Notícias Estímulo à sustentabilidade
ABPA apoia criação do Programa Nacional de Crescimento Verde
Iniciativa tem como objetivo reduzir emissões, preservar recursos naturais e gerar empregos.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) recebeu positivamente o Programa Nacional de Crescimento Verde, lançado na segunda-feira (25) pelo Governo Federal, que tem por objetivo reduzir emissões, preservar recursos naturais e gerar empregos.
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os incentivos econômicos por meio de linhas de financiamento e subsídios voltados para o desenvolvimento de instrumentos são importantes para fomentar a expansão de iniciativas em agroindústrias, granjas e demais elos da cadeia produtiva.
“O programa é um excelente estímulo às medidas sustentáveis, e as ações da ABPA seguem em linha com os princípios de seu conteúdo. Por isso, aplaudimos e temos boas expectativas quanto aos avanços que serão gerados”, avalia Santin.
O Programa Nacional de Crescimento Verde foi lançado com presença de autoridades do Governo Federal, entre eles o Presidente da República, Jair Bolsonaro, a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite e o Ministro da Economia, Paulo Guedes.

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Tensão no Oriente Médio muda padrão sazonal de compra de fertilizantes em 2026
Escalada geopolítica, custos elevados e dificuldades logísticas reduzem chances de alívio nos preços para negociações mais favoráveis ao produtor.

O segundo trimestre, tradicionalmente visto como uma janela de oportunidade para compradores de fertilizantes, deverá ser marcado por um cenário significativamente mais adverso em 2026. A avaliação consta da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançado na última terça-feira (14), e reflete os impactos persistentes do conflito no Oriente Médio sobre preços, logística e decisões de compra em escala global. O relatório pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

Em anos de maior estabilidade geopolítica, a sazonalidade da demanda em grandes mercados importadores, como Brasil e Índia, costuma reduzir a pressão compradora neste período, enfraquecendo os preços e favorecendo negociações para aplicações do segundo semestre, como a safra de verão brasileira e a safra Kharif indiana. Em 2026, no entanto, esse padrão histórico foi profundamente alterado. “A combinação entre redução temporária da produção em alguns países, entraves logísticos no Estreito de Ormuz e a forte escalada de preços observada após os episódios de tensão militar diminuiu de forma significativa a probabilidade de o segundo trimestre se consolidar como um momento favorável para compras”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
No mercado de nitrogenados, caracterizado por elevada volatilidade, ainda existe algum espaço para correções pontuais ao longo dos próximos meses, especialmente diante da reabertura do Estreito de Ormuz. “A normalização parcial das rotas é um fator positivo, mas há baixa expectativa de que as condições logísticas retornem rapidamente aos níveis pré-conflito. Mesmo com algum alívio nos preços, gargalos como atrasos, contratos represados e baixa disponibilidade de navios devem seguir sustentando as cotações”, explica Pernías.
A fragilidade do poder de compra dos produtores fica evidente nos Estados Unidos. Uma pesquisa recente do Farm Bureau, realizada entre 3 e 11 de abril com mais de 5.700 agricultores, mostra que uma parcela expressiva não realizou compras antecipadas de fertilizantes, e, em um contexto de forte valorização dos insumos desde o início do conflito no Oriente Médio, haverá dificuldade para comprar os insumos necessários para as aplicações.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Entre o início das tensões e a primeira semana de abril, os preços FOB da ureia negociada em barcaças em Nova Orleans avançaram cerca de 47%, deteriorando o poder de compra no campo. Como consequência, aproximadamente 70% dos produtores entrevistados afirmam não ter capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário de fertilizantes.
O levantamento também revela disparidades regionais relevantes. No Sul dos Estados Unidos, apenas 19% dos agricultores relataram compras antecipadas, enquanto no Nordeste esse percentual sobe para 30%. Nessas regiões, a predominância de aquisições próximas ao período de aplicação aumenta a exposição à volatilidade de preços e eleva o risco de restrições no acesso aos insumos ao longo da safra.
A dinâmica varia ainda entre culturas: produtores de algodão e arroz apresentam os menores níveis de compra antecipada, tornando essas lavouras particularmente sensíveis às disrupções recentes. “O quadro financeiro dos agricultores ajuda a explicar essa postura mais cautelosa. Cerca de 94% dos entrevistados relataram que sua situação financeira piorou ou permaneceu inalterada em relação ao ano anterior, o que influencia não apenas as decisões de compra, mas também os níveis de aplicação e até a definição das áreas plantadas”, observa Pernías.
Oferta restrita de fosfatados e potássicos
No segmento de fosfatados, o cenário segue ainda mais rígido. A oferta global permanece restrita, tanto pelas dificuldades de escoamento da produção em países do Oriente Médio quanto pelos planos de manutenção industrial no Marrocos e pelas incertezas em torno das exportações chinesas.

Além disso, o setor enfrenta custos elevados de matérias-primas essenciais, como amônia e enxofre, o que reduz a viabilidade de ajustes expressivos nos preços. “Esse conjunto de fatores aumenta o risco concreto de destruição de demanda ao longo de 2026, sobretudo em um ambiente de margens agrícolas pressionadas”, avalia o analista.
No mercado de potássicos, especialmente o cloreto de potássio (KCl), as condições relativas de aquisição ainda se mostram menos restritivas do que nos mercados de ureia e MAP. Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incertezas.
Com margens comprimidas, existem chances de que os produtores passem a priorizar nitrogenados e fosfatados, postergando compras de KCl. Soma-se a isso o impacto de fretes marítimos mais caros, seguros elevados e a persistência do risco geopolítico, fatores que também pressionam esse segmento. “As chances de que o segundo trimestre ofereça um ambiente realmente atrativo para compras de potássicos também diminuíram. Embora as relações de troca devam permanecer melhores do que em outros mercados, isso está longe de representar condições ideais”, pontua Pernías.
No radar do setor estão ainda as negociações de contratos de longo prazo, como o da Índia, que definem referências internacionais de preços e costumam limitar aquisições a valores inferiores aos praticados em China e Índia.
Gestão de riscos

