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A nova arquitetura da pecuária brasileira

Análise aprofundada sobre como a pecuária brasileira está integrando rastreabilidade, nutrição de precisão e geomonitoramento para redefinir os padrões globais de produção de carne e acessar mercados de alto valor.

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Fotos: Divulgação

Enquanto o agronegócio brasileiro demonstra uma performance macroeconômica robusta, com um crescimento de 11,6% no PIB setorial até o terceiro trimestre de 2025, uma transformação mais silenciosa e tecnicamente sofisticada está ocorrendo no nível operacional. A imagem tradicional da pecuária extensiva está sendo substituída por um modelo de intensificação sustentável, onde a tecnologia não é um acessório, mas o núcleo de uma nova arquitetura produtiva. Um exemplo emblemático é a operação da Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento) que abriga 136 mil bovinos por ano sob um sistema controlado, uma infraestrutura que desafia as percepções convencionais e sinaliza uma mudança de paradigma: a produção de proteína animal em larga escala, com maior qualidade e menor impacto ambiental.

O Desafio da Escala como Vetor de Inovação

Com o maior rebanho comercial do planeta, estimado em 238 milhões de cabeças, e um volume de exportações que superou US$ 26,1 bilhões em 2024, a pecuária brasileira está submetida a um rigor de avaliação regulatória, socioambiental e de mercado proporcional à sua escala produtiva. O desafio intrínseco não é apenas manter a produção, mas garantir sua legitimidade e sustentabilidade em um mercado global cada vez mais exigente. A resposta do setor tem sido a transição de promessas para ações mensuráveis e auditáveis.

O diferencial competitivo do Brasil está emergindo de sua capacidade de implementar práticas ESG (Ambiental, Social e de Governança) que são verificáveis em toda a cadeia de valor. Isso inclui certificações de bem-estar animal e, crucialmente, sistemas de rastreabilidade que oferecem uma visibilidade sem precedentes, muito além da simples origem do animal. O que antes era considerado um discurso de marketing tornou-se uma realidade operacional auditável, fundamental para a gestão de risco e o acesso a mercados premium.

O Modelo de Integração Vertical do Better Group

Liderança, neste contexto, significa a conversão de conceitos estratégicos em operações concretas e eficientes. O Better Group exemplifica essa abordagem através de um modelo de integração vertical que alinha a produção primária (campo) com o processamento industrial. Esta estrutura permite um controle de qualidade e uma consistência que são difíceis de alcançar em cadeias de suprimentos fragmentadas.

Artigo escrito por Everton Gardezan, gerente de Marketing do Better Group.

Na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), o maior confinamento coberto da América Latina, a aplicação da ciência, tecnologia e bem-estar é evidente. A operação, que maneja cerca de 40 mil animais simultaneamente, é baseada em um sistema sinérgico de práticas avançadas:

Nutrição de Precisão: Dietas são formuladas e ajustadas dinamicamente para cada lote de animais, otimizando a conversão alimentar e a saúde do rebanho, em vez de uma abordagem de alimentação padronizada.

Ambiente Controlado: A estrutura coberta mitiga o estresse térmico, um fator crítico em climas tropicais que afeta diretamente o ganho de peso e o bem-estar animal. Isso se traduz em maior eficiência produtiva e consistência na qualidade da carne.

Monitoramento Contínuo: Sensores e sistemas de vigilância operam 24/7, permitindo a detecção precoce de anomalias sanitárias ou comportamentais, possibilitando intervenções proativas em vez de reativas.

Validação por Terceiros: O reconhecimento através do prêmio Top Produtor Carne Angus 2022 serve como uma validação externa da eficácia dessas práticas, certificando a qualidade superior do produto final.

O resultado agregado é um sistema onde a saúde e o bem-estar animal, a qualidade da carne e a eficiência de recursos não são objetivos conflitantes, mas resultados interdependentes de um processo bem gerenciado.

Rastreabilidade como Ferramenta de Gestão de Risco e Responsabilidade

A distinção fundamental entre intenção e compromisso reside na capacidade de auditoria. Em 2025, o frigorífico Better Beef processará mais de 335 mil animais sob um rigoroso sistema de monitoramento socioambiental que válida a origem de cada fornecedor. Em colaboração com plataformas de inteligência geoespacial como a da Agrotools, cada propriedade fornecedora é submetida a uma análise de conformidade multifatorial.

O sistema de verificação é projetado para garantir a aderência a critérios críticos de sustentabilidade, incluindo:
O objetivo deste sistema não é declarar a perfeição, mas sim estabelecer um framework transparente para a melhoria contínua e a remediação de não-conformidades. Trata-se de transformar o compromisso ESG em um processo operacional, gerenciável e, acima de tudo, auditável.

A Construção de um Novo Paradigma para a Pecuária Global

Enquanto o debate global sobre modelos de produção de alimentos responsáveis continua, o Brasil avança na implementação de soluções concretas em escala industrial. O modelo que emerge da pecuária brasileira moderna está ganhando relevância internacional por sua capacidade de integrar tecnologia de ponta com a realidade operacional local, transformando desafios ESG em diferenciais competitivos.

