Suínos SNCS 2024
ABCS lança 12ª edição da maior estratégia de incentivo ao consumo de carne suína no varejo brasileiro
Evento aconteceu na última quinta feira (06), em São Paulo, e contou também com o lançamento da nova série exclusiva de vídeos “De porco a porco”, em parceria com o chef Jimmy Ogro.

Um marco no calendário da suinocultura brasileira, na última quinta-feira (06), foi lançada a 12ª edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), uma iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e da cadeia da suinocultura, para incentivar o consumo da proteína junto ao varejo brasileiro. Com foco em regionalização, personalização, atacarejo e varejo de proximidade, a SNCS 2024 acontece de 04 a 19 de junho em 23 bandeiras de varejo, distribuídas por todo o Brasil. O lançamento oficial ocorreu em São Paulo e contou com a presença das principais lideranças da suinocultura, do varejo, e do governo do estado de São Paulo, além do chef de cozinha e embaixador da carne suína, Jimmy Ogro.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, agradeceu a presença de todos e relembrou a história do trabalho para o aumento do consumo de carne suína que começou lá em 2005. “Quanta luta tivemos ao longo desses anos para chegar aqui agora ao lado de vocês e das maiores redes de varejo do país. Sem dúvida nenhuma é um case de sucesso, que hoje é um exemplo para o mundo! E é com esse trabalho e com o apoio de todos vocês que hoje conseguimos chegar aos 20.68 kgs de consumo per capita,” finalizou.
O especialista em agronegócio, José Luiz Tejon, que esteve presente no evento, ressaltou a importância do trabalho de comunicação da ABCS. “Meu sonho seria que esse conhecimento aplicado no brasil pudesse ser levado para todos os mercados internacionais como exemplo de como o marketing pode ser usado nas cadeias produtivas”, concluiu.
Lívia Machado, diretora de marketing e projetos da ABCS, ressaltou o potencial geográfico desta edição da campanha, trouxe dados do varejo e destacou as mudanças nesse setor, além da capacidade de transformação e adaptação da ABCS e da SNCS para acompanhar o comportamento do consumidor e continuar gerando resultados. A SNCS é uma oportunidade única de marketing de categoria para fortalecer a cadeia produtiva da carne suína, aproximando consumidores, varejistas e produtores.
Falas do varejo
Representantes das redes de varejo participantes estiveram presentes e ressaltaram a importância da SNCS em unir concorrentes junto de todos os elos da cadeira para um objetivo em comum, além de destacar os bons resultados do trabalho consistente, do aprendizado e do engajamento que a metodologia da ABCS gera a todos os colaboradores:
Leandro Ruiz, gerente de Suínos do Lopes, destacou a evolução da SNCS desde o seu princípio e a importância da consistência desse trabalho, enquanto Carlos Eduardo Souza, Diretor Comercial de Açougue do Carrefour, falou sobre a reinvenção do varejo e inovação da ABCS para se conectar com o público.
Fabricio Caldas, gerente comercial de perecíveis do Prezunic e representante do grupo Cencosud, ressaltou o engajamento e o aprendizado do time gerado pela campanha, assim como Luiz Oliveira, Gerente Comercial do grupo Amigão, que elogiou o trabalho de valorização do conhecimento, e Luiz Baruzzi, Diretor da Rede São Paulo, que vê a importância em fazer a diferença na loja e sobre como os treinamentos são motivadores para isso.
Finalizando as falas do varejo, Patrícia Mendes, Diretora Comercial de Perecíveis do GPA, falou sobre o trabalho realizado em conjunto com a ABCS para falar sobre bem-estar animal e da importância do tema para o Grupo, e Valdemar Amaral, presidente da Rede ABC ressaltou o compromisso da rede com a cadeia suinícola.
Durante o evento, foi realizada a apresentação da palestra “Resistir para existir: líder pronto para tudo”, com Marcos Scaldelai, apresentador do programa da Band Paulista, empresário e destaque na Forbes, que falou sobre a responsabilidade dos líderes em serem capacitadores, fazendo com que os times de colaboradores se perpetuem e se fortaleçam cada vez mais. E para finalizar a parte de conteúdo do evento, o consultor de mercado da ABCS, Iuri Pinheiro Machado trouxe informações atualizadas do mercado da suinocultura.

Cheff Jimmy Ogro lançou a nova temporada da série exclusiva “De porco a porco” gravada para as redes sociais da ABCS – Fotos: Elias Gomes
“De porco a porco”
Além disso, na ocasião também foi lançada a nova série exclusiva “De porco a porco”, gravada para redes sociais em parceria com o Chef Jimmy Ogro, com o intuito de desmistificar a produção nacional de carne suína. A série de vídeos que promete informar, inspirar e deliciar, contará com quatro temporadas publicadas em colaboração nos perfis @maiscarnesuina, @abcsagro e @jimmy.ogro, contando os bastidores da indústria desde as granjas até os frigoríficos e restaurantes, culminando em deliciosas receitas que irão transformar a visão da carne suína.
Serão abordados temas como: segurança nas granjas, alimentação dos animais, ciclo de vida, indicadores de bem-estar animal na granja e no processamento, sanidade e sustentabilidade, inspeção sanitária, rastreabilidade, cortes, carcaça e armazenamento, efluentes do frigorífico, pratos com a proteína, dica de temperos, cortes e ponto. Prepare-se para uma experiência única que irá aprofundar seu conhecimento sobre a suinocultura e enriquecer seu repertório culinário!
O chef agradeceu a confiança de todos que acreditam nesse trabalho. “Com esse material conseguiremos incrementar ainda mais o conhecimento sobre a carne suína, obrigada a todos por acreditarem em mim e na ABCS, e por trabalhar junto com a gente! Assista o primeiro episódio da série aqui.
O Sistema ABCS e os contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS) estão comprometidos em apoiar e divulgar essa iniciativa, faça parte desse movimento também, compartilhe esse conteúdo!
O evento foi finalizado com um momento para troca de experiências e networking entre os participantes, veja as fotos: https://we.tl/t-ccU5kcglAJ

Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.






