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Dia do Leite 2022

Bovinos / Grãos / Máquinas Perspectivas audaciosas

Abraleite potencializa importância da proteína e projeta Brasil como maior produtor e principal exportador de leite mundial

Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, destacou que a retração do mercado no último trimestre do ano passado simultaneamente a alta no custo da produção praticamente inviabilizaram a atividade para milhares de produtores no país.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Elevação do custo para produção do leite no campo, baixa rentabilidade para o produtor e queda no consumo interno em decorrência da perda do poder de compra do consumidor brasileiro freou a demanda por lácteos, fazendo de 2021 mais um ano desafiador para o setor de bovinocultura leiteira.

Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite),

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges: “Que possamos superar essa crise sanitária que assola o mundo há dois anos e que possamos continuar a nossa missão de ser um grande país do agro” – Foto: Divulgação/Abraleite

Geraldo Borges, destacou que a retração do mercado no último trimestre do ano passado simultaneamente a alta no custo da produção praticamente inviabilizaram a atividade para milhares de produtores no país. “Foi um ano extremamente desafiador para a cadeia leiteira nacional, principalmente em decorrência dos custos de produção, comercialização e de transportes, que encareceram muito e dificultaram as atividades do setor. Vários pequenos produtores, indústrias e cooperativas estão passando por um momento permanente de dificuldade. Então a cadeia como um todo está tendo desafios muito grandes”, avalia Borges.

A forte valorização dos grãos, impulsionado pelo aumento dos preços internacionais e pela desvalorização do real frente a moedas estrangeiras – o que estimulou a exportação – e a baixa qualidade das pastagens e da silagem afetadas pelas mudanças drásticas de clima, com períodos longos de estiagem, geada e altas temperaturas, diminuíram ainda mais as margens dos pecuaristas. Somado a isso, outros insumos se valorizaram, como é o caso dos adubos e corretivos, combustíveis e suplementos minerais, reforçando ainda mais o estreitamento das margens aos produtores. “Tivemos e estamos tendo uma alta generalizada não só nas commodities que utilizamos na alimentação, mas também em todos os insumos que usamos na pecuária de leite, como fertilizantes e produtos médicos-veterinários, tudo está muito mais caro”, sentencia.

No acumulado dos 11 primeiros meses do ano passado, o preço do leite pago ao produtor foi de R$ 2,25/litro, 18,1% acima da média do mesmo período de 2020, em termos reais, conforme dados deflacionados em novembro pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) compilados através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a alta dos custos de produção superou o aumento dos preços pagos aos produtores ao longo do ano.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA-Esalq/USP, no mesmo período, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira acumulou alta de 17,25% na “Média Brasil”, puxado principalmente pelo grupo de adubos e corretivos, que registrou elevação de 70,52%, e pelo grupo dos suplementos minerais, que subiram 28,23%.

“O setor teve alta muito maior no custo de produção do que no preço do leite ao produtor. Nos últimos três meses do ano passado presenciamos uma queda generalizada no preço pago pelo leite, justamente em um momento que não poderíamos ter nenhuma queda na remuneração ao produtor, porque já estava gastando muito mais do que recebe na atividade”, analisa Borges.

Crescimento

Mesmo com todo cenário de altas, o presidente observa que o Brasil está, gradativamente, principalmente nos últimos dois anos, apresentando uma evolução significativa na pecuária leiteira. “A qualidade do leite produzido está com índices cada vez melhores, estamos conseguindo uma melhor produtividade por matriz, por rebanho, por propriedade. Essa evolução é resultado do melhoramento genético, dos processos mais técnicos da atividade e de uma melhor gestão, tudo isso vem fazendo com que o Brasil cresça na produção”, destaca o presidente da Abraleite.

De acordo com a entidade, em 2019 o Brasil produziu 34,8 bilhões de litros de leite e, em 2020, obteve crescimento superior a 2,8% em relação ao ano anterior, o que representa 35,4 bilhões de litros do produto. Entretanto, no acumulado dos 11 primeiros meses de 2021, há uma produção 1,2% inferior a 2020. A informação consta na Pesquisa Trimestral do Leite relativa ao terceiro trimestre do IBGE.

