Notícias
ABiogás lança mapeamento estratégico para ampliar acesso a financiamentos e políticas de incentivo ao biogás e biometano
Ferramenta reúne informações regulatórias, tributárias e financeiras em um único ambiente digital, dando transparência às decisões e acelerando investimentos no setor.

A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) anuncia uma plataforma inédita em Power BI (Business Inteligence) voltada para o setor. O novo recurso traz mapeamento e acompanhamento de incentivos regulatórios, tributários e financeiros relacionados ao biogás e ao biometano no Brasil, a ferramenta reúne em um só ambiente dados estratégicos que até então estavam dispersos em diferentes bases e documentos oficiais. O lançamento da ferramenta integra a programação do 12º Fórum do Biogás, que acontecerá nos dias 02 e 03 de setembro, no São Paulo Expo.
De acordo com o Panorama do Biogás 2024 (CIBiogás), o país ultrapassou a marca de 1.633 plantas de biogás em operação, com capacidade instalada de 4,7 bilhões de Nm³/ano e crescimento médio de 19% ao ano desde 2019. O avanço do biometano também é notável: já são 79 unidades de purificação, com capacidade de 667 milhões de Nm³/ano. Atualmente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registra 14 plantas de biometano autorizadas e outras 37 em análise. Esse cenário reforça a urgência por informações organizadas e confiáveis para apoiar investidores, empresas e formuladores de políticas públicas.

“Os avanços recentes, como a incorporação do biometano no transporte pelo Fundo Clima, mostram como o setor está evoluindo rapidamente”, Renata Isfer, presidente Executiva ABiogás
“Os avanços recentes, como a incorporação do biometano no transporte pelo Fundo Clima, mostram como o setor está evoluindo rapidamente. Para que toda a cadeia consiga aproveitar plenamente as oportunidades, é essencial que as informações sobre financiamentos e incentivos estejam organizadas e acessíveis. A nova plataforma cumpre esse papel e ainda nos ajuda a identificar os estados com menos políticas de incentivo, apontando onde há espaço para criar linhas de crédito e mecanismos que impulsionam ainda mais o biogás e o biometano no Brasil”, explica Renata Isfer, presidente-executiva da ABiogás.
A plataforma integra programas de incentivo federais e estaduais, consolida uma base estruturada de linhas de financiamento em diferentes esferas e detalha os incentivos fiscais estaduais, apresentando a situação dos Convênios ICMS em cada estado. Além disso, conta com um Guia de Incentivos, que orienta sobre as alternativas de financiamento disponíveis, e um Manual do Usuário, que explica de forma prática as funcionalidades e recursos do sistema.
A ferramenta foi desenvolvida com foco na navegabilidade, permitindo a personalização de relatórios e análises por meio de filtros de localidade, instituição financeira ou tipo de programa, o que torna a experiência intuitiva, ágil e direcionada às necessidades de cada usuário.
Segundo Renata Isfer, lançar a ferramenta durante o Fórum potencializa seu alcance e reforça o papel da associação em oferecer soluções concretas. “O Fórum do Biogás é o encontro mais relevante do setor na América Latina, reunindo empresas, investidores, autoridades públicas e especialistas. Ao apresentar o Power BI neste palco, reafirmamos o compromisso da ABiogás em oferecer soluções práticas que impulsionam o desenvolvimento do biogás e do biometano no Brasil”, conclui Renata. Com atualização contínua, o Power BI estará disponível como benefício exclusivo aos associados da ABiogás.
COP30, lideranças e a descarbonização na programação
A programação contará com dois dias de atividades intensas. No dia 2 de setembro, a agenda começa com a abertura oficial, seguida do painel “Estados pelo Clima: O uso do biogás e do biometano como estratégia na Agenda de descarbonização”. No período da tarde, a partir das 14h, ocorrem os painéis simultâneos “Tendências Globais para o Mercado de biogás e biometano” e “CEOs em foco: Estratégias e Investimentos na Construção do Mercado”. Às 16h, o debate continua com os temas “COP30 e o papel do biogás na Agenda Climática Brasileira” e “O papel do biometano na construção de um Mercado Livre de Gás”.

