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A importância de fazer uma secagem de excelência

Período de secagem é extremamente importante para manter a saúde das glândulas mamárias durante toda lactação

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rodrigo Nunes, consultor Técnico – Bovinos – da Bayer

A mastite é responsável por grandes prejuízos na lactação do animal, e, consequentemente, prejuízos ao produtor. A doença pode se apresentar de duas formas, a clínica e a subclínica, podendo custar R$ 615 por vaca ao ano. Mais de 50% das infecções clínicas que ocorrem nos primeiros 100 dias de lactação têm sua origem no período seco anterior, quando as bactérias conseguem entrar no úbere, porém a doença só se manifesta após o parto, durante a lactação.

O período de secagem é extremamente importante para manter a saúde das glândulas mamárias durante toda lactação. É um período estabelecido de 45 a 60 dias antes do parto, onde a glândula mamária passa por uma involução completa por influência hormonal, reiniciando a síntese do leite após o parto. A adoção de medidas de controle neste período é estratégica, pois é uma excelente oportunidade para o tratamento de infecções intramamárias existentes no momento da secagem. As taxas de cura destas infecções podem chegar a 70-90%. O tratamento de secagem também auxilia na prevenção de novas infecções durante o período seco, reduzindo cerca de 80% das novas infecções, além de reduzir a incidência de mastite clínica no pós-parto imediato.

Alguns cuidados com a vaca devem ser tomados no pré-parto. Estes animais possuem exigências especificas de conforto, como sombras, lotes bem divididos, espaço de cocho adequado, ambiente limpo e seco, controle sanitário, nutrição, fácil acesso a água limpa e fresca. É importante sempre avaliar o escore corporal dos animais, fator determinante na sanidade e produção.

O período seco é dividido em 3 fases:

 Fase 1: Involução ativa 

É a fase onde acontece a interrupção da ordenha no início do período seco. O leite se mantém no interior das cisternas e glândulas mamárias, aumentando o risco de crescimento bacteriano. Além disso, acontece a dilatação do esfíncter do teto, facilitando a entrada de microrganismos. Neste momento a capacidade de defesa imunológica da glândula mamária está baixa devido ao estresse sofrido, e pode acontecer uma possível introdução de bactérias durante o tratamento de secagem do animal.

Fase 2: Involução constante

Durante o período entre o final da 3ª semana de secagem até o 15° dia antes do parto, a quantidade de leite presente na glândula mamária é muito baixa, há pouca chance de penetração bacteriana ascendente e a concentração de anticorpos é alta, diminuindo o risco de infecções.

Fase 3: Colostrogênese

Nos 15 dias que antecedem o parto, a produção de colostro aumenta a pressão na glândula mamária, ocasionando risco maior de mastite clínica e subclínica no início da lactação. Em 3 a 5% dos animais acontece a dissolução do tampão do teto, que é uma importante barreira de proteção contra a entrada de microrganismos. Neste momento o antibiótico usado na secagem já possui pouca ação, e a imunidade está afetada devido às alterações metabólicas do parto.

Protocolo de tratamento

O protocolo de tratamento de vaca seca é essencial em animais leiteiros. No entanto, apesar do uso de antibióticos na secagem, aproximadamente 52% dos casos de mastite clínica causados por coliformes ocorrem em quartos mamários que foram infectados durante o período seco. Boa parte destas infecções ocorre porque a maioria dos antibióticos de secagem possuem ação antimicrobiana nas fases 1 e 2 do período seco, porém com eficácia reduzida na fase 3, que antecede o parto.

O selante interno de tetos é a principal ferramenta de prevenção de mastite no período seco aplicado em vacas leiteiras no momento da secagem. Consiste em um mecanismo que promove uma barreira mecânica impedindo entrada de microrganismos, auxiliando naturalmente na profilaxia da mastite.