Este sistema demonstra que o bem-estar animal e a eficiência produtiva são complementares e que a sustentabilidade é uma jornada de otimização contínua, não um estado final. A confiança dos mercados mais exigentes é construída não sobre declarações, mas sobre a solidez de sistemas auditáveis e a transparência dos dados. A pecuária brasileira está, assim, estabelecendo um novo padrão, onde a ação e a evidência falam mais alto que qualquer promessa.

Fonte: Artigo escrito por Everton Gardezan, gerente de Marketing do Better Group.

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Paraná lidera queda no preço do leite e projeção aponta recuo de 6,7% ao produtor

Conseleites de quatro estados projetam desvalorização para o leite entregue em maio e pago em junho.

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Foto: Divulgação

A recuperação do preço do leite ao produtor perdeu força em maio e deu lugar a um movimento de retração nos principais estados produtores do país. As projeções divulgadas pelos Conseleites apontam queda nos valores de referência em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o maior recuo previsto justamente no Estado paranaense.

Foto: Shutterstock

Segundo o Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o Paraná deve registrar desvalorização de 6,7% no preço de referência do leite entregue em maio e pago aos produtores em junho. O percentual supera as quedas projetadas para Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e Minas Gerais (-2,9%).

A mudança de direção ocorre após meses de recuperação dos preços pagos ao produtor e sugere um período de maior pressão sobre a renda no campo. “O movimento indica pausa na recuperação de preços ao produtor, com projeções de quedas, ao contrário do mês anterior, em que houve valorização”, destaca o boletim.

Paraná registra a maior retração

Entre os estados analisados, o Paraná aparece como o mais afetado pelo novo cenário. Dados do Conseleite Paraná

Foto: Carolina Jardine

mostram que o valor de referência do leite padrão projetado para maio caiu de R$ 2,6863 para R$ 2,5076 por litro, redução de 6,65%, percentual arredondado para 6,7% no boletim nacional.

A retração acompanha a piora no desempenho dos principais derivados comercializados pelas indústrias participantes do Conseleite. O leite UHT apresentou queda de 8,73% e a muçarela recuou 5,74% nas projeções para maio, influenciando diretamente a remuneração do produtor.

Recuperação perde fôlego

O comportamento dos Conseleites reforça o cenário já observado em outros indicadores do mercado lácteo.

Em maio, o leite spot, referência das negociações entre indústrias, registrou forte retração, enquanto os preços do leite UHT no atacado também recuaram, interrompendo o movimento de recuperação observado no início do ano.

Foto: Jaelson Lucas

No Rio Grande do Sul, a projeção do Conseleite indica valor de referência de R$ 2,4478 por litro em maio, 3,38% abaixo do mês anterior. Trata-se da primeira redução após uma sequência de altas, segundo o colegiado gaúcho. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, afirmou o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes.

Importações e oferta pressionam mercado

A desaceleração dos preços ocorre em um ambiente de maior competição no mercado interno.

Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das importações de lácteos, especialmente de Argentina e Uruguai, além do crescimento da oferta doméstica em algumas regiões produtoras.

A própria Embrapa já havia alertado, no início do ano, para um cenário de preços mais pressionados em função da elevada disponibilidade de produtos lácteos e da concorrência dos importados.

O comportamento dos Conseleites sugere que a recuperação observada no primeiro quadrimestre perdeu intensidade e que os próximos meses serão decisivos para definir se a retração será pontual ou marcará um novo período de preços mais baixos ao produtor.

Fonte: O Presente Rural
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Entressafra e importações freiam recuperação dos preços do leite

Leite spot recua 14,2% em maio e UHT cai 11,2%, enquanto derivados apresentam comportamento mais estável após altas no início do ano.

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Foto: Isabele Kleim

O mercado brasileiro de leite e derivados perdeu força em maio e interrompeu a trajetória de recuperação dos preços observada nos primeiros meses de 2026. A desaceleração foi puxada principalmente pelas quedas no leite UHT e no leite spot, enquanto muçarela e leite em pó registraram altas mais moderadas, sinalizando uma acomodação dos preços no setor.

Foto: Arnaldo Alves

Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, divulgado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite).

Segundo o levantamento, o preço do leite UHT comercializado no atacado paulista recuou 11,2% em relação a abril. Apesar da queda mensal expressiva, o produto ainda acumula valorização de 2,9% na comparação com maio de 2025.

O movimento foi acompanhado pelo leite spot em Minas Gerais, referência para negociações entre indústrias. O preço caiu 14,2% em relação a abril e ficou 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

No boletim, os pesquisadores apontam que a retração interrompe o ciclo de recuperação iniciado no começo do ano. “Os mercados de leite UHT e leite spot apresentaram queda considerável, interrompendo o movimento de recuperação observado nos primeiros meses do ano, induzindo uma desaceleração às vendas no atacado e no varejo”, destaca a publicação.

