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Avicultura Sanidade em destaque

A necessidade de tipificação de salmonelas na indústria avícola

Dentre os diferentes métodos, a sorotipificação é uma importante ferramenta epidemiológica na identificação de Salmonella

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito pela professora doutora Anderlise Borsoi, da Universidade Tuiuti do Paraná – Curitiba/PR

O assunto Salmonella na avicultura industrial até pouco tempo era mantido dentro das empresas como assunto secreto e intimidador. Com o passar do tempo, tivemos de atender ao chamado sumário da legislação federal, que então, tornou o assunto explícito e determinou ampla detecção das salmonelas.

A necessidade de tipificar as salmonelas aumentou com a obrigatoriedade determinada pela Instrução Normativa (IN) n° 20/2016 (controle e o monitoramento de Salmonella spp. nos estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte e nos estabelecimentos de abate de frangos, galinhas, perus de corte e reprodução), que cita em diferentes momentos tal instrução.

Dentre os diferentes métodos utilizados para estudos das salmonelas, a sorotipificação constitui uma importante ferramenta epidemiológica complementar na identificação de Salmonella, permitindo determinar a prevalência e emergência, ou para apontar tendências de um sorovar em diferentes regiões geográficas, bem como indicar as fontes de infecção e vias de transmissão.

O esquema de sorotipificação (ainda) internacionalmente utilizado é baseado nos antígenos O e H das salmonelas e denominado esquema Kauffmann-White.

Estrutura antigênica

A estrutura antigênica das salmonelas é apresentada por uma fórmula descrita em três blocos de letras e números, cada bloco separado por dois pontos (:).

Por exemplo, para esta figura, na descrição antigênica o primeiro bloco (bloco 1) sempre antes dos dois pontos sempre representa o antígeno somático, o segundo bloco (bloco 2) entre os dois conjuntos de dois pontos representa a fase flagelar 1 e o terceiro bloco (bloco 3) após os dois pontos representa a fase flagelar 2. Quando não há uma das fases é colocado um traço (-) no local. Ainda quando aparecer colchetes ([ ]) nas fórmulas antigênicas, estará indicando que pode ou não haver aquele antígeno.

Para caracterização descrita acima das diferentes formulas antigênicas (sorotipificação) é necessário treinamento dos executores das análises nos laboratórios das industrias, pois a sorotipificação tem muitos detalhes envolvidos que estão além de uma simples aglutinação em uma lâmina de vidro.

A sorotipificação das salmonelas isoladas na indústria avícola, além de obrigatória para os sorovares monitorados e controlados pela IN n° 20/2016, deve ser adotada como base de estudo para o controle das salmonelas na cadeia de produção. O rastreamento dos sorovares pode fornecer informações importantes no controle das salmonelas, principalmente quanto às fontes de contaminação nos diferentes níveis de produção. Quando as análises são realizadas de modo continuo é possível traçar um perfil da dinâmica das salmonelas na integração avícola, que certamente será diferente para cada empresa.

A introdução de salmonelas a partir das matérias-primas das rações, a partir das aves alojadas ou dos reservatórios que permanecem nos arredores dos galpões (e contaminação residual dos galpões por manejo inadequado da cama e limpeza e desinfecção gerais) determina a diferença de incidência de salmonelas em cada empresa, embora um mesmo sorovar possa ser prevalente.

Não se pode negligenciar a presença de qualquer sorovar quer seja isolado do pó da fábrica de ração ou quer seja isolado da esteira de carregamento de caixas de frango no campo. Todas as potenciais fontes de contaminação podem ser mais ou menos importantes dependendo do sorovar que está presente no produto final. Qualquer sorovar de salmonela é importante, pois para os controles oficiais, quaisquer salmonelas paratíficas que não sejam S. Typhimurium, S. Enteritidis e monofásicas estas são classificadas como positivo para Salmonella spp.

Atualmente há métodos moleculares com maior poder discriminatório de salmonelas quando comparado ao poder discriminatório da sorotipificação, que sim podem ser utilizados em estudos epidemiológicos verticalizados. Porém, a classificação das salmonelas ainda não foi totalmente substituída por tais métodos.

Certamente as metodologias de microbiologia standard (clássicas) para isolamento e caracterização das salmonelas são laboriosas, contudo é possível se obter e armazenar as bactérias. Este fato é de extrema relevância, pois os estudos moleculares para desenvolvimento de novas vacinas ou novas tecnologias de controle precisam ter inicialmente o microrganismo integro. Embora possa se conhecer o genoma completo de determinadas bactérias, seus genes e seus determinantes de virulência, há ainda o componente “vivo” que são as interações genéticas e a ativação dos genes que pode ou não modificar diferentes características das bactérias, como por exemplo a fase flagelar em salmonelas. Tratando-se de salmonelas na indústria avícola, não é praxe que as cepas isoladas sejam armazenadas. Cabe pontuar que toda cepa armazenada corretamente (e isso pode ser realizado em parceria com universidades, por exemplo) pode ser utilizada para análises epidemiológicas da própria empresa.

