios no calendário nacional de industrialização do pescado”
“Esta edição da ExpoMar consolidou definitivamente a feira de negócios no calendário nacional de industrialização do pescado”, destaca a diretora da ExpoMar, Eliana Panty. “A feira apresentou um portfolio completo de fornecedores da cadeia de produção e processamento de pescados, com isso fortalece ainda mais a região de Itajaí como o maior polo pesqueiro brasileiro”. Para Panty, a ExpoMar conquistou ainda um posto importante como o eixo de geração de negócios e difusão de novas tecnologias.
Panty destaca o relevante papel cultural e gastronômico da ExpoMar ao reunir empresas exportadoras de pescados, empresários, armadores proprietários de barcos de pesca “que puderam mostrar a qualidade do pescado catarinense dentro do evento, através da Cozinha Show”.
“A ExpoMAR é essencial para nos conectar com novas tecnologias e inovações que vão ajudar desde o pescador, até as indústrias no dia a dia. Além disso, sediar um evento dessa magnitude reforça, de forma incontestável, a relevância e a força da nossa região como o grande polo da pesca nacional, “, destacou Joaquim Felipe Anacleto, presidente do SINDIPI.
Mais de R$ 50 milhões em negócios
A feira de negócios foi um dos grandes destaques, reunindo empresas e fornecedores estratégicos que apresentaram tecnologias, equipamentos e soluções voltadas à eficiência operacional, segurança e sustentabilidade. Entre as inovações, destacaram-se sistemas de propulsão e motores marítimos de alta performance, tecnologias para abastecimento e apoio logístico, soluções em lubrificantes e fluidos técnicos, além de equipamentos robustos para operações em alto-mar. Também foram apresentados sistemas avançados de proteção de casco, metais industriais, conexões e válvulas, fundamentais para a cadeia naval. Durante o evento, os expositores ofereceram condições comerciais especiais e realizaram demonstrações de produtos.
Reconhecimento dos expositores
Lindolfo da Rosa Neto, da Radionaval, ressaltou: “Estamos na ExpoMar pela terceira vez. Eu queria falar sobre o grau de importância deste evento, que mostra para os capitães e os armadores as tecnologias e soluções que disponibilizamos, não somente para a nossa região, mas para toda a costa brasileira”.
Ana Rehnolt, da Tintas Rehnolt, afirmou: “É uma feira muito importante para fomentar o setor da pesca, que é crescente e bastante significativo para o Estado de SC e o país”. Jorge Rodrigues, da Guy Cotten (França), completou: “A empresa vende em 72 países no mundo e por conta do Mercosul agora temos a possibilidade de vender nossos produtos de alta qualidade no Brasil”.
O que a ExpoMar representa
Depoimentos de participantes reforçam a relevância do evento. “A ExpoMar é importante para nós porque reforça a união de todos os setores da pesca nacional em um lugar que é símbolo: a cidade de Itajaí”, destacou Ederson Krummenauer, da empresa Frumar. Carlos Mello, do Ministério da Pesca, afirmou: “Sem dúvidas, a ExpoMar tem um papel fundamental na construção da gestão pesqueira nacional. Um ambiente como esse, em que o diálogo é valorizado, com palestrantes internacionais e nacionais, é indispensável para o amadurecimento e avanço da pesca no Brasil”.
Carolina Francalacci, do Banco do Brasil, destacou: “É uma honra e uma grande alegria poder participar da Expomar, promover o crescimento do segmento da pesca e aquicultura e estar perto dos empreendedores destes setores”.
Mais de 70 palestrantes e o futuro da pesca e aquicultura em debate
A programação técnico-científica foi um dos pilares do evento. O Congresso Internacional da Pesca abordou temas como mudanças climáticas, previsibilidade da atividade pesqueira, políticas públicas para melhoria de renda, educação e valorização dos povos tradicionais, além de temas como seguro defeso, agregação de valor ao pescado e impactos da reforma tributária. Também foram discutidos a expansão das áreas marinhas protegidas, o potencial dos alimentos proteicos e a saúde mental no alto-mar, incluindo os riscos invisíveis da atividade pesqueira.
