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Notícias Para o Mato Grosso

ABCS solicita urgência na abertura de leilões de milho

Renegociação de dívidas dos suinocultores também esteve na pauta da reunião

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Arquivo/OP Rural

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, e a equipe política da entidade estiveram reunidos, na última quinta-feira (07), com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Eduardo Sampaio. A audiência teve como objetivo atender a demanda da Associação dos Criadores de Suínos do Mato Grosso (Acrismat) referente à realização de leilões de milho para o Estado no período de entressafra. Devido à recente escalada do preço do grão no mercado doméstico, a entidade nacional e a estadual buscam apaziguar a pressão do cereal sobre os custos de produção na suinocultura.

Lopes apresentou ao secretário a situação do Mato Grosso e salientou que os produtores estão preocupados e receosos com a falta do grão. “A situação é alarmante, devido aos volumes que saem do Estado para outras unidades da Federação e também pelo atual preço que o milho é comercializado. Dessa forma, de acordo com os estudos da Acrismat, a demanda necessária para compor os estoques até o mês de maio é de sessenta mil toneladas”, conta. O presidente da ABCS destacou ainda que essa situação provavelmente se estabilizará após a colheita da safrinha, devido à alta capacidade de produção do Mato Grosso.

O secretário ponderou que essa pauta é prioridade na pasta, inclusive por ser uma demanda solicitada também pela ministra Tereza Cristina. Sampaio explicou que existe estoque de milho no Estado, mas para liberar o leilão é necessário que o Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) autorize.

“Nas próximas semanas teremos uma resposta mais concreta de quando será realizado o leilão no Mato Grosso. De qualquer forma, hoje a equipe técnica do MAPA vem estudando a melhor maneira de otimizar o trabalho do Ciep para, assim, dar mais dinamicidade no processo de realização desses leilões”, informou.

Ainda sobre a possibilidade de abrir leilão de milho no Mato Grosso, o presidente da ABCS tratou com o secretário da necessidade de realizar a comercialização por meio do contrato de opção da compra pelo produtor. Segundo Lopes, a alternativa é aguardada pelos suinocultores, pois tem o objetivo de garantir o preço de venda do grão, caso as condições de mercado da época do vencimento não sejam favoráveis ao produtor. Sampaio se comprometeu a entender os motivos que impossibilitam o suinocultor a realizar a comercialização por meio desse contrato e viabilizar esta forma de compra ou construir um novo mecanismo que tenha a mesma função de garantir o preço ao comprador de grãos.

Renegociação de dívidas

Ainda na agenda com o secretário, o presidente da ABCS explicou a situação de diversos suinocultores com problemas de endividamento devido ao alto custo de produção, especialmente pela elevação do preço do milho, além de fatores mercadológicos, como o desaquecimento do mercado russo. “Todas essas causas influenciaram na redução de margens da atividade e, por isso, junto com o MAPA queremos renegociar, prorrogar essas parcelas nas instituições financeiras, dando um pouco mais de prazo aos produtores”, ressaltou Lopes.

O secretário explicou que as tratativas referentes às negociações de dívidas podem afetar diretamente o recurso e programas do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2019/2020.“Vamos avaliar se conseguimos prorrogar essas parcelas, mas será necessário realizar um estudo de caso junto às instituições financeiras analisando os impactos econômicos no setor agropecuário, caso haja uma renegociação” destacou.

SNDS 2019

Para fechar a audiência com o secretário Eduardo Sampaio, o presidente da ABCS entregou pessoalmente o convite da edição 2019 do Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (SNDS). Lopes destacou que a presença do Ministério da Agricultura no principal seminário da suinocultura brasileira é essencial para apresentar às lideranças do setor as atividades da pasta em prol da cadeia. O SNDS acontecerá nos dias 01 e 02 de agosto no Sheraton Grand Rio Hotel & Resort, no Rio de Janeiro (RJ).

Fonte: Assessoria

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho

Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

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Foto: Freepik

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.

Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB

“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.

O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.

Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja

Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

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Foto: Breno Lobato

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.

O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.

Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho

Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.

Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.

Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.

Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.

A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.

Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Seu contrato de arrendamento pode ser extinto

Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).

Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.

Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.

Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.

A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.

Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.

Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.

E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.

Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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