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A vacinação como ferramenta auxiliar no controle integrado de salmonella

Infecções por salmonelas estimulam tanto a imunidade celular quanto a humoral

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gleidson Salles, mestre em Ciência e Produção Animal e assistente Técnico SC/RS em Aves da Zoetis

Nos dias de hoje o tema mais estudado, discutido e trabalhado na avicultura é a salmonella. Pesquisadores, empresas, governo e produtores, buscam incansavelmente achar soluções e ferramentas para combater esse patógeno. As salmoneloses estão entre as principais doenças de aves comerciais e é responsável por perdas econômicas e por riscos relacionados a doenças transmitidas por alimentos.

Desde as primeiras criações de aves, ouvimos relatos de salmonellas, devido à sua grande complexidade, epidemiologia, sorovares envolvidos, o seu controle passa por medidas integradas relacionadas ao conhecimento do agente etiológico, hospedeiro ambiente e particularidades geográficas. Através do amplo desenvolvimento em estudos e pesquisas, as investigações científicas permitem hoje, um grande avanço no entendimento dos mecanismos de infecção e da forma que o agente resiste no hospedeiro, tais como imonoistoquímica, citometria de fluxo e determinação de citocinas, técnicas moleculares de sequenciamento do genoma das aves, identificação das ilhas de patogenicidades do agente.

O Brasil passou por uma forte crise de imagem e consequentemente financeira no setor devido às etapas da Operação Carne Fraca, principalmente no mercado europeu, cujas exigências e controle sobre nossos produtos aumentaram consideravelmente. O banco de dados dos alertas rápidos da Europa em relação à carne exportada é uma boa fonte para nos dar uma ideia da situação atual. E infelizmente nessa sequência histórica nós tivemos uma explosão de notificações no ano de 2017. Ao todo foram 321. Nunca o Brasil havia recebido tantas notificações e seguramente isso é resultado da mudança no sistema de vigilância, do aumento de amostragem e de fatores relacionados à coleta.

Diferentemente das aves caipiras, as aves industriais não têm contato com a sua progenitora, na natureza. As aves de vida livre, ao eclodirem já recebem uma carga muito grande de bactérias da mãe no ninho, nas fezes e no ambiente, e de certo modo, essa microbiota auxilia na proteção da ave recém-nascida, já que essa carga bacteriana é composta por bactérias benéficas, em sua maioria. Nas aves industrias isso não acontece, uma vez que os ovos férteis vão para o incubatório e os pintinhos não terão contato com a sua progenitora. A Salmonella é uma enterobactéria e como tal, a sua relação com a resposta imunológica da mucosa intestinal e com a microbiota tem sido alvo de investigação. Alguns sorovares têm presença mais restrita ao trato gastrintestinal, enquanto outros são também microrganismos septicêmicos, sendo capazes de invadir a corrente circulatória.

A resposta imunológica da ave depende do grau de agressão e principalmente da capacidade de invasão do sorovar em questão. As infecções por salmonelas estimulam tanto a imunidade celular quanto a humoral.

Quando pensamos em utilizar a vacinação como uma medida auxiliar no controle de salmonella, devemos entender o que esperar de cada “arma”, e ter em mente que esta ferramenta é parte fundamental de um conjunto de ações, entre elas, a principal – a biosseguridade. Antes de qualquer coisa, é importante saber qual é o grande inimigo, para aí fazer o uso estratégico das vacinas. Ao estabelecer um programa de vacinação nas reprodutoras, o foco é proteger essa ave, reduzir os riscos do ambiente, evitando assim a transmissão vertical de salmonella para progênie. Se o foco da vacinação são os frangos de corte, o principal ponto é a proteção precoce desses animais, normalmente por via massal.

A forma de avaliação da resposta imune contra salmonella é mediada principalmente pelas defesas inatas, mucosas, macrófagos, células natural killers e interferons, e pela defesa adaptativa, anticorpos e linfócitos T específicos, CD4+ e CD8+. Dentro desse contexto, devemos escolher a ferramenta que melhor se encaixa para a necessidade. A maioria das vacinas pode ser classificada basicamente em não replicantes (inativadas) e replicantes (vivas). As vacinas replicantes (vivas) funcionam infectando as aves com a própria doença, mas com atenuação, que elimina ou minimiza os sintomas e as consequências, conferindo uma rápida resposta imunológica, com produção de imunoglobulina de mucosa, IGA secretora, de linfócitos citotóxico T CD8+. No caso da salmonella, uma bactéria intracelular facultativa, essa resposta é fundamental. As vacinas não replicantes (inativadas) estimulam a produção de anticorpos circulatórios (defesa humoral) e de linfócitos T CD4+.

Comparações entre vacinas inativadas e vacinas vivas demonstraram que as últimas são mais efetivas no estímulo da resposta imune, mediadas por células com participação de percentual de células CD4+ e CD8+, significativamente maior em relação a vacinas inativadas.

O controle e a prevenção devem contemplar ações conjuntas que evitem a transmissão vertical e horizontal. Nesse contexto, devemos analisar e atuar em toda a cadeia avícola, de forma integrada e consistente. Desse modo, a chance de sucesso no controle de salmonella aumenta muito.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado Interno

Queda no consumo pressiona preços da carne suína

Mercado brasileiro de suínos apresentou queda dos preços no atacado ao longo da semana

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Arquivo/OP Rural

O mercado brasileiro de suínos apresentou queda dos preços no atacado ao longo da semana. A tendência ainda indica para menor espaço para reajustes, em linha com o arrefecimento do consumo no decorrer da segunda quinzena do mês. A avaliação é do analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Além disso, acrescenta Iglesias, os preços da carne bovina permanecem em queda, o que costuma resultar em desdobramentos sobre as proteínas concorrentes. “Por fim, seguem as preocupações em torno dos custos de nutrição animal, observando o recente comportamento dos preços no mercado doméstico”, completa o analista.

