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A importância do Cálcio para vacas no período de transição

Cálcio é fundamental e está envolvido de forma direta ou indireta em diversos processos fisiológicos do organismo

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Artigo escrito por Eduardo Henrique de Castro Rezende, médico veterinário e coordenador de Marketing e Produção Técnica da J. A. Saúde Animal

Todas vacas leiteiras, independente do seu volume de produção, passam por um período crítico comumente denominado Período de Transição. Esse período compreende as três semanas pré-parto e as três semanas pós-parto, marcado por importantes alterações físicas, hormonais e fisiológicas associadas ao parto, lactação e crescimento fetal. A hipocalcemia é uma das mais importantes alterações desse período, caracterizada pelas baixas concentrações plasmáticas de Cálcio.

O Cálcio é fundamental e está envolvido de forma direta ou indireta em diversos processos fisiológicos do organismo, como contração muscular, transmissão de impulso nervoso, bom funcionamento do sistema imunológico do animal, entre outros. A deficiência desse mineral deixa o animal mais suscetível a doenças do periparto, como metrite, mastite e retenção de placenta, uma vez que o sistema de defesa se apresenta debilitado e a contratilidade muscular diminuída. Segundo um estudo realizado na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, vacas com hipocalcemia têm 5,4 vezes mais chances de ter mastite clínica, 7,2 vezes mais de distocia e 5,7 vezes mais de sofrer retenção de placenta do que os animais normais.

O grande motivo da influência do Calcio na ocorrência de determinadas doenças é sua relação na eficiência do sistema imunológico do animal. O influxo desse mineral para dentro das células é essencial na sinalização feita pelo organismo, atraindo as células de defesa para que elas possam atuar no local da infecção, impedindo que essa infecção prossiga e o animal adquira uma doença infecciosa, como por exemplo a mastite.

Problemas

Em vacas hipocalcêmicas, devido à debilidade imunológica associada à contaminação fisiológica do útero no pós-parto, a ocorrência de metrites é muito maior do que em uma vaca saudável. Em decorrência a essa metrite há ainda a predisposição dos animais a retenção de placenta. Segundo estudiosos, os macrófagos provenientes de vacas com metrite apresentam menor capacidade funcional, influenciando negativamente no desprendimento da placenta após o parto, visto que essas são as células responsáveis por essa ação no útero. A não eliminação da placenta até 12 horas após o parto caracteriza a enfermidade conhecida como retenção de placenta.

Contribuindo ainda mais com a incidência de retenção de placenta em vacas hipocalcêmicas, podemos citar a diminuição das contrações uterinas. Essas contrações são de suma importância para a eliminação dessa estrutura. Uma vez desprendida a placenta das carúnculas (estruturas que fixam a placenta no útero), há a necessidade de contrações musculares uterinas para sua expulsão, sendo que sem concentrações adequadas de Cálcio esse fenômeno não acontece.

Vale lembrar que as contrações de musculatura lisa são também necessárias para que haja a adequada motilidade intestinal. A hipocalcemia pode levar a uma diminuição do tônus muscular do trato digestório, comprometendo a função ruminal, o peristaltismo intestinal e a passagem da digesta. Esse distúrbio faz com que o animal tenha uma queda na ingestão da matéria seca, podendo posteriormente progredir para uma situação de balanço energético negativo.

Os distúrbios relacionados às contrações musculares podem interferir até na mastite. A deficiência de Cálcio pode levar a uma dificuldade de contração e fechamento do esfíncter muscular do teto, que associado à tendência das vacas hipocalcêmicas permanecerem deitadas por um período maior, e também por conta da queda da imunidade, as tornam mais predisponentes a infecções bacterianas na glândula mamária. Segundo estudo com mais de duas mil vacas, animais com hipocalcemia apresentam 8,1 vezes maior chance de desenvolverem mastite em comparação com vacas saudáveis.

Controle

Visto a importância do Cálcio para o funcionamento do organismo e desempenho produtivo e reprodutivo das vacas leiteiras, é muito importante que seja feito o correto controle e tratamento da hipocalcemia, utilizando um agente repositor de Cálcio. Para isso, os medicamentos de eleição são aqueles à base de Gluconato de Cálcio, sendo que sua administração intravenosa, na dose de 200mg/kg, leva a uma rápida recuperação do tônus da musculatura esquelética e da musculatura lisa do trato gastrintestinal. Vale lembrar que a administração intravenosa deve ser lenta, não ultrapassando a velocidade de 1g/min pois, do contrário, pode resultar em uma arritmia fatal.

Dietas

Adicionalmente o uso de dietas adequadas no pré-parto também são essenciais para evitar o decréscimo acentuado de Cálcio nesse momento. Estudiosos apontam que o uso de dietas aniônicas, ou seja, dietas mais ácidas, favorecem a ação do paratormônio, que consequentemente irá mobilizar o Ca+ dos ossos para o sangue, aumentando a absorção intestinal e impedindo a excreção urinária desse mineral. Isso reduzirá as chances das vacas se apresentarem hipercalcêmicas no puerpério.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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