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A prática da inoculação e co-inoculação na cultura da soja: um avanço em direção à agricultura sustentável
Na simbiose, as bactérias habitam os nódulos nas raízes das plantas e convertem o nitrogênio atmosférico que a planta não pode usar em formas de nitrogênio que a planta pode absorver e usar para seu crescimento.

O aumento constante da demanda global por alimentos exige que os agricultores otimizem a produtividade de suas culturas. Neste contexto, a inoculação e co-inoculação têm se mostrado métodos eficazes para aumentar a produtividade da soja, ao mesmo tempo em que oferecem benefícios ambientais significativos.
A inoculação na agricultura é a prática de adicionar microrganismos benéficos (bactérias ou fungos) ao ambiente de crescimento de uma planta para estimular o crescimento vegetal e a produtividade da colheita. No caso da soja, a bactéria Rhizobium é comumente utilizada, uma vez que ela forma uma relação simbiótica com a planta.
Na simbiose, as bactérias habitam os nódulos nas raízes das plantas e convertem o nitrogênio atmosférico que a planta não pode usar em formas de nitrogênio que a planta pode absorver e usar para seu crescimento. Em troca, as bactérias recebem carboidratos e um ambiente protegido da planta. Assim, ambas as partes se beneficiam da relação: a planta recebe nitrogênio, um nutriente essencial, e as bactérias recebem nutrientes e um lugar para viver.
Por outro lado, a co-inoculação envolve a introdução de duas ou mais espécies de microrganismos benéficos. No caso da soja, Rhizobium é geralmente co-inoculado com Azospirillum, uma bactéria que pode promover o crescimento das plantas e auxiliar na fixação de nitrogênio.
A importância da inoculação e co-inoculação
A inoculação com Rhizobium e a co-inoculação com Azospirillum oferecem várias vantagens. De acordo com Hungria et al. (2006), a fixação de nitrogênio por esses microrganismos pode resultar em uma economia de até 200 kg de fertilizante nitrogenado por hectare. Este nitrogênio adicional promove o crescimento da planta e, consequentemente, a produtividade da colheita.
Além disso, a inoculação e a co-inoculação contribuem para a sustentabilidade agrícola, pois auxiliam na dinâmica da biota do solo, sendo que, os fertilizantes organominerais, associados aos inoculantes, auxiliam para um maior aproveitamento de seu uso no solo.
Quando e como inocular e co-inocular
A inoculação e a co-inoculação são normalmente realizadas durante a semeadura. O Rhizobium pode ser adicionado diretamente à semente ou ao solo no sulco de semeadura. O Azospirillum pode ser aplicado diretamente às sementes, mas também pode ser aplicado via sulco de plantio e em algumas recomendações, por meio foliar nas fases iniciais da cultura da soja.
É importante garantir que as bactérias estejam viáveis no momento da inoculação. O tratamento das sementes deve ser feito com cuidado, evitando a exposição a altas temperaturas ou condições de seca que possam prejudicar os microrganismos.
O que é possível inocular e co-inocular
Embora sejam principalmente utilizados o Rhizobium e Azospirillum, a inoculação e co-inoculação podem ser realizadas com uma variedade de outros microrganismos, dependendo do tipo de planta e dos objetivos do agricultor. Outros microrganismos comumente utilizados incluem várias espécies de Trichoderma, Pseudomonas e Bacillus, entre outros.
De qualquer forma, a prática da inoculação e co-inoculação na soja, por meio do uso de bactérias benéficas como Rhizobium e Azospirillum, se estabeleceu como uma estratégia eficaz para otimizar a produtividade e a sustentabilidade na agricultura. O uso adequado dessas técnicas pode resultar em benefícios econômicos, de produção e ambientais significativos para o agricultor e para o meio ambiente.
Estudos adicionais e pesquisas em andamento visam aprimorar ainda mais as técnicas de inoculação e co-inoculação. Isso pode levar à descoberta de novas combinações de microrganismos, que podem aumentar ainda mais a produtividade da soja. Além disso, é provável que essas práticas sejam expandidas para outras culturas, levando a benefícios semelhantes em uma ampla variedade de sistemas agrícolas.
Desta forma, o desenvolvimento de novas tecnologias de aplicação pode permitir que os agricultores inoculem e co-inoculem suas culturas com mais eficiência. Isso poderia incluir novos métodos de aplicação que garantam uma cobertura mais uniforme e eficaz, ou o desenvolvimento de formulações que permitam que os microrganismos sobrevivam em condições adversas por períodos mais longos.
Embora se observem muitos benefícios da inoculação e co-inoculação, existem vários desafios a serem superados para otimizar seu potencial. Um desafio primordial é assegurar a sobrevivência e prosperidade dos microrganismos inoculados em condições de campo. Fatores como a saúde do solo, as condições climáticas, a presença de microrganismos nativos e as práticas de manejo do solo podem impactar na sobrevivência e eficácia dos microrganismos inoculados.
Outro fato importante é a necessidade de pesquisa contínua para desenvolver e aprimorar as técnicas de inoculação e co-inoculação. Apesar de muitos avanços, ainda há um grande desconhecimento acerca da interação entre plantas e microrganismos e como essa relação pode ser utilizada para incrementar a produtividade agrícola.
Como já mencionado anteriormente, a inoculação e co-inoculação são instrumentos valiosos para uma agricultura sustentável, contribuindo para a diminuição da dependência de fertilizantes químicos, ao mesmo tempo em que aprimoram a produtividade das colheitas. É fundamental reforçar que a compreensão e a implementação adequadas dessas práticas são de crucial importância para o futuro da agricultura.
Também é fundamental reconhecer que a inoculação e co-inoculação são apenas componentes de um sistema agrícola mais vasto. Para maximizar a produtividade e a sustentabilidade, é imprescindível que essas práticas sejam incorporadas a uma abordagem holística de manejo do solo, levando em conta outros aspectos, como a rotação de culturas, o manejo de pragas e doenças.
Portanto, diante de todos os fatores apresentados em consequência da crescente demanda por alimentos e da urgência em mitigar os impactos ambientais da agricultura, as técnicas da inoculação e co-inoculação com Rhizobium e Azospirillum, muito provavelmente, terão um papel cada vez mais relevante na agricultura nos próximos anos. As referências bibliográficas estão com o autor pelo e-mail ana.nunes@inpresspni.com.br.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Reinserção de pecuaristas irregulares vira ponto crítico para ampliar oferta de carne rastreada no Brasil
Com 264 mil toneladas exportadas em janeiro, setor discute como requalificar produtores fora da cadeia formal e atender exigências socioambientais dos mercados compradores.