Entressafra e importações influenciam preços

A desaceleração ocorre em um momento de entressafra da produção leiteira, período em que normalmente há menor oferta de leite cru. Ainda assim, a pressão exercida pelos produtos importados tem limitado reajustes mais expressivos.

De acordo com o boletim, a combinação desses fatores ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do mercado. “Esse comportamento sugere uma acomodação dos preços após o período de recuperação, refletindo a entressafra da produção leiteira e a competitividade acirrada do volume de lácteos importados no mercado interno”, informa o documento.

Foto: Geraldo Bubniak

Muçarela lidera valorização

Entre os derivados acompanhados pelo levantamento, a muçarela apresentou o melhor desempenho.

O preço do queijo no atacado paulista subiu 2,1% em relação a abril e acumula valorização de 11,7% na comparação anual, a maior alta entre os produtos monitorados.

Já o leite em pó apresentou estabilidade no curto prazo. O produto registrou leve alta de 0,1% frente ao mês anterior, mas segue 3,1% abaixo do valor observado em maio de 2025.

A leitura do mercado é que, após a recuperação registrada no início do ano, os preços entram em uma fase de maior equilíbrio, influenciada tanto pela oferta doméstica quanto pela concorrência dos produtos importados.

Nos próximos meses, a evolução da produção nacional, o ritmo das importações e o comportamento do consumo devem continuar determinando a direção dos preços no mercado lácteo brasileiro.

Fonte: O Presente Rural
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Bezerro sobe 21,4% em um ano enquanto boi gordo acumula queda de 13,5%

Boletim da Embrapa Gado de Leite mostra descompasso entre as principais referências da pecuária de corte. Milho fica mais barato, farelo de soja estabiliza e projeção do PIB para 2026 sobe para 1,89%.

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Foto: Divulgação

A pecuária brasileira atravessa um momento de contrastes. Enquanto os preços do bezerro seguem em trajetória de alta, impulsionados pela menor oferta de animais para reposição, a arroba do boi gordo continua pressionada por um mercado doméstico mais fraco e pelas incertezas nas exportações.

Foto: Shutterstock

Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados de maio de 2026, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha também indicadores relevantes para outras cadeias do agronegócio.

O levantamento mostra que o preço do bezerro em São Paulo acumulou alta de 21,4% nos últimos 12 meses e subiu 7,3% em relação a abril. O movimento reforça a valorização da reposição em um cenário de oferta mais ajustada.

Na direção oposta, a arroba do boi gordo registrou queda de 13,5% na comparação com maio de 2025 e recuo de 3,6% frente ao mês anterior.

Segundo o boletim, a diferença de comportamento entre as duas categorias reflete as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas na comercialização dos animais terminados. “Os indicadores de mercado observados em maio de 2026 revelam um cenário misto para a cadeia agropecuária. Enquanto o preço do bezerro apresentou crescimento considerável, a arroba do boi gordo foi marcada por queda, com incertezas sobre embarques para a China e vendas domésticas mais fracas”, destaca o estudo.

Reposição mais cara pressiona pecuaristas

A valorização do bezerro amplia o custo de reposição dos rebanhos e reduz as margens dos sistemas de recria e

Foto: Shutterstock

engorda, especialmente em um momento em que o preço pago pelo boi terminado está em queda.

A diferença entre os dois indicadores costuma ser acompanhada de perto pelo mercado porque influencia diretamente as decisões de compra e venda de animais, além da rentabilidade das propriedades.

Nos últimos meses, a redução da oferta de bezerros disponíveis no mercado e a retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos contribuíram para sustentar os preços da reposição.

Custos de alimentação aliviam pressão

Se a reposição ficou mais cara, os custos com alimentação deram algum alívio aos produtores.

O milho, principal componente das rações, registrou queda de 4,5% em relação a abril e acumula desvalorização de 11,5% em 12 meses. A saca de 60 quilos, referência em Campinas (SP), voltou a operar em patamares inferiores aos observados no ano passado.

Foto: Shutterstock

Já o farelo de soja apresentou estabilidade no curto prazo. O produto permaneceu praticamente inalterado em relação a abril, mas ainda acumula valorização de 3,3% na comparação anual.

Economia melhora, mas dólar sobe no mês

No cenário macroeconômico, o boletim mostra uma leve desvalorização do real em maio. A taxa de câmbio encerrou o período 0,5% acima do registrado em abril. Ainda assim, o dólar segue 10,8% abaixo do nível observado em maio de 2025.

As expectativas para a economia brasileira, por outro lado, apresentaram pequena melhora. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 passou de 1,85% para 1,89%.

Embora a mudança seja modesta, ela reforça a percepção de maior estabilidade econômica, fator acompanhado com atenção pelo agronegócio por seus impactos sobre consumo, crédito e investimentos.

O conjunto dos indicadores mostra que, apesar da redução em parte dos custos de produção e da melhora das expectativas econômicas, a pecuária segue convivendo com sinais divergentes. Enquanto o bezerro se valoriza e encarece a reposição, o boi gordo ainda busca recuperar espaço em um mercado marcado por demanda mais cautelosa e incertezas no comércio internacional.

Fonte: O Presente Rural
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