Suínos
ABCS lança manual sobre uso responsável de antibióticos na suinocultura durante Congresso Nacional da Abraves
Setor compartilha práticas que reduzem o uso de antimicrobianos sem comprometer o desempenho produtivo, em movimento alinhado ao conceito global de saúde única.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) participou do 21º Congresso Nacional da Abraves, o maior evento científico da suinocultura no Brasil, realizado em Belo Horizonte (MG), e trouxe um painel sobre o tema “Uso Racional de Antimicrobianos na Suinocultura”.

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
O painel em questão, aconteceu na última quarta-feira (22), e foi conduzido pela diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke que, na oportunidade, fez uma breve introdução sobre a importância do uso racional de AMR para toda a cadeia produtiva. Em seguida, o consultor Dr. Maurício Dutra (GFD Consultoria) apresentou um diagnóstico inédito sobre o uso de antimicrobianos na suinocultura brasileira, com dados que indicam avanços na redução do uso total de princípios ativos, mas que reforçam a necessidade de evolução contínua das práticas de biosseguridade e prevenção.
Dando continuidade, apresentaram-se em seguida os representantes das agroindústrias Edilson Caldas (MBRF) e Anne Lara (Seara). Edilson Caldas, compartilhou o case “Uso Racional de Antimicrobianos na Suinocultura – MBRF”, destacando as ações pioneiras da empresa, como a remoção total de promotores de crescimento, a eliminação do uso de antibióticos preventivos e o fortalecimento de programas de treinamento e eubióticos alternativos. Na sequência, Anne Lara (Seara) compartilhou as práticas adotadas pela companhia, com foco em biosseguridade, imunização do plantel e capacitação das equipes de campo, reforçando a importância de um programa integrado e contínuo de prevenção e monitoramento.
Para fechar a rodada de apresentações, o produtor, Roberto Coelho (Grupo Cabo Verde), compartilhou sua experiência prática na redução

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
do uso de antimicrobianos na suinocultura, destacando o papel central das pessoas, dos animais e dos processos, reforçando a importância do bem-estar animal e da nutrição de qualidade como pilares do desempenho zootécnico.
Por fim, o painel foi encerrado com uma mesa-redonda que reuniu os palestrantes e o público técnico em um debate rico sobre desafios e oportunidades. Os participantes reforçaram que o uso prudente de antimicrobianos é essencial para preservar a eficácia dos medicamentos, reduzir riscos de resistência bacteriana e garantir a sustentabilidade da suinocultura brasileira.
A diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, ressaltou que ter espaços como o Congresso Nacional da Abraves para falar do uso responsável de antimicrobianos na suinocultura é uma oportunidade de compartilhar conhecimento, discutir desafios e, principalmente, compartilhar experiências com as agroindústrias e os produtores independentes que vem implementando na prática estes programas. “Na mesma medida que o uso responsável de AMR é um desafio global e uma responsabilidade compartilhada de todos os profissionais e principalmente por parte dos médicos veterinários que atuam na cadeia produtiva, sendo fundamental manter a saúde animal, a segurança do alimento e a eficácia dos antimicrobianos”, enfatizou.

Manual técnico
Durante o painel, a ABCS realizou o lançamento oficial do Manual sobre Uso Responsável e Eficaz de Antimicrobianos na Suinocultura, publicação inédita elaborada pelos especialistas Maurício Dutra e Andrea Moreno. O material foi desenvolvido para orientar produtores, médicos-veterinários e agroindústrias na adoção de práticas seguras, embasadas em ciência e alinhadas ao conceito de saúde única, reforçando o compromisso do setor com o bem-estar animal, a segurança alimentar e a sustentabilidade.
O manual apresenta 16 tópicos técnicos, que vão desde a compreensão da resistência antimicrobiana e das legislações vigentes até orientações práticas sobre escolha de princípios ativos, dosagens, biosseguridade e alternativas aos antibióticos. Segundo Charli Ludtke, diretora técnica da ABCS, o manual foi desenvolvido para servir como referência aos médicos-veterinários, produtores e demais profissionais com áreas afins do segmento da suinocultura. “Este é um importante material que reúne informações atualizadas, embasadas cientificamente, com foco em promover o uso responsável e eficaz dos antimicrobianos”, frisou, destacando, ainda, que o objetivo é harmonizar conhecimento, fortalecer a capacitação técnica e estimular práticas que assegurem a manutenção da eficácia dos antibióticos, saúde e o bem-estar dos animais.
O novo manual está disponível no site da ABCS, a publicação será utilizada como ferramenta de apoio em capacitações técnicas e programas de sustentabilidade conduzidos pela ABCS e suas parceiras em todo o país.

Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.
Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



