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Avicultura Saúde Animal

A importância da escolha da cepa para o sucesso no uso de probióticos

Principal benefício de um probiótico ao hospedeiro, pensando em avicultura, é garantir a saúde intestinal

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Artigo escrito por Camila Oro, coordenadora Técnico-Comercial da Cinergis Saúde Animal

Os probióticos são produtos naturais que estão em ascensão na cadeia avícola, principalmente pelo contexto de restrições no uso de antimicrobianos químicos, devido à pressão do mercado externo e do risco da resistência antimicrobiana aos princípios ativos, entre outros fatores.

Para que uma cepa de bactéria possa ser utilizada como probiótico, ela precisa passar por alguns critérios de avaliação:

O principal benefício de um probiótico ao hospedeiro, pensando em avicultura, é garantir a saúde intestinal, proporcionando melhores resultados zootécnicos e maior segurança sanitária. A saúde intestinal depende de três fatores principais:

  • Estrutura física íntegra, ou seja, adequado desenvolvimento e renovação da mucosa intestinal
  • Rápida e eficiente resposta do sistema imune associado ao intestino
  • Microbiota equilibrada

 

Compreendendo o efeito sistêmico da saúde intestinal

Novos estudos demonstram com frequência a relação da saúde intestinal com outros órgãos. Muitos mecanismos ainda são desconhecidos, mas o que já se sabe é que existem relações diretas e indiretas entre o equilíbrio da microbiota e a saúde sistêmica da ave.

  • Sistema vascular: o equilíbrio da microbiota pode proporcionar melhor desenvolvimento do sistema vascular do intestino e regular a pressão sanguínea;
  • Sistema adiposo: a eficiência na extração de nutrientes pelas bactérias probióticas possibilita aumento do comprimento de vilos, consequentemente, maior área de absorção de nutrientes e maior estoque energético, além da produção de ácidos graxos de cadeia curta que aumentam a disponibilidade de energia melhorando ganho de peso e
  • Tecido nervoso: o aumento de cortisol causa desequilíbrio na microbiota devido ao estímulo de produção de citocinas, à irregularidade da secreção de muco e ao aumento do peristaltismo. Além disso, alguns neurometabólitos produzidos por bactérias probióticas podem agir como neurotransmissores ou moduladores da neurotransmissão aumentando os níveis de serotonina e dopamina.
  • Tecido ósseo: a microbiota de forma indireta aumenta a reabsorção de cálcio ósseo pelos osteoclastos por meio do intermédio de células do sistema imune.

Compreendendo o microbioma intestinal das aves de produção

Na microbiota intestinal das aves de produção existem diversas bactérias que interagem entre si, controlando a densidade populacional e trabalhando de forma sinérgica com o hospedeiro. Essa interação intra e interespécies bacterianas é denominada Quorum sensing e se baseia em um sistema de comunicação por meio da emissão de estímulos e respostas. Desta forma, as bactérias que colonizam as aves não são inertes e sua modulação ocorre por diversos fatores, como:

  • Mudança na alimentação, rotina e ambiente
  • Doenças
  • Tratamentos químicos
  • Fatores estressantes

O desequilíbrio da microbiota possibilita a multiplicação de bactérias que resultam em risco sanitário e prejuízo econômico à indústria.

De forma natural, a microbiota se modifica durante a vida da ave, aumentando em diversidade e número. Fora isso, existem especificidades anatômicas e fisiológicas nos órgãos do trato digestório das aves e, consequentemente, diferentes espécies de bactérias colonizadoras. O entendimento da fisiologia e do microbioma do sistema digestório das aves é fundamental para escolher a melhor cepa probiótica.

Pontos-chaves para escolher a cepa probiótica:

  • Colonização precoce: a pouca diversidade de bactérias intestinais nos embriões ou pintinhos recém eclodidos possibilita e facilita a colonização intestinal de bactérias probióticas agindo preventivamente contra bactérias patogênicas por meio da exclusão competitiva e inibindo bactérias que são transmitidas via ovo como a Salmonella Portanto, é importante oferecer o probiótico o mais precoce possível e com cepas naturais da faixa etária e da espécie para garantir maior sucesso na colonização intestinal.
  • Fornecimento contínuo: quando o desafio com patógenos entéricos é muito alto no campo, por falhas de manejo e/ou biosseguridade, o fornecimento contínuo de probiótico, garantirá maior segurança que não existirão sítios de ligação no intestino para que essas bactérias patogênicas possam se fixar. Nessa fase do frango é importante aumentar a diversidade e a quantidade das cepas, simulando o aumento natural de bactérias que acontece com o decorrer da idade da ave.
  • Entender o mecanismo de ação das bactérias: algumas bactérias colonizam o intestino enquanto outras permanecem no lúmen intestinal, devido à rápida multiplicação que impede sua completa eliminação juntamente à excreta.

