Bovinos / Grãos / Máquinas
A interferência das micotoxinas na nutrição de gado de leite
Estimativa é que 25% das culturas em todo o mundo sejam contaminadas anualmente e que essas substâncias tóxicas levem a perdas econômicas significativas
Artigo escrito por Trevor K. Smith, professor universitário do Departamento de Ciência Animal e Avícola da Universidade de Guelph, de Ontário (Canadá) e Sofya N. Korosteleva, nutricionista de Ruminantes da Nutreco Canada Inc ., St. Mary's, Ontário, Canadá
A ocorrência de micotoxinas e suas concentrações variam a cada ano em decorrência das alternâncias climáticas e do estresse das plantas, o que pode ocasionar a incidência de micotoxinas. A estimativa é que 25% das culturas em todo o mundo sejam contaminadas anualmente e que essas substâncias tóxicas levem a perdas econômicas significativas devido aos seus efeitos na produção animal, as perdas nas lavouras e aos custos com pesquisas e regulamentações.
Um estudo realizado por agricultores da Carolina do Norte, Estados Unidos, rastreou a presença de micotoxinas em amostras de alimentos em um período de nove anos e indicou que até 70% das amostras foram contaminadas com um ou mais tipos das cinco micotoxinas analisadas.
Outra pesquisa recente na Holanda verificou 169 amostras de dietas provenientes de 24 propriedades leiteiras para 20 micotoxinas e os resultados apontaram que a silagem de milho foi o alimento contaminado com maior frequência. As micotoxinas estavam presentes em até 54% dessas amostras. Porém, a análise de contaminação na ração normalmente não é completa porque as micotoxinas conjugadas não são detectadas pelas análises laboratoriais de rotina, e até 70% de desoxinivalenol (DON) pode estar presente em formas conjugadas não detectáveis.
DON
A DON é uma micotoxina da família dos tricotecenos, produzida por fungos do gênero Fusarium, que tem demonstrado inibir a síntese de proteínas celulares. E o efeito dessa substância, segundo dados de pesquisa de campo, mostram uma associação entre a contaminação das dietas com DON e o baixo desempenho em rebanhos leiteiros. A exposição à silagem de capim do Norte europeu contendo quantidades elevadas desse tipo de micotoxina causou uma síndrome tóxica em bovinos caracterizada por aumento de mastite e laminite.
Os levantamentos apontaram ainda que as micotoxinas conjugadas são degradadas para liberar micotoxinas livres durante a digestão. E os sintomas de micotoxicoses no gado de leite dependem muito das micotoxinas envolvidas e sua interação com outros fatores de estresse. Animais altamente estressados, como as vacas primíparas, são mais sensíveis às micotoxicoses porque sofrem de um certo grau de imunossupressão. E há reações que podem incluir sintomas não evidentes como a redução da produção e no consumo de alimento, além de prejudicar a reprodução.
Aflatoxinas
Outras variedades de micotoxinas são as aflatoxinas (AF), produzidas por Aspergillus flavus e A. parasiticus, fungos tropicais e semi-tropicais que se desenvolvem em altas temperaturas sob condições tanto de alta umidade como de seca. A transferência de aflatoxinas é um problema de saúde pública devido à natureza carcinogênica destes compostos. A taxa de transferência das micotoxinas do sangue para o leite pode ser afetada por doenças sistêmicas ou local levando a barreiras de transporte deficientes. E o nível de produção de leite também irá influenciar os resíduos de aflatoxinas no leite.
Além desses fatos, os resultados também apontaram que a função ruminal demonstrou ser negativamente afetada pelas micotoxinas, sugerindo um papel significativo do rúmen no manejo de exposição de micotoxinas, na biotransformação e excreção de metabólitos. As micotoxinas sofrem biotransformação microbiana no rúmen e isso pode levar à produção de metabolitos que podem ser mais ou menos tóxicos. A capacidade do rúmen em minimizar os efeitos nocivos dessa exposição dependerá de vários fatores, como o tipo de dieta, a saúde do rúmen e a biodisponibilidade de micotoxinas na ração. Por isso, é importante praticar um bom manejo alimentar a fim de minimizar a contaminação da dieta.
Degradação microbiana ruminal de micotoxinas
Evidências de degradação microbiana ruminal de micotoxinas têm sido demonstradas em culturas isoladas de conteúdo ruminal. O interesse nesta área foi estimulado por estudos iniciais que revelaram maior resistência dos ruminantes aos efeitos negativos de algumas micotoxinas. Recentemente, estudiosos revisaram a estabilidade ruminal de diferentes micotoxinas e seu impacto sobre a saúde do rúmen.
Entre 90 e 100% da metabolização da Ocratoxina (OT), Zearalenona (ZEA), toxina T-2, e diacetoxiscirpenol (DAS) foi realizado pelos protozoários, tornando-os a população microbiana ruminal mais importante para a biodegradação de micotoxinas. Níveis consideravelmente menores de metabolização destas micotoxinas foram observados em culturas contendo apenas bactérias ruminais. Tanto a AF como o DON foram metabolizados pelos microrganismos, já a fumonisina B1 é pouco metabolizada no rúmen, não interferindo muito em suas funções.
Há múltiplos fatores que contribuem para os efeitos adversos decorrentes das micotoxinas. A complexidade e os diversos ingredientes utilizados nas dietas podem resultar em combinações de micotoxinas com efeitos sinérgicos. Sendo que o grau de contaminação de alimentos pode ser subestimado por causa de micotoxinas conjugadas. E os sintomas de micotoxicose em um rebanho leiteiro podem não ser específicos, por isso devem ser tomadas medidas para melhorar o manejo alimentar de modo que reduza a contaminação da dieta, bem como otimize a imunidade da vaca e a saúde ruminal.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
