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Dia do Leite 2022

Bovinos / Grãos / Máquinas Atentos a mudança climática

Abramilho destaca importância do grão na nutrição animal e prevê produção 10% maior em 2022

Para o agricultor e presidente institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Cesario Ramalho, os agricultores brasileiros se mostraram resilientes frente aos desafios impostos no decorrer de 2021: elevação nos custos de insumos, altas consecutivas do combustível e a falta de chuva, situação climática que ocasionou, na última safra de verão, uma redução de 25% da área produzida no Sul do país.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Com um crescimento de 11,20%, o milho é o terceiro maior contribuinte do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Brasil, tendo movimentado R$ 124,78 bilhões nos dez primeiros meses do ano passado, conforme informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Líder nacional na produção do grão, o Mato Grosso responde por 15,58% do total do VBP brasileiro, com um faturamento de R$ 39 bilhões no acumulado do ano. Sobre Goiás, segundo colocado, o Estado mato-grossense possui receita superior a 12,46%. Números que demonstram a potência do gigante da região Centro-Oeste, que vem despontado cada vez mais no país como principal produtor de milho, soja, algodão e gado de corte.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Cesario Ramalho: “O clima foi o grande vilão das safras de grãos ao longo do ano passado” – Divulgação/Abramilho

“E mesmo com todas essas dificuldades fechamos 2021 de forma bastante positiva para a cultura. O Brasil cresceu a sua produção de grãos e de muitos outros produtos que compõem o agro. O milho ganhou preços novos e alcançou novos patamares, o que propiciou uma boa remuneração aos produtores e estabeleceu uma regra nova de rentabilidade para o campo, com resultados significativos para a agricultura brasileira”, analisou Ramalho em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural.

Segundo ele, a pandemia do Coronavírus desregulou o mercado mundial, acentuando a demanda por alimento e aumentando a preocupação das nações com a segurança alimentar. “Neste cenário, o Brasil se sentiu em uma posição bastante favorável, porque o país exporta em torno de 20% da produção brasileira e fica com 80% para o consumo interno. Por exemplo, o milho sustenta toda a cadeia de proteína animal, com destaque para a produção de aves, produto que vem colocando o Brasil em posição de destaque como maior produtor e exportador mundial de carne de frango”, ressalta.

Crescimento da produção brasileira

A produção da safra nacional de grãos fechou o ciclo 2020/2021 com um volume estimado de 252,3 milhões de toneladas, uma redução de 1,8% sobre a safra anterior e 1,6 milhão de toneladas inferior à previsão inicial. Castigada pelas mudanças climáticas, a cultura de milho apresentou uma redução média de 21% da produtividade das lavouras quando comparada à temporada anterior, totalizando 85,75 milhões de toneladas, volume 16,4% menor que em 2019/2020, quando fechou em 102,5 milhões de toneladas, Ramalho diz que a Abramilho estima para a safra 2021/2022 uma produção total de grãos na ordem de 290 milhões se as condições climáticas do ano forem favoráveis ao cultivo de grãos. “O Brasil cresceu em tudo: inteligência de mercado, gestão da produção, técnicas de manejo, geração de empregos e ofereceu tranquilidade no abastecimento do país e para a nossa exportação”, pontua, acrescentando: “A Abramilho entende que o milho é o principal grão produzido no país e para suportar as demandas internacionais da carne de frango, suína e bovina é necessário que a produção de milho cresça, uma vez que é o principal ingrediente da ração para a cadeia animal”, salienta.

Para o país aumentar a produção, Ramalho ressalta que antes é preciso melhorar a produtividade das lavouras brasileiras, que atualmente varia entre cinco e dez mil quilos por hectare, enquanto as lavouras norte-americanas produzem uma média de 12 mil quilos por hectare e as chinesas cerca de seis mil quilos por hectare. “Para ter ganho de produtividade é preciso implementar mais tecnologia no campo e melhorar a qualidade do solo, fator essencial para ampliar a produção média por hectare”, analisa o presidente institucional.

Outra alternativa, elencada por Ramalho, é avançar com a agricultura intensiva – agrossistema que aumenta o uso de insumos e de tecnologia para obter ganho de produtividade e redução nos prazos. “Mato Grosso do Sul já vem há alguns anos avançando com a agricultura nas terras da pecuária, que vem ficando mais intensiva, com muitos confinamentos abertos e outros em processo de abertura. Essas áreas de terras degradadas pela pecuária passam a ser utilizadas pela agricultura, com isso vamos ter novas áreas para incorporar a produção agrícola brasileira”, projeta.

