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Avicultura Sanidade em destaque

A necessidade de tipificação de salmonelas na indústria avícola

Dentre os diferentes métodos, a sorotipificação é uma importante ferramenta epidemiológica na identificação de Salmonella

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito pela professora doutora Anderlise Borsoi, da Universidade Tuiuti do Paraná – Curitiba/PR

O assunto Salmonella na avicultura industrial até pouco tempo era mantido dentro das empresas como assunto secreto e intimidador. Com o passar do tempo, tivemos de atender ao chamado sumário da legislação federal, que então, tornou o assunto explícito e determinou ampla detecção das salmonelas.

A necessidade de tipificar as salmonelas aumentou com a obrigatoriedade determinada pela Instrução Normativa (IN) n° 20/2016 (controle e o monitoramento de Salmonella spp. nos estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte e nos estabelecimentos de abate de frangos, galinhas, perus de corte e reprodução), que cita em diferentes momentos tal instrução.

Dentre os diferentes métodos utilizados para estudos das salmonelas, a sorotipificação constitui uma importante ferramenta epidemiológica complementar na identificação de Salmonella, permitindo determinar a prevalência e emergência, ou para apontar tendências de um sorovar em diferentes regiões geográficas, bem como indicar as fontes de infecção e vias de transmissão.

O esquema de sorotipificação (ainda) internacionalmente utilizado é baseado nos antígenos O e H das salmonelas e denominado esquema Kauffmann-White.

Estrutura antigênica

A estrutura antigênica das salmonelas é apresentada por uma fórmula descrita em três blocos de letras e números, cada bloco separado por dois pontos (:).

Por exemplo, para esta figura, na descrição antigênica o primeiro bloco (bloco 1) sempre antes dos dois pontos sempre representa o antígeno somático, o segundo bloco (bloco 2) entre os dois conjuntos de dois pontos representa a fase flagelar 1 e o terceiro bloco (bloco 3) após os dois pontos representa a fase flagelar 2. Quando não há uma das fases é colocado um traço (-) no local. Ainda quando aparecer colchetes ([ ]) nas fórmulas antigênicas, estará indicando que pode ou não haver aquele antígeno.

Para caracterização descrita acima das diferentes formulas antigênicas (sorotipificação) é necessário treinamento dos executores das análises nos laboratórios das industrias, pois a sorotipificação tem muitos detalhes envolvidos que estão além de uma simples aglutinação em uma lâmina de vidro.

A sorotipificação das salmonelas isoladas na indústria avícola, além de obrigatória para os sorovares monitorados e controlados pela IN n° 20/2016, deve ser adotada como base de estudo para o controle das salmonelas na cadeia de produção. O rastreamento dos sorovares pode fornecer informações importantes no controle das salmonelas, principalmente quanto às fontes de contaminação nos diferentes níveis de produção. Quando as análises são realizadas de modo continuo é possível traçar um perfil da dinâmica das salmonelas na integração avícola, que certamente será diferente para cada empresa.

A introdução de salmonelas a partir das matérias-primas das rações, a partir das aves alojadas ou dos reservatórios que permanecem nos arredores dos galpões (e contaminação residual dos galpões por manejo inadequado da cama e limpeza e desinfecção gerais) determina a diferença de incidência de salmonelas em cada empresa, embora um mesmo sorovar possa ser prevalente.

Não se pode negligenciar a presença de qualquer sorovar quer seja isolado do pó da fábrica de ração ou quer seja isolado da esteira de carregamento de caixas de frango no campo. Todas as potenciais fontes de contaminação podem ser mais ou menos importantes dependendo do sorovar que está presente no produto final. Qualquer sorovar de salmonela é importante, pois para os controles oficiais, quaisquer salmonelas paratíficas que não sejam S. Typhimurium, S. Enteritidis e monofásicas estas são classificadas como positivo para Salmonella spp.

Atualmente há métodos moleculares com maior poder discriminatório de salmonelas quando comparado ao poder discriminatório da sorotipificação, que sim podem ser utilizados em estudos epidemiológicos verticalizados. Porém, a classificação das salmonelas ainda não foi totalmente substituída por tais métodos.

