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A Produção Agropecuária de Baixo Impacto, um momento de transição

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*Guilherme Augusto Vieira [1]
Prezado Leitor, dois motivos levaram-me a escrever sobre a Produção Agropecuária de Baixo Impacto: 
• Primeiro: Nestes dias de feriadão entrecortado por jogos da copa, pensava o que escrever para a coluna do Presente sobre esta série de artigos em que abordo sobre os desafios da produção agropecuária brasileira. Estava refletindo sobre um ensaio que escrevi na Revista Avisite em que abordei sobre o futuro da avicultura da Bahia para os próximos vinte anos e iria dar o prosseguimento para a coluna do Presente, querendo abordar sobre a questão ambiental;
Eis que surge um fato que complementa as idéias em processo de amadurecimento:
• Estava em casa neste domingo dia 22/06 assistindo ao Globo Rural ( hábito cultivado desde 1980 quando tive o privilégio de assistir ao primeiro programa) e no intervalo “zapeio”  o controle e entro no Canal Terra Viva e me deparo com  excelente programa Terra Viva Sustentável apresentando uma entrevista com um dos maiores pensadores do agronegócio brasileiro o Prof. Dr.Décio Zylbersztajn (da USP) que fez uma excelente abordagem sobre a produção agropecuária de baixo impacto.
Só para contextualizar, Dr. Décio é Engenheiro Agrônomo de formação , com Mestrado e Doutorado nos Estados Unidos e Livre-Docente na USP. Escreveu vários livros sobre economia do agronegócio[2], e tenho como referência na bibliografia das minhas aulas tanto na graduação quanto na pós-graduação. 
Voltando a entrevista, Dr. Décio explica que o produtor rural ( seja agrícola e pecuário) terá um grande desafio nos próximos anos  que será produzir alimentos com baixo impacto ambiental , ou seja o Programa Agropecuária de Baixo Carbono, fato que já abordamos aqui na Coluna do Presente.
Segundo o entrevistado, o mercado irá exigir este produto, que será diferenciadoe terá mercados específicos, portanto com melhor remuneração. Ou seja,  de ter que introduzir os conceitos de sustentabilidade em sua produção. 
Entretanto, enfatiza que ao introduzir a produção ABC em sua propriedade, o produtor vai ter que arcar com custos, assessorias específicas e mudar conceitos e paradigmas.
Em termos de financiamentos, os Bancos oficiais já possuem linhas específicas para o Programa ABC, com juros de 5% ao ano, com prazos variando de 5 a 15 anos ( dependendo da atividade),  observem:
O Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono do Banco do Brasil tem como objetivo incentivar a adoção de técnicas agrícolas sustentáveis que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa e ajudem na preservação dos recursos n São seis as iniciativas apoiadas pelo Programa ABC que visam contribuir para a preservação do meio ambiente e para a sustentabilidade da produção agropecuária:
• Plantio direto na palha
• Recuperação de pastos degradados
• Integração lavoura-pecuária- floresta
• Plantio de florestas comerciais
• Fixação biológica de nitrogênio
• Tratamento de resíduos animais
Fonte:http://www.bb.com.br/portalbb/page100,8623,8625,0,0,1,1.bb?codigoNoticia=30731&codigoMenu=11720
Portanto, o produtor rural dispõe de linhas de financiamento para implantação de produção ABC. 
Nestes tempos pré-eleitorais, gostaria de enfatizar que não se trata de propaganda oficial e sim esclarecimentos ao leitor sobre a existência programas que possam beneficiá-lo na sua produção.
Isto posto, os produtores de aves, suínos e leite tem uma grande oportunidade de resolver as questões relativas ao tratamento dos resíduos em suas propriedades, fatos que lhe são cobrados pelas leis ambientais e que segundo especialistas irão ficar cada vez mais severas por parte dos órgãos. De uma certa forma,  produtores de suínos já implantaram biodigestores e fazem algum tipo de tratamento dos dejetos.
Os produtores de bovinos de corte e leite poderão recuperar suas pastagens degradas que muitos dizem não fazer devido aos custos.
Os produtores da grande agricultura já adotaram o plantio direto ( pelo menos uma quantidade considerável), no qual reduziram os custos com hora de trator, mão de obra além de conservar e melhorar a terra, devolvendo a matéria orgânica ao solo.
Nas minhas andanças pelo país ,já observo vários agricultores adotando com intensidade a integração lavoura-pecuária-floresta, porém ainda certa resistência.
Quando Dr. Décio escreve e aborda um assunto, vale a pena prestar atenção, pois como dissera anteriormente, é uma das cabeças pensantes do agronegócio brasileiro com grande produção técnica e científica, além de formar uma grande parte dos executivos que trabalham no segmento.
Como seu discípulo, apesar de implantar o Programa ABC em nosso planejamento estratégico na Câmara Setorial das Carnes aqui na Bahia, irá estudar mais sobre o assunto e orientar nossos clientes e alunos.
Até a próxima oportunidade.
[1] Médico Veterinário, Doutorando em História das Ciências UFBA/UEFS, Professor  do Curso Veterinária UNIME/ Qualittas, Secretário Executivo da ABA, Colunista do Jornal Presente Rural
[2] Vale a pena ler o livro : ZYLBERSTAYJN,Décio – Economia & Gestão dos negócios agroalimentares.S.Paulo-Ed.Pioneira-2000 ( apesar do ano 2000, possui excelente conteúdo sobre agronegócios e sua dimensão).