  1. Bactérias não colonizadoras: os Bacillus são bactérias que vivem no lúmen intestinal e agem no intestino por competição de nutrientes e por estimulação na produção de anticorpos, mas sua ação de importância é a competição com bactérias patogênicas na cama, impedindo sua proliferação no ambiente e inibindo outras bactérias de transformarem os uratos das excretas em amônia (vilã dos dias frios em aviários). Outra vantagem desse gênero é a formação de esporos que as tornam resistentes aos tratamentos na ração e na cama do aviário.
  2. Bactérias colonizadoras: as bactérias colonizadoras, também conhecidas como residentes, possuem diversos benefícios. Porém, como desvantagem, são bactérias mais sensíveis e que demandam das empresas fabricantes uma tecnologia que faça a proteção e a estabilização. Fazem parte desse grupo as bactérias láticas (gêneros Lactobacillus, Enterococcus, Pediococcus, etc) que, além de competirem por sítios de ligação e por nutrientes no intestino, são responsáveis por outras ações, como:
  • Imunomodulação: no intestino das aves existem células de tecido linfóide denominado de Galt (do inglês gut-associated lymphoid tissue) divididas em placas de peyer’s, com células M intermeadas nos enteróticos, responsáveis pelo reconhecimento dos antígenos e, folículos com células de memória B e T; existem também na lâmina própria células de resposta inata como células dendríticas e linfócitos. A estimulação antigênica provocada pela presença das bactérias probióticas e a capacidade de produzir sinalizadores que indicam para as células do sistema imune a presença da bactéria patogênica, tornam a resposta inflamatória mais rápida e eficaz (imunoestimulação).

  • Proteção estrutural: a presença de bactérias probióticas possibilita também proteção física à mucosa intestinal devido à quebra de nutrientes, dos quais as aves não possuem enzimas para extração, tornando-os disponíveis para a renovação de enterócitos em caso de reação inflamatória exacerbada diante de um desafio. Essas bactérias controlam também a produção de muco pelas células caliciformes presentes na mucosa intestinal, melhorando a barreira física contra patógenos entéricos.
  • Antagonismo: é na ação antagonista que essas bactérias se destacam. Além de produzirem ácidos que inibem indiretamente as bactérias sensíveis à mudança de pH, elas produzem pequenos peptídeos chamados de bacteriocinas que inibem outras bactérias patogênicas, produzindo também indutores que, como o próprio nome diz, induzem outras bactérias a expressarem genes que também produzirão essas bacteriocinas.

Desta forma, o probiótico de forma preventiva pode resultar em muitos benefícios para a saúde da ave, melhorando o desempenho e, consequentemente a lucratividade das empresas. Contudo, no momento da escolha do produto é importante levar em consideração os gêneros das bactérias e a forma de estabilização, proteção e utilização, além de considerar o uso estratégico com mais de um probiótico, entre outros produtos e medidas de biosseguridade, uma vez que, muitas doenças possuem causas multifatoriais.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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1 Comentário

1 Comentário

  1. RENATO LIBERA

    19 de julho de 2021 em 14:53

    Excelente artigo, é muito importante a escolha das cepas probioticos para ter redução de bactérias patógenas, melhoria da imunidade e equilibrio da Microbiota, gerando melhores resultados.
    Parabéns Camila.