Ferramenta reúne informações regulatórias, tributárias e financeiras em um único ambiente digital, dando transparência às decisões e acelerando investimentos no setor de biogás e biometano
No segundo dia, 03 de setembro, a programação inicia com os painéis “Obrigação e Oportunidade: como os agentes estão se preparando para cumprir o mandato de biometano” e “Avanços na Mobilidade: o que falta para decolar?”. Às 11h, os temas abordados serão “Certificados de Garantia de Origem de biometano: Mitos e Verdades” e “Logística do biometano: conectar é preciso”. No período da tarde os participantes poderão acompanhar os debates sobre “O Novo Capítulo da Energia Renovável Brasileira” e “Waste-to-Energy: o futuro dos Resíduos Sólidos Urbanos”. Por fim, os painéis simultâneos tratarão de “Contratação: desafios e oportunidades de trabalho no setor de biogás e biometano” e “Inovar para Avançar: as fronteiras tecnológicas do biogás e do biometano”.
Além da programação técnica, a edição de 2025 contará com delegações estrangeiras, rodadas com compradores de energia, e sessões voltadas à certificação de carbono e mecanismos de financiamento climático. O São Paulo Expo, localizado na zona sul da capital, oferece fácil acesso (metrô Jabaquara, Rodovia dos Imigrantes e Aeroporto de Congonhas), além de estar cercado por ampla rede hoteleira.
As inscrições para o 12º Fórum do Biogás estão abertas e podem ser realizadas diretamente pelo site oficial forumdobiogas.com.br. Os ingressos dão acesso completo aos conteúdos dos dois dias de evento, à área de exposição e ao certificado digital de participação. Associados da ABiogás contam com valor especial, e para não associados, o Lote 3 está disponível até 01 de setembro, com opção de meia-entrada. A organização recomenda que os interessados garantam sua inscrição com antecedência, já que os lotes promocionais têm número limitado de vagas e a expectativa é de reunir mais de 1.200 participantes nesta edição. Nos últimos três anos, os ingressos se esgotaram antes do prazo final, com formação de lista de espera — o que reforça a alta demanda pelo evento.

Notícias
Produzir mais em menos área é desafio central do agro diante do crescimento populacional
Intensificação produtiva, manejo do solo e eficiência no uso de recursos despontam como estratégias-chave para garantir segurança alimentar e sustentabilidade.

Com a população mundial projetada para atingir 9,9 bilhões de pessoas até 2054, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: aumentar a produção de alimentos sem ampliar o uso de recursos naturais na mesma proporção. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que, para atender essa demanda, será necessário produzir 60% mais alimentos, além de consumir 50% mais energia e 40% mais água.
No Brasil, onde a área agrícola corresponde a cerca de 7,6% do território nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a intensificação produtiva tem se consolidado como caminho estratégico. Para o engenheiro agrônomo e empresário Luís Schiavo o foco deve estar na eficiência do uso do solo e na adoção de práticas agronômicas sustentáveis. “Não se trata apenas de produzir mais, mas com qualidade. O aumento da eficácia em áreas menores é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos e preservar biomas importantes, como florestas e áreas de conservação”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Entre as principais estratégias para alcançar esse equilíbrio está o manejo adequado do solo. A manutenção da cobertura vegetal, especialmente no período de plantio, tem papel fundamental na proteção da estrutura da terra, na conservação da umidade e no estímulo à atividade microbiana. “O solo coberto funciona como um sistema vivo. A palhada atua como um colchão de matéria orgânica que reduz impactos mecânicos, protege contra a erosão causada pela chuva e favorece a ciclagem de nutrientes”, explica.
Outra prática destacada por Schiavo é a rotação de culturas, técnica que contribui para a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e melhora o aproveitamento de nutrientes. Um exemplo comum no campo brasileiro é a sucessão entre soja e milho safrinha. “Após a colheita, o solo permanece enriquecido com nitrogênio, o que favorece diretamente o desenvolvimento do milho. Esse tipo de rotação preserva as características físicas, químicas e biológicas garantindo produtividade consistente ao longo das safras”, pontua.
Segundo o engenheiro agrônomo, investir em tecnologia, manejo eficiente e insumos adequados é decisivo para tornar o agro mais competitivo e sustentável. “Quando o produtor otimiza os fatores de produção, ele melhora a relação custo-benefício, preserva recursos naturais e contribui para um modelo agrícola mais equilibrado. É uma equação em que todos ganham: o produtor, o consumidor e o planeta”, ressalta.
Notícias
Embrapa recebe missões de 14 países interessadas em pecuária sustentável brasileira
Delegações internacionais visitaram centro de pesquisa em São Carlos em 2025 para conhecer tecnologias de baixo carbono, como recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta.