Certamente as metodologias de microbiologia standard (clássicas) para isolamento e caracterização das salmonelas são laboriosas, contudo é possível se obter e armazenar as bactérias. Este fato é de extrema relevância, pois os estudos moleculares para desenvolvimento de novas vacinas ou novas tecnologias de controle precisam ter inicialmente o microrganismo integro. Embora possa se conhecer o genoma completo de determinadas bactérias, seus genes e seus determinantes de virulência, há ainda o componente “vivo” que são as interações genéticas e a ativação dos genes que pode ou não modificar diferentes características das bactérias, como por exemplo a fase flagelar em salmonelas. Tratando-se de salmonelas na indústria avícola, não é praxe que as cepas isoladas sejam armazenadas. Cabe pontuar que toda cepa armazenada corretamente (e isso pode ser realizado em parceria com universidades, por exemplo) pode ser utilizada para análises epidemiológicas da própria empresa.

No momento, além de conhecer o sorovar de Salmonella, deve-se questionar se as análises dentro da indústria estão bem executadas e se são confiáveis, ou seja, se a tipificação está correta. Um exemplo da importância da tipificação acertada é na construção da estratégia de envio lotes ao abate com foco em minimizar a contaminação da planta de abate e em selecionar o destino do produto final.

É prudente lembrar que há necessidade da tipificação  de salmonelas quando se observa alguns pontos da legislação comentada, que descreve por exemplo, para lotes de frangos positivos para salmonelas, a necessidade de investigação para identificar a fonte de infecção e as vias de transmissão das salmonelas para as aves; bem como descreve para os ciclos de controle oficiais violados no abate a necessidade da tipificação das culturas para identificação do sorovar, em caso de ser detectada a presença de Salmonella spp.

A necessidade de tipificação de salmonelas é evidente, uma vez que o controle da dinâmica da produção de frangos pode ser alterado em função de positividade, sorovar e epidemiologia das salmonelas na indústria. Programas de controle de salmonelas na indústria avícola estruturados de modo a não abordar o conhecimento dos sorovares certamente estarão incompletos.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Reconhecimento

Pesquisadores da avicultura recebem o Prêmio Lamas 2019

Objetivo é divulgar ao setor os resultados do intenso trabalho de pesquisa e de experimentação desenvolvidos em Universidades e Centros de Pesquisa de todo o país

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Divulgação

A Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) realizou na última quinta-feira (16), no encerramento da Conferência FACTA WPSA-Brasil, a entrega do tradicional Prêmio Lamas, para os melhores trabalhos inscritos nas categorias Nutrição, Sanidade, Produção e Outras Áreas.

O nome do Prêmio é uma homenagem ao Prof. Dr. José Maria Lamas da Silva, respeitado técnico da avicultura brasileira, mestre da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais e formador de centenas de técnicos hoje militantes na avicultura brasileira.

Mais do que homenagear, o Prêmio objetiva divulgar ao setor os resultados do intenso trabalho de pesquisa e de experimentação desenvolvidos em Universidades e Centros de Pesquisa de todo o País, a fim de responder às questões levantadas pelo próprio setor produtivo nas diversas áreas especializadas na produção e processamento de produtos avícolas.

Ganhadores

Sanidade

Vencedor: “Avaliação da disseminação temporal e resistência a antibióticos de isolados de Salmonella Heidelberg de lotes de aves comerciais do Brasil pela análise de genomas completos” – Vagner Ricardo Lunge, Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

Menção honrosa: “Quorum Sensing entre Lactobacillus spp. No controle de Salmonella Heidelberg em frangos de corte” – Adriano Sakai Okamoto, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”/UNESP.

Pôster: “Ação inibitória de L. plantarum e L. reuteri sobre o crescimento de Clostridium perfringens” – Larissa Justino, Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Pôster: “Vigilância epidemiológica do vírus da doença de Newcastle em aves de subsistência localizadas na região Noroeste do estado de São Paulo” – Renato Luís Luciano, Instituto Biológico (IB – CEAV) – Centro Avançado de Pesquisa Avícola.

Nutrição

Vencedor: “Digestibilidade ileal estandardizada de aminoácidos em coprodutos do etanol de milho para frangos de corte” – Ana Beatriz Santos Oliveira, da Esalq/USP.