O Simpósio Catarinense de Piscicultura, realizado no dia 25 de junho, abordou o potencial, os avanços e os desafios da piscicultura no estado. Foram discutidas estratégias para uma comercialização mais segura e rentável, além de temas como sanidade e biossegurança, com foco na prevenção e controle de enfermidades. A gestão produtiva e econômica também esteve em pauta, com apresentação de resultados e estratégias para ampliar a competitividade.
Já o Simpósio Brasileiro de Maricultura, realizado no dia 26 de junho, reuniu discussões sobre piscicultura marinha e sistemas multitróficos, além dos desafios da cadeia de macroalgas e sua viabilização econômica. O evento também abordou a consolidação da ostreicultura catarinense, trouxe aprendizados da experiência chilena e destacou iniciativas que vêm ampliando a renda dos maricultores. A gestão e o ordenamento da atividade foram temas centrais, reforçando a importância de políticas estruturadas para o crescimento sustentável do setor.
O programa técnico-científico da ExpoMar 2026 foi desenvolvido pela Comissão Organizadora, em parceria com A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), ACAq (Associação Catarinense de Aquicultura), Secretaria Executiva de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Udesc (Universidade Estadual de Santa Catarina) e Univali (Univerdidade do Vale do Itajaí).
A ExpoMar também sediou a Etapa Santa Catarina da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, realizada no dia 25 de junho. Promovido pelo Conape e pelo Ministério da Pesca, o encontro teve como foco o debate de políticas públicas estruturais, com ênfase na construção de políticas de Estado que garantam sustentabilidade e continuidade institucional. A etapa foi fundamental para a definição de estratégias e para a eleição dos delegados que representarão Santa Catarina na etapa nacional.
Outro destaque foi o Fórum Empresarial FIESC x ExpoMar, realizado no dia 26 de junho, que abordou temas estratégicos como o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, a reforma tributária e a expansão das áreas marinhas protegidas. O fórum também discutiu o potencial dos alimentos proteicos, o desempenho da indústria da pesca em Santa Catarina e a saúde mental no setor. Gilberto Seleme, presidente da FIESC, destacou: “O fortalecimento do setor passa pela qualificação da mão de obra, incentivo à tecnologia e valorização da produção local”. Já a Dra. Maria Teresa Bustamante ressaltou a importância da preparação das empresas para atender às exigências internacionais: “A atuação conjunta com sindicatos, produtores e entidades fortalece a capacitação do setor e amplia sua competitividade global”.
Jairo Gund, da Abipesca, trouxe uma análise do cenário internacional: “O acordo Mercosul–União Europeia e a recente auditoria europeia marcam um possível novo momento para as exportações”. No mercado interno, destacou que “o crescimento do consumo segue consistente, impulsionado especialmente pela aquicultura e por uma mudança no perfil do consumidor, cada vez mais voltado a proteínas saudáveis”.
Durante o evento, também foi lançada a Semana do Pescado 2026. “É simbólico fazer esse lançamento aqui, em um estado com grande diversidade de espécies e com a aquicultura em pleno desenvolvimento. Mas também significa trabalho: até setembro, vamos mobilizar toda a cadeia”, afirmou Roberto Imai.
Talk apontou diretrizes para turismo sustentável e economia azul
A programação cultural e gastronômica teve destaque com o Festival Mar & Cultura, patrocinado pela Embratur. O evento incluiu aulas-show, talk sobre turismo e cultura oceânica, simpósio de pesca esportiva, Encontro Mulheres das Águas, apresentações culturais e exposições fotográficas dos projetos Doninhas e Albatroz.
O talk “Turismo e Cultura Oceânica”, realizado no dia 25 de junho em parceria com a Embratur, integrou a programação do Festival Mar & Cultura da ExpoMar 2026, propondo uma reflexão estratégica sobre o futuro do turismo costeiro e marítimo sob a ótica da economia azul. O encontro reuniu lideranças dos setores de turismo, gastronomia e hospitalidade para discutir caminhos que conciliem desenvolvimento econômico, preservação ambiental e valorização cultural.
