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ACCS prevê dificuldades no setor suinícola em 2022

Maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, Santa Catarina atravessou períodos de bastante dificuldade no setor ao longo do ano passado em virtude de safras frustradas pelas estiagens, quedas do valor pago pelo quilo do suíno vivo ao produtor e aumento de custo dos insumos, com destaque para o milho, fatores que fizeram com que os suinocultores e as agroindústrias trabalhassem com margem de lucro muito estreita, beirando o limite. O último ano foi ainda mais desafiador para os produtores independentes, modalidade em que cada produtor arca com os custos da sua atividade.

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Maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, Santa Catarina atravessou períodos de bastante dificuldade no setor ao longo do ano passado em virtude de safras frustradas pelas estiagens, quedas do valor pago pelo quilo do suíno vivo ao produtor e aumento de custo dos insumos, com destaque para o milho, fatores que fizeram com que os suinocultores e as agroindústrias trabalhassem com margem de lucro muito estreita, beirando o limite.

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi. – Foto: Ascom/ACCS

De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, esse ambiente gerou pânico entre os produtores que já trabalhavam com uma baixa rentabilidade na produção. “O ano passado foi conturbado, trabalhamos no limite. A queda no valor do suíno vivo aliado as altas consecutivas no custo da produção no fim do primeiro trimestre causou um desespero no setor, porque não sabíamos aonde poderíamos chegar até o final do ano. E de lá para cá realmente tivemos muitas coisas negativas dentro do setor suinícola, o que complicou bastante a atividade, mas nos mantemos firmes”, declarou Lorenzi em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

O ano foi ainda mais desafiador para os produtores independentes, modalidade em que cada produtor arca com os custos da sua atividade. “Foi um ano péssimo para os independentes, que amargaram uma margem muito negativa. Se nós contabilizarmos janeiro até novembro, o preço pago ao produtor foi em torno de R$ 6,40, e o custo de produção chegou a R$ 7,10, um prejuízo realmente forte que o setor enfrentou e continua ainda enfrentando”, enfatiza Lorenzi, ampliando: “Dois mil e vinte e um é um ano que não dá saudade, que deveríamos esquecer se não fossem as dívidas que nos fazem lembrar do quanto o ano foi difícil para a nossa atividade”.

Apesar das dificuldades, o Estado aumentou suas vendas no mercado externo e se manteve como principal exportador de carne suína brasileira em 2021, enviando para fora do país 51% da sua produção entre janeiro e novembro, o que representou 532.793 milhões de toneladas, um crescimento de 11% comparado ao mesmo período de 2020.

Produtor recorre a financiamento e à venda de bens para se manter no setor

Para superar os momentos difíceis e os prejuízos gerados no decorrer do ano passado, Lorenzi conta que a alternativa foi mais uma vez recorrer aos bancos, a fim de buscar recursos que sustentem a atividade.

“O jeito foi mais vez buscar financiamento. O ano de 2020 foi muito bom para a suinocultura, o que fez com os suinocultores se capitalizassem, conseguindo pagar suas dívidas e ainda manter um capital de giro para a atividade. Cenário bem diferente de 2021, que com a elevação de custos precisaram fazer novos financiamentos para manter o setor, mas esses recursos já estão exauridos”, afirma o presidente da ACCS, acrescente que muitos produtores estão pedindo para que seja ampliado o prazo do crédito de retenção de matrizes: “Já levamos propostas ao governo federal, mas ainda não conseguimos a prorrogação dos prazos. Essa liberação é de suma importância porque muitos produtores fizeram securitização das dívidas e ainda não terminaram de pagar. E, agora, além de ter essa dívida ainda vão contrair outra para se manter na atividade”, expõe Lorenzi.

A produção de suínos é uma das mais importantes atividades agropecuárias de Santa Catarina, fruto do trabalho incansável de produtores e das agroindústrias que tem colocado o Estado como protagonista da suinocultura no país. “Por mais que temos dificuldades, sempre olhamos para um horizonte mais promissor, mesmo que não consigamos ainda enxergar onde vamos chegar esse ano. Para manter o setor suinícola, os produtores, se preciso for, se desfazem de algum bem que conseguiram ao longo dos anos dentro da atividade – um lote, uma casa ou um carro – e investem o valor dentro da atividade”, elenca Lorenzi.

