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ABIEC busca novos mercados para carne bovina em 2017 para equilibrar balança de exportações
Países da América do Norte e Ásia serão foco da Associação para negociações de abertura à carne brasileira
O Brasil fecha o ano de 2016 exportando carne bovina para 133 países ao redor do mundo. Mas para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), esse número ainda pode crescer e novos mercados estarão no foco da entidade para 2017, como Coreia do Sul, Taiwan, Indonésia, Canadá, México e Japão.
De acordo com o presidente da ABIEC, Antônio Jorge Camardelli, a projeção de vendas para estes países da Ásia e América do Norte soma a possibilidade de incremento de 180 mil toneladas ao ano. “São mercados com um preço médio alto para a carne bovina, o que poderia ampliar o faturamento do setor em US$ 1 bilhão por ano”, afirma.
Em 2017, os Estados Unidos também estarão no centro de atenção. Grande conquista de 2016 para o setor, os primeiros embarques de carne in natura ao país tiveram início em junho. Até novembro, a indústria brasileira exportou 525 toneladas ao mercado americano. A expectativa é incrementar esse número, já que atualmente o Brasil tem direito a uma cota – junto com outros países – de 64,8 mil toneladas/ano. “Em 2016, apenas 61% desta cota foi utilizada, o que nos abre uma possibilidade de preencher esta demanda”, ressalta Camardelli.
A União Europeia é outro mercado importante na agenda estratégica da ABIEC para o próximo ano. Em pauta, estarão em negociação a ampliação da área habilitada para exportação, aprovação da Cota 481 e inclusão da carne bovina no acordo de livre comércio entre UE e Mercosul. “Além disso, esperamos chegar a 100% da Cota Hilton, que é de 10 mil toneladas. 2016 foi o melhor ano para a indústria no cumprimento da cota, chegando a 92,9%”, destaca Liège Nogueira, diretora-executiva da ABIEC.
Exportações em 2016
O avanço do mercado asiático foi um dos grandes destaques positivos no ano para o setor de exportação de carne bovina. Os países da Ásia aos quais o Brasil tem acesso – Hong Kong, China, Filipinas, Malásia, Tailândia, entre outros – foram responsáveis por um faturamento de US$ 1,4 bilhão, um aumento de 30%. O volume embarcado foi de 361 mil toneladas, crescimento de 38% em comparação com o mesmo período de 2015 (jan/nov).
Vale destacar, também em 2016, a retomada das exportações para a Arábia Saudita, em fevereiro último, já que o país havia suspendido o embargo no Brasil no final de 2015. De janeiro a novembro foram embarcadas 25 mil toneladas de carne bovina para a Arábia Saudita com faturamento acima de US$ 98 milhões.
No total, de janeiro a novembro de 2016, o Brasil exportou US$ 5 bilhões (US$ 423 milhões em exportações no mês de novembro). Em volume, com o embarque de 99,6 mil toneladas de carne bovina em novembro, o acúmulo (jan. a nov.) é de 1,3 milhão de toneladas no ano de 2016. Esses números representam um aumento de 1,7% em volume e queda de 6% em faturamento em relação a 2015.
O cenário cambial em queda, com uma leve recuperação em novembro, somado a problemas conjunturais de importantes mercados para a carne brasileira – como Rússia, Venezuela, Irã e Egito, refletiram negativamente nos números de exportação do setor em 2016.
“Devemos fechar 2016 com um faturamento em torno de US$ 5,5 bilhões. Uma análise nos mercados destes quatro países (Rússia, Venezuela, Irã e Egito) apontou que deixamos de faturar aproximadamente US$ 670 milhões neste ano, exatamente o que nos aproximaria das projeções iniciais para 2016”, afirma Camardelli.
A ABIEC em números
Resultados de exportação de carne bovina entre janeiro e novembro de 2016
· Faturamento: US$ 5 bilhões
· Total de toneladas: 1,3 milhão
· Exportação para 133 países
Maiores compradores:
· Hong Kong
· União Europeia
· China
· Egito
· Rússia
Balanço da Pecuária no Brasil (2015)
· 167 milhões de hectares de pasto
· Rebanho total de 209 milhões de cabeças
· 39 milhões de cabeças abatidas
· Movimentação da cadeia da Pecuária: R$ 483 bilhões
· Aproximadamente 20% da carne produzida no Brasil é exportada
Fonte: Assessoria

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