O momento apresentou tendências do turismo brasileiro no mercado internacional, o protagonismo da gastronomia na construção de experiências e o papel da infraestrutura na qualificação dos destinos. O debate reuniu Luciano Boico, economista e coordenador da Região Sul e de Articulações Estratégicas da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo); Julia Maria de Souza, conselheira na Abrasel/SC, empresária, professora e consultora em negócios de alimentação; e Ricardo Adamante, presidente do Itajaí Convention & Visitors Bureau e empresário do segmento de imóveis e empreendimentos de alto padrão em Itajaí e região. O Deputado Estadual de SC, Marcos José de Abreu (Marquito) também integrou o debate.
Para o Economista e Coordenador da Região Sul da Embratur, Luciano Boico, a valorização da cultura local e das atividades produtivas se consolida como uma das grandes tendências do turismo contemporâneo. Luciano acredita que as experiências que conectam o visitante, desde a produção até a mesa, transformam destinos em cases únicos, alinhados ao desejo do turista de “viver o sabor e o saber”.
ExpoMar sediou o Simpósio Sul Brasileiro de Pesca Esportiva
A pesca esportiva também foi evidenciada no Congresso Brasil Sul de Pesca Esportiva como vetor de desenvolvimento regional, gerando emprego, renda e promovendo conservação ambiental. A atividade foi destacada como estratégica para municípios costeiros e ribeirinhos. O Congresso teve patrocínio da Deyu.
A pesca amadora e esportiva possui papel relevante nesse cenário por combinar lazer, turismo, esporte, educação ambiental e conservação. Em diversas regiões brasileiras, a atividade impulsiona a economia local por meio da movimentação de cadeias produtivas associadas à hospedagem, transporte, gastronomia, comércio especializado, guias de pesca e operadores turísticos.
O turismo de pesca, por sua vez, destaca-se como um dos segmentos de maior potencial para promover o desenvolvimento regional sustentável, especialmente em municípios costeiros, ribeirinhos e localizados em áreas de grande relevância ambiental. Quando estruturado de forma responsável, o segmento gera emprego e renda, incentiva a valorização da cultura local, fomenta a conservação dos recursos naturais e cria oportunidades para que comunidades tradicionais participem ativamente dos benefícios econômicos decorrentes da atividade.
Cozinha Show: oito chefs apresentaram receitas que valorizam pescados locais
A gastronomia e a cultura também ganham protagonismo com a Cozinha Show, conectando produção e consumo. A programação incluiu ainda a paella gigante no dia 24 de junho, e a cerimônia Kaitai no dia 26 de junho, inspirada na tradição japonesa de corte de atum, uma parceria com Rei do Mar Pescados e participação do especialista em qualidade de pescado, César Calzavara. Com parte da programação voltada à gastronomia e cultura, a ExpoMar visou conectar a cadeia produtiva: do pescador ao consumidor final – e estimular o consumo de proteínas provenientes da água.
Na Cozinha Show, oito chefs locais preparam pratos com peixes e frutos do mar da costa catarinense. A atração com aulas gratuitas ao público presente na ExpoMar, foi realizada em parceria com o Banco do Brasil e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), com apoio da Abrasel, Itajaí Convention & Visitors Bureau e Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau. O espaço integrou a programação do Festival Mar & Cultura, patrocinado pela Embratur.
Segundo o coordenador do curso de Gastronomia da Univali, professor Marcos Arnhold Jr., a Cozinha Show amplia a formação acadêmica ao conectar prática e mercado. “A participação nas atividades é um meio de divulgação e de aprendizado sobre técnicas e tendências no preparo e manuseio de pescados”, afirma.
