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A pecuária como protagonista da agropecuária de baixo carbono

É hora de intensificar com responsabilidade. De adotar soluções robustas. De destravar o investimento climático no campo. A produção sustentável é, mais do que nunca, o único caminho para a resiliência econômica e ambiental.

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Fotos: Juliana Sussai

Quando falamos em agropecuária de baixo carbono, ainda é comum que a pecuária seja vista como parte do problema. Mas a realidade no campo brasileiro já demonstra o contrário: com conhecimento técnico, articulação multissetorial e políticas públicas bem estruturadas, a pecuária já é parte essencial da solução climática.

Foto: Freepik

No último dia 04 de junho, participei do evento Agricultura de Baixo Carbono e Sustentabilidade Produtiva no Brasil, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Brasília. Tive a oportunidade de representar a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável no painel sobre Aspectos Técnicos e Ganhos de Produtividade, ao lado de especialistas de instituições como Embrapa, CCarbon e ABBIN. O encontro reforçou aquilo que já vemos no nosso trabalho diário: o Brasil tem capacidade única para liderar uma pecuária produtiva, regenerativa e de baixo carbono.

A Mesa Brasileira, com seus mais de 60 associados de toda a cadeia da carne bovina, atua há 17 anos para mostrar que sustentabilidade e produtividade caminham juntas. Iniciativas como sistemas integrados de produção (ILPF, ILP), pastejo rotacionado, melhoramento genético, nutrição balanceada e recuperação de pastagens degradadas não apenas aumentam a produção por hectare como reduzem a emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne produzida. Segundo estimativas da FGV, a adoção em larga escala dessas práticas pode reduzir mais de 50% das emissões da pecuária de corte até 2050. Já não é mais uma questão de potencial: é uma realidade comprovada no campo.

O Plano ABC+, outro destaque do evento, é um marco na construção de uma agropecuária de baixo carbono no

Fotos: Arnaldo Alves

Brasil. A Mesa Brasileira tem sido parceira ativa dessa agenda, contribuindo com dados, recomendações técnicas e experiências de campo. Também temos atuado na elaboração de propostas para rastreabilidade, no fortalecimento das metas climáticas no setor e no apoio ao desenvolvimento do Caminho Verde Brasil, anteriormente chamado de Plano Nacional de Conformidade e Produção com Desmatamento Zero (PNCPD).

Durante o evento do BID, um ponto comum em todos os painéis foi o reconhecimento de que a pecuária já evoluiu muito dentro da porteira. As tecnologias existem e estão em prática: saúde do solo, uso de bioinsumos, integração lavoura-pecuária-floresta, integração lavoura-pecuária, descarbonização e ganho de produtividade. O desafio agora é outro: levar essas soluções a todos os perfis de produtores, com apoio técnico, comunicação eficaz, políticas públicas e capilaridade.

É urgente reforçar o papel da assistência técnica e da comunicação adaptada, com materiais acessíveis e linguagem adequada, entender suas dificuldades e demandas, para alcançar pequenos e médios produtores, que representam a maior parte da pecuária brasileira. Tecnologia e informação precisam ser democratizadas, com apoio público e privado, para que cheguem a todos os rincões do país.

Por falar nisso, um dos painéis trouxe um recorte muito interessante sobre a atuação dos estados, especialmente no Norte e Nordeste, como Pará e Piauí. Ali se falou da importância de organizar e capacitar os pequenos produtores, e como isso tem gerado resultados concretos. Projetos estaduais que integram ações de assistência, governança e incentivos têm demonstrado que é possível transformar realidades locais, promovendo inclusão produtiva e sustentabilidade.

Por fim, precisamos despertar e enaltecer as características diferenciais do nosso produto, gerando reconhecimento e

Foto: José Adair Gomercindo

diferenciação. Nossa carne é produzida majoritariamente a pasto, com baixa pegada de carbono e respeito aos recursos naturais. Isso é um diferencial competitivo e precisa ser comunicado.

