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A influência da Vitamina E na produção de carne de alta qualidade
Qualidade da carne no que concerne a cor, sabor, odor e maciez, oferecendo um produto que atende às exigências tanto do mercado interno quanto externo.

O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com 234,4 milhões de cabeças de gado (IBGE, 2023). De acordo com a ABIEC3, no ano de 2023 foram abatidos 42,31 milhões de cabeças, totalizando a produção de 10,1 milhões de toneladas de carne (TEC).
O mesmo relatório aponta que a carne brasileira está presente em 174 países. Entretanto, para acessar mercados mais seletivos, o produtor brasileiro tem que produzir carcaças com alto padrão de qualidade e alcançar os padrões do mercado da Cota Hilton4.
Ao atender os atributos de qualidade da carne, os consumidores, a nível do mercado doméstico e internacional, atentam para as características de maciez, cor, sabor e odor no momento da compra. Entretanto, a aparência (coloração) da carne, é a primeira característica que apresenta a maior influência sobre a decisão de compra
A suplementação da dieta dos animais em pastejo, com concentrado, aumentam o desempenho dos animais, reduz a idade de abate e melhora a qualidade da carcaça e carne obtida, além dos benefícios na preparação dos animais terminados em semiconfinamento e no confinamento.
Os suplementos injetáveis com estimuladores orgânicos, contém vitaminas, minerais e aminoácidos, bem como aumentam o metabolismo, auxiliam no crescimento e na engorda precoce, além de suprir animais carentes de vitaminas A, D, E, complexo B e aminoácidos essenciais.
A vitamina E (VE), é um nutriente essencial para o desenvolvimento de todas as espécies animais, incluindo os bovinos. O principal papel da vitamina E, é atuar como um antioxidante biológico, atua na defesa de células e tecidos, na saúde do úbere e CCS.
A suplementação com vitamina E, além das suas atividades nutricionais, previne alteração (oxidação) dos lipídeos, melhora as qualidades organolépticas da carne (coloração, sabor) e conservação dos alimentos (rancificação, qualidade do leite).
Dito isto, o presente artigo tem como objetivo relatar as atividades biológicas da vitamina E na produção de carne sobretudo na qualidade da carne.
A vitamina E, funções e deficiências nutricionais
A vitamina E, é uma vitamina lipossolúvel, pertencente ao grupo dos tocoferóis (alfa, beta e sigma tocoferol), dos quais, o alfa-tocoferol é o mais ativo e corresponde a 90% dos tocoferóis encontrados nos alimentos.
As principais fontes de vitamina E são óleo de germe de trigo, vegetais verdes e crus, gordura animal, pastagens verdes e fenos. Entretanto, durante o armazenamento e conservação dos alimentos, o teor de tocoferol diminui, como é o caso dos fenos e silagens.
A vitamina E pode ser administrada pelas vias oral (em pó adicionada as rações) e parenteral (injetável), na composição em suplementos múltiplos orgânicos.
As suas funções fisiológicas são: proteção da membrana dos eritrócitos, prevenção da degeneração muscular e necrose hepática, promoção da síntese de hormônios gonadotróficos e adrenocorticotróficos.
Quanto a sua relação com a imunidade, a vitamina E apresenta uma atividade imunomoduladora nos ruminantes e, funções imunológicas como a fagocitose, quimiotaxia e metabolismo oxidativo. Em altas doses, possui uma atividade anti-infecciosa.
A suplementação com vitamina E visa aumentar a concentração dessa vitamina no músculo para melhorar a estabilidade da cor da carne e impedir a oxidação dos lipídeos e, consequentemente, aumentar o prazo de validade das carnes frescas. A sua deficiência nutricional leva à morte e reabsorção embrionária, degeneração de retina, hemólise de eritrócitos, bem como afeta a biossíntese de prostaglandina.
A influência da vitamina E na da qualidade da carne
Vários estudos relataram os resultados da suplementação da vitamina E sobre a melhoria da qualidade da carne e aumento do prazo de validade.
Um grupo de pesquisadores analisaram o efeito da suplementação da vitamina E sobre a qualidade da carne, desempenho e capacidade antioxidante de carne de touros em terminação. Dois grupos de animais foram analisados. Um grupo com dieta suplementada com VE e outro grupo não suplementado com VE. Ao analisar os resultados, os autores verificaram um aumento significativo do ganho médio diário (GMD) dos animais tratados com VE, sendo que a carne dos animais abatidos em comparação ao grupo controle, apresentou uma diminuição significativa da perda de água por gotejamento, maior maciez e vermelhidão, sugerindo uma melhor qualidade da carne dos animais tratados.
Velazco (2021)5 analisou um lote de 12 animais mestiços confinados, suplementados com dietas em VE (2.200 UI) por cabeça, durante 100 dias em comparação com o grupo controle (sem suplementação com VE). Ao final, o autor analisou as carnes (lombo) do lote dos animais tratados, em que a carne foi maturada úmida ou seca por 42 dias. O autor observou também que as carnes envelhecidas a úmido e a seco do grupo controle, descoloriram mais rápido em relação ao grupo tratado com VE, que apresentou vermelhidão maior por períodos mais longos (seco e a úmido). A pesquisa indica que a alimentação com altas doses de VE, reduz a oxidação lipídica e melhora o sabor e a aparência da carne.
Ao concluir o artigo, evidenciou-se a importância da suplementação da vitamina E para a melhoria da qualidade da carne no que concerne a cor, sabor, odor e maciez, oferecendo um produto que atende às exigências tanto do mercado interno quanto externo.

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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.
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Fundesa-RS adia início da cobrança de taxas sobre rebanhos por instabilidade em sistema
Emissão de boletos foi suspensa após identificação de problemas técnicos. Nova data para o início da arrecadação ainda não foi definida.

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) adiou o início da arrecadação das taxas incidentes sobre a existência de animais declarados na Declaração Anual de Rebanho. A cobrança estava prevista para começar na quarta-feira (15), mas foi suspensa devido a instabilidades técnicas no novo sistema de emissão de boletos.

Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira
Segundo o Fundesa-RS, os problemas identificados impedem, neste momento, a operacionalização do processo de arrecadação junto aos produtores rurais.
Em nota, o fundo informou que a equipe técnica e os responsáveis pelo processamento das informações fornecidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) trabalham em caráter prioritário para corrigir as inconsistências do sistema.
Nova data ainda não foi definida
De acordo com o Fundesa-RS, o objetivo é restabelecer o funcionamento da plataforma de forma que a arrecadação ocorra com transparência, agilidade e segurança jurídica para os contribuintes.
Até o momento, não foi divulgada uma nova data para o início da cobrança. O fundo informou que o cronograma atualizado será comunicado pelos canais oficiais da instituição e também pelas entidades que integram o Fundesa-RS, assim que o sistema estiver plenamente operacional.