No entanto, a garantia de que conseguirá reaver esse investimento a curto prazo é cada vez menor, visto que os custos para se manter trabalhando no setor aumentam cada vez mais. “Estamos vendo que o retorno dos investimentos feitos é cada vez mais dificultoso, porque o produtor não vê o resultado da atividade, no meu ponto de vista há um crescimento desordenado da produção em todos os Estados, que cresceram demais e agora a conta chegou tanto para os suinocultores, como para as indústrias e, infelizmente, na gôndola do supermercado, ou seja, para o consumidor”, avalia.

Com inovação, tecnologia e produção sustentável a produtividade vem melhorando cada vez mais, o que tem contribuído para o crescimento da produção nacional. “Tudo isso favorece para que a perda de suínos do nascimento até o abate seja cada vez menor”, pontua Lorenzi.

Preocupação com as exportações para China

Contudo, Lorenzi avalia que manter as vendas externas concentradas em um único comprador segue sendo muito arriscado, ainda mais quando esse cliente tem perspectiva de em até dez anos se tornar autossuficente. “A China é o principal destino da carne suína brasileira, consumindo 49% do que é produzido no país, no entanto anunciou no fim do ano passado que quer se tornar autossuficiente, acendendo um alerta para o setor no Brasil. Há pouco mais de dois anos a Peste Suína Africana assolou a criação de animais no país asiático, que concentrava cerca de 48% de toda produção mundial, então o Brasil viu uma grande oportunidade nesse mercado, só que não combinaram nada com os chineses, produzimos para exportar e agora os chineses estão buscando serem autossuficientes, o que começa a trazer uma dificuldade à suinocultura brasileira, uma vez que passam a diminuir o volume de compras”, analisa o presidente da ACCS

Rússia volta a comprar carne suína brasileira

Neste cenário, após quatro anos, a Rússia reabilitou novas unidades frigoríficas brasileiras para ampliar a compra da carne suína do país. Em 2017, os russos exportaram 259,41 mil toneladas, depois reduziram drasticamente as importações por uma estratégia de aposta na produção local e agora estreitam relações com o Brasil para retomarem a parceria.

Entre janeiro e outubro de 2021, o volume enviado para os russos foi de apenas 3.827 mil toneladas. Por outro lado, no último trimestre do ano passado, a Rússia anunciou uma nova cota de 100 mil toneladas, sem tarifa, com validade entre 1º de janeiro e 30 de junho, não exclusiva ao Brasil, mas que o país pode ser um dos principais fornecedores.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que com o preço médio de importações para o mercado russo, a cota disponibilizada tem potencial para gerar mais de U$S 200 milhões em exportações. Com isso, a expectativa é elevar as exportações da proteína para a Rússia já nos primeiros meses de 2022, apesar da limitação de acesso ao país durante o inverno russo devido ao congelamento das águas em diversos portos.

“A situação atual dos produtores seria um pouco amenizada se esse volume de carne fosse comprado de uma única vez, mas da forma que os russos não são fáceis na negociação, vai ser um pouco difícil essa reabertura de mercado favorecer os produtores, será difícil em um curto prazo haver uma melhora significativa aos suinocultores”, pontua.

Consumo

Em torno de 80% do que é produzido no país é consumido pelo mercado interno e outros 20% são destinados ao mercado externo. Em 2021 foi previsto um aumento no consumo per capita de quase 5%, ampliando o consumo para 16,8 quilos por habitante/ano. “Essa alta no consumo foi favorecida pela elevação dos preços da carne bovina e da carne de frango, que fez com que a carne suína ficasse com preços mais atrativos, porém, mesmo assim, os produtores não estão tendo uma boa remuneração”, enfatiza Lorenzi.

Produtor x Indústria

Conforme o presidente da ACCS, há alguns anos falava-se que quando as exportações atingissem 500 mil toneladas, os suinocultores seriam melhor remunerados, no entanto, lembra Lorenzi, que as exportações atuais da proteína já ultrapassam 1,2 milhão de toneladas por ano e os produtores seguem minguando. “Por outro lado, a cada trimestre as indústrias estão batendo recordes de liquidez. A conta não fecha, é urgente a necessidade de equalizar essa situação, por isso que é difícil olhar lá na frente, neste mercado capitalista, como vai ser a rentabilidade do produtor”, avalia.

