Avicultura Saúde Animal
Ação lenta do butirato melhora desempenho de aves jovens e estressadas
Escolha da forma química é muito importante, pois determina o local de liberação e concentração do produto

Artigo escrito pelo departamento Técnico da Impextraco
As principais características de um intestino saudável são definidas por uma microbiota bem equilibrada, uma imunidade ótima e uma boa função de barreira com perfeita digestão e absorção. O ácido butírico é um ácido graxo de cadeia curta produzido por várias bactérias benéficas presentes no intestino, como por exemplo Clostridial cluster IV e XIVa, ou pode ser adicionado exogenamente à dieta. O uso terapêutico de antibióticos pode alterar a funcionalidade do microbioma e reduzir seriamente a produção de butirato endógeno, dando a oportunidade para que aditivos à base de butirato restaurem o desempenho zootécnico. Na maioria dos casos, o butirato é adicionado na forma de um sal revestido ou na sua forma esterificada.
A escolha da forma química é muito importante, pois determina o local de liberação e concentração do produto. Nos últimos anos, o butirato de cálcio revestido ganhou mais participação de mercado devido à alta concentração e baixa solubilidade (visando todo o trato gastrointestinal). Com o aumento da pressão para reduzir o uso de antibióticos, o butirato, que aumenta a saúde intestinal através dos modos de ação descritos em seguida, está se tornando mais uma vez um tema relevante. No entanto, novas pesquisas têm demonstrado que o local de sua liberação desempenha um papel fundamental na intensidade da resposta do animal, afetando, entre outros fatores, o gradiente de oxigênio e o tempo de retenção da digestão.
Impacto sobre a Salmonella
A adição de ácido butírico ou butirato à ração estimulará a flora benéfica, inibindo os patogênicos, com ação específica contra a Salmonella. Para ser invasiva, as bactérias precisam se aderir às células epiteliais e induzir uma absorção bacteriana. Estas duas ações são reguladas por genes específicos que estão agrupados no genoma da bactéria e localizados na Ilha de Patogenicidade de Salmonella-1 (IPS-1). O butirato tem a capacidade única de infra-regulação do IPS-1, tornando impossível a fixação e invasão da parede intestinal. Como resultado, a Salmonella não será capaz de colonizar o intestino e invadir o organismo, diminuindo a sua transmissão entre as aves do lote.
Barreira intestinal
O ácido butírico desempenha um papel fundamental na manutenção da barreira intestinal: o revestimento epitelial, bem como as junções celulares, a união entre as células epiteliais são promovidas. O crescimento das vilosidades é estimulado por uma ação de duas vias do ácido butírico: a proliferação e diferenciação celular são estimuladas, enquanto que a morte natural das células no topo da vilosidade, também conhecida como apoptose, é inibida. Além disso, o ácido butírico é o combustível metabólico de eleição dos colonócitos. Um revestimento intestinal ideal é a barreira perfeita contra patógenos e toxinas.
Digestão e absorção de nutrientes
A digestão e absorção eficiente de nutrientes é a chave para um ótimo desempenho. A etapa final da digestão de carboidratos e proteínas ocorre bem sobre enterócitos do intestino delgado. As enzimas responsáveis por esse estágio terminal da digestão se ligam à membrana plasmática dos enterócitos, composta de numerosas microvilosidades que se estendem da célula e constituem a “borda estriada”. Portanto, as enzimas incorporadas nessas microvilosidades são denominadas enzimas de borda estriada. Como o butirato estimula o crescimento das vilosidades, essa borda estriada será expandida e a atividade enzimática será aumentada. Além disso, a superfície de absorção será aumentada e os nutrientes serão absorvidos eficientemente.
Imunidade
O butirato tem a capacidade de direcionar o sistema imunológico para um estado de proteção não exacerbado. Sabe-se que o butirato estimula a imunidade específica (adquirida) e impede uma reação excessiva da imunidade inata. A reação inflamatória em excesso, o que acarreta o consumo adicional de energia e nutrientes, será reduzida, enquanto que a imunidade adquirida, que implica na resposta específica a agentes invasores e à vacinação, será estimulada.