A crise climática e a insegurança alimentar são desafios globais que nos remetem à mobilização para ações coordenadas de políticas públicas e avanço nos programas privados. A pecuária brasileira entra como um componente fundamental e estratégico para a segurança alimentar mundial, além de trazer oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável aliado a mitigação de gases de efeito estufa (GEE).

Foto: Divulgação
O Brasil é, hoje, o país com o maior rebanho comercial bovino do mundo, além de ser o maior exportador de carne bovina in natura. As exportações de carne bovina somaram em janeiro de 2026, embarques de 264 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Sabe-se que a pecuária brasileira enfrenta desafios relacionados à regularização ambiental, rastreabilidade e competitividade internacional. Muitos produtores foram excluídos da cadeia formal por não atenderem critérios socioambientais. Este artigo, inspirado nas diretrizes da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, discute estratégias para reinserção e requalificação desses produtores, propondo caminhos para dar escala ao processo e fortalecer a credibilidade da carne bovina nacional.
A cadeia da carne bovina no Brasil é uma das mais relevantes do agronegócio mundial, mas enfrenta pressões crescentes de mercados consumidores e da sociedade civil em relação à

Foto: Divulgação
. A exclusão de produtores que não atendem às exigências socioambientais gera impactos econômicos e sociais significativos ficando os mesmos marginalizados na cadeia da pecuária, principalmente os pequenos e os agricultores familiares. Nesse contexto, são necessárias iniciativas voltadas à reinserção desses agentes, com foco em requalificação técnica e comercial prezando pelo acesso a ampla informação, fortalecimento de assistência técnica constante, e alinhamento de inciativas públicas e privadas.
Temos diferentes protocolos de monitoramento de fornecedores de gado que já trabalham em proposições de mecanismos de reintegração de propriedades, por meio de demonstração de regularização ambiental, correções técnicas do uso de base de dados e adoção de sistemas de regularização comercial da propriedade. Essas propriedades são certificadas pelos protocolos de requalificação comercial e voltam a cadeia por meio da aprovação das Secretarias de Meio Ambiente Estaduais junto à Procuradoria da República. Mesmo com esses mecanismos, os números alcançados ainda são baixos o que torna necessário a busca por alternativas à garantia do cumprimento da legislação ambiental e da segurança jurídica.
Os objetivos da reinserção passam basicamente pela capacitação dos produtores para atender padrões de mercado; pelo aumento da base

