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ABCDB e Sebrae firmam parceria para avaliação genômica de animais da raça Devon
Convênio vai auxiliar criadores na seleção e melhoramento dos rebanhos.


Foto: Simone Muller
Uma parceria entre a Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Rio Grande do Sul vai fomentar a avaliação genômica dos rebanhos de Devon de associados gaúchos. A ferramenta fornece informações que podem ser determinantes na seleção de animais melhoradores dos plantéis. O convênio entre as duas entidades foi assinado na sexta-feira (08/12), em Porto Alegre (RS).
A nova tecnologia será um suporte diferenciado para os produtores alcançarem uma evolução genética nos seus rebanhos, conforme afirma a presidente da ABCDB, Elizabeth Cirne-Lima. “O criador passa a ter acesso a uma ferramenta que identifica o potencial e as habilidades genéticas de cada indivíduo. A interpretação dos resultados dos exames facilita a tomada de decisões estratégicas na propriedade”. A dirigente destaca, ainda, a parceria com o Sebrae-RS. “É um programa com visão de futuro, um apoio importante para a formação de uma base de dados dos bovinos brasileiros. Possibilita uma seleção de alta performance e com maior acurácia, além de um retorno mais eficiente na seleção do gado”.
O criador Gilson Barreto Hoffmann, que já realiza a avaliação genômica no rebanho da Cabanha Santa Lúcia, em André da Rocha (RS), relatou os resultados que vem obtendo na propriedade. “Estas análises nos fornecem 17 características que estão nos ajudando, no melhoramento genético e na qualidade dos animais. As avaliações nos permitem conhecer o potencial genético dos nossos animais, referentes às características maternas, de produção e de carcaça. Eu comecei aos poucos e, há três anos, passei a utilizar a genômica em todo o rebanho”.
O exame é simples, basta a retirada de um tufo de pelos no rabo do animal, uma única vez. O material vai para análise em laboratório e os resultados poderão ser utilizados da melhor forma pelo criador. O serviço será realizado pela Neogen, empresa líder mundial no mercado de genômica, e deve iniciar nas próximas semanas, após o cadastro dos produtores interessados. A previsão inicial é de que um mil reprodutores Devon, de diferentes criadores, sejam genotipados.
Pela proposta, o Sebrae subsidia 50% do custo da análise, que atualmente é de R$240 por animal, e a outra metade o produtor poderá pagar em até 12 vezes. Segundo o gerente regional do Sebrae-RS, Gustavo Rech, além de levar maior rentabilidade para o produtor, facilitar o acesso à avaliação genômica significa aumentar a competitividade da pecuária do Rio Grande do Sul. “O Sebrae atua para melhorar o processo produtivo e para que todo o manejo seja assertivo. Temos produtos excepcionais e precisamos mostrar para o mundo todo esse potencial”. Rech lembra, ainda, que o apoio vale somente para propriedades do Rio Grande do Sul e que se caracterizam como micro ou pequena empresa.
O coordenador de Agronegócio do Sebrae-RS, André Bordignon, ressalta que a pecuária de corte tem um papel importante para o agronegócio gaúcho e está presente em quase todos os municípios do estado. “A produção da cadeia da carne está voltada para quem vai comprar esse produto. Sabemos que o consumidor de carne bovina busca maciez, suculência e qualidade, para isso, é preciso, sempre, melhorar o rebanho. E é por isso que investimos, cada vez mais, na outra ponta, em produtos que buscam essa melhoria genética de rebanho e nos dê a garantia de que o consumidor vai receber essa carne que ele espera”.

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Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação agrícola e elevam relação a Parceria Estratégica
Declaração conjunta firmada em Seul também prevê acordos em tecnologia, saúde, medicamentos, educação e reforço no comércio bilateral, com plano de ação para os próximos três anos.
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Economia brasileira cresceu 2,2% em 2025, aponta prévia da FGV
Monitor do PIB mostra perda de ritmo no fim do ano.

A economia brasileira cresceu 2,2% em 2025, na comparação com 2024, estimou a pesquisa Monitor do PIB, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

A pesquisa reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e é considerada uma prévia do produto interno bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país.
O resultado de 2025 representa o quinto ano seguido de alta, mesmo com perda de ritmo nos últimos meses. Em 2024, o avanço tinha sido de 3,4%.

Foto: Claudio Neves
Em dezembro, o PIB teve variação nula (0%) na comparação com novembro, e, no quarto trimestre, também ficou estável em relação ao terceiro.
Ao detalhar o comportamento setorial da economia, o Monitor do PIB estima que o consumo das famílias cresceu 1,5% em 2025. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que reflete o nível de investimento da economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 3,6% no ano.
No comércio exterior, as exportações avançaram 6,2% em 2025, enquanto as importações, 5,1%. O estudo estima que a taxa de investimento da economia foi de 17,1%, a maior dos últimos três anos.
Recordes
De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB brasileiro em valores correntes atingiu R$ 12,63 trilhões, o maior valor da série histórica. Já o PIB per capita ─ valor do PIB dividido pelo tamanho da população do país ─ alcançou R$ 59.182, também um patamar recorde.
Análise
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, a economista Juliana Trece, os juros altos foram um dos motivos que levaram à perda de força no crescimento da economia em 2025.
“Nota-se evidente perda de fôlego do PIB ao longo de 2025, com a taxa, na série ajustada sazonalmente [ajuste que permite a comparação entre meses e trimestres imediatamente seguidos], tendo iniciado o ano com forte crescimento e terminado estável no quarto trimestre de 2025”.
Efeito dos juros

Fotos: Claudio Neves
Juliana Trece assinala que 2025 foi “um ano de forte aperto monetário e imposição de tarifas ao Brasil”. O aperto monetário se refere à alta taxa de juros. Em setembro de 2024, preocupado com a trajetória da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma escalada da taxa básica de juros da economia, a Selic, então em 10,5% ao ano, elevando-a até 15% em junho de 2025, assim permanecendo até os dias atuais.
A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o número oficial da inflação, chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância, o que inclui praticamente todo o ano de 2025. A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos. Apesar da pressão restritiva, 2025 terminou com o menor percentual já registrado na taxa de desemprego, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tarifaço

Foto: Allan Santos/PR
O outro efeito citado pela economista é o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciado em agosto de 2025. A aplicação de taxas adicionais sobre o Brasil levou à redução das vendas externas aos americanos.
O governo dos Estados Unidos afirma que a medida pretende proteger a economia americana, já que, com a taxação, o país tende a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior. Nesta sexta-feira, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária de Trump.
Em novembro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calculou que 22% das exportações para os Estados Unidos estavam sujeitas às sobretaxas.
Resultado oficial
O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetros da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na última quarta-feira (19), que indicou expansão de 2,5% em 2025.
O resultado oficial do PIB é aferido e apresentado pelo IBGE. O comportamento de 2025 será divulgado no próximo dia 3 de março.
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Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo
Brasil é um dos países longe da meta estabelecida pela ONU.

O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.
Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).
O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo. “O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.
Brasil em destaque

Foto: Fernando Dias
O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.
Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.
A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.
Tipos de pesticidas
Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.
Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.
Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.
Meta global distante
O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.
Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.
Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.
Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.
Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.