No momento, além de conhecer o sorovar de Salmonella, deve-se questionar se as análises dentro da indústria estão bem executadas e se são confiáveis, ou seja, se a tipificação está correta. Um exemplo da importância da tipificação acertada é na construção da estratégia de envio lotes ao abate com foco em minimizar a contaminação da planta de abate e em selecionar o destino do produto final.

É prudente lembrar que há necessidade da tipificação  de salmonelas quando se observa alguns pontos da legislação comentada, que descreve por exemplo, para lotes de frangos positivos para salmonelas, a necessidade de investigação para identificar a fonte de infecção e as vias de transmissão das salmonelas para as aves; bem como descreve para os ciclos de controle oficiais violados no abate a necessidade da tipificação das culturas para identificação do sorovar, em caso de ser detectada a presença de Salmonella spp.

A necessidade de tipificação de salmonelas é evidente, uma vez que o controle da dinâmica da produção de frangos pode ser alterado em função de positividade, sorovar e epidemiologia das salmonelas na indústria. Programas de controle de salmonelas na indústria avícola estruturados de modo a não abordar o conhecimento dos sorovares certamente estarão incompletos.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Simpósio de Avicultura da ACAV

Palestrantes explanam sobre manejo de machos reprodutores e incubação de alta performance

período mais crítico, de acordo com o palestrante, é quando os machos são transferidos, o que exige um manejo refinado

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Fábio Luiz Bittencourt / Divulgação

Os padrões de fertilidade dos machos e a relação com controle efetivo de peso e estratégia alimentar, o que é recomendado e o que deve ser evitado nas várias fases de vida foram os temas abordados pelo gerente de serviços técnicos da Aviagen no Brasil, médico veterinário Marco Aurélio Romagnole de Araújo, que abriu a programação de palestras do segundo e último dia do Simpósio de Qualificação Técnica ACAV (Associação Catarinense de Avicultura), com a palestra “Manejo de machos reprodutores para alta performance”. O evento virtual encerra nesta quarta-feira (22) e está sendo transmitido a partir dos estúdios da BS Áudio, em Chapecó (SC).

Araújo fez um comparativo dos melhores e dos piores resultados da linhagem ROSS durante as fases de vida dos machos, orientando sobre as práticas mais eficientes. Iniciou sua explanação falando sobre manejo de macho para alta performance, enfatizando o controle efetivo do peso e da uniformidade. Expôs sobre as condições de alojamento nas primeiras semanas de vida, passando pela fase do desenvolvimento esquelético e a produção de sêmen. O alimento deve ser uniformizado para o lote e, quando for feita a seleção dos machos, os que forem retirados não devem voltar ao plantel, mesmo que atingirem o mesmo peso.

O período mais crítico, de acordo com o palestrante, é quando os machos são transferidos, o que exige um manejo refinado. “É fundamental garantir alimento e sua distribuição uniforme, com comedouros adequados e cama nivelada. O macho não pode comer no mesmo comedouro da fêmea”, sublinhou o palestrante. Na fase de produção, é essencial o controle de peso dos machos para que atinjam o comportamento produtivo. O ganho de peso ideal é de 25 a 30 gramas por semana.

Em todas as fases de vida, o palestrante citou pontos-chaves como: manejo inicial, espaço de comedouro, densidade, fornecimento de ração e seleções. “O conjunto de todos os manejos bem realizados é a garantia do sucesso da obtenção de machos com alta performance, garantindo bons índices de fertilidade e eclosão”, concluiu.

INCUBAÇÃO DE ALTA PERFORMANCE

“Construindo uma incubação de alta performance com foco em qualidade de pintos” foi a temática abordada por um dos maiores especialistas em incubação de frangos e perus do Brasil, Fábio Luiz Bittencourt. De acordo com o palestrante, quando se fala em incubação de alta performance na atualidade, é preciso ter em mente que está sendo manejado um embrião de frango de corte de alto desempenho zootécnico e extremamente sensível. “A busca da máxima expressão de seus potenciais zootécnicos, principalmente quanto à conversão alimentar e rendimento de carne, passa pelo estabelecimento de um indicador mensurável de qualidade para esse embrião/pintinho, o qual deve traduzir ao máximo o que aconteceu durante o período de incubação”, expôs.

Bittencourt explicou que ao longo dos anos foram medidas várias características individuais e coletivas, buscando sempre o entendimento da causa e do efeito. Conforme os conhecimentos científicos da incubação foram evoluindo e as tecnologias foram se consolidando, os indicadores foram sendo reestabelecidos: percentual de perda de peso na transferência, relação do peso do pintinho versus o peso do ovo. De acordo com o palestrante, a relação entre o peso de ovo e o peso do pintinho pós-nascimento é o que melhor se encaixa. “A característica dessa relação mostrou alta correlação com ganho de peso”, realçou.

