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Bovinos / Grãos / Máquinas 13º SBSBL

A saúde emocional e o comportamento dos bovinos com o projeto “Traduzindo Vacas”

Método de análise comportamental do rebanho é tema de palestra no 13º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite.

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Fotos: Caroline Lorenzetti

Durante o 13º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, profissionais especialistas renomados tomaram o palco do Centro de Cultura e Eventos Plinio Arlindo De Nes, em Chapecó, para discutir a realidade mundial e inovações envolvendo toda a cadeia leiteira.

Médico veterinário, mestre em Produção Animal com ênfase em Etologia e PhD em Endocrinologia, Marcelo Cecim: “A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas precisamos também de pessoas capacitadas nas fazendas para interpretar esses sinais de comportamento”

O médico veterinário, mestre em Produção Animal com ênfase em Etologia e PhD em Endocrinologia, Marcelo Cecim, veio ao evento apresentar o seu  projeto “Traduzindo Vacas”, um método de análise comportamental que permite interpretar sinais emitidos pelos bovinos, com o objetivo de melhorar o entendimento do bem-estar desses animais e suas necessidades específicas. A abordagem inovadora é hoje utilizada no treinamento de auditores de bem-estar em diferentes programas.

Marcelo Cecim relatou que a ideia para o projeto surgiu quando trabalhava com inteligência artificial e sensores para monitoramento remoto do comportamento bovino. Ele desenvolveu um sistema que permite identificar alterações sutis no comportamento das vacas, muitas vezes, precursores de doenças. “Esse monitoramento preventivo busca detectar os ‘sinais’ que as vacas emitem antes de adoecerem. Muitas vezes, percebemos que o animal parece ‘diferente’, mas não sabemos o que isso significa”, explicou Cecim. “A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas precisamos também de pessoas capacitadas nas fazendas para interpretar esses sinais de comportamento”, opinou.

Da inteligência artificial ao olhar sensível: o método traduzindo vacas

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O método é baseado em uma série de escores comportamentais, incluindo medo, rotina, interação, dor, conforto térmico, digestão, entre outros. Cada um desses parâmetros é analisado e pontuado, permitindo uma avaliação detalhada do estado emocional e físico dos animais. Segundo Cecim, a metodologia é simples e acessível, o que facilita o treinamento de auditores de bem-estar. “Já treinei pessoas de 8 a 80 anos para utilizá-lo, com base apenas na capacidade de contar de 1 a 5”, comentou.

Cecim ressaltou que o bem-estar emocional, assim como acontece nos seres humanos, também impacta diretamente a saúde física dos bovinos, contribuindo para a prevenção de problemas como mastite, deslocamento de abomaso e pneumonia. Ele destacou a importância de entender que o animal pode não estar doente, mas isso não significa que está bem. “Alterações de comportamento são o parâmetro mais sensível para reconhecer quando uma vaca – ou mesmo uma pessoa – não está bem. É fácil identificar uma doença, mas reconhecer um mal-estar é difícil, especialmente para um animal, que tende a esconder dor e fraqueza para evitar predadores”.

O impacto da saúde emocional no ciclo de produção foi outro ponto central da palestra, explanando sobre a relação entre saúde emocional e expectativa de vida dos animais. De acordo com Cecim, práticas de manejo inadequadas podem gerar estresse e afetar a saúde das vacas a longo prazo. “Hoje, reconhecemos a relação entre depressão e inflamação. Vacas deixam as fazendas por problemas de casco, infertilidade e mastite, todas condições inflamatórias”, exemplificou. O veterinário comparou o impacto do cuidado materno e dos efeitos epigenéticos com o desenvolvimento humano, explicando que o bem-estar dos bovinos, especialmente das vacas leiteiras, pode afetar até três gerações: a mãe, a cria e a próxima. “Em ambientes desfavoráveis, como calor excessivo, vacas secas no campo terão menor desempenho na próxima lactação, e isso reflete diretamente na sua descendência”, explicou.

O bem-estar animal, inicialmente baseado nas “cinco liberdades” (ausência de fome, sede, desconforto, dor e medo), evoluiu para um modelo mais abrangente que inclui saúde, nutrição, ambiente, produção e estado emocional. “Esses princípios, estabelecidos em 1965, garantem ausência de mal-estar, embora não assegurem bem-estar em si. Em 1994, esses conceitos evoluíram para os cinco estados, que refletem como a vaca se sente no ambiente em que vive. Em toda fazenda, há vacas que demonstram felicidade, enquanto outras não, e essa saúde emocional impacta diretamente sua saúde física, refletindo na expectativa de vida”, informou.

Este último ponto é central para Cecim, que acredita ser fundamental garantir que o ambiente onde os bovinos vivem promova não apenas o desempenho produtivo, mas o conforto psicológico do animal. “A proposta é entender um pouco do que as vacas vêm tentando nos comunicar há cerca de 10 mil anos, desde a domesticação. Elas emitem muitos sinais, mas raramente lhes damos a devida atenção. A medicina de ruminantes vem evoluindo com o tempo, acrescentando as habilidades que necessitamos nos profissionais atualmente. Para entender o que a vaca expressa, precisamos de pessoas capacitadas nas fazendas, aptas a identificar se a alteração é causada por dor, medo ou outro fator”.

O projeto “Traduzindo Vacas” promete trazer avanços para a bovinocultura de leite ao oferecer um novo olhar sobre o comportamento animal, sensibilizando profissionais da área para a importância do bem-estar emocional e físico dos bovinos. Marcelo Cecim mostrou que a empatia, aliada à tecnologia, pode transformar o manejo de rebanhos e gerar melhores resultados na produção leiteira, promovendo um ambiente mais saudável e respeitoso para os animais.

Fonte: Assessoria Nucleovet

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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