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Avicultura

Indústria do etanol avança sobre o milho brasileiro

Uma década depois de inaugurar a primeira usina para fabricação de etanol de milho, Brasil pode produzir até três bilhões de litros do combustível por ano, necessitando para isso de sete milhões de toneladas do grão

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Foto: Shutterstock

Para começar a entender o tamanho do movimento que o DDG vai exercer na agropecuária brasileira, é preciso compreender primeiro como está a produção de etanol do país e quais suas projeções. Para isso, o Presente Rural aglutinou algumas das principais informações que estão na mais recente publicação sobre o assunto; o livro eletrônico “Etanol de Milho: cenário atual e perspectivas para a cadeia no Brasil”, de 2021, organizado pelo engenheiro agrônomo, professor, autor e consultor Marcos Fava Neves. As informações dessa reportagem fazem parte dessa publicação.

“O etanol pode ser produzido a partir de diferentes fontes, cada qual apresentando vantagens e desvantagens em relação ao processo industrial e agrícola”. O documento destaca que o estudo tem como foco o etanol de milho, mas que é de grande relevância o entendimento sobre as matérias-primas e suas diferenças para a produção de etanol.

O estudo destaca que em uma comparação entre três principais matérias-primas para etanol, que são a cana-de-açúcar, milho e sorgo, em geral a cana tem a maior produtividade no campo (80 a 100 toneladas por hectare) e o menor rendimento industrial em litros por tonelada (70 a 90 litros por tonelada de matéria-prima). “O milho, por sua vez, apresenta o maior rendimento industrial, podendo atingir 425 litros por tonelada de matéria-prima”. Confira mais sobre o desempenho das matérias-primas para produção de etanol no gráfico abaixo.

Usina de Cerradinho Bio em Chapadão do Céu (GO) – Fotos: Divulgação

“A associação com ação direta na produção de etanol de milho no Brasil é a Unem (União Nacional de Etanol de Milho), localizada em Cuiabá, Mato Grosso, que atua promovendo os objetivos e defendendo os interesses do setor. A organização possui três classes de associados: associados industriais, referente às empresas que utilizam o milho como matéria-prima para produção do etanol; associados institucionais, os quais representam as entidades de classe de diferentes elos da cadeia; e os associados parceiros, voltado às empresas de bens, tecnologias e serviços relacionados à cadeia produtiva do etanol de milho no Brasil.

As principais projeções para a produção do etanol de milho no Brasil, feitas pela organização, indicam uma produção de 3,6 bilhões de litros em 2023 e oito bilhões em 2028 (estimativa antes do período de pandemia), com crescimento total de 471% com base no volume registrado no ciclo anterior. Considerando os atuais números de produção divulgados pela Conab (2020), com ~1,7 bilhão de litros para 2020, até 2028 a produção deverá crescer 400%.

O Centro-Oeste é absoluto na produção de etanol de milho, apesar de um leve avanço da região Sul com a instalação recente de usinas. Confira no gráfico abaixo a representatividade de cada região.

“A capacidade de produção de etanol de milho do estado de Mato Grosso corresponde a aproximadamente 77% da capacidade total do Brasil. Em termos de volume, o estado tem capacidade de produzir cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol de milho por ano. O segundo maior produtor é o estado de Goiás, que tem expandido sua capacidade produtiva (513 milhões de litros), principalmente em função da adoção das usinas de cana-de-açúcar ao modelo flex. No total, o Brasil possui uma capacidade instalada de 3,03 bilhões de litros (incluindo São Paulo e Paraná). Outros estados devem aparecer na lista nos próximos anos, como é o caso de Rondônia que já apresenta uma usina em operação e conta com outros projetos confirmados. Apesar da alta capacidade de produção do estado de Mato Grosso, a utilização do milho como matéria-prima para o biocombustível só decolou a partir da safra 2017/18, período que a produção quase quadruplicou e atingiu 391 milhões de litros.

O principal motivo estava relacionado ao início das atividades de diversas plantas e outras que estavam em construção no estado. Vale notar também que a base inicial é relativamente baixa, gerando grandes valores percentuais”.

A cadeia de etanol de milho

“Um passo essencial para compreensão da dinâmica de produção do etanol de milho no Brasil é o entendimento quanto aos modelos de usinas que operam no país. A Figura 1 apresenta um resumo desses diferentes formatos.

As usinas do modelo full produzem o combustível apenas tendo o milho como matéria-prima e utilizam cavaco de eucalipto para cogeração de energia no processo industrial. Por conta disso, realizam investimentos maiores no desenvolvimento de parcerias para promoção do plantio de biomassa (principalmente o eucalipto) para esse fim. Além disso, a estrutura necessária para queima desses materiais e geração da energia também demanda maior aporte financeiro.

