Suínos
A importância dos níveis adequados de inclusão do plasma spray dried em dietas de creche
Pesquisas demonstram que “dietas de menor custo”, formuladas para atender às exigências nutricionais mínimas, com ingredientes de menor digestibilidade, podem não fornecer o valor nutricional ideal suficiente para atender às necessidades de crescimento e saúde dos suínos.

O uso de plasma spray dried (SDP) em dietas ajuda os suínos a ter um desempenho e condição de saúde melhoradas em todas as fases da suinocultura como na creche, em matrizes, na gestação e lactação, bem como no crescimento e na terminação. Independente do cenário, é de extrema importância utilizar o SDP com inclusão correta, nas dietas de cada fase, a fim de obter o máximo desempenho e benefício econômico para o produtor.
Pesquisas demonstram que “dietas de menor custo”, formuladas para atender às exigências nutricionais mínimas, com ingredientes de menor digestibilidade, podem não fornecer o valor nutricional ideal suficiente para atender às necessidades de crescimento e saúde dos suínos. Também, podem ser menos palatáveis e/ou conter fontes de proteínas menos digestíveis. Por outro lado, as dietas mais complexas e que exigem maior investimento, formuladas para conter níveis adequados e equilibrados de nutrientes e aminoácidos digestíveis, juntamente com níveis apropriados de proteínas funcionais, como o plasma spray dried, ajudam os animais a superar os desafios que são comumente enfrentados, como o estresse pós-desmame, que gera redução do consumo e crescimento, aumento de diarreia e processos inflamatórios. Essas dietas permitem que os leitões tenham um ótimo desempenho inicial e uma fase de terminação eficiente, saudável e rentável.
Em situações de mercado em que a suinocultura pode passar por períodos de instabilidade com o aumento do custo dos ingredientes, preços baixos do suíno e a necessidade de recuperação de margens, as empresas pensam em diminuir a inclusão do plasma, o que pode representar um risco. Inclusões inadequadas de SDP podem não gerar o efeito na saúde dos suínos que justifica o uso do plasma, sendo ineficaz para melhorar a rentabilidade do produtor. Em períodos de crise, as empresas que reduzem a inclusão de plasma na primeira dieta para 2,5% não estão aproveitando os benefícios que o ingrediente pode proporcionar. Isso ocorre pois 2,5% não é suficiente para promover melhoras na saúde dos animais e gerar o efeito “plasma” demonstrado na Figura 1. Por isso é importante utilizar a inclusão adequada do SDP para prover uma nutrição que promova bons resultados.
Para auxiliar a nortear a inclusão adequada de plasma, pesquisadores estudaram o impacto de diferentes inclusões de SDP e seus efeitos no desempenho dos animais até o abate como apresentado na Tabela 1. Foi observado que maiores inclusões de SDP na dieta de creche aumentaram o peso vivo (PV) na saída de creche e ao abate com um aumento máximo de peso final (PVF) para suínos alimentados com 0,311 kg de plasma por suíno durante a fase de creche. Neste mesmo trabalho os autores verificaram que todos os grupos que receberam plasma nas dietas de creche apresentaram menor índice de pneumonia (P<0,01), demonstrando o impacto sistêmico do ingrediente.
Além disso, outros estudiosos observaram que a suplementação com plasma “top dressing” em dietas pré-iniciais nos primeiros 14 dias com 13 g de plasma e 7 g durante 15-28 dias de plasma por leitão por dia, respectivamente, após o pós desmame, melhorou a eficiência de crescimento, proporcionando uma diferença de 1,6 kg para os animais com plasma aos 80 dias de idade (P<0,01), demonstrando ser uma excelente ferramenta nutricional para recuperar leitões desmamados leves.

O efeito do tratamento sobre o peso médio por idade foi ajustado pela covariância do peso aos 21 dias de idade. Controle vs SDP D49 e D 80, P<0,01.
Conclusão

Luís Rangel – Foto: Divulgação/APC
Em resumo, não existe uma recomendação única de inclusão de plasma para todas as granjas. É necessário avaliar o contexto econômico do mercado, levar em conta a estratégia de nutrição, conhecer as necessidades dos produtores e os desafios sanitários que as granjas estão enfrentando. Apesar disso, de forma geral, estudos e resultados de campo demonstram que o plasma deve ser utilizado em inclusões da ordem de 6%, 5% e 1,5% nas primeiras três dietas/semanas de creche para obter um ótimo efeito econômico e na saúde dos animais. A utilização de inclusões muito inferiores a isso pode gerar resultados insignificantes ou com apenas benefícios a curto prazo que não são mantidos ao longo da vida do animal. Quando utilizado no nível adequado, o plasma se configura como um importante ingrediente rentável, com benefícios que vão além da nutrição, e impacta a lucratividade do produtor.
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Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.





