Avicultura
Abertura do SBSA 2026 destaca importância de compreender cenários globais para a avicultura brasileira
Produtores e profissionais terão acesso a análises sobre economia mundial, comércio e políticas internacionais que afetam a cadeia produtiva.

O cientista político, professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC) palestrará na abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), com o tema Cenários Globais 2026. Formado em Filosofia e Ciências Políticas nos Estados Unidos e mestre em Resolução de Conflitos e Paz Internacional pela American University, em Washington DC, HOC possui trajetória internacional, tendo atuado no Conselho de Segurança da ONU, na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Woodrow Wilson Center, entre outras instituições. A apresentação, patrocinada pela Farmabase, está programada para o dia 07 de abril, às 17h40, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Heni é fundador da HOC Content, produtora de conteúdo e consultoria em comunicação, além de idealizador e coordenador da pós-graduação em Geopolítica da PUC Paraná. Professor de Relações Internacionais, também se destaca na popularização do conhecimento sobre geopolítica por meio do canal Professor HOC, no YouTube, considerado o maior canal brasileiro dedicado ao tema.

Professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC) palestrará na abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o SBSA será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e reunirá profissionais, pesquisadores, estudantes e empresas para debater inovação, tendências e desafios da cadeia produtiva avícola. Na palestra de abertura, HOC trará análise sobre os principais movimentos geopolíticos e econômicos que impactam o cenário internacional e influenciam mercados globais, incluindo o agronegócio.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, ressalta que a abertura do Simpósio busca ampliar o olhar dos participantes sobre o contexto global que envolve a produção de alimentos. “A avicultura está inserida em um mercado internacional altamente dinâmico. Compreender os cenários globais e os fatores geopolíticos que influenciam a economia mundial contribui para decisões mais estratégicas dentro da cadeia produtiva”, afirma.
A presidente da Comissão Científica do SBSA, Daiane Albuquerque, destaca que a proposta da programação é integrar conhecimento técnico com uma visão mais ampla do ambiente em que o setor está inserido. “O Simpósio sempre busca trazer conteúdos que ajudem os profissionais a compreender não apenas os aspectos técnicos da produção, mas também os movimentos que impactam o mercado. A palestra de abertura traz justamente essa perspectiva estratégica”, explica.
Além da programação científica, o 26º SBSA contará com a realização da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira de negócios que reunirá empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola, promovendo networking, apresentação de tecnologias e geração de negócios.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica, é necessária inscrição no 26º SBSA. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Tema: Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura
Palestrantes: Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski, Vilto Meurer
Coordenadora da mesa redonda: Luciana Dalmagro
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h – Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa (15 minutos de debate)9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar
Palestrante: Dianna V. Bourassa (15 minutos de debate)10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo
Palestrante: Wilmer Pacheco (15 minutos de debate)11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte
Palestrante: Rosalina Angel (15 minutos de debate)12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos – Painel Manejo
14h – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes: Lucas Schneider, Rodrigo Tedesco Guimarães16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura
Palestrantes: Kali Simioni e João Nelson Tolfo (15 minutos de debate)17h30 – Por que bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme (15 minutos de debate)18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosa: métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande (15 minutos de debate)9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber (15 minutos de debate)10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença
Palestrante: Gonzalo Tomás (15 minutos de debate)11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real
Palestrante: Taís Barnasque (15 minutos de debate)
Sorteios de brindes

Avicultura
Queda no preço dos ovos reduz poder de compra de avicultores em abril
Mesmo com insumos mais baratos, recuo mais intenso nas cotações dos ovos pressionou a relação de troca, segundo o Cepea.

O poder de compra dos avicultores paulistas frente aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, recuou na parcial de abril (até o dia 22), após registrar avanço por dois meses consecutivos.
Segundo pesquisadores do Cepea, embora os preços dos insumos também tenham diminuído entre março e a parcial deste mês, a queda mais intensa dos ovos pressionou a relação de troca frente ao cereal e ao derivado da oleaginosa.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a combinação de oferta mais elevada e demanda retraída tem pressionado as cotações dos ovos nesta parcial de abril.
Neste contexto, consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão, à melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra e à forte queda do dólar, negociando apenas de forma pontual, quando há necessidade de recomposição de estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores.
Avicultura
Salmonella expõe limites de coordenação da cadeia avícola
Persistência da bactéria revela falhas de integração entre áreas e reacende debate sobre gestão centralizada do problema dentro das agroindústrias.

A avicultura brasileira construiu, ao longo das últimas décadas, um dos sistemas sanitários mais organizados entre os grandes produtores globais. Protocolos, monitoramentos e rotinas estão bem estabelecidos em praticamente todas as etapas. Ainda assim, um dado insiste em permanecer: a Salmonella segue presente. Não por ausência de controle, mas, cada vez mais, por limites na forma como esse controle se articula ao longo da cadeia.
Foi nesse ponto que o médico-veterinário Marcos Dai Pra concentrou sua análise durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR). Ao reunir dados de campo acumulados ao longo de anos dentro da agroindústria, ele trouxe uma leitura direta: o problema não está concentrado em um elo específico, mas está distribuído.