Estudo

Em um estudo recente um pesquisador demostrou que o selante aplicado em associação com antibióticos de secagem reduziu em 48% o risco de mastite clínica na lactação subsequente, em comparação com vacas que receberam apenas o antibiótico intramamário. O grupo que utilizou selante apresentou uma redução significativa na Concentração de Células Somática (CCS) na lactação seguinte, comparado ao grupo controle. O grupo controle apresentou novas infecções e um maior índice de cronicidade no período inicial da lactação, mostrando que o selante, por promover uma barreira mecânica, faz com que o antibiótico tenha uma ação efetiva durante todo período de secagem, o que proporciona maior taxa de cura de animais crônicos. Também podemos ver neste estudo os benefícios que o selante pode trazer na secagem de novilhas: a utilização de selantes em novilhas aproximadamente 30 dias antes do parto diminuiu o risco de infecções intramamárias causadas por Streptococcus uberis e também o risco de mastite clínica até o 14º dia de lactação.

Devemos seguir alguns cuidados no momento da secagem para minimizar o índice de mastites, o que inclui a adequada assepsia durante o procedimento de secagem, higiene de ordenha e das instalações, sanidade geral do rebanho e monitoramento e manejo das vacas, particularmente durante os períodos de maior risco. Após a execução deste protocolo, suspender a ordenha e dar início ao manejo de período seco (nutrição, lotes, controles sanitários e antiparasitários).

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Fonte: O Presente Rural
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Etanol de milho: realidade e projeções no Brasil

Com produção de 845 milhões litros, etanol de milho vem ganhando mais espaço no território nacional; Mato Grosso tem ganhado investimentos nesse sentido

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Arquivo/OP Rural

O milho tem sido neste ano a menina dos olhos do produtor brasileiro. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu último levantamento divulgado em setembro, a produção do milho primeira safra foi de 26,2 milhões de toneladas. Já o de segunda safra, a safrinha, está estimado em 73,8 milhões de toneladas (100 milhões de toneladas nas duas safras). Mas se engana quem pensa que toda esta produção está sendo utilizada somente para exportação e produção de ração para proteína animal. Nos últimos anos, um novo empreendimento vem ganhando força em território nacional: o etanol de milho.

Cada vez mais relevante no cenário nacional, o milho já é responsável pela produção de cerca de 1,4 bilhão de litros do etanol total produzido no país, somando-se anidro e hidratado. Os dados foram coletados pela Conab e divulgados em maio junto com o 1º Levantamento da Safra 2019/2020 de cana-de-açúcar. É a primeira vez que a companhia lança dados do etanol de milho.

Segundo o estudo, o Estado que mais produz etanol de milho é o Mato Grosso, seguido por Goiás e Paraná. “Existe a perspectiva de surgirem novas unidades de produção, porque outros Estados já estão investindo para iniciar sua produção nos próximos anos”, afirma o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Guilherme Bastos. “Entre as vantagens do milho em relação à cana, está o fato de o Brasil ser um dos maiores produtores do grão. E vale lembrar que o produto final é o mesmo”, diz.

Atualmente, são nove usinas operando no Brasil, sendo oito flex, ou seja, que produzem tanto etanol de milho quanto de cana, informa o diretor da Innovatech e engenheiro florestal, Robinson Cannaval. “Essas usinas estão localizadas nos Estados do Mato Grosso (cinco), Goiás (duas), no Norte do Paraná (uma) e em São Paulo (uma). As usinas no Mato Grosso se concentram no Norte do Estado e foram instaladas entre 2012 e 2018”, explica.

Ele informa que, em 2018, 5% de toda a produção de milho do Mato Grosso foi voltada para a produção de etanol. “E a tendência é o crescimento. Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), atualmente são produzidos 845 milhões litros de etanol de milho no país e a expectativa para os próximos cinco anos é que tenhamos 15 indústrias e uma produção de 3,5 a quatro bilhões de litros”, conta.

Diferenças entre etanol de milho e de cana-de-açúcar

Segundo Cannaval, a produção é viável no país, entretanto, é necessário conhecer as condições de produção de milho e os custos de matéria-prima na região em que se deseja trabalhar. “Atualmente, o excedente de grãos de milho no Mato Grosso é um atrativo. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA –2018), o preço da saca de milho está entre R$ 30 e R$ 33, e o ponto de equilíbrio do milho para a usina tem variação de R$ 26 até R$ 36”, explica.