Usina Flex da SJC Bioenergia, em Quirinópolis (GO)

Além das usinas full, existem também aquelas que adotam tanto a cana-de-açúcar como o grão, para a produção de etanol. Em termos de estrutura e tipo de investimento, existem dois modelos que foram observados no mercado: o primeiro, são as flex, usinas de cana-de-açúcar que optam por instalar uma pequena estrutura adjacente à planta atual, para o uso e aproveitamento de equipamentos e sistemas. Neste caso, utilizam o milho, apenas durante a entressafra. O segundo modelo, chamado flex fuel, muito parecido com o anterior, se diferencia pela presença de equipamentos adicionais, específicos para o milho, que tornam a moagem do grão possível não apenas na entressafra, aproveitando das sinergias do processamento da cana para produção de etanol de milho durante o ano todo.

Muitas usinas do modelo flex têm alterado a dinâmica de produção para o modelo flex full, principalmente em função dos baixos investimentos necessários para tornar a moagem do milho e a produção do etanol possíveis durante o ano todo”.

“A cada mil toneladas de milho processadas, são produzidos aproximadamente 425 mil litros de etanol, 312 toneladas de DDGs, 12,5 toneladas de óleo de milho e cerca de 150 MWh de eletricidade, sendo que, aproximadamente, 90 MWh são consumidos pela planta e outros 60 MWh podem ser exportados para redes de transmissão (veja mais na figura abaixo).

A produção de etanol de milho no Brasil envolve uma fusão de características dos Estados Unidos e os setores agrícolas e de biocombustível brasileiro. A fermentação de milho para o etanol no Brasil se baseia principalmente na tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos e a geração de energia de processo, do etanol de milho brasileiro, tem como base a produção integrada de vapor e eletricidade, a partir da biomassa.

Custos e receitas

O livro observa ainda que “observando um pouco mais a fundo as fontes de receitas e despesas das usinas de etanol de milho, é importante ressaltar que, apesar da produção principal de etanol, este não é o único produto comercial das usinas. O DDGs (Dried Distillers Grain with Solubles ou Grãos Secos por Destilação com Solúveis, em português) ou WDG (Wet Distillers Grains – Grãos Úmidos de Destilaria) e o óleo de milho, são coprodutos do processo produtivo com importante valor agregado para construção de margens nas usinas, como destacado no gráfico abaixo.

Ao introduzir os coprodutos no mercado brasileiro, outros produtos existentes são deslocados, como milho e farelo de soja utilizados para ração animal. A maior disponibilidade de DDGs reduz a necessidade de área de cultivo para soja e milho destinados a produção de ração animal. Esses produtos são direcionados para a indústria alimentícia e de produção animal, e o etanol para as unidades de distribuição e, posteriormente, para os postos de combustível.

Um outro ponto interessante, na ótica das receitas, é a cogeração de energia no processo industrial, possível graças a tecnologias de ponta de algumas usinas. Com isso, pode-se obter uma outra fonte de receita ao comercializar a energia excedente e disponibilizá-la na rede”.

Chama atenção

“A produção de etanol de milho no Brasil tem chamado a atenção pelos altos volumes de investimentos e principalmente devido à sua rápida expansão nos últimos anos. A tecnologia de conversão de milho em etanol e coprodutos tem origem nos Estados Unidos e o processo de produção norte-americano é caracterizado pelo uso de milho primeira safra e uso de fontes de energia tradicionais, em grande parte fósseis (i.e., carvão mineral e gás natural). Essas características são diferentes do setor de biocombustível brasileiro, que possui vantagens quanto ao uso do milho, principalmente de segunda safra e fontes renováveis.

Usina Full da Inpasa em Nova Mutum (MS)

O etanol de milho foi inicialmente adotado no Brasil em usinas “flex”, aproveitando instalações e energia de usinas de cana-de-açúcar. Devido aos volumes de produção de milho e preços atrativos, investidores enxergaram oportunidades no Centro-Oeste brasileiro, transferindo, em particular ao estado de Mato Grosso, novos pacotes tecnológicos estruturados em usinas grandes e full (produção de 250 a 500 milhões de litros por ano).