Médico-veterinário Marcos Dai Pra durante o Seminário Facta sobre Salmonelas – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural
“Qual é a origem da Salmonella que aparece no frango de corte? A gente tem transmissão vertical, transmissão horizontal, mas a grande dificuldade está justamente em entender essa relação”, afirmou. Embora a transmissão vertical ainda exista, Dai Pra destacou que a maior pressão sanitária hoje vem da transmissão horizontal, que ocorre dentro da própria granja e no ambiente ao redor. “É contaminação lá na granja, que é o grande problema”, disse.
Segundo ele, o desafio não está apenas dentro dos galpões. Tudo o que circunda a produção interfere diretamente nos índices sanitários. “Tudo que está no entorno da granja acaba influenciando nos índices de Salmonella”, pontuou, citando presença de outros animais, lavouras e estruturas próximas como fatores de risco. De acordo com o palestrante, essa característica difusa da contaminação dificulta a rastreabilidade precisa das origens e reforça a necessidade de abordagem sistêmica.
Controle existe, mas dados ainda são fragmentados
Um dos pontos mais críticos levantados na palestra foi a fragmentação das informações ao longo da cadeia produtiva. Cada área, como fábrica de ração, granja, transporte e abatedouro, realiza seus próprios monitoramentos. No entanto, essas informações nem sempre convergem de forma estruturada. “Com esse conjunto de informação, a gente consegue trabalhar muito bem o programa de controle”, afirmou, ao apresentar resultados internos. Ainda assim, a fala revela um ponto implícito: os dados existem, mas nem sempre estão conectados.
Para ele, essa desconexão limita a eficiência das ações e ajuda a explicar por que a Salmonella persiste mesmo em sistemas altamente tecnificados.
Biosseguridade vai além do galpão
Dai Pra detalhou a estrutura operacional das granjas em três níveis: interior do aviário, zona de segurança (dentro do cercado) e área externa. Todos, sem exceção, influenciam os resultados sanitários. “Tudo isso tem uma grande interferência”, ressaltou.
Ele reforçou que medidas básicas continuam sendo decisivas: controle de acesso, troca de calçados, barreiras sanitárias e manutenção de áreas limpas, sem abrigo para pragas. “Tem que ter uma barreira sanitária, tem que ter uma cerca, não pode passar nada direto de fora para dentro”, destacou.
Intervalo sanitário curto aumenta risco
Entre os pontos mais sensíveis da palestra está o intervalo sanitário — período entre a saída de um lote e a entrada do próximo. “Na minha opinião, o desejável seria 18 dias”, afirmou. Na prática, no entanto, esse tempo raramente é alcançado. O próprio palestrante reconheceu a limitação estrutural do setor. “Nas condições de hoje é praticamente impossível conseguir 18 dias.”
Ele alertou que trabalhar com menos de 12 dias já compromete o controle adequado e que ciclos ainda mais curtos elevam significativamente o risco sanitário. “Com oito dias é crítico. Não tem como fazer um controle adequado.”
Cama, ambiência e manejo
Outro eixo importante da apresentação foi o papel da cama e da ambiência dentro do aviário. O frango passa praticamente toda sua vida em contato direto com esse ambiente, o que transforma a qualidade da cama em um fator central. “Se a cama tem boa qualidade, o frango vai ter boa qualidade. E o contrário também é verdadeiro”, explicou. Ventilação, umidade e execução dos procedimentos completam esse conjunto de fatores que impactam diretamente o status sanitário.
Cascudinho e roedores
Entre os vetores, o cascudinho aparece como um dos principais desafios. Dados apresentados por Dai Pra indicam alta taxa de positividade para Salmonella nesse inseto. “O cascudinho, disparadamente, é o elemento que tem mais problema”, afirmou.
O controle de pragas, segundo ele, precisa seguir etapas bem definidas – da inspeção à avaliação – e não pode ser tratado como ação isolada.
Mudança de prática reduziu índices
Um dos pontos mais relevantes da palestra foi a revisão de um procedimento tradicional: o uso de água no intervalo sanitário. “A gente só conseguiu reduzir os índices de Salmonella quando abandonou o uso de água no intervalo sanitário”, afirmou. A mudança, segundo ele, não foi simples dentro da agroindústria, mas trouxe resultados consistentes.
Dia zero
Dai Pra também apresentou o conceito de “dia zero” – etapa inicial do processo, quando o aviário é fechado, baseada em diagnóstico, definição de ações e avaliação de resultados. “É diagnóstico, ação e resultado”, resumiu. O uso de mapeamentos epidemiológicos permite identificar pontos críticos dentro da granja e direcionar intervenções com maior precisão.
Problema exige coordenação
Ao longo da palestra, ficou evidente que o controle da Salmonella já é tecnicamente conhecido. O que está em jogo agora é a capacidade de coordenar essas ações dentro de um sistema complexo. A dispersão do problema entre ambiente, manejo, nutrição, pragas e logística indica que soluções isoladas tendem a perder eficiência.
Por isso, ganha força dentro do setor a discussão sobre a necessidade de uma gestão mais integrada, capaz de conectar dados e decisões ao longo de toda a cadeia produtiva. Mais do que novos protocolos, na opinião de Dai Pra, o desafio passa a ser articulação.
Avicultura
Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO
Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.
A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.
Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.
A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.
O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.
Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.