A produção pecuária sustentável e a mitigação dos impactos ambientais foram foco de 19 missões internacionais à Embrapa Pecuária Sudeste em 2025. No total, foram 55 visitantes estrangeiros de 14 países, dos cinco continentes.
As missões de organizações internacionais, principalmente da Europa (37,5%) e da África (25%), visitaram o centro de pesquisa para conhecer as inovações brasileiras no setor agropecuário.
De acordo com o articulador internacional, Alberto Bernardi, as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste, apresentadas durante as visitas das delegações internacionais, contribuem para mostrar que o setor pecuário pode fazer parte da solução climática ao melhorar o desempenho em harmonia com o meio ambiente, com uso de tecnologias sustentáveis, como a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), a recuperação de pastagens e a pecuária de precisão. “A recuperação de pastagens degradadas é, talvez, o elemento mais estratégico, pois não só pode reverter a degradação ambiental (um dos principais emissores de gases de efeito estufa (GEE), como transformar essas áreas em eficientes reservatórios de carbono”, explica Bernardi.
O interesse dos visitantes internacionais concentrou-se em linhas de pesquisa voltadas à otimização e à redução do impacto ambiental da atividade pecuária. Os principais temas buscados incluíram eficiência, baixo carbono na produção de carne e leite, Pecuária de Precisão e recuperação de pastagens.
Para o pesquisador Sérgio Medeiros, as visitas são oportunidades para celebrar parcerias em projetos de pesquisa estratégica para o país, principalmente na área de mudanças climáticas, atualmente uma prioridade global.
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste também participaram de missões a países estrangeiros, realizando visitas técnicas e participando de eventos técnico-científicos na Argentina, Áustria, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Paraguai, Quênia e Uruguai.
Os países que estiveram representados nas missões ao centro de pesquisa de São Carlos foram França, Itália, Reino Unido, Rússia, Suécia, Egito, Gana, Marrocos, Zimbábue, China, Japão, Colômbia, Estados Unidos e Austrália.
Notícias
ASBRAM empossa nova diretoria em fevereiro e projeta ciclo positivo para pecuária até 2028
Entidade que reúne a indústria de suplementos minerais aposta em continuidade de gestão, vê cenário favorável para o setor e alerta para desafios como juros elevados e reforma tributária.

