Bovinos / Grãos / Máquinas
ABIEC deve fechar 2025 com recorde histórico nas exportações de carne bovina
Brasil supera 3,1 milhões de toneladas embarcadas até novembro e deve encerrar o ano com quase 3,5 milhões, impulsionado por receita recorde, abertura de mercados e novo status sanitário internacional.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) encerra 2025 com um balanço histórico para a carne bovina brasileira, marcado por crescimento expressivo das exportações, ampliação da presença internacional e avanços estruturantes para o setor. No acumulado de janeiro a novembro, o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, com receita de US$ 16,18 bilhões, crescimento de 37,5%. O desempenho parcial já supera todo o volume e valor exportados em 2024, consolidando 2025 como um dos anos mais relevantes da série histórica.
A expectativa é de que o país encerre o ano com quase 3,5 milhões de toneladas exportadas e cerca de US$ 17 bilhões em receitas, estabelecendo recordes tanto em volume quanto em valor. O resultado reflete não apenas a retomada da demanda global, mas também uma atuação mais estratégica da indústria brasileira, com ampliação da presença institucional, diversificação de destinos e fortalecimento da imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteína bovina.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O novo status sanitário representa um avanço histórico para a pecuária nacional, elevando o patamar de credibilidade internacional do país e ampliando o potencial de acesso a mercados mais exigentes, com impacto direto sobre competitividade, previsibilidade e agregação de valor às exportações.

Foto: Shutterstock
Mesmo diante de um cenário internacional desafiador, com episódios como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e investigações de salvaguardas conduzidas pela China, a ABIEC manteve forte atuação internacional, com presença ativa em reuniões técnicas, diplomáticas e governamentais no Brasil e no exterior. Ao longo do ano, a associação participou de agendas com Itamaraty, MDIC e autoridades estrangeiras, além de encontros em Washington com representantes do USDA, MICA e entidades setoriais, e de interlocuções frequentes com autoridades chinesas, reforçando o diálogo técnico e institucional.
A agenda de promoção comercial foi outro pilar do desempenho de 2025. A ABIEC realizou oito Brazilian Beef Dinners, cinco Brazilian Beef Business Rounds e três edições do The Beef and Road, além de ampliar sua participação em feiras e missões empresariais ao redor do mundo. Ao todo, foram 39 ações internacionais em 23 países, com destaque para Ásia, Oriente Médio, África, Europa e Américas. A inauguração do escritório da ABIEC em Pequim reforçou a estratégia de presença permanente em mercados-chave e aproximou ainda mais o setor dos principais centros de decisão e consumo.
Na área técnica, 2025 foi marcado por avanços concretos na abertura e ampliação de mercados para a carne bovina brasileira. Ao longo do ano, foram abertos novos destinos, como Ilhas Salomão, Bahamas, El Salvador, Vietnã, Guatemala, Suriname, Quênia, Butão, Tanzânia e Azerbaijão, este último para produtos termoprocessados. Além disso, mercados que já possuíam acordo bilateral definiram, em 2025, modelos específicos de certificação sanitária, como Papua Nova Guiné, Bósnia e Herzegovina, Malásia Sarawak e Emirados Árabes, ampliando a previsibilidade e a segurança jurídica das exportações.

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Também houve extensão de escopo em mercados estratégicos, com autorização para novos produtos, incluindo miúdos e carne com osso, em destinos como Marrocos, Indonésia, Filipinas e Israel, ampliando o portfólio exportador brasileiro e agregando valor às operações. Paralelamente, a ABIEC acompanhou um volume expressivo de auditorias internacionais em plantas frigoríficas, envolvendo mais de 170 unidades auditadas ao longo do ano por autoridades de países como China, Estados Unidos, União Europeia, Japão, México, Indonésia, Irã, Malásia e Tanzânia, reforçando o elevado padrão sanitário, industrial e de rastreabilidade da cadeia brasileira.
No campo da comunicação institucional, 2025 marcou um reposicionamento consistente da ABIEC, com fortalecimento da presença pública do setor e maior capacidade de resposta em temas estratégicos. Ao longo do ano, a associação produziu mais de 100 releases, concedeu cerca de 150 entrevistas e emitiu mais de 50 posicionamentos oficiais, ampliando a visibilidade da carne bovina brasileira. O novo site da ABIEC e da marca Brazilian Beef, disponível em quatro idiomas, aliado a uma média de 200 mil visualizações mensais nas redes sociais, reforçou o alcance das informações, assim como o lançamento do Beef Report em espanhol e mandarim, além do português e do inglês.
A agenda de sustentabilidade ganhou protagonismo em 2025, com a participação da ABIEC em diversas ações, estudos e eventos, incluindo atuação ativa na COP30, em Belém, levando ao debate internacional temas como rastreabilidade, descarbonização e segurança alimentar. A atuação foi reforçada pelo lançamento do Beef Report Sustentabilidade – Especial COP30 e pela aprovação da ABIEC como Parceira Participante da FAO LEAP Partnership, reconhecimento que consolida o diálogo técnico internacional da entidade e o compromisso do setor com abordagens baseadas em ciência, métricas harmonizadas e produção sustentável.
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida. A normalização devolveu previsibilidade e reforçou o papel do Brasil como fornecedor indispensável no abastecimento global de carne bovina”, afirma.