Além do mais, o profissional diz que a utilização do milho na produção de etanol se torna interessante por motivos como o período de entressafra da cana, onde não há utilização das usinas, e o DDG (dried distillers grains), subproduto da cadeia do etanol de milho, que é utilizado como fonte proteica na alimentação animal. E citando a cana, Cannaval esclarece que comparando a produção de etanol de milho com o de cana, o de milho não é mais viável e barato se excluir da análise os subprodutos. “Para cada hectare dessas culturas, a cana-de-açúcar produz cerca de 2,9 vezes mais etanol do que o milho. Ainda, em média, um litro de etanol de milho custa para produção R$ 0,10 a mais do que o equivalente de cana”, conta. O profissional menciona ainda que, em média, para cada tonelada de milho são produzidos cerca de 407 litros de etanol, segundo dados da Embrapa.

Cannaval expõe que, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), de modo comparativo, o custo para se produzir um litro de etanol a partir do milho é de R$ 1,23, sendo maior do que a produção de um litro de etanol de cana-de-açúcar (R$ 1,13). “Essa diferença de R$ 0,10 é referente às etapas de produção de etanol, que no caso do milho são maiores, enquanto na cana-de-açúcar o processo é direto. Com relação aos impostos, a diferença na produção dependerá de Estado para Estado da Federação”, informa.

O profissional ainda esclarece que como este se trata de um negócio relativamente recente no país, é importante que as análises que antecedem a decisão de investimento, quer seja na produção de milho ou na indústria, sejam muito bem conduzidas para uma correta decisão de retorno sobre o investimento e riscos associados.

Etanol X nutrição animal

A produção brasileira de milho ascendendo a cada ano faz com que a produção do etanol seja viável. Mas uma dúvida que pode surgir na cabeça do produtor é sobre a possibilidade de “faltar” o grão ou mesmo elevar os preços e assim impactar na produção de proteína animal. “No caso da pecuária é necessário um cálculo do balanço proteico e custos de entrega da proteína. Na produção do etanol de milho temos como um dos principais subprodutos o DDG, que já é utilizado como substituto de outras fontes proteicas na alimentação animal para a pecuária”, explica.

Cannavel esclarece que, dessa forma, propriedades com pecuária e localizadas próxima a usinas de etanol de milho devem receber fonte proteica com um custo mais competitivo. “Por outro lado, no caso da proteína animal, suínos e aves, uma maior demanda de milho para as usinas de etanol pode impactar o custo de fabricação de rações a depender do contexto regional, uma vez que o milho é um importante componente na fabricação de rações para suínos e aves”, menciona.

Mercado em ascensão

Cannaval comenta que este é um mercado que ainda pode ser explorado no país. “Em Estados onde há muita oferta de milho e baixo preço do grão, como o Mato Grosso, a produção de etanol é uma opção para projetos de aumento de valor agregado”, diz. Além disso, acrescenta, estados com grandes áreas plantadas de milho e cana, como o Mato Grosso do Sul e Goiás, são opções interessantes para a adoção de usinas flex, tendo em vista o mercado de DDG e as longas distâncias para transporte dos grãos.

Como citado pelo profissional, o Mato Grosso é um Estado com grande produção de milho e assim grande potencial para produção de etanol. Muitos já perceberam isso e, Sinop, cidade a aproximadamente 500 quilômetros da capital Cuiabá, irá ganhar a maior usina de etanol de milho da América Latina. O projeto é encabeçado pela Inpasa Agroindustrial, que já possui outras duas plantas em funcionamento e que iniciou suas atividades em 2008. O investimento é de mais de R$ 500 milhões. Atualmente, nas duas fábricas são processadas 3,6 mil toneladas de milho por dia, produzidos 1,5 milhão de litros de etanol e mil toneladas de DDGs por dia.