Demandas

A Abramilho está atenta e segue com as negociações com diversas demandas do setor, entre elas linhas de financiamento a longo prazo; maior rentabilidade da atividade; melhor uso dos recursos hídricos disponíveis (água da superfície e em profundidade); ganho de novos mercados visando aumento da exportação; estoques reguladores; garantia de fornecimento de fertilizantes (potássio e nitrogênio); pesquisa e desenvolvimento de novos híbridos de milho que possam ser mais resistentes ao estresse hídrico e a pragas, como a cigarrinha, que castigou de maneira intensa as lavouras de milho na safra 2020/2021; e seguro rural que inclua a proteção da renda do produtor.

“Enquanto nos Estados Unidos 95% das lavouras possuem seguro, no Brasil nem 10% das lavouras estão asseguradas. Nós estamos permanentemente cobrando o produtor para que proteja sua produção. A agricultura é uma atividade de alto risco, constantemente afetada pela situação climática, então o produtor precisa estar amparado, não dá para trabalhar o ano todo e acumular prejuízo”, enfatiza Ramalho.

O gestor pontua que o país tem capacidade hídrica para produzir uma terceira safra brasileira em vários pontos do país, no entanto, a água da superfície e a encontrada em profundidade ainda é pouco usada. “Com uso racional da água, sem deixar faltar para o consumo da população, as porteiras ficam abertas para conquistar novas áreas e novos produtores. Capacidade de extrair mais água nós temos”, expõe.

Segundo Ramalho, o país é demasiadamente agrícola, afirmação que se comprova com os números estrondosos do VBP brasileiro, que mais uma vez, apesar de algumas perdas, a produção nacional alcançou números faraônicos, firmando o Brasil como terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e como segundo maior exportador global, depois dos norte-americanos, de acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). “O VBP demonstra que a agricultura está crescendo ano após ano. Um exemplo desse crescimento avultoso, no Mato Grosso do Sul, apenas uma cooperativa da região de Naviraí, que abrange uma área na ordem de 450 mil hectares, estima que tenha crescido 6% sua área física no último ano. Já na região do Matopiba, formada pelo Estado do Tocantins e partes dos Estados do Maranhão, Piauí e Bahia, cogita-se um crescimento de área física na ordem de 8%”, destaca.

Mudanças drásticas do clima

Os eventos climáticos são um dos grandes desafios a serem superados pela agricultura. Calor excessivo, frio intenso, estiagem ou chuvas volumosas comprometeram o desenvolvimento das lavouras em 2021. “O clima foi o grande vilão das safras de grãos ao longo do ano passado. Na região Sul houve perda da área da safra de verão em razão da estiagem e na região Centro-Oeste, o último período de chuvas foi entre março e junho, fazendo com que os produtores amargassem prejuízo também. Teve muita gente que não colheu nenhum grão. Estamos vivendo um período de mudança climática, por isso que o seguro é tão importante para garantir maior segurança aos agricultores”, enfatiza.

É na ciência que está a solução para enfrentar as situações adversas e extremas do clima, afirma Ramalho. “Pesquisadores da Embrapa e das universidades têm trabalhado intensamente para melhorar as variedades da planta. Através da pesquisa é possível fazer plantas mais resistentes ao estresse climático, com raízes mais profundas para ter mais facilidade para se buscar água no solo por exemplo, encurtar ciclos, etc. É uma corrida permanente para se buscar soluções viáveis e duradouras para o desenvolvimento do milho”, evidencia.

Dependência de insumos para produção de fertilizantes

O Brasil é um grande player global de produção de alimentos, no entanto é dependente de até 90% do cloreto de potássio, produto essencial na formulação dos fertilizantes nacionais. “É uma falha imperdoável que exige maior atenção do governo federal e dos setores envolvidos na produção de grãos. Quando fui presidente da Sociedade Rural Brasileira já demonstrava minha preocupação sobre o risco da dependência excessiva do país em apenas um produto, mas o problema na época não foi encarado com seriedade e infelizmente agora vamos pagar esse preço”, avalia.