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Os resultados de 2025 refletem ainda a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público. A parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, foi fundamental para fortalecer a promoção comercial e a presença internacional do produto. A associação também manteve diálogo permanente com os Ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores, além de interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária, reforçando a articulação necessária para o avanço da pauta exportadora.
Para 2026, a avaliação da ABIEC é de otimismo com realismo. A expectativa é de estabilidade em patamar elevado, após dois anos consecutivos de forte crescimento. Ao mesmo tempo, o ambiente é considerado favorável para avançar na pauta de acesso a mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado”, conclui Perosa.
A Abiec reúne 47 empresas responsáveis por 98% da carne bovina exportada pelo Brasil e atua na defesa, promoção e ampliação do acesso do produto brasileiro aos mercados internacionais.

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Proposta de redução da jornada preocupa cadeia do leite no Brasil
Setor alerta para aumento de custos, risco de desabastecimento e impacto direto na produção, que exige atividade contínua.

As propostas para uma nova legislação envolvendo a redução da jornada de trabalho continuam preocupando os setores produtivos da agropecuária no Brasil. Neste mês de março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou documento ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, manifestando apreensão em relação a alteração da escala 6×1. A CSLEI está vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) do próprio Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De acordo com o documento formulado pela CSLEI, a redução de 44 horas para 36 horas semanais vai gerar perda de 658 milhões de horas por mês no Brasil. Diante deste quadro será necessário a contratação adicional de 3,65 milhões de trabalhadores, com custo adicional de R$ 228 bilhões/ano em salários e encargos.

Foto: Juliana Sussai
No setor da pecuária de leite, os desdobramentos da mudança seriam graves. A atividade é praticada em mais de 1 milhão de propriedades rurais no país, que exigem ordenha diária das vacas, em até três turnos, durante os 365 dias do ano, de forma ininterruptamente. No Paraná, a pecuária de leite está presente nos 399 municípios.
“A situação vai ficar bastante complicada no setor de lácteos, pois a matéria-prima, o leite, é perecível. Ou seja, exige trabalho contínuo, sem possibilidade de interrupção para evitar perdas e, consequentemente, prejuízo ao produtor”, destaca Ronei Volpi, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados. “O setor já convive com escassez de mão de obra qualificada, alta carga tributária e crise por conta dos produtos provenientes da Argentina e Uruguai. Mais um golpe coloca em risco a atividade pelo país, podendo gerar desabastecimento, inflação e êxodo rural”, complementa.
O documento da CSLEI também aponta a necessidade de estudos em relação ao impacto da mudança, para uma discussão técnica. “O debate relativo a esse tema deve ocorrer em 2027, para evitar interferências político-eleitorais”, ressalta Volpi.

Foto: Isabele Kleim
Esse é o mesmo posicionamento adotado pelo Sistema Faep. A entidade defende a discussão equilibrada, sem viés ideológico e/ou político. Para isso, o setor produtivo, tanto as entidades representativas quanto os próprios empresários, precisa participar do debate, para evitar prejuízos para o país, como aumento dos preços de produtos e serviços, pressão inflacionária, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e expansão da pejotização.
Segundo estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada vai gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. O levantamento considera uma base de 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, valor que inclui salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário.
“O Brasil não está preparado para essa mudança, que terá reflexos negativos significativos, com aumento do custo de produção e redução dos investimentos, colocando em risco o crescimento do país e comprometendo empregos”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A proposta do fim da escala 6×1 não pode ser usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição. Esse debate precisa ocorrer com serenidade”, reforça.
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Exportação de miúdos bovinos de Mato Grosso cresce 30% e alcança 53 países
Segmento gerou US$ 99,6 milhões em 2025, com destaque para fígado e língua bovina, mostrando valorização e diversificação da cadeia de carne no mercado internacional.

A exportação de miúdos bovinos de Mato Grosso alcançou 53 países em 2025 e reforçou o papel estratégico desse segmento dentro da cadeia da carne. Ao longo do ano, foram embarcadas 53,5 mil toneladas de produtos como língua, rabo, pâncreas, fígado e tripas. Segundo dados do sistema Comex Stat, a comercialização desses itens gerou uma receita de US$ 99,6 milhões.
Parte importante da rentabilidade da pecuária, a venda de miúdos deixou de ser vista como um subproduto de baixo valor e se consolidou como um negócio lucrativo, especialmente no mercado internacional. Para se ter uma ideia, apenas o fígado bovino foi exportado para 29 países, totalizando 8,5 mil toneladas, com destinos como Angola, Cabo Verde, Egito, Reino Unido, Rússia, Maldivas e Turquia.