Manter as sucessões programadas das diretorias para fomentar um trabalho mais próximo com todos os parceiros de negócios, preparar-se ainda mais para atender os clientes no ciclo virtuoso da Pecuária até 2028 e comemorar a coesão e o entrosamento entre as equipes das cem corporações que compõem o quadro da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM). Esse foi o objetivo cumprido pelos executivos e profissionais das empresas do segmento nesta passagem de ano, ratificado durante a última reunião promovida pela entidade no fim de 2025.
O encontro marcou a eleição dos novos membros do Conselho de Administração da Associação para o biênio 2026 – 2027. O executivo Rodrigo Miguel assume a presidência no lugar de Fernando Cardoso Penteado Neto, com Leonardo Matsuda como vice-presidente. Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A nova diretoria toma posse no próximo dia 25 de fevereiro. “Confio demais na pecuária brasileira. Basta ver o que conseguimos fazer em 2025, quase empatando nossas vendas com 2024, que teve um segundo semestre histórico. Tenho certeza de que em 2026 não vai ser diferente. E tenho orgulho em apontar a ASBRAM como uma entidade sadia financeiramente e estruturada para permanecer atuando forte”, analisou Fernando Penteado.
“Chego muito otimista e com energia para atuarmos em nome de nossas empresas, do nosso mercado e para atender cada vez melhor e mais de perto os pecuaristas de todos os estados produtores brasileiros”, acrescentou o novo presidente, que mandou sua mensagem pela web, direto da Holanda.
Foram quase 90 pessoas presentes no encontro realizado na Capital paulista e outras 200 acompanhando pela internet, atentos a quatro palestras, aos debates e à apresentação dos números de comercialização de suplementos minerais no Brasil neste ano. “Estamos muitos felizes, as palestras foram ótimas, todos os convidados muito entrosados e felizes. Nesta casa, todos se dão bem. Todos conversam e eu até pareço a mãe deles. 2025 não foi um período fácil. Teve tarifaço dos EUA, impostos, insegurança, mas fizemos um ano com um resultado positivo face ao que passamos. Também porque a base de comparação, principalmente com o segundo semestre do ano passado, que foi ‘fora da curva’. Trabalhei muito tempo com fertilizantes e sonhava com a soja na ponta das exportações. E conseguimos. E agora é a carne bovina, liderando o mundo em produção e exportação. Estamos no caminho certo, ajudando o Brasil a consolidar-se como o maior fornecedor e embarcador da nossa proteína no planeta”, comentou Beth Chagas.
O encontro destacou a dimensão ambiental do agro brasileiro, com a preservação de 66% da vegetação original do país e a economia de 164 milhões de hectares cultivados, resultado do avanço da produtividade agrícola, além de quase 400 milhões de hectares destinados à pecuária. A adoção de práticas como agricultura de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, uso de bioinsumos e recuperação de áreas degradadas tem sustentado esse desempenho.
Com esse modelo, o Brasil alcançou a quarta posição mundial em produção e exportações agropecuárias e responde por cerca de metade do superávit da balança comercial, próximo de US$ 150 bilhões. “O país consolida sua presença como uma potência agroambiental tropical, com clima, terras, água e recursos humanos para avançar ainda mais. Esses resultados também se traduziram em alimentos mais baratos para os brasileiros”, afirmou o professor da Universidade de São Paulo José Otávio Menten.
Cenário favorável
O encontro da ASBRAM traçou um cenário favorável para a pecuária, com expectativa de bons preços para o boi gordo e consumo interno estável, mesmo diante de uma desaceleração da economia nos próximos anos.
Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, da Fundação Getúlio Vargas, o ambiente positivo convive com desafios estruturais que exigem atenção dos produtores, como a reposição do rebanho, a incerteza política, os custos de produção, os preços de venda e a gestão do caixa das propriedades.
Para Serigati, 2025 passou sem grandes impactos econômicos internos, e 2026 deve registrar crescimento mais moderado, ainda em terreno positivo. A inflação, afirma, tende a seguir em queda, impulsionada principalmente pelos alimentos, enquanto o principal fator de risco permanece sendo a trajetória dos gastos públicos do governo federal.
Fatores que pressionam o setor
A trajetória dos gastos públicos também pressiona a pecuária por meio da manutenção de juros elevados, usados como instrumento de controle da inflação.
Esse cenário tem levado produtores a vender vacas mesmo com a valorização dos bezerros, a racionalizar o uso da nutrição e a comprometer parte das margens para honrar financiamentos oficiais contratados em 2024, sem acesso a novas linhas de crédito. “O agro segue batendo recordes no mercado interno e externo e ajudando a conter os preços nas gôndolas dos supermercados. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios relevantes que precisam ser equacionados. Por isso, 2026 deve exigir foco total na gestão do negócio. Considerando o desempenho de 2025, será um bom resultado se o segmento de suplementos minerais encerrar o ano com vendas em torno de 2,5 milhões de toneladas”, avaliou Serigati.
Outro ponto de atenção destacado no encontro foi a nova legislação tributária, que entra em fase de transição e testes a partir de janeiro. “A reforma é uma realidade, e produtores rurais precisarão estruturar e capacitar equipes para escolher as melhores alternativas em cada fazenda, sistema produtivo e modalidade de comercialização. As mudanças atingem todas as empresas, em um ambiente cada vez mais digital, que transfere ao contribuinte a responsabilidade pelo correto recolhimento dos tributos”, afirmou o advogado e contador Lincoln Diones Martins.