Fonte: Professor Guilherme Augusto Vieira

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Conheça as tecnologias brasileiras que podem transformar a agricultura tropical

De importador de conhecimento agrícola, Brasil passou a desenvolver soluções adaptadas aos trópicos que hoje podem ser replicadas na África, Ásia e América Latina.

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Foto: Divulgação

A agricultura brasileira viveu uma transformação histórica nas últimas décadas. Se antes dependia de tecnologias desenvolvidas para ambientes temperados, hoje se tornou uma das principais referências mundiais em ciência aplicada aos trópicos.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio” – Foto: Divulgação

Para o engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto, o país deixou de importar pacotes tecnológicos incompatíveis com sua realidade para construir soluções próprias, capazes de serem replicadas em outras regiões do planeta. “Como engenheiro agrônomo, compreendi que o avanço da nossa agricultura dependeria de uma forte base em ciência”, afirma.

Segundo ele, a principal contribuição brasileira para outros países tropicais está nas chamadas tecnologias “poupa-terra”, que permitem aumentar a produção preservando recursos naturais.

Uma das maiores conquistas do Brasil foi adaptar culturas originalmente desenvolvidas para regiões temperadas. O desenvolvimento de variedades de soja adaptadas às baixas latitudes é considerado um marco da ciência brasileira e pode beneficiar países africanos com condições edafoclimáticas semelhantes às do Cerrado.

Foto: Roberto Dziura Jr

Outro avanço importante está no Manejo Integrado de Pragas (MIP), desenvolvido para enfrentar a intensa pressão biológica existente nos trópicos. “Criamos protocolos específicos para otimizar a eficiência dos defensivos de forma mais racional, reduzindo custos e impactos”, explica.

Vitrine atual da agricultura brasileira

Na avaliação de Durval, a maior vitrine atual da agricultura brasileira é a expansão dos bioinsumos. “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio”, ressalta.

O pesquisador também destaca o melhoramento genético do Nelore, do café, do feijão e da cana-de-açúcar, além da introdução de gramíneas africanas que revolucionaram a pecuária nacional.

Segundo ele, esses avanços permitiram ao Brasil construir o maior e mais eficiente sistema de produção de proteína animal a pasto do mundo.

Para Durval, a ciência tropical desenvolvida no país será cada vez mais importante diante do crescimento da demanda mundial por alimentos e da necessidade de produzir mais com menor impacto ambiental.