Foto: Freepik
Na comparação com 2024, houve avanço significativo nos embarques. O volume exportado saltou de 41,2 mil toneladas para 53,5 mil toneladas, o que representa crescimento de 29,6%. Já a receita teve alta ainda mais expressiva, de 102%, indicando valorização do produto no mercado externo e maior disposição de pagamento por parte dos importadores.
Entre as partes menos tradicionais do boi que ganham espaço no comércio internacional está a língua bovina, que chegou a 27 países em 2025, com volume de 4,6 mil toneladas. O produto mato-grossense foi consumido em mercados como Argentina, Uruguai, Aruba, Ucrânia, Angola, Gana, Cazaquistão, Singapura, Israel e Palestina, evidenciando a diversidade de destinos e a adaptação da proteína a diferentes culturas alimentares.
O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, destaca que o desempenho reforça a eficiência da cadeia produtiva no estado. “A comercialização de miúdos mostra como Mato Grosso consegue aproveitar integralmente o animal e transformar isso em valor. São produtos que têm alta demanda em diversos mercados e ajudam a ampliar a rentabilidade da cadeia, além de diversificar os destinos das exportações”, afirma.
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Frigoríficos da Amazônia Legal têm baixo controle sobre desmatamento
Levantamento aponta que nenhuma das 15 plantas autorizadas a exportar carne para a União Europeia apresenta evidências públicas de rastreabilidade completa da cadeia de fornecedores.

Plantas frigoríficas da Amazônia Legal autorizadas a exportar carne bovina para a União Europeia apresentam baixo controle sobre o desmatamento em suas cadeias de fornecimento. Nenhuma das unidades avaliadas possui evidências públicas que comprovem atendimento aos requisitos da nova regulamentação europeia contra o desmatamento, e ainda não há respostas formais das empresas quanto à comprovação de monitoramento socioambiental. A norma europeia, que entrará em vigor nos próximos anos, exigirá rastreabilidade completa de toda a produção. A constatação é resultado de um levantamento realizado pelo Radar Verde.
O estudo avaliou 15 plantas frigoríficas pertencentes a oito empresas, todas localizadas em Mato Grosso e habilitadas a exportar para o mercado europeu em 2025. Juntas, essas unidades possuem capacidade de abate de 11.250 animais por dia. Segundo a análise, 13 apresentam baixo controle e duas plantas frigoríficas apresentam controle muito baixo da cadeia, de acordo com os critérios de avaliação do Radar Verde.

Foto: Divulgação/Anffa Sindical
O estudo aponta, ainda, que o risco de novo desmatamento dentro das zonas potenciais de compra de gado desses frigoríficos varia de 31 mil a 2,8 milhões de hectares. A pesquisa identificou que 12 plantas frigoríficas demonstram alto nível de controle sobre fornecedores diretos, que são as fazendas que vendem animais diretamente às indústrias. No entanto, nenhuma empresa apresentou evidências robustas, como auditorias independentes, de monitoramento de fornecedores indiretos, que são as fazendas onde o gado nasce ou é criado antes da fase final de engorda.
De acordo com a análise, essa lacuna cria espaço para a chamada “lavagem de gado”, quando animais provenientes de áreas com desmatamento passam por propriedades intermediárias antes de serem vendidos aos frigoríficos, dificultando a rastreabilidade ambiental da produção.
O relatório também analisa iniciativas brasileiras voltadas à rastreabilidade da cadeia da carne, incluindo plataformas públicas e programas nacionais de identificação animal. Segundo o estudo, embora existam avanços institucionais, nenhuma dessas iniciativas oferece atualmente uma solução completa e imediata para atender às exigências da regulamentação europeia, especialmente no monitoramento de fazendas fornecedoras indiretas.
Regulamentação europeia exige rastreabilidade completa
A União Europeia está adotando novas regras para impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento em seu mercado. A chamada Regulamentação Europeia contra o Desmatamento (EUDR) exigirá que empresas comprovem, com dados e geolocalização, que commodities como carne bovina não foram produzidas em áreas desmatadas.

Foto: Shutterstock
A norma deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes empresas e de 30 de junho de 2027 para pequenas e microempresas, exigindo sistemas de rastreabilidade capazes de identificar todas as propriedades por onde o gado passou ao longo da cadeia produtiva.
Embora represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia vem ganhando importância como destino comercial. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação a 2024. Nesse contexto, o relatório destaca que o acesso ao mercado europeu tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de demonstrar, com evidências verificáveis, cadeias de fornecimento livres de desmatamento.
Recomendações da análise
O próprio estudo aponta caminhos para avançar na rastreabilidade da cadeia da carne bovina. Segundo o relatório, uma estratégia seria priorizar a integração de bases de dados já existentes, como os registros de movimentação de gado (GTA), os cadastros de propriedades rurais (CAR) e informações sobre desmatamento e áreas embargadas, permitindo aproximar a análise do risco de desmatamento ao nível das transações e ampliar a visibilidade sobre fazendas fornecedoras indiretas.
A análise também sugere que avaliações comparativas entre empresas, como o próprio Radar Verde, podem ajudar a orientar ações de fiscalização, acordos de compartilhamento de dados e incentivos de mercado, direcionando esforços para as regiões e empresas onde os riscos são mais elevados e as melhorias podem gerar maior impacto.
Para conferir a análise completa, clique aqui.



