Bovinos / Grãos / Máquinas
A importância de suplementos minerais para bovinos
As combinações dos alimentos muitas vezes não são elaboradas para cumprir as exigências minerais como prioridade
Artigo escrito por Gustavo Cunha, gerente técnico da Allnova
O aumento da eficiência na produção de bovinos no Brasil está incondicionalmente relacionado à melhoria das condições de alimentação, sendo a suplementação uma das alternativas mais práticas para adequar suprimento de nutrientes as exigências dos animais. Na grande maioria dos sistemas de criação de bovinos, à pasto ou em sistemas intensivos, os animais consomem dietas que não são suficientes para atender as necessidades adequadas de minerais. O fato é que as combinações dos alimentos muitas vezes não são elaboradas para cumprir as exigências minerais como prioridade.
Nos trópicos existe elevada flutuação qualitativa e quantitativa das pastagens, o que resulta em ganhos de peso no período das águas e perda de peso no período seco, com duas estações bem definidas no Brasil central. A sazonalidade é a principal causa da baixa produção bovina nos trópicos, promovendo inadequação no atendimento das exigências nutricionais dos animais.
Desta forma, as exigências minerais podem se tornar limitantes para o máximo desempenho produtivo e/ou reprodutivo esperado. Dependendo do níveis de minerais encontrados nas pastagens, podem ocorrer deficiências minerais severas, com aparecimento de sintomas característicos, ou ainda deficiências leves e marginais, com sintomas não específicos como desenvolvimento lento, baixa produção de leite, baixos índices de fertilidade, entre outros índices zootécnicos de grande importância na pecuária.
Os minerais desempenham funções essenciais para o organismo dos animais. Sendo componentes estruturais dos tecidos corporais, atuam nos fluídos corporais como eletrólitos de manutenção do equilíbrio ácido-básico, da pressão osmótica, da permeabilidade das membranas celulares e ainda como catalisadores de processos enzimáticos. Ou seja, de uma forma geral, os minerais são importantes em todas as atividades do organismo animal.
Os níveis de suplementação mineral em bovinos devem ser determinados com base nas exigências nutricionais, uma vez que quanto maior for a taxa de desenvolvimento e/ou produção, maior será a exigência por nutrientes.
Os suplementos minerais fornecidos usualmente possuem diferentes concentrações de macrominerais (cálcio, fósforo, enxofre, magnésio, potássio e sódio) e microminerais (zinco, cobalto, cobre, manganês, iodo e selênio). O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) determina que os valores dos minerais devem ser expressos em gramas por kg (g/kg) ou em miligramas por kg (mg/kg) para macrominerais e microminerais respectivamente. Porém, para o fornecimento adequado de minerais às diferentes categorias de bovinos, deve se ficar atento ao perfil de consumo das diferentes misturas minerais, uma vez que o que vai determinar o nível de suplementação, é a quantidade ingerida de determinada mistura. Em resumo, um produto com menores níveis minerais não significa necessariamente menor suplementação. E outro de maior concentração também não significa necessariamente maior suplementação. É necessário determinar o perfil de consumo e quantidade ingerida do suplemento mineral, para cada categoria animal, observando o atendimento às exigências nutricionais em determinados níveis de produção.
Um ponto de extrema importância no fornecimento de suplemento mineral para bovinos refere-se ao correto manejo de fornecimento e estrutura disponível para o suplemento mineral. Principais falhas:
– Quantidade de macro e microminerais versus perfil de consumo;
– Quantidade insuficiente de fornecimento (falha de manejo);
– Falha no dimensionamento de cocho;
– Localização dos cochos;
– Cobertura dos cochos;
– Falha na qualidade das misturas;
As principais falhas citadas são facilmente identificadas, havendo observação de profissionais de campo devidamente capacitados. Em resumo, a suplementação mineral de bovinos de corte e leite vem se tornando cada vez mais uma realidade em função dos níveis tecnológicos e de exigências nutricionais de animais com mérito genético e status sanitários cada vez mais superiores. De forma geral, o amplo conhecimento e facilidade na obtenção de informações tornou imperativo a suplementação mineral de bovinos. Segundo Valadares Filho, “uma das grandes aplicações do conhecimento de nutrição de ruminantes no Brasil foi a implantação da suplementação a pasto”, uma vez que produção de bovinos de corte e leite no Brasil passa obrigatoriamente pelo sistema de criação à pasto.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