Foto: Juliana Sessai
de fornecedores regulares reduzindo a informalidade e os riscos para o setor; por uma base de fornecedores mais consistente e alinhada aos compromissos socioambientais, além do fortalecimento da imagem da carne bovina brasileira nos mercados premium e competitividade internacional.
Sabendo-se disso, antes da adoção de quaisquer estratégias é necessário superar gargalos operacionais dos diferentes biomas no território brasileiro, garantindo a inclusão econômica e social. Como estratégias propostas podemos citar a capacitação técnica, a adoção de ferramentas de monitoramento com o olhar para a rastreabilidade individual do animal, acesso a créditos diferenciados e bonificações àqueles reinseridos, bem como a articulação da cadeia como um todo a fim de dar escalabilidade aos projetos e visibilidade a casos práticos de produtores bem-sucedidos nessa agenda.
Os desafios são enormes, mas a vantagem e os benefícios atrelados a reinserção e requalificação são imensos. Nesse sentido, entidades como a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) são imprescindíveis por promoverem diálogos entre multistakeholders, e ações a fim de combinar o engajamento dos diferentes atores da cadeia da pecuária aliados as políticas públicas e incentivos privados prezando por uma carne bovina nacional competitiva, sustentável e socialmente inclusiva.
Colunistas
Produtividade recorde do agro brasileiro ameaça ser sufocada por gastos públicos improdutivos
Enquanto soja, milho e pecuária impulsionam até 27% do PIB e elevam o IDH em municípios produtores, ineficiência fiscal e juros altos pressionam crédito e aumentam pedidos de recuperação judicial no setor.

Enquanto a produtividade floresce nos campos do agronegócio, a gestão pública brasileira parece estagnada em modelos que privilegiam o gasto improdutivo em detrimento do investimento estruturante. Não há inclusão social sem uma economia saudável! Hoje, a “galinha dos ovos de ouro” brasileira – o agronegócio – enfrenta uma ameaça que não vem do clima ou do solo, mas da ideologia e da insensatez de Brasília.
Há anos, o agronegócio é o principal responsável pela expansão econômica brasileira. Segundo dados do Cepea (USP) em parceria com a CNA, o setor responde por aproximadamente 24% a 27% do PIB nacional. Em 2023, enquanto outros setores patinavam, o PIB da agropecuária saltou 15,1%, sendo o fiel da balança para evitar uma recessão técnica e garantir o superávit comercial.
Esse sucesso é fruto de um crescimento de produtividade sem precedentes. A Produtividade Total dos Fatores (PTF) no agro cresce, em média, 3,2% ao ano — um ritmo que humilha a média da indústria nacional e de muitos países desenvolvidos.
É sempre importantíssimo frisar que o Brasil não só planta, mas desenvolve tecnologia biológica de ponta!
É fundamental compreender que o agronegócio não se resume ao “dentro da porteira”. O termo “Agribusiness” foi cunhado em 1957 pelos professores de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, justamente para descrever a soma total de todas as operações envolvidas na fabricação e distribuição de suprimentos agrícolas.
O agronegócio é, portanto, uma cadeia complexa que integra:
- O Agro “dentro da porteira”: a agricultura e pecuária propriamente ditas, onde o manejo do solo e a gestão biológica ocorrem.
- Indústria: fabricação de insumos, defensivos, fertilizantes e máquinas pesadas, além do processamento agroindustrial de alimentos e biocombustíveis.
- Serviços: logística de transporte, armazenamento, crédito agrícola sofisticado e tecnologia da informação (Agtechs).
Essa visão sistêmica revela, por exemplo, que o sucesso da colheita movimenta desde uma fábrica de tratores no interior de São Paulo, até o porto em Santos, sustentando milhões de empregos indiretos.
Nada disso seria possível sem o papel histórico da EMBRAPA. Criada na década de 70, a Embrapa foi a arquiteta da “revolução tropical”, transformando o Cerrado — antes considerado terra ácida e improdutiva — no celeiro do mundo através da ciência brasileira.
O ganho de eficiência do campo transborda diretamente para o capital humano. Municípios com forte presença do agro apresentam indicadores de qualidade de vida muito superiores à média nacional. Cidades como Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO) e Toledo (PR) são exemplos disso.
Essas localidades figuram constantemente no topo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) regional porque a riqueza gerada pela produtividade se converte em:
- Infraestrutura urbana de qualidade;
- Melhores escolas e centros de capacitação técnica;
- Sistemas de saúde mais robustos e acessíveis.
A prosperidade agrícola é o maior vetor de descentralização do desenvolvimento que o Brasil já conheceu, criando polos de dignidade longe das metrópoles litorâneas.
Entretanto, esse vigor produtivo encontra um obstáculo na insustentabilidade fiscal. O Brasil gasta muito e gasta mal. Consumimos cerca de 33% do PIB em impostos, mas o retorno em investimento público em capital humano, ciência e inovação, além de infraestrutura, é irrisório, mal chegando a 2%.
O desperdício e a má gestão são flagrantes:
- Privilégios Estruturais: Gastos exorbitantes com pensões e aposentadorias de elite (como as de juízes e alta cúpula do funcionalismo), mantendo castas que consomem recursos que deveriam financiar laboratórios de biotecnologia ou ferrovias.
- Corrupção e Ineficiência: O dinheiro é drenado por desvios e por uma burocracia que “cria dificuldades para vender facilidades”, além do custo de manter estatais ineficientes e obras inacabadas que nunca se tornam ativos para o país.
Essa “gastança desordenada” eleva a dívida pública, forçando o Banco Central a manter a Taxa Selic elevada para conter a inflação. Juros altos significam financiamento inviável.
O produtor, que depende de crédito para comprar sementes e maquinário, está sendo asfixiado. Dados da Serasa Experian mostram um aumento alarmante de mais de 500% nos pedidos de Recuperação Judicial no setor agropecuário entre 2023 e 2024.
Não podemos permitir que a ineficiência do Estado destrua a engrenagem que sustenta o país. A justiça e a inclusão social exigem um governo que respeite quem produz. É urgente:
- Melhorar a qualidade do gasto: cortar privilégios e priorizar investimentos em ciência, tecnologia e educação.
- Responsabilidade fiscal: tornar a dívida sustentável para baixar os juros de forma estrutural, fomentando o agro.
- Incentivo à inovação: reduzir a burocracia para que o empreendedorismo inclusivo no campo possa prosperar.
O agronegócio é a prova de que o Brasil pode ser uma potência. Mas, para que a colheita continue farta, é preciso parar de consumir as sementes do amanhã com os gastos perdulários de hoje.
Gestão ética e compromisso com a realidade são os únicos caminhos para o Brasil que queremos.
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Brasileiros veem transição energética como questão de segurança e soberania
Pesquisa indica que 76% da população considera urgente reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ligando energia limpa à estabilidade econômica, geopolítica e fortalecimento da segurança nacional.