O setor sucroenergético brasileiro tem buscado constantemente diversificar suas atividades e melhorar a eficiência na capacidade industrial. Porém, as atividades de processamento de matéria-prima estão concentradas em oito meses do ano e seguem o principal modelo utilizado no país, em que a cana-de-açúcar é a matéria-prima da produção.

Devido ao histórico complexo do setor (excesso de oferta e baixos preços de açúcar no mercado internacional somado a subsídios em países produtores como Índia; congelamento de preços da gasolina gerando perdas de competitividade do etanol; redução de investimentos; e perda de produtividade nos canaviais), projetos envolvendo a produção de biogás e biometano, reciclo de leveduras, etanol de segunda geração, recuperação de CO2 (dióxido de carbono) e utilização de matérias-primas alternativas na produção de etanol passaram a ganhar espaço e a serem posicionados como alternativas de sustentação pelos empresários do setor.

Assim, a busca por matérias-primas alternativas na entressafra é algo que vem se intensificando no país, pois possibilita a otimização do processo produtivo e a redução dos custos industriais. Com base na produção de etanol de milho nos Estados Unidos e na produção excedente dessa commodity em algumas regiões do Brasil, o uso de milho como matéria-prima na produção de etanol aumentou significativamente nos últimos anos, apoiado principalmente por fatores econômicos e regionais.

Além da maximização dos ativos da indústria e diluição dos custos operacionais, visto que as unidades flex de produção de etanol passam a operar de 330 a 350 dias por ano”, cita a publicação.

Entre os benefícios estão “aumento no mix de produtos que a usina pode ofertar ao mercado, incluindo em seu portfólio o DDGs e/ou WDG, e óleo de milho; fornecimento de etanol para regiões onde os preços ainda não são competitivos quando comparados à gasolina, como algumas regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste; aumento da produção de etanol com um Capex (Capital Expenditure) relativamente menor do que o necessário para construção ou melhoria de uma planta de cana-de-açúcar”.

Linha do tempo

Como pode ser observado na figura abaixo, “a produção de etanol de milho no Brasil teve início em 2012 com a inauguração de uma planta industrial pela Usimat, na cidade de Campos de Júlio, estado de Mato Grosso. A unidade, que produz etanol a partir de cana-de-açúcar desde 2006, também inaugurou o modelo industrial do tipo flex, que possui uma estrutura para a produção de etanol usando cana e milho na mesma unidade industrial.

O sucesso do modelo implementado pela empresa motivou novos investimentos e a instalação de outras unidades no estado de Mato Grosso. Em 2013, a Libra Destilaria inaugurou sua planta modelo flex na cidade de São José do Rio Claro e, no ano seguinte, o “grupo Porto Seguro”, na cidade de Jaciara, também iniciou suas atividades no setor. Em 2015, foram integradas às unidades de etanol de cana-de-açúcar no estado de Goiás (Usinas SJC e Rio Verde) e, em 2016, a novidade chegou ao estado de São Paulo, com a planta da Cereale Brasil.

O modelo, que utiliza apenas o milho como matéria-prima para a produção de etanol, tem como pontos fortes a capacidade anual de produção e o consumo de milho em todos os períodos do ano. A FS “Fueling Sustainability”, joint-venture entre a holding brasileira Tapajós Participações e a empresa americana Summit Agricultural Group, foi responsável pela construção da fábrica na cidade de Lucas do Rio Verde, estado do Mato Grosso, com capacidade de produção de 530 milhões de litros de etanol por ano. No mesmo ano, outra unidade flex foi lançada, a “Safra Biocombustíveis”, em Sorriso, no estado de Mato Grosso.

No ano seguinte, em 2018, a produção de etanol de milho chegou ao estado do Paraná, no município de Bom Sucesso, com a integração da usina de etanol de milho pela planta Cooperval. Também nesse ano, entrou em operação a usina no modelo flex da Caçu, em Vicentinópolis, Goiás.

Em 2019, foram inauguradas duas novas unidades: a segunda planta full no país, pela “Inpasa Bioenergia”, na cidade de Sinop, estado de Mato Grosso, com capacidade de produção de 525 milhões de litros de etanol por ano; e mais uma unidade do modelo flex em Santa Helena de Goiás, pela Usina Santa Helena.