Fonte: O Presente Rural
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ASGAV e entidades da proteína animal promovem debate com pré-candidatos ao Governo do RS

Entidades do setor debateram temas como competitividade, logística, infraestrutura, sustentabilidade e políticas públicas para o desenvolvimento da proteína animal no Estado

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Foto e texto: Assessoria

Representantes da cadeia da proteína animal do Rio Grande do Sul estiveram reunidos na manhã desta quarta-feira (24), no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, para um debate com pré-candidatos ao Governo do Estado. Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) em parceria com o Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Estado do Rio Grande do Sul (SIPS), Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (SICADERGS) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (SINDILAT/RS), o encontro teve como objetivo ampliar o diálogo entre o setor produtivo e os postulantes ao Palácio Piratini.

Com mediação do jornalista Léo Saballa Jr., o painel reuniu lideranças empresariais, dirigentes de entidades e representantes das cadeias de aves, ovos, suínos, bovinos de corte e lácteos, responsáveis por uma parcela significativa da produção agroindustrial e das exportações gaúchas. A iniciativa proporcionou um espaço para apresentação das principais demandas do segmento, discussão de políticas públicas e construção de propostas voltadas ao fortalecimento da competitividade do setor.

Participaram do encontro os pré-candidatos Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Os pré-candidatos Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), também convidados pelas entidades organizadoras, não compareceram ao evento.

Ao longo do debate, os candidatos presentes abordaram temas relacionados ao ambiente de negócios, infraestrutura, logística, segurança jurídica, sustentabilidade, competitividade, resiliência climática e o papel estratégico do agronegócio na economia gaúcha. Também responderam aos questionamentos apresentados pelas entidades representativas da proteína animal, reafirmando o compromisso com o diálogo e com a busca por soluções capazes de impulsionar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Para o presidente executivo da Organização Avícola do RS (ASGAV/SIPARGS), José Eduardo dos Santos, o encontro reforça a importância de aproximar o setor produtivo dos futuros gestores públicos.

“A cadeia da proteína animal é uma das grandes forças econômicas do Rio Grande do Sul, gerando emprego, renda e desenvolvimento em todas as regiões do Estado. Este debate permitiu apresentar aos pré-candidatos as demandas e os desafios enfrentados pelos diferentes segmentos, fortalecendo um diálogo institucional necessário para a construção de políticas públicas que assegurem a competitividade e o crescimento sustentável do setor”, destacou Santos.

A avicultura do Rio Grande do Sul, uma das principais atividades do agronegócio estadual, tem papel fundamental na geração de empregos, no desenvolvimento regional e na produção de alimentos para o mercado brasileiro e internacional.

Ao promover o debate em conjunto com as demais cadeias da proteína animal, a ASGAV e o SIPARGS reafirmam seu compromisso com o fortalecimento da competitividade do setor e com a construção de uma agenda voltada ao desenvolvimento sustentável da agroindústria gaúcha.

Fonte: Assessoria
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Seguro rural, menos risco e mais cautela: as recomendações para enfrentar o El Niño

Conselho de Agrometeorologia do Rio Grande do Sul orienta produtores a adaptar o manejo das lavouras e reforçar a proteção das propriedades.

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Foto: Divulgação/Seapi

A previsão de um El Niño forte no segundo semestre de 2026 não altera apenas o cenário climático do Rio Grande do Sul. O fenômeno também deve influenciar diretamente as decisões dos produtores rurais, desde a escolha das cultivares até o volume de investimentos nas lavouras.

Diante da perspectiva de chuvas acima da média, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou uma série de orientações técnicas voltadas às culturas de inverno e primavera-verão, além de recomendações para a pecuária.

Foto: Divulgação/Seapi

Entre as principais medidas estão a adesão ao seguro agrícola, o escalonamento das épocas de semeadura, o uso de cultivares com diferentes ciclos e a intensificação do monitoramento de doenças e pragas.

O conselho também recomenda que os produtores acompanhem regularmente as previsões meteorológicas e busquem apoio da assistência técnica para adequar o manejo das culturas às condições climáticas previstas.

Menos foco em recordes e mais atenção ao risco

Para as culturas de inverno, o boletim faz um alerta incomum: evitar investimentos com o objetivo de alcançar recordes de produtividade.