Os brasileiros deram um recado claro e talvez mais lúcido do que muitas lideranças globais. Um estudo recente realizado pela Opium, agência de pesquisa de mercado, mostrou que 76% da população considera a transição energética mais urgente do que nunca, associando diretamente a dependência de combustíveis fósseis à instabilidade internacional e à vulnerabilidade econômica.
Esse dado revela uma mudança importante: a transição energética deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Ela passou a ser, definitivamente, uma questão de segurança, competitividade e soberania. Mas continua sendo uma pauta financeira que impacta o meio ambiente, ao invés de ser uma pauta ambiental que impacta o bolso.
Durante décadas, tratamos energia como uma equação técnica ou econômica. Hoje, ela se mostra como um dos principais fatores geopolíticos do nosso tempo. Conflitos recentes e choques de preço reforçam uma realidade incômoda: depender de fontes fósseis, muitas vezes concentradas em regiões instáveis, é também importar risco.
Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e um potencial extraordinário em fontes renováveis. Mas o potencial, por si só, não gera valor. O que transforma essa vantagem em liderança é a forma como decidimos agir.
A transição energética não pode ser conduzida apenas pela lógica de substituição de fontes, trocar fóssil por renovável. Isso é necessário, mas insuficiente. O verdadeiro desafio está em como essa transição é feita: com inclusão, com visão de longo prazo e com geração de valor para todos os stakeholders.
Projetos energéticos precisam ir além da eficiência operacional, eles devem considerar o impacto nas comunidades, o desenvolvimento de cadeias locais, a geração de emprego qualificado e o acesso equitativo à energia. Caso contrário, corremos o risco de repetir, com novas tecnologias, os mesmos erros do passado.
Os dados levantados pela Opium mostram que 68% dos brasileiros acreditam que investir em energias renováveis fortalece a segurança nacional . Essa percepção está correta, mas ela só se concretiza quando há estratégia e ser acessível para todos.
Segurança energética não é apenas produzir energia limpa. É garantir resiliência, previsibilidade e autonomia. É investir em infraestrutura, em armazenamento, em inovação e, principalmente, em governança.
Outro ponto crítico é a mentalidade de curto prazo. Ainda há uma tendência, especialmente em conselhos e investidores, de priorizar retornos imediatos em detrimento de decisões estruturantes. No setor de energia, isso não é apenas um erro, é um risco sistêmico.
A transição energética exige capital paciente, planejamento consistente e métricas que vão além do retorno financeiro tradicional. Precisamos medir não apenas o que os projetos geram de lucro, mas também o que evitam custos, especialmente os impactos negativos que, historicamente, foram externalizados para a sociedade.
O Brasil tem a oportunidade de liderar um novo ciclo de desenvolvimento baseado em energia limpa, inovação e inclusão. Mas essa liderança não será automática. Ela dependerá da capacidade de integrar propósito e estratégia.
No fim das contas, a pergunta não é mais se devemos fazer a transição energética. Isso já está decidido, pela sociedade, pelo mercado e pela realidade geopolítica.
A pergunta que permanece é: vamos liderar essa transformação ou apenas reagir a ela?