As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 76 milhões em janeiro (10 dias úteis), com média diária de US$ 7,6 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 30,7 mil toneladas, com média diária de 3,1 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.472,80.

Em relação a janeiro, houve ganho de 9,7% na receita média diária, alta de 14,1% no volume diário e recuo de 3,9% no preço. Na comparação com fevereiro de 2019, houve aumento de 67,6% no valor médio diário exportado, ganho de 34% na quantidade média diária e elevação de 25% no preço.

2019

Para a carne suína o desempenho em 2019 foi singular. Os embarques só não foram mais volumosos porque o Brasil esbarrou na incapacidade de expandir a produção para atender o mercado chinês. Nesse quesito Estados Unidos e União Europeia absorveram as maiores fatias de mercado.

O Brasil exportou em torno de 730 mil toneladas de carne suína, 100 mil toneladas a mais em relação a 2018, apresentando um crescimento de 15,9%. Em termos de receita também houve mais robustez, com um crescimento de quase 32% na comparação com 2018, com receitas superiores a US$ 1,5 bilhão.

Fonte: Agência SAFRAS
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Notícias Mercado Interno

Preços do frango de corte caem no Brasil e ajustes devem diminuir

Avicultura de corte se deparou com queda dos preços no atacado ao longo da semana

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Arquivo/OP Rural

A avicultura de corte se deparou com queda dos preços no atacado ao longo da semana. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a tendência de curto prazo remete a menor espaço para reajustes ao longo da segunda quinzena do mês, avaliando o arrefecimento do consumo neste período em específico.

“Os custos de nutrição animal ainda são uma preocupação recorrente, avaliando o recente comportamento dos preços do milho no mercado doméstico”, disse.

Exportações

As exportações de carne de frango “in natura” do Brasil renderam US$ 268,6 milhões em fevereiro (10 dias úteis), com média diária de US$ 26,9 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 172,1 mil toneladas, com média diária de 17,2 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.560,70.

Na comparação com janeiro, houve ganho de 21,1% no valor médio diário da exportação, alta de 25,5% na quantidade média diária exportada e baixa de 3,5% no preço. Na comparação com fevereiro de 2019, houve alta de 16,2% no valor médio diário, ganho de 19% na quantidade média diária e baixa de 2,3% no preço médio.

Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

China

O suprimento de frango e produtos derivados de ovos na China deve ser impactado no segundo e terceiro trimestres devido aos efeitos da atual epidemia de coronavírus no país e seus efeitos sobre a indústria, disse nesta terça-feira um representante do ministério da Agricultura.

Segundo maior produtor de frangos do mundo, a China tem elevado a produção para compensar uma escassez de carne após um surto de peste suína africana no país que teve início em 2018 e dizimou o rebanho de porcos chinês.

Fonte: Agência SAFRAS
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Notícias Paraná

Portarias definem zoneamento do trigo e do milho com braquiária

Objetivo é minimizar as perdas nas lavouras causadas por eventos climáticos e possibilitar mais ganhos aos produtores

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Divulgação/AENPr

Duas portarias da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicadas no final do ano passado, definiram novos Zoneamentos Agrícolas de Risco Climático (Zarc) para o Paraná. Uma delas trata da cultura do trigo e a outra estabelece a possibilidade de consórcio do milho com a braquiária em alguns municípios. O objetivo é minimizar as perdas nas lavouras causadas por eventos climáticos e possibilitar mais ganhos aos produtores.

A Portaria n.º 372/19 definiu a Zarc para a cultura do trigo na safra 2019/2020. Para a elaboração do documento levou-se em conta fatores como temperaturas, balanço hídrico e possibilidade de geada em cada um dos municípios produtores. O documento indica a melhor época de plantio por município, tipo de solo e ciclos das cultivares. Uma das atualizações foi a redefinição do limite para o início do plantio. Alguns municípios do Norte, Noroeste e Sudoeste, por exemplo, podiam começar a plantar em 21 de março. No novo zoneamento, o plantio será permitido a partir de 1º de abril.

“Tudo que vem para melhorar aspectos importantes do zoneamento facilita”, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. “O atraso na semeadura do milho safrinha pode motivar alguns agricultores a plantar um pouco mais trigo, ou seja, aproveitar o tempo todo o solo no inverno.”

Milho e braquiária 

A Portaria 366/19 possibilita que o milho de segunda safra, que começou a ser semeado em janeiro no Paraná, esteja consorciado com braquiária em vários municípios do Estado. Além da permissão para o consórcio, a portaria estabeleceu o calendário de plantio, com objetivo de que sejam minimizadas as perdas causadas por eventos climáticos adversos.

De acordo com a Nota Técnica do órgão, a associação entre culturas anuais e pastagens é uma opção que apresenta benefícios. Entre eles, cita a maior reciclagem de nutrientes, acúmulo de palha na superfície, melhoria da parte física do solo e a sustentabilidade em relação ao cultivo convencional. “Neste sistema a forrageira pode servir como alimento para a exploração pecuária, a partir do verão até o início da primavera e, posteriormente, para formação de palhada no sistema plantio direto”, diz a nota.

Tanto no zoneamento agrícola do trigo quanto no do milho com braquiária, o respeito aos prazos fixados é recomendado para que o agricultor tenha condições de acessar políticas públicas como crédito rural, Proagro, Garantia Safra e seguro.

Fonte: AEN/Pr
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