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ABCS desenvolve cartilhas técnicas para capacitar setor suinícola
Materiais estarão disponíveis a partir de maio e darão origem a seminários a serem realizados em parceria com as afiliadas

A suinocultura passa por transformações devido às exigências do mercado global. Assim, é necessário conhecer esse cenário e identificar oportunidades e desafios dentro do setor. Pensando em uma suinocultura cada vez mais qualificada, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), desenvolve duas cartilhas técnicas com temas atuais de interesse da cadeia, como boas práticas em fábricas de rações, gestão de recursos e sustentabilidade nas granjas. Os materiais darão origem aos seminários técnicos “Mercado Globalizado”, a serem realizados no segundo semestre de 2019.
Com lançamento previsto para maio deste ano, as cartilhas são resultado da parceria entre a ABCS e o Sebrae Nacional, com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Embrapa. Os e-books das publicações serão publicados no site da ABCS e estarão disponíveis para o público.
O conteúdo está sendo elaborado por profissionais experientes e renomados nas áreas de desenvolvimento de projetos, bem-estar animal e boas práticas agropecuárias. A cartilha “Novos Caminhos da Suinocultura” vai incluir uma visão ampla das oportunidades de gestão nas granjas, com temas como a otimização do uso de recursos e a gestão de custos.
Já a cartilha “Boas Práticas Agropecuárias para Fábricas de Rações Próprias”, vai conter reflexões sobre a qualificação de fornecedores e controle de matérias-primas e métodos para assegurar o fornecimento de uma alimentação adequada aos suínos.
Para a diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, em prol de uma gestão de qualidade, os integrantes do setor suinícola precisam estar atualizados sobre as principais questões em discussão em suas atividades.
“É essencial promover o conhecimento e atualizar o produtor quanto aos temas de gestão de custos, eficiência de produção, biosseguridade, uso racional de resíduos e redução de desperdícios, bem-estar animal, boas práticas na formulação de ração e uso prudente de antibióticos. Estes consideramos temas relevantes e atuais para a gestão nas propriedades rurais”, afirmou.
Seminários técnicos
Com o tema “Mercado Globalizado”, o seminário técnico vai tratar de forma estratégica das oportunidades da cadeia em relação a assuntos como sustentabilidade, bem-estar animal será realizado em diversos estados brasileiros.
Além das temáticas tratadas nas cartilhas – que servirão de material de apoio para as palestras – outro destaque é para o tema de Bem-Estar Animal, que tem como objetivo transferir conhecimento aos produtores sobre a aplicabilidade das boas práticas e bem-estar na suinocultura, fomentadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Junto às cartilhas, que serão distribuídas exclusivamente para os participantes do evento, também serão entregues certificados de participação ao final da capacitação.
Tanto as cartilhas, quanto o seminário vão oportunizar a produtores, médicos veterinários, técnicos e profissionais do setor a atualização sobre temas de interesse e relevância para a cadeia. Dentre os palestrantes do seminário estão o presidente da Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Iuri Machado, o médico veterinário, Stefan Rohr e a diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, destacou o papel da entidade no desenvolvimento do setor. “A ABCS tem se preocupado ao longo do tempo em buscar aprimorar a suinocultura brasileira em relação às grandes transformações que o mercado globalizado tem exigido e tanto as cartilhas quanto os seminários contribuirão de forma efetiva para o aprimoramento das granjas. Atuaremos em todo Brasil preparando os produtores e seus colaboradores para atender cada vez mais as demandas do mercado consumidor e seguirmos produzindo com responsabilidade social e respeito aos animais”.

Notícias
Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
Notícias
Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