A mensagem que levamos ao BID é clara: a pecuária brasileira não pode mais ser tratada apenas como parte das emissões; ela precisa ser reconhecida como vetor de conservação e regeneração. Com apoio técnico, investimento e articulação, o boi pode ser uma força climática positiva.

Nosso chamado é para todos os elos da cadeia: governos, empresas, produtores e financiadores. É hora de intensificar com responsabilidade. De adotar soluções robustas. De destravar o investimento climático no campo. A produção sustentável é, mais do que nunca, o único caminho para a resiliência econômica e ambiental.

A pecuária brasileira pode – e é – protagonista na agenda do clima.

Fonte: Artigo escrito por Ana Doralina Menezes, presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável.
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Quando uma empresa do agro se torna irrelevante

Fazer diagnóstico de comunicação e marketing é crucial para identificar problemas.

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tecnologia
Foto: Shutterstock

Certo dia, cheguei na agência, a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio, e tinha um recado pra mim. O gerente de marketing de uma importante empresa de fertilizantes havia ligado e solicitava retorno. Olhei para o celular e vi que o mesmo profissional também havia me enviado uma mensagem por WhatsApp. Era realmente urgente. Ele estava com um dilema e precisava de ajuda.

A mensagem dele terminava de forma abrangente, talvez por entender que não havia uma fórmula mágica: “Capella, você é especialista em marketing para agronegócio. O que você recomenda que eu faça?”.

O dilema em questão era o fato de a empresa perder relevância no mercado. Ele citou o relatório de uma consultoria que apontava justamente para esse cenário. O problema existia e ele precisava resolver.

Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio

Marcamos uma reunião online e o profissional me deu mais detalhes, informando que ano a ano a empresa perdia market share e não conseguia abrir novos mercados. Para ele, a conclusão era clara: a empresa precisava agir logo.

Orientei que o primeiro passo era fazer um diagnóstico de comunicação e de marketing. O que a empresa estava comunicando? Para quem? Com qual objetivo e frequência? Essas e outras perguntas precisavam ser respondidas o quanto antes.

Após algumas semanas, conversando com gerentes, diretores e outros profissionais-chave, percebemos que havia um grande descompasso dentro da empresa, sem ações planejadas e sem um objetivo claro. E pior: não havia um discurso padrão. Cada um denominava a empresa como bem entendesse, o que prejudicava diretamente as vendas.

Como próximo passo, estruturamos e aplicamos um treinamento para unificar as mensagens. Na sequência, elaboramos um planejamento, que englobou presença em eventos, assessoria de imprensa e estruturação de canais digitais.

Em um ano, a realidade da empresa já era outra. A visibilidade tinha aumentado e as vendas haviam subido.

Deste episódio, eu trouxe muitos aprendizados. O principal: uma empresa se torna irrelevante quando deixa de dialogar de forma precisa com o seu público. Nesse caso, identificamos que a comunicação precisava ser feita em eventos, por meio de assessoria de imprensa e em canais digitais.

Mas, e em sua empresa? A comunicação está realmente assertiva?

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
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Dois Master, dois Brasis

Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais.

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Foto: ChatGPT

O noticiário desta semana trouxe novamente à tona o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Polícia, investigação, disputas judiciais, cifras bilionárias bloqueadas. É o Brasil que costuma ocupar as manchetes: o das crises financeiras, das conexões políticas, das operações policiais.

Mas existe outro Master no país.

Fica a mais de mil quilômetros de Brasília, em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, onde a política raramente chega às capas – mas de onde saem toneladas de proteína animal para o mundo. Ali opera a Master Agroindustrial, fundada pelo médico-veterinário Mario Faccin, filho de agricultores que se tornou o maior suinocultor independente do Brasil.

Artigo escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais. Hoje a empresa integra 350 produtores, emprega cerca de 2 mil pessoas e produz 1,1 milhão de suínos por ano, grande parte destinada à exportação.

São histórias que não têm qualquer relação entre si. Apenas compartilham o nome.