“A usina de Sinop é um projeto interessante. O Estado do Mato Grosso é o líder da produção nacional do grão e apresenta boas condições para a planta, como o baixo preço do milho no contexto atual. Acredito que terá um impacto positivo no país”, avalia Cannaval. Ele acrescenta que o etanol de milho é, também, uma alternativa para ganhos de logística na região. “E o Norte do Mato Grosso é o principal ponto de expansão desta atividade nos próximos anos, de acordo com a Unem, com potencial de abastecer o Norte do país”, diz.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas BEA

É quase um spa para as vacas

Fazenda Iguaçu conta com estrutura que garante total bem-estar aos animais; ao lado fica o Laticínio Star Milk que produz produtos de primeira linha e distribui para mercados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo

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Francine Trento/OP Rural

O produtor de leite vem trabalhando, ao longo dos anos, para produzir um leite de melhor qualidade. Ao encontro disso, o próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento trouxe nos últimos meses novas Instruções Normativas que detalham os procedimentos necessários para alcançar essa qualidade. Porém, existem produtores que já estão à frente nesse processo e já trazem ao consumidor produtos feitos com leite de primeira. Este é o caso da Fazenda Iguaçu, que desde 1999 se preocupa com estas questões de oferecer ao consumidor produtos de alta qualidade.

São diversos os fatores que garantem um leite de melhor qualidade produzido na Fazenda, que está localizada em Céu Azul, do Oeste do Paraná. Atualmente, o local conta com aproximadamente 600 animais em ordenha e outros quase 500 entre novilhas, vacas e bezerras. Estes animais produzem uma média de 21 mil litros de leite por dia, que são destinados ao Laticínio Star Milk. Laticínio esse que produz alimentos como queijos, requeijão e ricota, com maior valor agregado, que são distribuídos para quase todo Paraná, além de municípios de Santa Catarina e São Paulo. 

O sócio proprietário da fazenda e laticínio, Mário Sossella Filho, o Marinho, informa que desde o início foi buscado ter um produto de melhor qualidade. “Desde que a fazenda começou com um volume mais expressivo de leite, em 1999, nós sempre visamos a qualidade do produto”, diz. Ele afirma que entre os cuidados que sempre foram tomados para obter bons resultados foram o bem-estar animal, saúde das vacas, conforto e nutrição de qualidade. “Se você tem uma vaca sadia, que não usa antibióticos, e oferece todo o conforto que ela precisa, você terá bons resultados”, garante.

Marinho conta que alguns pontos são sempre buscados na fazenda, como ter animais sadios, controle de vacinas, máximo conforto, nutrição da melhor qualidade, entre outros. “A hora que você dá todos estes quesitos, principalmente conforto, você recebe isso de volta na questão de volume de leite que elas produzem e, principalmente, em qualidade”, comenta.

Ele explica que tudo depende de como uma novilha é criada no início. “Se ela fica doente nos primeiros 60 dias de vida, com alguma doença complicada como pneumonia, diarreia ou infecção, ela vai ter problemas ao longo da vida dela”, afirma. Ele lembra que logo no início, quando começaram a produção, eles sofreram bastante por questões como esta, especialmente pelo fato da fazenda estar localizada em uma região bastante quente. “Foi a partir dai que começamos a investir em túneis de vento, para estancar o calor, além dos ventiladores e chuveiros, para proporcionar aos animais o melhor conforto térmico”, conta.

Outro ponto essencial para conseguir esta alta qualidade do leite e valor agregado aos produtos é a rotina que proporcionam aos animais. “A vaca gosta de rotina. Ela não gosta que fiquem mudando-a de lugar, misturando novilha com vacas novas e velhas, que não tenha um horário fixo para a ordenha. Quanto mais rotina você der aos seus animais, mais sucesso no volume que elas expressam de leite”, garante.

Tecnologia de ponta auxilia em melhores resultados

Segundo Marinho, na fazenda é utilizado um sistema de ordenha automática. “É um ordenha muito higiênica e limpa, onde permite reduzir o número de células somáticas, de infecção por mastite e, até mesmo, auxilia na questão da reprodução”, comenta. Além do mais, são somente 10 minutos que os animais ficam na ordenha, o que facilita muito o trabalho.

Outro detalhe que ajuda bastante, de acordo com Marinho, é o fato de todas as vacas contarem com um pedômetro na pata. “Ele faz o registro de toda a vida da vaca, de quando nasceu, quantas crias teve, quando criou, quando teve mastite, se perdeu um teto, se teve problema de casco. É a ficha técnica dela”, informa. De acordo com ele, quando a vaca fica doente, é este equipamento que ajuda a detectar qual vaca está usando antibiótico e qual não está. “Até mesmo no momento da ordenha elas são separadas, sendo que de um lado ficam as vacas saudáveis e do outro ficam as que estão sendo medicadas”, conta. O sócio proprietário informa que é bastante difícil acontecer erros neste processo. Além disso, acrescenta que estas tecnologias utilizadas ajudam bastante na gestão da fazenda, mas, principalmente, na mão de obra.