Em novembro de 2019, a Cerradinho Bioenergia iniciou as operações com sua planta situada exatamente ao lado da unidade de cana-de-açúcar, visando aproveitar sinergias de geração de energia e toda a infraestrutura e logística instalada para escoamento da produção.

A multinacional Inpasa, especializada na produção de etanol de milho anunciou a ampliação da planta em Nova Mutum (Mato Grosso). A nova fase terá investimentos de R$ 450 milhões, totalizando R$ 1 bilhão (somado aos R$ 550 milhões investidos anteriormente). A primeira etapa entrou em operação no final de agosto de 2020. A usina tem capacidade para produzir 890 metros cúbicos por dia de etanol hidratado, moer até 2,3 mil toneladas de milho diariamente e pode chegar a demandar 800 mil toneladas de milho por ano.

O ano de 2020 também marcou o início das operações da segunda unidade da FS Fueling Sustainability, em Sorriso, Mato Grosso; e da Bioflex, unidade do grupo GranBio, em Poconé, Mato Grosso. Existem 16 usinas flex, full e flex full em funcionamento no Brasil (nove usinas em Mato Grosso, cinco em Goiás, uma em São Paulo e uma no Paraná). O Brasil finalizou 2020 com duas unidades em fase pré-operacional, todas elas situadas no estado do Mato Grosso: uma planta full de milho da Alcooad na cidade de Nova Marilândia; e a unidade flex da Etamil, em Campo Novo dos Parecis.

Os investimentos privados no setor de etanol de milho foram estimulados principalmente pelos menores preços dos cereais nas regiões produtoras, passando a serem vistos como oportunidades de diversificação de atividades. Além disso, diferentemente da cana-de-açúcar, o milho pode ser armazenado e utilizado durante a entressafra, o que permite o aumento da atividade produtiva anual, maior rentabilidade e redução da capacidade ociosa da indústria.

Por sua vez, a atividade permite maior rentabilidade na produção de milho pelos produtores, o que aumenta a renda e a atividade econômica regional, e permite a estabilidade da produção de cereais. Os agricultores passam a ter uma nova alternativa de canal de comercialização de seus grãos, com liquidez, já que a maioria das usinas tem uma necessidade diária pela matéria prima”.

De acordo com as análises feitas pelos autores do estudo, “a capacidade produtiva anual de todas as usinas que estavam aptas a produzir etanol a partir de milho em 2020 (tanto modelos full quanto flex), somava 3,03 bilhões de litros, como mostrado no gráfico abaixo.

As quatro unidades do modelo full, dos grupos FS Fueling Sustainability e Inpasa, possuem maior capacidade produtiva dentre todas, somando cerca de 1,9 bilhão de litros por ano (62,7% do total).

Objetivo

De acordo com a publicação, “levar o conhecimento em relação à cadeia do etanol de milho brasileiro aos olhos de quem a desconhece é algo essencial para contribuir com o seu desenvolvimento”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Grãos secos por destilação

Agroindústrias e fabricantes de rações do Paraná buscam informações sobre DDG

FS Bioenergia e Sindiviapar realizam DDG Day em Cascavel, no Paraná, para tratar de informações de mercado, tecnologias e inovações na área da nutrição animal.

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Em meio à crescente demanda por insumos, os DDGs – Dry Distillers Grains (grãos secos por destilação) apresentam-se como alternativa para nutrição animal. Os DDGs estão chamando a atenção de grandes fábricas de rações e agroindústrias de aves do Paraná, Estado que mais produz carne de frango no Brasil e responsável por aproximadamente 40% das exportações brasileiras.

No fim do mês de maio, o município de Cascavel sediou o evento DDG Day, que reuniu especialistas para falar sobre a disponibilidade e o uso de Dry Distillers Grains — ou grãos secos de destilaria – para a nutrição animal. Promovido pela FS, indústria brasileira de etanol de milho, nutrição animal e energia, e pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o DDG Day reuniu cerca de 50 pessoas entre representantes de mais de 30 fábricas de ração do Estado do Paraná, técnicos e profissionais da área de produção de proteína animal.

O DDG é um dos produtos derivados da produção de etanol a partir da tecnologia de separação de fibras (FST) do milho. Os grãos resultantes podem ser utilizados na nutrição de bovinos, suínos, aves, peixes e pets, dando uma alternativa ao milho e à soja, já que tem excelente custo-benefício e alto valor nutritivo.