Apesar das melhores condições climáticas atuais, a menor produção interna é reflexo dos altos preços de insumos, combustíveis e energia elétrica. Com a valorização do dólar, os preços elevados do petróleo e a forte demanda por insumos para a safra 2021/2022, os custos de produção têm registrado altas sucessivas e nenhum espaço para repasse desses custos diante de um mercado interno enfraquecido. “Se não tivéssemos essa retração de mercado, com queda no preço do leite e custos altos de produção, principalmente no último trimestre, poderíamos ter um crescimento significativo de 2021 para 2022”, evidencia o presidente da Abraleite, ampliando: “De qualquer forma estamos observando um melhor profissionalismo do setor, apesar de todas essas dificuldades”.

Porém, segundo Borges, ainda falta muita estrutura de assistência técnica na grande maioria dos Estados, uma vez que não possuem as ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) funcionando plenamente para auxiliar os pequenos e médios produtores, que a nível de Brasil são bem mais numerosos. “Com isso eles ficam desassistidos. Os grandes produtores normalmente têm suas próprias consultorias, assistência técnica, então eles não têm essa dificuldade para melhorar a gestão e obter certificações”, expõe.

Importância da pecuária leiteira para o país

Entre os seis principais contribuintes do Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP) do Brasil, o leite movimentou no ano passado uma receita de R$ 51 milhões, obtendo um crescimento de 4,5% na produção nacional. Maior Estado produtor da pecuária de leite, Minas Gerais registrou um faturamento de R$ 14,4 milhões com a atividade em 2021, um incremento de 1,3% superior em relação ao ano anterior.

O presidente da Abraleite enaltece a importância da bovinocultura leiteira nacional, que atualmente soma em solo brasileiro cerca de 1,2 milhão de produtores, a maioria da agricultura familiar, segundo último censo do IBGE. O setor gera mais de 5,5 milhões de empregos diretos e indiretos no campo e em torno de 20 milhões de postos de empregos ao considerarmos a cadeia campo/cidade, envolvendo a tríade produção, comercialização e logística, movimentando anualmente mais de R$ 100 bilhões. “É uma atividade extremamente importante como fonte geradora de emprego e renda, mantém uma fatia grande da população empregada e bem situada na zona rural no interior do Brasil, o que diminui os inchaços dos grandes centros, que hoje enfrentam um grave problema, com cerca de 14 milhões de desempregados”, atesta.

Alta no preço dos lácteos

Com custos de produção elevados mundialmente, associados a dificuldades logísticas, é esperado que os preços se mantenham em patamares altos no médio prazo. Com uma demanda crescente da China e de países petrolíferos por produtos lácteos, bem como a retomada da economia no mundo, os preços ainda devem encontrar sustentação para aumentos no mercado internacional. “Estamos observando no mundo uma alta no preço dos lácteos, que deve acontecer de forma mais acentuada no começo de 2022, até para que a cadeia produtiva do leite nacional possa se recuperar, possa ter fôlego, porque nós não queremos e não podemos ter produtores saindo da atividade ou pequenas indústrias e cooperativas fechando as suas portas, porque isso traz um enorme prejuízo econômico e social para o país”, afirma.

Brasil entre os 5 principais produtores mundiais

A produção de leite nacional cresceu sete vezes nas últimas cinco décadas, saltando de cinco para mais de 35 bilhões de litros por ano. Entretanto, embora o país tenha se destacado na pecuária leiteira mundial, se consolidando entre os cinco maiores produtores globais, esse volume produzido é suficiente apenas para abastecer o mercado interno. Somente 1% da produção nacional de leite é exportado.

As exportações nacionais cresceram 18% em relação ao mesmo período de 2020, somando 35,2 mil toneladas de janeiro a novembro de 2021. Os derivados que contribuíram para o aumento dos embarques foram o leite em pó, com volume cinco vezes superior ao ano anterior, o soro de leite, com o dobro de negociações, e o leite fluído, com volume 95% maior que no mesmo período de 2020.

Com o real desvalorizado e o mercado interno muito fragilizado, a competitividade dos produtos importados é menor, o que também levou a uma queda nas importações no último trimestre de 2021. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano, o volume de derivados lácteos importado pelo Brasil somou 126,4 mil toneladas, queda de 17% frente ao mesmo período de 2020, de acordo com dados da Secex. As menores aquisições de leite em pó influenciaram esse resultado, apresentando queda de quase 30% frente ao anterior, totalizando 70 mil toneladas, o que corresponde a 55% do total importado pelo país em 2021.