Bem-estar é prioridade

Marinho explica que como a fazenda está localizada no Oeste do Paraná, uma região bastante quente, todo o necessário é feito para proporcionar aos animais total bem-estar animal. Isso é percebido nos mínimos detalhes na propriedade. Após a ordenha, por exemplo, é respeitado o tempo da vaca para sair do local e dar espaço para a próxima. Porém, se os funcionários verem a necessidade, “chamam a atenção” dos animais. Mas, isso não acontece com gritos, falação ou “pequenos tapas” na bunda dos animais, mas sim com assovio. Tudo isso, com o intuito de diminuir ao máximo o estresse dos animais. Menos estresse, segundo Marinho, significa mais leite e mais qualidade.

Todos os animais são criados no sistema free stall para garantir máximo conforto. E para assegurar que os animais não passem calor, o local conta com ventiladores e pequenos “chuveiros” que servem para molhar as vacas. “Isso ajuda muito, porque a vaca que sente calor vai gastar energia para tentar manter a temperatura do corpo. Aquela energia que ela usaria para produzir leite vai ser direcionada para outra função. Assim, com todo esse aparato para auxiliar elas no combate do calor, a energia que elas possuem é utilizada somente para produzir o leite”, conta Marinho.

Além do mais, as vacas que dão mais leite, tem um conforto a mais. Aquelas que tem altas produtividades diárias contam com um espaço diferenciado para ficar. É um galpão separados, onde elas têm uma espécie de ar-condicionado, com a temperatura controlada o tempo inteiro. O local é tão bem refrigerado, que ali, os animais não têm necessidades dos “chuveirinhos” para se refrescar.

E assim como no outro local, as vacas têm um amplo espaço para caminhar, deitar e comida à vontade. Para garantir total limpeza aos animais, o momento da ordenha é utilizado para limpar e trocar alimento e serragem para elas se deitarem.

O objetivo com tudo isso, segundo Marinho, é garantir que as vacas tenham o menor nível de estresse possível. “Porque as vacas têm um efeito retardo. Se algo acontece com elas hoje ela só vai mostrar os efeitos disso depois de 30 ou 60 dias. E isso é um problema para nós, porque o que pode acontecer com elas são problemas no casco, perda da fertilidade, entre outros. E tudo isso, no longo prazo, significa também queda na produção”, afirma.

Marinho reitera que detalhes como uma dieta boa e balanceada, água limpa e saudável, chuveiro e ventilação são coisas importantes para garantir bem-estar e maior produtividade com mais qualidade. “Além disso, é preciso ter o controle sanitário perfeito para poder ter a compensação quanto aos cuidados”, diz.

O proprietário afirma que não é preciso muito para atender as necessidades de uma vaca. “Elas só precisam ter a ordenha perto, estar sempre bem alimentadas e ter água limpa e fresca”, informa. Ele conta que na fazenda as vacas são tratadas cinco vezes ao dia. “Sempre uma alimentação fresca. Nunca deixamos de um dia para o outro e tiramos as sobras em seguida. São métodos que aplicamos e que vemos que também são feitos em locais como os Estados Unidos e na Europa”, conta. Marinho reitera que o animal gosta é de ser bem tratado. “Se isso acontecer, ele te dá em retorno, em quantidade e qualidade”, assegura.

Laticínio Star Milk

O leite de alta qualidade produzido na Fazenda Iguaçu tem destino certo: o Laticínio Star Milk. Oficialmente inaugurado em junho de 2018, o local conta com maquinários trazidos de países como Itália e Alemanha. O empreendimento é considerado um dos mais modernos do Brasil. Ali, foram investidos R$ 30 milhões.