Os chefs convidados para a Cozinha Show apresentaram pratos que valorizam o pescado com criatividade e identidade regional ao longo dos três dias de evento. No dia 24, João Nogueira apresentou o prato “Encontro das Águas”, inspirado na Amazônia, e Vero Rodríguez trouxe um aromático “Curry de peixe”. No dia 25, Mariana Reiser Guedes destacou o “Surf and Turf catarina”, enquanto Diogo Paula de Menezes elaborou o sofisticado “Risoni al Limoncello”, seguido por Carlos Silva com o prato “Terra e Mar”. Encerrando a programação no dia 26, Maria Soster valorizou a cozinha pesqueira regional, Fernando Sichin apresentou um espeto de peixe com influências contemporâneas, e Cléia Ziebert finalizou com “Camarões ao alho negro”, reforçando a diversidade de técnicas, sabores e referências culturais presentes na gastronomia do pescado.
Força, protagonismo e transformação da mulher na ExpoMar 2026
No dia 25 de junho, às 15h, a ExpoMar 2026 recebeu o 8º Encontro Mulheres das Águas, um momento dedicado às mulheres. O Encontro Mulheres das Águas valoriza e dá destaque às iniciativas afirmativas e emancipatórias das mulheres da pesca, da aquicultura e de toda a cadeia produtiva do pescado. Um momento de troca, conexão e fortalecimento da presença feminina no setor. Além de histórias de mulheres incríveis, a programação do Encontro Mulheres das Águas, destacou a palestra “Espelho das Águas: o reflexo do seu valor”, com Carolina Susin Francalacci, assessora do Banco do Brasil e consultora de imagem.
Compartilharam suas vivências e conhecimentos inspiradores: Janaina Bannwart, professora em Ciências Marinhas do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), defensora da educação transformadora e da sustentabilidade azul; Gisleide Anai Godoi Vieira, pescadora artesanal que preserva a cultura da safra da tainha; Lisiane Vandresen, piscicultora e produtora rural; Beatriz Pereira Rubi, algicultora que atua no cultivo de algas; Amanda Nunes, diretora da Colônia de Pescadores Z1
Participaram ainda: Adriane Nascimento Mendonça, extensionista social da Epagri e coordenadora de cursos para jovens e mulheres; Fernanda Vitória de Souza, compradora de pescados na Naturerra; e Emelyn Meurer, piscicultora, administradora e empreendedora da startup Tecpeixe, responsável pelo desenvolvimento de tecnologia para coleta automatizada de larvas de tilápia. Juntas, elas representaram diferentes elos da cadeia produtiva, reforçando a força, a inovação e o impacto das mulheres no desenvolvimento sustentável do setor.
Prêmio Mulheres das Águas
O Prêmio Mulheres das Águas, entregue durante a 8ª edição do Encontro Mulheres das Águas, reconheceu mulheres que, em suas comunidades, promovem a valorização e o desenvolvimento das atividades relacionadas às águas.
* Janaina Bannwart – professora em Ciências Marinhas IFSC;
* Lisiane Vandresen – Piscicultora e Produtora Rural Rio Fortuna – SC;
* Gisleide Anai Godoi Vieira – Pescadora Balneário Camboriú – SC;
* Beatriz Pereira Rubi – Algicultura Biguaçu – SC;
* Amanda Nunes – Diretora da Colônia de Pescadores Z11.
A ExpoMar 2026 reforçou seu papel como um espaço estratégico de diálogo, inovação e construção de soluções para o setor. O evento contribuiu para o fortalecimento da economia das águas, promovendo integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva e apontando caminhos para um desenvolvimento sustentável e competitivo em Santa Catarina e no Brasil.
Realização, patrocínio e apoio
A 3ª edição da ExpoMar é promovida pelo IFC Brasil (International Fish Congress & Fish Expo Brasil) com a correalização do SINDIPI (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e prefeitura de Itajaí-SC.
A Feira e o Congresso têm o patrocínio da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Faesc/Senar Santa Catarina, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Governo de Santa Catarina, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), Ministério da Pesca e Aquicultura e Governo Federal.
A ExpoMar tem o apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), Conepe (Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura), IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura) e ACAQ (Associação Catarinense de Aquicultura).