Vencedor: “Uso de metabólitos nutricionais na dieta de frangos de corte desafiados com salmonella Heidelberg” – Bárbara Colcetta, TECTRON.

Menção Honrosa: “Biodisponibilidade relativa do manganês em relação as fontes proteinato sulfato para frangos de um a 21 dias” – Tainá Brandão Lopes, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

Pôster: “Desempenho e digestibilidade ileal de frangos de corte alimentados com dietas contendo aditivo fitogênico Extrato de Castanheira (Castanea sativa Mill)” – Ellen Hatsumi Fukayama, BITA Tecnologia Animal.

Pôster: “Níveis de zinco no desempenho e resposta imune” – Juliana Cristina Ramos Rezende, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP).

Produção

Vencedor: “Efeitos da alta temperatura de incubação sobre o peso de órgãos vitais e a qualidade de pintos recém-eclodidos” –  Tayana Nery Franca, Universidade Federal da Bahia – UFBA

Menção Honrosa: “Custo ambiental associado ao processo produtivo de frangos de corte: usando a abordagem emergética” – Nilsa Duarte da Silva Lima, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Pôster: “Efeitos da manipulação térmica pré-natal sobre os parâmetros zootécnicos de pintos recém-eclodidos” – Tais Pinheiro Borges Silva, Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Pôster: “Incubação artificial de ovos de galinha caipira armazenados em ambiente não climatizado e refrigerador” – Verônica Letícia da Silva, Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE.

Outras áreas

Vencedor: “Efeitos da vacina e probiótico in ovo sobre parâmetros de órgãos em pintos de corte recém-eclodidos” – Larissa Kiana Santos Azevedo Martins, Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Menção: “Características sensoriais e preferência de consumo em filés de peito de frangos conforme o grau de severidade da Miopatia Wooden Breast” – Bruna Barreto Przybulinski, Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.

Pôster: “Mineração de padrão de comportamento sequencial para detectar estresse térmico em frangos de corte” – Tatiane Branco, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Pôster: “Parâmetros hemogasométricos de pintos incubados em alta temperatura” – Tayana Nery Franca, Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Nutrição

Prebióticos naturais na formulação de rações para frangos de corte sem inclusão de antibióticos

Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Verônica Lisboa Santos, doutora em Zootecnia e coordenadora Técnica de Pesquisa na Yes Sinergy Agroindustrial

Durante muitos anos os antibióticos promotores de crescimento (APC’s) foram incorporados às dietas dos animais de produção em dosagens subterapêuticas, e melhorias consistentes na eficiência alimentar justificaram esta prática. Porém, o excesso de antibióticos usados na produção de alimentos de origem animal tem contribuído para o surgimento de resistência bacteriana, sendo esta uma causa de preocupação para a saúde pública mundial.

Desde 2006, a União Europeia proibiu o uso de qualquer antimicrobiano como promotor de crescimento na produção animal. Assim, os mercados exportadores, dentre eles, o Brasil, tiveram que se adaptar à legislação estabelecida por esse bloco econômico para permanecerem aptos a exportar.

O desenvolvimento de aditivos naturais, que possam substituir os antibióticos na alimentação animal, sem causar perdas de produção e econômicas e mantendo suas ações benéficas, tem se tornado alvo de diversos estudos e representa uma alternativa viável para a produção animal. Para uma substituição exitosa dos APC’s na alimentação de animais de produção, deve ser levado em consideração criteriosos processos de biossegurança, manejo, sanidade e a utilização de probióticos e prebióticos, visto que a comunidade científica valida o seu benefício às cepas de bactérias benéficas, resultando em melhor equilíbrio da microbiota intestinal e favorecendo os processos de digestão e absorção de nutrientes. Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico, ou seja, estimulam a multiplicação da microbiota intestinal benéfica como Lactobacillus e bifidobactérias, promovendo maior exclusão competitiva, produção de antibióticos naturais e ácidos graxos de cadeia curta e média, como acético, propiônico, butírico e lático.