A nova unidade processa 20 mil litros de leite por dia, produzidos na própria fazenda. O empreendimento tem estrutura preparada para alcançar uma meta de processamento de 180 mil litros de leite/dia, a serem transformados principalmente em queijos especiais, com previsão de distribuição em todo o território nacional. Com cerca de quatro mil metros de área construída, o laticínio tem toda sua produção inicial de queijos frescal, muçarela, prato e asiago, além de manteiga, nata e ricota, destinada aos mercados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Como a região não tem tradição na atividade, foram trazidos gerentes de produção e queijeiros de São Paulo e Minas, mas a maioria dos empregos está reservada a trabalhadores da região. “Uma das principais novidades é a produção do queijo de origem italiana, que cai muito bem na linha gourmet, é apropriado para sanduíches e vendemos em barra e fatiado”, relata Marinho.

Outro detalhe informado pelo sócio proprietário é quanto ao laticínio estar ao lado da fazenda. “Isso garante que a qualidade do nosso leite seja maior. Porque no momento em que extrai o leite da vaca, você só piora ele sem querer. Tirou da teta o leite perde qualidade, entrou na teteira é um meio de contaminação, passa pelos canos é outro, vai para o resfriador é outro meio, vai para o tanque é mais um meio de contaminação e no caminhão é outro. Dessa forma, como não temos um caminho longo que deve ser feito, não temos que passar de um caminhão para outro, isso garante maior qualidade ao nosso leite”, assegura.

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Fonte: O Presente Rural
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Raça Wagyu ganha espaço na produção de carnes nobres

Há mais de 10 anos Eraldo e o irmão Ricardo Zanella investem na raça Wagyu; preço do quilo da carne pode chegar a mais de R$ 200

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Acervo Pessoal

O pecuarista vem buscando, ao longo dos anos, oferecer ao consumidor um produto de melhor qualidade. Para isso, o que muitos estão buscando é oferecer aos animais uma melhor nutrição, bem-estar e manejo, além de investir na genética para alcançar resultados superiores e oferecer o melhor produto ao mercado. Os irmãos Eraldo e Ricardo Zanella levaram essa condição a um nível superior. Os dois investem, desde 2002, na criação do boi de raça Wagyu. De origem japonesa, a raça oferece uma das carnes mais nobres e saborosas do mercado. O quilo pode chegar a custar mais de R$ 200.

Atualmente, são 150 cabeças criadas na Agropecuária Zanella, que fica no município de Paim Filho, no Rio Grande do Sul. Segundo Eraldo, a história que iniciou a criação pelos irmãos é bastante curiosa. “Quando eu estava realizando um projeto de pesquisa no Mato Grosso na área de reprodução em colaboração com o professor doutor Jerry Reeves, da Washington State University de Pullman, dos EUA, ele comentou sobre a raça Wagyu e se eu não teria interesse de cria-la no Brasil”, diz. Ele conta que conheceu o professor em um congresso no início dos anos 1990, quando estava realizando a pós-graduação em Lincoln, Nebraska (EUA). “Eu sabia de sua paixão por esta raça, e mais que isso, de sua seriedade como criador”, comenta.

De acordo com o produtor, ele achou a raça bastante interessante, já que na época se falava pouco sobre o Wagyu no Brasil. “Cerca de dois meses depois recebi uma notificação que havia chegado um tanque de nitrogênio com material genético de Wagyu (sêmen) em Paranaguá, PR. Imediatamente organizei para utilizar em um grupo de fêmeas da propriedade de meu pai Ipenor Zanella, em Paim Filho”, informa. Ele explica que disso nasceram os primeiros animais cruzados. “Testamos a carne e, a partir daí, fomos investindo na raça, sempre com a parceria com o Jerry Reeves”, menciona.

Segundo Eraldo, a sociedade com o doutor Jerry, desde então, aumentou. “Meu irmão e sócio da propriedade, Ricardo Zanella, por intermédio do doutor Jerry, foi realizar pós-graduação na Washington State na área de genética. Desde então importamos material genético dos melhores touros em termos de marmoreio dos EUA, e disponíveis no mercado brasileiro, inclusive fêmeas para produção de embriões”, explica.

A diferença entre Wagyu e demais raças

Muitas são as curiosidades a cerca desta raça. Eraldo explica que o Wagyu é parecido com outras que existem no Brasil. O diferencial, segundo ele, é que os terneiros precisam de um cuidado especial, uma vez que as vacas têm pouco leite. “Além disso, os animais da raça Wagyu, diferentemente das outras raças de corte, não devem ser julgados pelo fenótipo, mas sim pelo genótipo”, alerta.