De forma geral, a valorização dos fertilizantes, a rigidez dos preços e a fragilidade financeira do produtor aumentam a probabilidade de decisões difíceis nos próximos meses: aceitar custos mais elevados e operar com margens apertadas ou reduzir aplicações e assumir riscos de produtividade.
Em cenários mais adversos, ambos os movimentos podem ocorrer simultaneamente. “O gerenciamento de riscos e uma gestão eficiente dos custos da lavoura serão decisivos para a sustentabilidade do negócio agrícola em 2026”, analisa Pernías.
Embora a reabertura do Estreito de Ormuz represente um alívio pontual, a normalização ampla do mercado tende a ser lenta. À medida que o ano avança, compradores que necessitam de insumos para o segundo semestre terão cada vez menos espaço para adiar decisões, tornando inevitável a realização de negociações, ainda que para volumes menores e a preços pouco atrativos.
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Embrapa leva tambaqui geneticamente editado e pirarucu defumado a evento em Brasília
Unidade de Palmas apresenta inovação em edição gênica com tambaqui e oferece degustação de pirarucu durante feira no Cerrado.

A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) vai participar da Feira Brasil na Mesa, que será realizada entre os dias 23 e 25 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento integra as comemorações pelos 53 anos da Embrapa e reúne atrações como vitrines tecnológicas, degustações, cozinha show, rodada de negócios, seminários e atividades voltadas ao bioma Cerrado.
Nesta edição, a unidade participará com duas frentes principais: a apresentação de uma tecnologia de edição gênica e a oferta de degustação de pirarucu defumado.
Na vitrine tecnológica, o público poderá observar dois exemplares de tambaqui em aquário: um sem qualquer intervenção genética e outro submetido à técnica de edição gênica. O peixe editado apresenta um padrão diferenciado de coloração, resultado do bloqueio de um gene relacionado à pigmentação. Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia do centro de pesquisa de Palmas, Pedro Alcântara, a proposta deve atrair a atenção dos visitantes e contará com pesquisadores disponíveis para explicar o processo ao público durante o evento.
A tecnologia é desenvolvida pela Embrapa Pesca e Aquicultura dentro de pesquisas em edição gênica aplicada a peixes tropicais. De acordo com o pesquisador Eduardo Sousa Varela, o centro já concluiu o protocolo de edição gênica e utiliza o tambaqui como espécie de referência nas demonstrações. Ele explica que o objetivo é evidenciar resultados visuais, como a despigmentação, indicando a efetividade do processo.
Além da demonstração visual, a pesquisa também mira aplicações produtivas. A edição gênica pode contribuir para reduzir ou eliminar as espinhas intermusculares do tambaqui, estruturas que dificultam o processamento em filé. Com isso, a expectativa é ampliar o rendimento industrial e abrir novas possibilidades de mercado, incluindo exportação.
Na programação de degustações, a Embrapa também vai apresentar lombo de pirarucu defumado, preparado com técnica desenvolvida pela pesquisadora Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos. O processo inclui salga, marinada e defumação a quente, utilizando madeira de goiabeira, em temperatura entre 50°C e 70°C, por cerca de três horas e meia.
Segundo a pesquisadora, a madeira de goiabeira contribui para um processo de defumação mais estável, com produção de fumaça contínua, influenciando cor, brilho e sabor do produto final.
Para o chefe-adjunto Pedro Alcântara, a tecnologia tem impacto tanto para o consumidor quanto para o produtor. Ele destaca que o método pode ser aplicado por agroindústrias ou produtores artesanais e contribuir para a agregação de valor ao pescado. Já a pesquisadora avalia que o processo pode até dobrar o valor do produto e abrir espaço para nichos de mercado, incluindo produção artesanal com potencial de certificações específicas.
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Incerteza climática aumenta risco para a safrinha no Brasil
Falta de consenso nas previsões de abril e maio dificulta o cenário e exige atenção redobrada no campo.

As projeções climáticas para o restante de abril e maio seguem sem consenso entre os principais modelos meteorológicos, aumentando a atenção do setor agrícola para o comportamento das chuvas nas áreas de safrinha.
O modelo americano aponta para volumes mais baixos de precipitação no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, indicando uma transição mais rápida para um padrão mais seco ao longo do mês. Já o modelo europeu mantém estimativas de chuvas mais próximas da média histórica, o que mantém o cenário em aberto no curto prazo.
Essa divergência reforça a importância da regularidade das chuvas, mais do que apenas o volume total acumulado. Mesmo com índices considerados adequados, a má distribuição das precipitações pode gerar períodos de estresse hídrico em lavouras que estão em fases mais sensíveis do desenvolvimento, especialmente na segunda safra. Por isso, abril segue como um mês de atenção redobrada no campo.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, no horizonte mais longo, os modelos climáticos vêm aumentando a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. A chance de neutralidade cai a partir do trimestre junho/julho/agosto, quando a possibilidade de formação do El Niño chega a cerca de 60%, com avanço gradual nos meses seguintes e probabilidade superior a 80% de consolidação do fenômeno.
Se esse cenário se confirmar, o El Niño tende a ter impacto limitado na safra norte-americana, mas pode influenciar de forma mais consistente toda a safra 2026/27 na América do Sul, reforçando o monitoramento climático para o próximo ciclo produtivo.