Pesquisas científicas

Aditivo prebiótico natural no desempenho de frangos de corte

Material e Métodos: A fim de avaliar o efeito da utilização de um Aditivo Prebiótico Natural (APN) em substituição a um antibiótico promotor de crescimento (APC), foram utilizados 750 pintinhos machos, de um dia de idade, vacinados no incubatório contra as doenças de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0m² com 25 aves por box. No intuito de simular os desafios das condições a campo, a cama, de 10cm de espessura, foi previamente reutilizada por três lotes. O delineamento experimental foi em blocos completamente ao acaso, com três tratamentos e dez repetições cada.

Os seguintes tratamentos foram testados:

T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)

T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)

T3: CN + APN

 Resultados e Conclusão

As médias dos resultados de desempenho produtivo e margem de lucro final estão descritas  as tabelas 1 e 2, respectivamente, bem como, as médias de produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
Desempenho 1 a 42 dias
  CONTROLE APC APN
PMF¹ (g/ave)     3066,34 3131,81 3103,27
GPD² (g/dia/ave)        71,91      73,47     72,79
CR³ (g/ave)  5499,40  5496,61 5467,12
CA4 (g/g)        1,86         1,81       1,81
IEP5     366,50       382,23     387,58

Os pesquisadores concluíram que as aves que consumiram a ração contendo APN, apresentaram peso médio final, ganho de peso médio diário e índice de eficiência produtiva maiores, aliados a melhor conversão alimentar e menor mortalidade quando comparadas às aves que consumiram o tratamento controle, com adição de APC, bem como, maior margem de lucro e produção de ácidos graxos de cadeia curta, o que provavelmente propiciou ambiente adverso para as populações de bactérias nocivas (principalmente Salmonellas e E. coli).

Tabela 2. Análise econômica de frangos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico APC ou com APN, durante o período de 42 dias
CONTROLE APC APN
Animais alojados 1.000 1.000 1.000
Animais terminados 932 928 948
Preço ração (kg) 1.066 1.075 1.076
Custo com ração total (R$) 5.865 5.906 5.904
Quilos produzidos no período 2.815 2.868 2.901
Ganho com venda 8.585 8.746 8.848
Lucro para lote de 1.000 aves (R$) 2.720 2.840 2.943

 

Gráfico 1. produção de ácidos graxos de cadeia curta por farngos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico promotor de crescimento (APC) ou com aditivo prebiótico natural (APN), durante o período de 42 dias.

Blend prebiótico natural no desempenho de frangos de corte 

Material e Métodos: afim de avaliar o efeito de um blend prebiótico natural (BPN) em substituição ao uso de um antibiótico promotor de crescimento (APC) sobre os parâmetros de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta, foram alojados 750 pintos de corte, machos, da linhagem Cobb 500, vacinados no incubatório contra doença de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0 m2 com 25 aves por boxe. A cama, de 10 cm de espessura, foi previamente utilizada por três lotes e reutilizada afim de simular os desafios das condições de campo. o delineamento experimental foi em blocos casualizados com 3 tratamentos e 10 repetições cada.

Tratamentos experimentais:

T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)

T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)

T3: CN + BPN (2 kg/ton)

Resultados e Conclusão:

As médias de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta podem ser observadas na Tabela 1 e no gráfico 1, respectivamente.

Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
  PMI¹ PMF² GPM³ CRM4 CA5 IEP6
CONTROLE 46 3066 3020 5499 1,86a 366,5
APC7 46 3132 3086 5497 1,81ab 382,2
BPN8 46 3188 3141 5513 1,79b 392,0

 

Gráfico 2. Média da produção de ácidos graxos de cadeia curta por frangos de corte alimentados com dietas com inclusão de antibiótico promotor de crescimento (APC) ou blend prebiótico natural (BPN).

