Avicultura
A importância dos ingredientes para a qualidade da ração e produtividade das aves
Os efeitos negativos que as variações bromatológicas poderão exercer sobre o resultado zootécnico ou econômico, se não controlados, são a divergência entre o que foi definido na formulação e o que chega realmente à boca do animal.

À medida que avançamos em direção a uma produção avícola mais produtiva, eficiente, rentável e sustentável, garantir a qualidade dos ingredientes utilizados nas rações para as aves é crucial. Podemos justificar facilmente a importância que as empresas devem ter quanto à qualidade das matérias-primas em três esferas básicas. Econômica, sanitária e desempenho técnico.
Econômica: nesta esfera temos um efeito direto, que é o quanto a empresa paga a mais ou a menos pela qualidade do que coloca em suas fábricas de rações e, para isso, é fundamental o alinhamento entre o setor de nutrição e suprimentos de uma empresa. Pelo lado da nutrição, é importante definir e esclarecer as especificações técnicas de cada ingrediente, respeitando não somente as exigências dos animais, mas também o mercado de cada insumo para não inviabilizar economicamente o negócio por conta de padrões impraticáveis. Já pelo lado do setor de compras, cabem aos responsáveis entender integralmente a importância do que está em jogo e seguir o que deve ser mutuamente acordado com a área de nutrição em seus contratos de compra. Tratando-se do efeito indireto, porém não menos importante, existe a interferência negativa ou positiva que a qualidade da matéria-prima pode exercer sobre o resultado zootécnico. Todos os envolvidos e ligados à cadeia de produção animal sabem o quão dependente é o resultado financeiro do resultado técnico e à medida que a ração encarece – cenário vivenciado nos últimos anos – a interferência, por exemplo, da conversão alimentar sobre o custo de produção é ainda maior.
Sanitária: esta esfera está em evidência nos últimos anos, devido a acontecimentos como a Covid-19, que nos ensinou muito sobre a importância da saúde, bem como o medo da Influenza Aviária atingir (o plantel comercial) do Brasil, o que tem tirado o sono de profissionais ligados à avicultura, bem como o impacto técnico comercial ocasionado pela Salmonela, principalmente para as empresas que atuam no mercado de exportação. Fatos como estes apenas deixam claro que, sem o adequado controle da sanidade, nenhum produtor ou empresa produzem bem e nenhum país poderá ser considerado uma referência mundial em um determinado negócio ligado à produção animal. Além de diversos outros fatores, o que coloca o Brasil em evidência na cadeia de produção de proteína animal é a qualidade do status sanitário de sua produção. Portanto, mais que evitar a má qualidade dos ingredientes, garantir que os animais tenham acesso a um alimento de qualidade é premissa básica para manutenção da performance em patamares profissionais.
Desempenho zootécnico: o efeito da qualidade do alimento está diretamente ligado a esta terceira esfera por diferentes vias. A primeira dela remete à esfera anterior, que também está ligada aos prejuízos na performance produtiva dos animais que uma matéria-prima contaminada microbiologicamente poderá gerar, prejudicando sanitariamente os animais e, assim, os índices zootécnicos dos planteis. Além disso, outros fatores intrínsecos à qualidade do ingrediente, tais como a estabilidade oxidativa, contaminação de micotoxinas, deficiência de processamento, fatores antinutricionais e outros, podem afetar direta e/ou indiretamente a performance zootécnica e, ao contrário de uma variação bromatológica do ingrediente, os nutricionistas não conseguem corrigir ou compensar os efeitos da falta de controle destes parâmetros. Os efeitos negativos que as variações bromatológicas poderão exercer sobre o resultado zootécnico ou econômico, se não controlados, são a divergência entre o que foi definido na formulação e o que chega realmente à boca do animal.
Garantia de qualidade do alimento

David Toledo, zotecnista gerente de produto aves na De Heus Brasil
Existe um canal muito estreito entre cada uma destas esferas, ou seja, os pontos negativos e positivos atrelados a cada uma delas afetará toda a cadeia, consequentemente. Em resumo, temos motivos de sobra para afirmar o elevado grau de importância que a qualidade das matérias-primas exerce sobre a produção de qualquer espécie animal.
Como podemos ver, a qualidade da matéria-prima utilizada na alimentação animal é um tema muito relevante e técnico. Não podemos simplesmente definir um ingrediente como de qualidade, mas sim garantir que o alimento apresente a qualidade necessária para que uma atividade tão importante como a produção de proteína animal seja sustentável, técnica e economicamente viável.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.