Por outro lado, após duas décadas sem exportar nenhum tipo de leite para a China – um dos países que mais consomem a proteína no mundo – o Brasil enviou no mês de novembro um lote experimental com vários tipos de leite em pó ao país asiático, marcando a reabertura do mercado chinês para o produto nacional. Foram enviados leite em pó integral, desnatado, semidesnatado e zero lactose, totalizando cerca de 40 quilos. A partir desta exportação, abre novas perspectivas para ampliar as vendas internacionais neste ano de 2022. “Mesmo tendo sido uma primeira exportação simbólica, estamos começando a abrir novos mercados como é o caso da China, que há 20 anos não enviávamos leite. Também enviamos queijo gorgonzola para a Rússia, mas são exportações muito pequenas perto do que podemos ter. Atualmente o Brasil é maior importador do que exportador de lácteos, mas nós precisamos melhorar isso”, evidencia.

Abraleite projeta Brasil como líder mundial da proteína

Com perspectivas de tornar o Brasil o maior produtor e o principal exportador de leite mundial, o presidente da Abraleite diz que não há prazo para alcançar esse patamar, mas que o trabalho para obter esse crescimento já começou. “Não sabemos quantos anos vamos levar para colocar o Brasil nesta posição, mas nós temos a obrigação de fazer o dever de casa, porque capacidade de ampliar a produção e de aumentar a produtividade do leite com qualidade o país dispõe, a exemplo de outras proteínas como as carnes suína, de aves e bovina. Então, os ajustes internos da cadeia e do setor como um todo já estão ocorrendo”, enfatiza.

Borges diz que a Abraleite tem cobrado e solicitado ajuda governamental com projetos de leis transitando e com algumas leis já sancionadas, além de vários pleitos no governo federal, a fim de tornar a cadeia produtiva mais competitiva. “Só assim vamos conseguir colocar o Brasil como um grande exportador de lácteos e com isso trazer um equilíbrio melhor para a cadeia produtiva do leite nacional, fazendo com que tenhamos momentos menos difíceis como este que estamos enfrentamos: de queda no consumo e no preço do leite ao produtor, que é o que mais sofre nestes momentos”, avalia.

Para conseguir espaço no mercado externo é preciso atender a uma série de exigências sanitárias, aliado a preços competitivos, porém, um dos entraves para a exportação é a tributação da carga tributária, que impacta no preço final. “Estamos trabalhando para que consigamos aumentar o fluxo de exportação para a China e para a Ásia, mais um dos empecilhos que encontramos é em relação a carga tributária para exportar produtos lácteos e que estamos tratando no Ministério das Relações Exteriores para que nos ajudem nas negociações com o governo chinês”, declara.

Borges explica que para exportar os produtos lácteos para o país asiático, o Brasil pagou 10% de imposto sobre a internacionalização da carga exportada, enquanto a Nova Zelândia para enviar a mesma carga paga em torno de 4% – agora conseguiu zerar esta tarifa para inserir seu produto no mercado chinês. “Nós precisamos que o governo brasileiro tenha uma boa negociação com o governo chinês para que possamos ter igualdade de condições como do país neozelandês por exemplo, que hoje é o maior exportador de lácteos do mundo. Outra dificuldade que o Brasil tem é com a logística mais cara, principalmente pela posição geográfica do país”, reconhece.

A primeira carga enviada foi negociada pela Central Cooperativa Gaúcha Ltda (CCGL), de Cruz Alta (RS), no entanto, outros 33 laticínios brasileiros também estão habilitados para exportar leite para a China desde 2019. As exportações até então não ocorriam porque o país asiático possuí elevados padrões de qualidade e não havia fiscalização suficiente para finalizar as negociações entre as duas nações.

Perspectivas para 2022

Com espaço para crescer e se posicionar como um dos principais players do mercado brasileiro, o presidente da Abraleite anseia por um melhor cenário na economia neste ano. “Nossa perspectiva é que 2022 será um ano promissor. Que o Brasil se ajuste para ter uma melhora econômica, a população melhore sua condição de consumo para que consigamos continuar aumentando a qualidade e a produtividade na produção do leite nacional, mas para isso é necessário que o mercado tenha uma reação”, frisa Borges, ampliando: “Que possamos superar essa crise sanitária que assola o mundo há dois anos e que possamos continuar a nossa missão de ser um grande país do agro, um grande fornecedor de alimentos para o mundo, e que na pauta de fornecimentos de alimentos o leite possa ser um grade player também”.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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SIAVS 2022

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