O supervisor comercial da FS, Brian Mike, contou sobre a história da empresa e destacou como os DDGs se apresentam como opção para aumentar o ganho médio diário (GMD) e melhorar a eficiência alimentar. “O DDG é usado nos Estados Unidos há muitos anos. É um alimento premium, com grande valor nutricional e que ainda proporciona redução de custo para os produtores de proteína animal”, resume Mike.

O diretor Executivo do Sindiavipar, Inácio Kroetz, pontua que o milho e a soja são os dois ingredientes de maior presença na produção de rações para aves comerciais e representam mais de 70% do custo total da ração. “Considerando que a demanda e produção de carne de frango ainda vai crescer significativamente nos próximos anos, é importante que se encontre alternativas à dependência exclusiva do milho na produção de aves, já que este também está sendo demandado para exportação, produção de óleo e etanol, além da produção de proteína de outras espécies animais e para consumo humano”, diz.

Kroetz destaca que a entidade já vem divulgando e apoiando o uso de produtos alternativos ao milho para ração animal, por meio do programa Paraná Cereais de Inverno e 2ª Safra (PR-CEIN2), que incentiva a produção de cereais como o triticale, a aveia granífera e o sorgo granífero. “O aproveitamento de parte do milho industrializado na forma de DDG é uma opção promissora para diversificar as opções de matéria prima para ração, principalmente quando avaliamos o valor nutritivo deste material”, pontua.

DDG para nutrição animal

Durante o evento, o doutor em Zootecnia da Universidade de Minnesota (EUA), Gerard Shurson, apresentou um histórico dos DDGs no Brasil e no mundo. Ele também falou sobre a nutrição de precisão e a formulação de ração com múltiplos objetivos.

Os professores da Universidade Federal de Viçosa, Horacio Rostagno e Ideraldo Luiz Lima revelaram as conclusões de uma avaliação feita em frangos de corte alimentados com diferentes níveis de um tipo de DDG produzido e comercializado no Brasil. A pesquisa levou em consideração o valor de energia metabolizável e a digestibilidade de aminoácidos nas aves. Para levar informações sobre DDG para produtores, profissionais de Zootecnia e de áreas correlatas, a FS pretende promover outros encontros similares ao longo do ano.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Troféu Imprensa

Instituto de Ovos Brasil homenageia Jornal O Presente Rural durante SIAVS 2022

Prêmio é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo veículo de comunicação para levar informações ao setor produtivo.

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Diretor de Comunicação e Marketing de O Presente Rural, Selmar Franck Marquesin, recebeu o prêmio das mãos do diretor da Aves da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo, Nélio Hand, e do presidente do IOB, Edival Veras - Foto: Divulgação

O Jornal O Presente Rural foi homenageado em cerimônia realizada, nesta quarta-feira (10), durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), que acontece no Parque Anhembi, na cidade de São Paulo (SP).

O Troféu Imprensa é um reconhecimento do Instituto de Ovos Brasil (IOB) pelo trabalho desenvolvido pelo veículo de comunicação para levar informações ao setor produtivo.

O diretor de Comunicação e Marketing do Jornal O Presente Rural, Selmar Franck Marquesin, recebeu o prêmio das mãos do diretor da Aves da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo, Nélio Hand, e do presidente do IOB, Edival Veras, destacando sua importância. “É uma honra ter recebido esse prêmio, nos sentimos muito lisonjeados com esse reconhecimento do Instituto de Ovos Brasil, entidade que atua para esclarecer a população sobre as propriedades nutricionais do ovo e os benefícios que este alimento proporciona à saúde, além de desfazer mitos sobre seu consumo. Buscamos constantemente levar conhecimento através das páginas do Jornal O Presente Rural ou das nossas plataformas digitais, com informações relevantes ao setor e esse prêmio mostra o reconhecimento do nosso trabalho, desempenha com ética e profissionalismo para contribuir com o desenvolvimento de todos os elos da cadeia produtiva”, ressaltou.

A programação do SIAVS 2022 segue até esta quinta-feira (11), com a Feira de Negócios e palestras.

Fonte: O Presente Rural
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PORK 2022

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