“A suinocultura como um todo é excelente em lucratividade. Mas, agora, vamos separar a suinocultura da indústria e das integradoras; e a suinocultura do suinocultor – essa realmente está cada vez mais pesada em investimentos e em tecnologias, financiamos para longos dez anos, mal terminamos de pagar já tem novas tecnologias que precisam sem implementadas, ampliadas ou trocadas dentro das propriedades. Para poder suprir essa necessidade precisamos ir a banco e fazer novos investimentos, então essa é a preocupação que nós temos: precisamos ter uma viabilidade da atividade como uma garantia de lucro para que o produtor possa realmente olhar um horizonte promissor”, avalia Lorenzi

Lei da integração 

Neste sentido, foi criada a Lei da Integração (Lei 13.288/2016), sancionada em maio de 2016. O marco regulatório deu condições para que produtores rurais integrados se sentassem à mesa de negociação com as agroindústrias em pé de igualdade. Em cinco anos, a legislação trouxe mais equilíbrio e transparência, impulsionando esse modo produtivo, o que tem trazido um fôlego maior aos produtores integrados, frisa Lorenzi, no entanto essa lei não se estende para o modelo cooperativista e independente.

“Depois de cinco anos da lei em vigor estamos conseguindo os primeiros resultados. Nos próximos dois anos teremos um trabalho muito grande em cima disso para regulamentar todas essas questões e poder fazer com que o campo seja um lugar digno para os produtores poderem trabalhar, viver e gerar a sua renda”, completa Lorenzi.

Momento de repensar investimentos

Apesar de todos os desafios do setor, Lorenzi diz que os produtores não gostam de ver a propriedade estabilizada e promovem constantemente melhorias para ampliar o plantel ou melhorar a estrutura que dispõe, no entanto, essas adequações fazem com busquem mais recursos junto a bancos, ficando endividados por mais tempo.

“Nós produtores não gostamos de ver a propriedade estabilizada, a gente sempre vai buscar recurso em banco para ampliar e justamente essa ampliação é que está nos ‘matando’. Nós mesmos estamos nos ‘envenenando’. Então é essa questão que o produtor precisa repensar: é momento de pisar o pé no freio, estagnar um pouco o plantel, parar por um ano esse crescimento de produção, porque o crescimento em produtividade já seria suficiente para atender o mercado, estabilizar os investimentos para voltar a ter uma margem de rentabilidade maior”, salienta, acrescentando: “Para a indústria essa situação é mais favorável, porque ela que dita o mercado, coloca os preços, pede para crescer, se o produtor não faz investimento outro faz, então ele acaba investindo, mas sem ter aquela garantia daquilo que realmente precisa para ter margem de lucro dentro da propriedade rural. Há um descompasso muito grande no tripé produtor, governo e indústria”.

A ACCS juntou forças com outras entidades como a Ocesc, Fecoagro, IMA – Instituto do Meio Ambiente, FAESP/SENAR-SC, Sindicarne etc, para ampliar a voz dos suinocultores e das empresas de material genético, buscando melhorias que possam oferecer maior estabilidade ao setor. “A ACCS tem trabalhado muito forte para que os produtores tenham qualidade de vida no meio rural e a qualidade de vida só é alcançada realmente quando se tem renda, sem renda não se consegue ter o conforto que precisa na propriedade rural”, elenca Lorenzi.

Perspectivas para 2022

O presidente da ACCS diz que pelo cenário atual espera-se um 2022 com inúmeras dificuldades, mas é preciso ser otimista, pois em meio a desafios também surgem oportunidades promissoras.

“Será difícil principalmente por ser um ano eleitoral, onde as opiniões que os candidatos esboçam acabam tendo impacto no mercado internacional, refletindo no risco Brasil. Enquanto produtor, precisamos acreditar na atividade e dar o nosso melhor, independente de quem for nossos governantes. Acredito que esse ano não será bom em termos de rentabilidade, salvo se tivermos uma exportação expressiva”, analisa.

O gestor da ACCS cogita que os custos de produção deverão se manter no patamar que fecharam no ano passado, uma vez que a safra 2021/2022 que foi plantada agora será ainda barata do ponto de vista sobre o valor de venda, no entanto, a próxima safra poderá ser mais cara em virtude do aumento expressivo de fertilizantes e demais produtos usados nas lavouras, fazendo com que os agricultores não tenham alternativas de custos mais baixos.

“A importação, que seria uma saída, com o dólar em alta já não deve ajudar, mas precisamos ser otimistas, olhando todos os cenários, enxugando todos os gastos, zerando os investimentos, mantendo a propriedade estável, para depois que passar essa turbulência analisar qual melhor caminho a seguir. Será um ano que vamos manter as estruturas de pé e trabalhar para sobreviver”, encerra.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

Suínos

ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

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Foto: Divulgação

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

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Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março

Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

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A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).

O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias

Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.

O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.

“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.

Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.

A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.

“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.

Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.

A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.

Fonte: AEN-PR
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