As aves que consumiram o Blend Prebiótico Natural, apresentaram, melhores índices de desempenho zootécnico, destacando-se a melhor conversão alimentar, embora não apresentando diferença significativa no consumo de ração e maior produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Considerações finais

A microbiota do trato digestório das aves de produção tem relevante papel na digestão dos alimentos ingeridos. Desequilíbrios na composição deste microambiente podem ocasionar transtornos no desempenho e na capacidade de aproveitamento dos nutrientes. Como alternativa aos tradicionais antibióticos promotores de crescimento, já estão disponíveis no mercado prebióticos caracterizados por serem aditivos naturais, atóxicos e que não induzem resistência bacteriana. Esses produtos podem ser utilizados na ração de animais de produção e companhia, com a perspectiva de estabilizar e manter uma determinada população bacteriana em condições ideais no trato digestório, sem interferir de forma negativa na sanidade, na absorção dos nutrientes das rações, no desempenho desses animais e na saúde dos consumidores.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Produção

Relação entre microbiota intestinal e sistema imune inato: O papel da parede celular de levedura neste processo

Atenção deve ser voltada para conjunto de medidas que promovam crescimento seguro dos animais e ajam na prevenção de doenças

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato (P&D), da ICC Brazil

Há uns anos estamos presenciando as recomendações das organizações internacionais de saúde em relação ao uso de antibióticos na produção animal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a falta de antibióticos eficazes é tão grave como uma ameaça á segurança de um surto mortal de doenças. A atenção deve ser voltada para conjunto de medidas que promovam o crescimento seguro dos animais e principalmente ajam na prevenção de doenças.

Muitas pesquisas apontam que além do impacto imediato dos antibióticos sobre a microbiota, esses medicamentos afetam a expressão gênica, atividade proteica e metabolismo geral da microbiota intestinal. As alterações microbianas causadas, além de aumentar o risco imediato de infecção, também afetam o sistema imunológico básico em longo prazo.

A microbiota intestinal dos animais tem um papel importante na regulação da resposta do sistema imune, pois, além de modular vários processos fisiológicos, nutrição, metabolismo e exclusão de patógenos, pode alterar a fisiopatologia de doenças conferindo resistência ou promover infecções parasitárias entéricas. As bactérias naturais do intestino atuam como adjuvantes moleculares que fornecem imunoestimulação indireta ajudando o organismo a se defender contra infecções.

As aves possuem uma grande quantidade de tecido linfoide e células do sistema imune na mucosa intestinal, que é chamado de GALT (tecido linfoide associado ao intestino), e por sua vez, constitui o MALT (tecido linfoide associado à mucosa). O GALT está continuamente exposto aos antígenos alimentares, microbiota e patógenos, e necessita identificar os componentes que estão presentes no lúmen intestinal e que podem ser uma possível ameaça ao animal. A primeira linha de defesa do sistema imune é constituída pelas células fagocítica (macrófagos, heterofilos, células dendríticas e células natural killer) nas quais possuem receptores do tipo Toll, localizados em sua na superfície. Estes receptores reconhecem padrões microbianos e induzem uma resposta imune inata imediata. Após esta ativação e fagocitose, o fagócito (célula apresentadora de antígeno “APC”) apresenta um fragmento processado do antígeno e inicia-se uma resposta em cadeia contra este. O reconhecimento de patógenos pelo sistema imune inato desencadeia defesas inatas imediatas e, posteriormente, a ativação da resposta imune adaptativa.

É importante ressaltar que esta série de respostas do sistema imune inato demandam diversos nutrientes e principalmente, energia do metabolismo, já que se trata de uma resposta inespecífica e pró-inflamatória, porém necessária para controlar a proliferação, invasão e danos causados pelo antígeno no organismo animal. No entanto, uma resposta pró-inflamatória prolongada, pode levar ao aparecimento de doenças secundárias, imunossupressão, manutenção da homeostase imunológica, disbiose intestinal e, por fim, quedas em desempenho e mortalidade.

Um correto programa de medidas incluindo nutrição balanceada, vacinação, redução dos fatores de estresse, boas práticas de manejo e bem-estar animal podem diminuir consideravelmente a incidência de imunossupressão. A adição de aditivos dietéticos na alimentação, que atuam na modulação do sistema imune inato e microbiota, melhora a resposta de defesa frente aos desafios.

A parede celular de levedura Saccharomyces cerevisiae oriunda do processo de fermentação da cana-de-açúcar para produção de etanol, contém em torno de 35% de β-glucanas (1,3 e 1,6), e 20% de mananoligossacarídeos (MOS). As β-glucanas são reconhecidas pelas células fagocíticas (Petravić-Tominac et al., 2010), estimulando-as a produzir citocinas que iniciarão uma reação em cadeia para induzir uma imunomodulação e melhorar a capacidade de resposta do sistema imunológico inato. Já o MOS, possui uma capacidade de aglutinação de patógenos que possuem fímbria tipo 1, tais como diversas cepas de Salmonella e Escherichia coli.