“A incubação de alta performance leva em consideração o comportamento do desenvolvimento fisiológico dos embriões do seu incubatório, dando-lhe oportunidade de estabelecer melhorias com ajustes finos”, enfatizou, ao acrescentar a importância de buscar a uniformização dos embriões antes de colocá-los na incubadora e desenvolver um mecanismo que possibilite mapear micro clima na incubadora, possibilitando correções.

APOIO

O Simpósio Técnico ACAV tem o apoio dos patrocinadores da categoria ouro (Seara Alimentos, Cargill, Ceva, Cobb, MSD Saúde Animal e Aviagen | Ross), da categoria prata (Icasa, Hubbard Your Choice, Dur Commitment, Plasson Livestock, Petersime Incubators & Hatcheries, Zoetis, Vetanco Phibro Animal Health Corporation e Evonik Leading Chemistry) e da categoria bronze (DSM Bright Science, Brighter Living, Trouw Nutrition a Nutreco Company, Elanco e BRDE).

Fonte: Assessoria
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Avicultura Segundo Embrapa

Custos de produção de frangos de corte e de suínos ficam mais caros em agosto

Dados são da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa

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Arquivo/OP Rural

Os custos de produção de frangos de corte e de suínos registraram novo aumento durante o mês de agosto segundo os estudos publicados pela CIAS, a Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa, que disponibiliza as informações no site embrapa.br/suinos-e-aves/cias. Tanto o ICPFrango quanto o ICPSuíno voltaram a ficar acima da barreira dos 400 pontos, chegando aos 407,53 e 407,15 pontos, respectivamente.

Em agosto, o ICPFrango aumentou 1,68%, influenciado principalmente pelas despesas operacionais com a alimentação (1,62%) das aves. Agora, o ICPFrango acumula alta de 20,97% somente em 2021 e de 44,27% nos últimos 12 meses. O custo de produção do quilo do frango de corte vivo no Paraná, produzido em aviário tipo climatizado em pressão positiva, oscilou R$ 0,09 em agosto com relação a julho, passando de R$ 5,18 para R$ 5,27.

Já o ICPSuíno registrou uma alta de 0,18%. No ano de 2021, o ICPSuíno registra aumento de 8,52%. Nos últimos 12 meses, a variação é de 41,17%. Com isso, o custo total de produção por quilograma de suíno vivo produzido em sistema tipo ciclo completo em Santa Catarina voltou a registrar valor superior aos sete reais, fechando em R$ 7,12.

Fonte: Embrapa Suínos e Aves
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Avicultura Mercado

Exportações de carne de frango crescem 4,8% em agosto

Receita das vendas internacionais sobem 36,1% no mês

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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) somaram 379,9 mil toneladas em agosto, volume que supera em 4,8% as exportações registradas no mesmo período do ano passado, com 362,5 mil toneladas.

Em receita, o crescimento foi ainda mais expressivo, com 36,1%, alcançando US$ 677,3 milhões em agosto deste ano, contra US$ 497,8 milhões no oitavo mês de 2020.

Na soma dos oito primeiros meses de 2021, os embarques de carne de frango alcançaram 3,048 milhões de toneladas, volume 7,58% superior ao exportado no mesmo período do ano passado, com 2,833 milhões de toneladas.

No mesmo período (janeiro a agosto), a receita das exportações alcançou US$ 4,893 bilhões, resultado 18,2% maior que o efetivado em 2020, com US$ 4,140 bilhões.

“Os preços aquecidos para as exportações de carne de frango são consequências diretas da alta internacional dos custos de produção. Mesmo com este quadro, grandes mercados importadores de alto valor agregado aumentaram o apetite pelos produtos brasileiros, resultando em um mês marcadamente positivo, reforçando a expectativa de alta histórica nas exportações totais de 2021”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Principal destino das exportações, a China importou 57,4 mil toneladas em agosto, volume 4,8% superior ao efetuado no mesmo período de 2020. Assumindo o segundo lugar nas exportações, os Emirados Árabes Unidos importaram no mês 38,8 mil toneladas, número 50,5% superior ao embarcado em agosto do ano passado. Na terceira posição está o Japão, com 35,2 mil toneladas, número ,1,7% superior ao embarcado no oitavo mês de 2020.
Outros destaques do mês foram União Europeia, com 17,2 mil toneladas (+12,5%), México, que entrou para o “top 10” com 15,1 mil toneladas (+591,4%), Filipinas, com 12,1 mil toneladas (+55,1%), Rússia, com 9,5 mil toneladas (+17,6%) e Líbia, com 8,9 mil toneladas (+161,5%).

Entre os principais estados exportadores estão o Paraná, que embarcou 157 mil toneladas em agosto (+10,18%), seguidos por Santa Catarina, com 77,6 mil toneladas (-0,88%) e Rio Grande do Sul, com 50,8 mil toneladas (-17,5%).

Fonte: Assessoria
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