Ramalho lembra que a fábrica de glifosato da Bayer em Louisiana, na Califórnia (EUA), permanece fechada depois que o furacão Ida atingiu a Costa do Golfo no final de agosto – o que inflacionou o produto no mercado subindo seu valor para mais de 300% -, complicando ainda mais os problemas logísticos e da cadeia de abastecimento que já haviam restringido o fornecimento global de fertilizantes e produtos químicos.

Por sua vez, ele diz que em várias regiões brasileiras há muito potássio dentro da terra, o que pode reduzir o uso de fertilizantes no decorrer deste ano, afetando em escala menor a produção nacional de grãos.

Custo de produção

Para melhorar a produção nacional de grãos, Ramalho diz que é fundamental que se faça uso racional dos insumos e fatores de produção disponíveis ao produtor. Por mais que cada produtor tem seu próprio custo de produção em função dos fatores de produção de que dispõe, o planejamento da safra passa a ter importância maior e requer uma análise cuidadosa de todos os itens que compõem os custos de produção.

A maioria dos insumos é reajustado pelo equivalente a variação da cotação do dólar, por isso avaliar custos é fundamental na hora de decidir o quanto, onde e quando plantar. Nesse sentido, analisar a relação de troca pode auxiliar o produtor na tomada de decisão. Trata-se de um indicador que mensura a capacidade de compra de um insumo com a receita apurada na venda do produto, ou seja, a quantidade de produto agrícola necessário para a aquisição de um determinado insumo.

Exportações

Com os problemas climáticos afetando o resultado das produções, as exportações no ano passado apresentaram queda de 44,24% no acumulado dos 11 primeiros meses e devem ficar abaixo de 20 milhões de toneladas embarcadas, 50% a menos do que era enviado para fora do país há dois anos.

Contudo, Ramalho afirma que a demanda internacional está crescendo e diferente da soja, que tem como principal comprador a China, o milho tem um mercado bem diversificado, tendo como principais destinos Irã, Espanha e Egito “Estamos em negociação com a Rússia e o Canadá com vistas a ampliação do mercado para o produto brasileiro. O milho já tem um mercado diversificado, ao contrário da soja, que exporta 80% da produção nacional para um único comprador, o que considero um grande risco – é preciso aumentar os contatos externos para pulverizar essas vendas, diferente do milho que tem vários compradores, o que dá mais segurança ao produtor”, reconhece Ramalho.

Para conter os preços no mercado interno e diminuir a pressão do especulador, o país comprou commodities do Paraguai, Argentina e dos Estados Unidos ao longo de 2021. “Foi uma decisão assertiva para viabilizar a cadeia do milho e a agroindústria”, pontua o presidente da Abramilho.

Expectativas para 2022

A Abramilho está em busca constante de melhorias para a atividade no campo, com pesquisas através da Embrapa e de universidades para o desenvolvimento de sementes que suportam melhor o calor excessivo acima de 38ºC. “Precisamos de sementes que se adaptam a esse modelo climático com estresse hídrico, então estamos sempre aprimorando a pesquisa. A agricultura não é apenas colocar a semente no chão e esperar que ela cresça, agricultura é ciência pura. São milhares de pessoas pesquisando e estudando essas sementes para fazer adaptações, campo de estudo altamente desenvolvido há 48 anos com a fundação da Embrapa”, destaca.

O dólar comercial elevado, chegando a R$ 5,75, beneficiou os agricultores na venda do produto ano passado, garantido uma boa remuneração. A saca de 60 quilos foi comercializada na bolsa da B3 com valor variando entre R$ 87 e R$ 90.

Para a safra 2021/2022, a Abramilho estima um crescimento de 10% na produção, podendo alcançar 120 milhões de toneladas, se essa projeção se concretizar será um novo recorde para o setor. “Se o clima for favorável temos plenas condições de alcançar essa produção. Ano passado, devido a situação climática, tivemos uma redução de 15% da estimava inicial, fechando o ano abaixo dos 85 milhões de toneladas ante aos 110 milhões de toneladas projetados”, explica Ramalho.

“Nós temos competência, gestão, máquinas adequadas e tecnologia para aumentar a produção de milho brasileiro. O grão é o mais importante do mundo, não é a soja como se pensa pela grande maioria. Para fazer a ração se usa duas partes de milho e uma de soja, então a produção de milho tem que ser mais que o dobro da produção de soja. Nós estamos trabalhando para a melhoria da terra, incentivando a pesquisa de novas variedades e buscando junto a órgãos governamentais a ampliação do seguro para crescer ainda mais nos próximos anos”, frisa o presidente da Abramilho.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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