Além do mais, outras diferenças características do Wagyu são o baixo peso ao nascer. “Ou seja, facilidade de parto. Dificilmente você tem parto distócico nesta raça. Ideal para utilização em novilhas de primeira cria, inclusive no gado leiteiro. Além disso, comparado com algumas raças europeias, tem menor predisposição ao carrapato”, explica.

O produtor reitera que a genética é o principal fator para que esta raça produza uma carne de melhor qualidade. Mas isso aliado a uma nutrição adequada. Ele ainda comenta que como a produção é diferenciada, fazendo com que os valores no mercado sejam maiores, também os custos de produção da raça são diferentes. “Em comparação com animais de outras raças, gastamos mais que o dobro”, conta.

Produção e resultados

Um dos pontos essenciais em todas as raças bovinas é oferecer o melhor bem-estar animal para que a produção seja, então, de melhor qualidade. No Japão, de onde a raça é oriunda, os animais recebem pequenas regalias como massagem e até mesmo cerveja. Eraldo comenta que na propriedade isto não é praticado, porém o bem-estar é oferecido de outras formas. “Nós ofertamos aos animais qualidade de vida. No confinamento estamos alimentando-os com grãos de aveia e cevada. As vacas são criadas a campo, e deixamos os terneiros junto às mães até por volta dos 6-8 meses. O que oferecemos é o cuidado para com os animais e tratamento visando o bem-estar deles, evitamos qualquer estresse desnecessário”, informa.

Ele acrescenta que, além disso, na propriedade ainda é evitado o uso de cães no manejo com o gado e, sempre que possível, ele e o irmão caminham entre os animais para que não se assustem com pessoas. “Conseguimos assim fazer uma avaliação sem levar os animais na mangueira de forma desnecessária”, diz.

O Wagyu é abatido, em média, aos 30 meses, quando ele alcança os 650 quilos. Eraldo comenta que, ao nascer, o peso do animal é de 30 a 35 quilos, no desmame ele chega aos 200 quilos e no final da engorda fica entre os 500 e 550 quilos. “O rendimento dele chega, em média, aos 57%”, conta.

Para alcançar estes resultados eles empregam uma nutrição que permita ao animal desenvolver todo o seu potencial genético. O produtor informa que até os oito meses é oferecido Creep feeding com 24% de proteína, dos oito aos 14 meses eles ficam a pasto, dos 14 aos 22 meses recebem silagem de milho e ração 18% proteína e dos 22 aos 30 meses a alimentação é a base de aveia, cevada e pasto. “Em todas as fases é oferecido sal mineral a vontade para todas as categorias”, expõe.

Eraldo ainda comenta que ele e o irmão estão em formação de plantel. “Dessa forma, nosso maior interesse é ter uma maior variabilidade de genética. Utilizamos na maior parte do plantel protocolos de sincronização de cio IATF e TETF. Utilizamos nossas matrizes PO para produção de embriões, que são inovulados nas vacas do plantel geral”, conta.

Quilo pode chegar a mais de R$ 200

Uma característica desta carne é o valor de mercado. Segundo Eraldo, o que justifica o preço na prateleira é o sabor, uma vez que o Wagyu oferece um gosto característico devido ao marmoreio. “A gordura entremeada dos bovinos da raça Wagyu possui uma concentração de ácidos graxos insaturados (oleico e linoleico) maiores do que as de ácidos graxos saturados (Palmítico). Isto resulta em uma carne com maior concentração de HDL (Lipoproteína de alta densidade, conhecida como o bom colesterol) e uma menor concentração de LDL (lipoproteína de baixa densidade “mau colesterol”)”, explica.

Ele conta que o valor da carne de Wagyu com alto grau de marmoreio pode chegar a valores interessantes. “Na Franca, informação recente mostra que pode chegar a 240 euros o quilo”, informa. Para ele, existe um nicho de mercado interessante, mas que ainda precisa ser organizado no Rio Grande do Sul.

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Fonte: O Presente Rural
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