Um recente estudo de Beirão et al. (2018) onde frangos de corte foram suplementados com levedura Saccharomyces cerevisiae (0,5 kg/ton) e infectados aos dois dias de idade com Salmonella Enteritidis [SE] (via oral na dosagem de 108 UFC/ave), mostrou que aos quatro e oito dias (dois e seis dias pós-infecção, respectivamente) a levedura Saccharomyces cerevisiae reduziu a passagem do marcador (Dextran-FITC, 3-5 kD) para o sangue nas aves desafiadas. Estes resultados indicam uma melhora significativa na integridade e permeabilidade intestinal, já que a SE é uma bactéria capaz de aderir à mucosa por meio de suas fímbrias, produzir toxinas e causar danos às tight juctions (junções de oclusão) e aos enterócitos, invadindo-os e translocando-se para a corrente sanguínea e demais órgãos e tecidos internos.

Estudo

Estes resultados podem ser explicados pela quantificação de células circulantes que foram analisadas no sangue coletado destas aves. É importante notar que durante a dinâmica normal de uma infecção, ocorre uma mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino, porém se animal apresentar outro tipo de infecção, a redução de leucócitos totais circulantes, pode prejudicar a resposta ao ataque à este segundo antígeno/local. Isto principalmente pode ser perigoso quando a taxa de leucócitos totais no sangue está muito baixa (leucopenia). Na análise do referido estudo, o grupo infectado e suplementado com levedura Saccharomyces cerevisiae proporcionou uma menor mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino aos 14 dias; no entanto, quando esse sistema imune é subdividido e as diferentes células são analisadas, os animais deste grupo apresentaram mais APC’s, monócitos supressores (impedem uma resposta imune desenfreada), e linfócitos T auxiliares (CD4 – secretam interleucinas e estimulam a multiplicação de células que irão atacar o antígeno), que o grupo de animais desafiados e não tratados. Já o grupo suplementado e não desafiado apresentou respostas intermediárias (entre o controle desafiado e o não desafiado) às células analisadas citadas acima, e também Linfócitos T citotóxicos (CD8), que são importantes para prevenir ou controlar a invasão da Salmonella, já que estas tem a capacidade de invadir monócitos e assim translocar-se para o fígado e demais órgãos.

É possível observar que suplementação com levedura Saccharomyces cerevisiae resulta na maior produção IgA anti Salmonella aos 14 dias de idade. Isto mostra que a resposta específica do sistema imunológico foi mais rápida e mais forte, consumindo menos energia e nutrientes, já que a resposta inflamatória pareceu ser mais curta.

Ação

A SE pode ser um problema para a ave que ainda não completou a maturação do sistema imune, pois ainda não consegue controlar a infecção totalmente, por isso grande parte da melhoria das respostas encontradas neste estudo foram até os 14 dias. Assim, a suplementação de β-glucanas pode ajudar a ave a ter uma ativação e resposta do sistema imune inato precoce e mais rápida, reduzindo/minimizando os danos causados pelo patógeno e consequentemente, as perdas em desempenho. Este tipo de resposta é especialmente importante em animais em fases iniciais de desenvolvimento, reprodutivas, períodos de estresse e desafios ambientais; agindo como um profilático e aumentando a resistência animal, minimizando maiores prejuízos.

Diversos outros estudos provaram a eficácia de levedura Saccharomyces cerevisiae em reduzir a contaminação de patógenos nas aves e ovos, mortalidade e melhorar o desempenho produtivo, principalmente sob desafio. Não existem aditivos alimentares que possam suprir problemas com manejo, plano sanitário, vacinação, nutrição, qualidade de água, entre outros; os aditivos são ferramentas que podem ajudar no controle e prevenção.

Sabemos que a produção animal intensiva é um ambiente altamente desafiador, assim o fortalecimento do sistema imunológico e manutenção da microbiota intestinal podem ser umas das chaves para melhor produtividade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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