Segundo os técnicos, em anos influenciados pelo El Niño, como 2026, o ambiente tende a apresentar maior restrição produtiva em razão do excesso de chuvas e do aumento da incidência de doenças.

A recomendação é que os investimentos em fertilizantes e demais insumos sejam compatíveis com o

Foto: Divulgação

potencial produtivo de cada área e com as condições climáticas previstas.

Outra orientação é priorizar cultivares com maior resistência genética a doenças, especialmente manchas foliares, mosaico comum e doenças de espiga, como giberela e brusone.

O Copaaergs também recomenda a rotação de culturas, sobretudo para o trigo, evitando a semeadura em áreas que receberam trigo, triticale, cevada ou centeio no inverno anterior. A prática ajuda a reduzir a incidência de doenças foliares e podridões radiculares.

Chuvas elevam preocupação com doenças

O excesso de umidade previsto para os próximos meses deve aumentar a pressão de doenças nas lavouras.

Por isso, os técnicos recomendam monitoramento constante das áreas cultivadas e adoção de estratégias racionais de controle químico, evitando aplicações baseadas em calendários fixos.

Foto: Divulgação

As decisões sobre fungicidas e outros defensivos devem considerar a necessidade real da lavoura e as condições climáticas de curto prazo, que costumam apresentar maior precisão nas previsões.

No caso dos cereais de inverno, o boletim chama atenção também para a necessidade de monitorar a presença de micotoxinas nos grãos colhidos, problema que tende a se agravar em anos mais úmidos.

Soja e milho exigem planejamento

Para as culturas de primavera-verão, as orientações envolvem desde a preservação do solo até o respeito ao vazio sanitário da soja.

O Copaaergs recomenda que a semeadura seja iniciada apenas quando a temperatura do solo, a cinco centímetros de profundidade, estiver entre 16°C e 18°C, sempre observando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Outra estratégia sugerida é escalonar as datas de plantio e utilizar cultivares de diferentes ciclos,

Foto: Fernando Dias/Seapi

reduzindo a possibilidade de que as fases mais sensíveis das plantas coincidam com períodos de maior demanda evaporativa ou de instabilidade climática.

No caso do milho, os técnicos orientam que produtores que planejam duas safras antecipem ao máximo a semeadura da primeira, desde que respeitadas as recomendações do zoneamento agrícola.

Pecuária deve reforçar cuidados sanitários

Na pecuária, as recomendações estão voltadas principalmente ao manejo das pastagens e ao bem-estar animal.

O boletim orienta manter carga animal baixa ou moderada nas pastagens naturais durante o inverno, período em que o crescimento das forrageiras tende a ser menor devido ao excesso de nuvens e à redução da radiação solar.

Foto: Divulgação

Também é recomendada a suplementação alimentar com feno, silagem ou ração quando houver baixa disponibilidade de forragem.

Após episódios de chuva intensa, os técnicos sugerem reduzir temporariamente a lotação das pastagens para evitar danos provocados pelo excesso de pisoteio.

Outra preocupação é o aumento dos riscos sanitários. A combinação de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas pode favorecer problemas de casco, principalmente em vacas leiteiras, além de ampliar a incidência de doenças.

O monitoramento do estresse térmico também entra na lista de prioridades, especialmente para animais de alta produção de leite. Segundo o Copaaergs, as temperaturas devem permanecer acima da média climatológica em parte do Estado, sobretudo em setembro.

Seguro agrícola 

Entre as recomendações gerais, o conselho destaca a adesão a programas públicos e privados de

Foto: Divulgação

seguro rural como uma das principais ferramentas para reduzir perdas em anos de maior instabilidade climática.

Além disso, os produtores são orientados a manter o solo protegido com plantas de cobertura, investir em práticas de conservação e ampliar a capacidade de armazenamento de água nas propriedades.

A avaliação dos técnicos é que, diante da previsão de um El Niño forte, a gestão de riscos será tão importante quanto as decisões relacionadas à produtividade das lavouras.

Fonte: O Presente Rural
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