Mas a coincidência é reveladora.

O Brasil urbano e político costuma dominar o debate nacional com seus escândalos, crises institucionais e disputas de poder. Já o Brasil produtivo – espalhado por integradoras, cooperativas, agroindústrias e propriedades rurais – raramente vira manchete, embora sustente boa parte das exportações, da renda e da estabilidade econômica do país.
Um aparece nos autos.

O outro aparece nas planilhas de produção.

Um vive do ruído.

O outro, do trabalho.

No fim das contas, talvez a coincidência de nomes sirva apenas para lembrar que existem dois Brasis convivendo ao mesmo tempo.

Um produz manchetes.

O outro produz comida.

Fonte: Artigo escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Exportações do agro aos EUA recuam até 41% após escalada tarifária

Café, carne bovina, madeira, frutas e sucos perderam espaço com o aumento das barreiras comerciais impostas por Estados Unidos.

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Foto: Claudio Neves

O ano de 2025 foi marcado pelo redimensionamento das tarifas de importação norte-americanas com relação aos seus parceiros internacionais, o que ficou conhecido como “tarifaço”, e o Brasil, claro, não ficou de fora. No início, o País apareceu na parte debaixo da tabela de taxas, com seus produtos sofrendo uma porcentagem adicional para entrada no mercado norte-americano de 10%. Mas, como a maioria dos nossos competidores nesse mercado sofreram taxação maior, os produtos brasileiros ganharam competitividade lá.

Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.

No entanto, o alívio durou pouco, pois, em junho, adicionou-se às disputas comerciais também ruídos e disputas políticas, para então, o governo norte-americano anunciar a elevação dessa taxa adicional aos produtos brasileiros para 50%, um novo golpe aos exportadores brasileiros, inclusive os do agronegócio.

Como resultado desse novo cenário mais adverso da política comercial norte-americana, o valor total das exportações brasileiras para o País em outubro de 2025 ficou 40% abaixo do de julho de 2025. No caso do agronegócio, a receita em dólar caiu 35% e o volume exportado reduziu 41%, na mesma comparação. Produtos importantes da nossa pauta de exportação como café, madeira, carne bovina, frutas e sucos foram duramente atingidos.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que as compras norte-americanas do café brasileiro caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, quando comparadas com o mesmo período de 2024. O cenário não foi muito diferente para os exportadores de madeira, carne bovina, frutas e suco de laranja; além de pescados e produtos como mel, que, apesar de ter pequena representação em termos de valor, tinham forte dependência do mercado norte-americano.

O governo brasileiro correu para apoiar os setores afetados, principalmente na forma de disponibilização de crédito, para que estes pudessem ter tempo de armazenar seus produtos enquanto buscavam novos mercados, com o apoio das instituições brasileiras como o Ministério da Agricultura e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Diante das ações protecionistas do governo norte-americano, não só o Brasil, mas todos os países afetados por sua nova política comercial tiveram que aplicar uma estratégia de negociação há muito utilizada nos mercados financeiros, a de que “não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, ou seja, utilizar a diversificação de destinos como estratégia de redução de riscos, agora na área comercial.

A busca por abertura de novos mercados e acordos de livre comércio com o México, Canadá, Índia, Japão e principalmente com a União Europeia passou a ser visto como mais que essencial para preencher a lacuna deixada pelo mercado norte-americano.

No caso do agronegócio, o resultado desse esforço para conquistar novos mercado pode ser verificado no crescimento das vendas externas do setor no ano de 2025, que foi de 11% para a China, 9% para a União Europeia, 7% para o México, 13% para o Reino Unido e 38% para a Argentina; enquanto caíram 6% para os Estados Unidos.

E, a despeito da “química” entre nossos governantes e da recente derrubada do tarifaço pela Suprema Corte norte-americana, o mais importante é que o aumento das relações comerciais entre os países pode ser um elemento-chave para impulsionar o crescimento das suas economias, levando a mais demanda, principalmente por alimentos.

Fonte: Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.
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