Papel do butirato no gradiente de oxigênio no cólon
Nas células animais, incluindo os colonócitos, a energia é preferencialmente gerada pela respiração celular aeróbica. O oxigênio é transportado para as células epiteliais do intestino pelo sangue para atender a essa demanda. Em contraste com outros tipos de células, os colonócitos utilizam o butirato como principal fonte de energia, enquanto que para a maioria das demais células, utiliza-se a glicose. Durante um processo chamado de β-oxidação, tanto o oxigênio quanto o butirato são consumidos pelos colonócitos para produzir ATP (adenina trifosfato), forma bioativa que fornece energia para processos celulares metabólicos. A natureza se adaptou muito bem a isso, tanto a microflora, produzindo butirato, quanto o animal, consumindo o butirato, co-evoluiu para estabelecer esse metabolismo benéfico nos colonócitos.
Liberação
À medida que a natureza nos conduz ao caminho, aditivos para ração baseados em uma fonte altamente concentrada de butirato de cálcio revestido, podem melhorar consideravelmente a saúde intestinal. A liberação lenta e a entrega precisa de butirato no cólon resultam no efeito desejável de fornecer a energia necessária para os colonócitos e criar um ambiente anaeróbico favorável para promover a microflora produtora de butirato e suprimir a microflora patogênica.
Uma das principais funcionalidades do butirato de cálcio revestido tem como alvo o cólon e sua microflora, fornecendo butirato extra no lúmen do intestino. O modo de ação baseia-se em estimular a β-oxidação de butirato e oxigênio nos colonócitos, criando gradiente de butirato e gradiente de oxigênio. Consequentemente, o extravazamento de oxigênio dos enterócitos para o lúmen do intestino é evitado e, assim, o crescimento de microrganismos patogênicos aeróbicos é evitado. Uma vez no cólon, o oxigênio que entra no trato intestinal através da ração já é consumido pela microflora no intestino delgado. Como resultado, esse ambiente anaeróbio criado no lúmen do intestino estimula bactérias anaeróbicas produtoras de butirato a produzir mais butirato, aumentando esse ciclo positivo de alta concentração de butirato e baixa concentração de oxigênio no lúmen. Ao mesmo tempo, as condições anaeróbicas agem de forma supressiva no desenvolvimento de patógenos, criando um habitat para bactérias benéficas, como bactérias ácido-láticas. Por sua vez, as bactérias ácido-láticas têm a capacidade de produzir compostos antibacterianos eficazes contra patógenos, aumentando ainda mais sua presença benéfica neste biótopo.
Mais vulneráveis
Especialmente em animais jovens ou estressados, estimular um intestino saudável é um desafio. Primeiramente, microrganismos presentes no ambiente entram no animal através da ração e da água. Apenas uma microflora endógena robusta pode superar o crescimento excessivo de patógenos indesejados que entram por via oral. Além disso, animais jovens em pleno desenvolvimento intestinal têm uma alta necessidade energética e, ao mesmo tempo, estão apenas começando a estabelecer uma microflora produtora de butirato. A adição de uma fonte de butirato exógeno pode auxiliar na construção e restauração do equilíbrio entre a produção de butirato e consumo de oxigênio, quebrando assim o ciclo negativo de liberação de oxigênio no lúmen e desequilíbrio da microflora.
Papel do butirato no aumento do tempo de retenção do trato intestinal
Em um estudo recente em frangos de corte, o aumento da concentração de butirato no trato intestinal resultou em um aumento significativo no tempo de retenção do trato total e uma melhora numérica na digestibilidade de aminoácidos. Com base nesses resultados, há uma relação entre o aumento do butirato sobre o colon e a digestibilidade de aminoácidos.
Conclusão
Uma fonte de butirato revestido de alta qualidade é uma ferramenta valiosa para melhorar o desempenho de animais jovens e estressados, dando suporte para o desenvolvimento do intestino e, assim, melhorando a digestão e absorção de nutrientes. Graças à tecnologia de liberação lenta, a suplementação de butirato de cálcio estimula a microflora e os enterócitos em direção à homeostase intestinal. Isso resulta em uma melhor digestibilidade, melhor desempenho e animais mais saudáveis.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Avicultura
Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul
Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.
Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.
A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.
Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.
Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.
Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav
sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.
Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.
A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.
Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.
Avicultura
Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária
Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.
Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.
Auditorias apontam evolução das granjas
Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.
A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav
granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.
Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.
Biosseguridade ganha protagonismo
A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav
Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.
Mercado e competitividade
O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.
Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.
Selo reconhece boas práticas
Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.
Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav
desenvolvidas pela iniciativa.
Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.
Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.
Avicultura
Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa
Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.
Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.
Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.
No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.
A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.
Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.



