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A galinha que move a Itaipu

Biocombustível veicular produzido com os dejetos das aves no Oeste do Paraná abastece frota da Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica geradora de energia do planeta

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Quando Nilson Haacke começou a produzir ovos, no ano de 1988, em Santa Helena, no Oeste do Paraná, os cuidados com a destinação dos dejetos das aves eram rudimentares. Ou acabava parando nos rios, como em tantas outras atividades pecuárias na época, ou tinham fins menos nobres e também nocivos ao meio ambiente. Já fazia seis anos que a usina de Itaipu operava na região. A maior usina hidrelétrica do mundo redesenhava Santa Helena com a formação do lago, mas não seria somente as terras que Itaipu precisaria do Oeste do Paraná. Quase 30 anos depois, a binacional precisa do esterco das galinhas de Nilson Haacke para alimentar um novo jeito de produzir energia, mais limpa e sustentável.

Hoje, as 84 mil poedeiras e 600 bovinos da propriedade geram biogás, energia elétrica, biofertilizante e também biometano, um combustível que abastece quase 50 carros da frota de Itaipu. Mais que um projeto-piloto, a produção do biometano gerado pelos dejetos de animais surge como alternativa para a crescente produção de alimentos, aliando geração de energia renovável, diversificação de renda na propriedade rural e adequação às legislações ambientais.

Desde de 2013, a Granja Haacke encaminha cerca de 100 m³ por dia de efluente líquido para um biodigestor modelo lagoa coberta, que realiza a digestão anaeróbia dos resíduos, produzindo diariamente mil m³ de biogás. A unidade aproveita o biogás para produzir biometano – biocombustível para automóveis – e para gerar energia elétrica, por meio de um motogerador. A eletricidade gerada na granja é usada durante o horário de pico, quando o custo da energia é mais elevado. A granja também tem um sistema de stand by, que garante a perenidade de energia elétrica na refrigeração das aves, evitando quedas repentinas e consequente morte dos animais.

O projeto foi desenvolvido em uma parceria com o CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás), que envasa o biometano e o repassa para a Itaipu. Na usina, em Foz do Iguaçu, há um posto de abastecimento para os 53 veículos convertidos.

Exemplo

O engenheiro mecânico Giovani Patuzzo, do Núcleo de Projetos de Tecnologia do CIBiogás, explica o projeto pode ser alternativa para a mobilidade urbana. O profissional fez uma palestra sobre experiência da Granja Haacke no uso de biogás na avicultura, durante a Avesui 2016, em Florianópolis (SC), reunindo lideranças da cadeia produtiva do país.

“Há um potencial muito grande de exploração do biogás no agronegócio brasileiro. Até 2025 o Brasil deve ser o maior produtor de proteína animal do mundo. É importante crescer, mas tem que se ater às questões ambientais. Um dos problemas mais visíveis é a geração de resíduos da produção de proteína animal. Ela está vinculada à limitação do aumento da produção. Não podemos aumentar o plantel sem dar destino correto ao resíduo. Alem disso, ainda existe o aumento da demanda energética. O projeto na granja Haacke ajuda a produzir alimento e a garantir a segurança energética”, citou.

“Criamos o projeto de biometano como combustível veicular. Hoje, 14% da frota da Itaipu é abastecida com biometano. Estudamos a viabilidade porque era um projeto-piloto. Agora queremos testar a viabilidade técnica no Brasil. Em outros países já existem empresas e fornecedores que fazem o refino do biogás, a compressão, mas aqui no Brasil é muito novo”, destacou Patuzzo para uma plateia de profissionais dos setores avícola e suinícola.

Ele destacou impactos que considera importantes na produção do biometano. “Tem que ser economicamente viável. Nós percebemos que há demanda pela criação de um novo mercado, gerando fonte de renda extra ao produtor. É uma alternativa para o interior do país, porque gás natural veicular está mais próximo à costa brasileira, é uma opção de combustível para complementar a matriz de abastecimento, reduz o impacto danoso na atmosfera na combustão e não tem fim, como o gás natural extraído de jazidas de petróleo. Sempre vai ter dejetos para gerar biometano. O agricultor obtém lucro, ajuda a alavancar desenvolvimento socioeconômico e para de degradar meio ambiente.

Dever de Casa

Para Haacke, é obrigação do produtor criar ferramentas para minimizar os impactos ambientais da produção, aliando geração extra de renda. “Os resíduos das galinhas sempre foram um problema, mas esse problema aumentou com o volume cada vez maior da produção. Costumo dizer que todo crescimento gera algum tipo de problema. Temos que crescer, mas resolvendo esses problemas. No meu caso, produzimos energia, biofertilizante e combustível biometano”, explica. “A ainda resolvemos o problema do esterco e acabamos com o mal cheiro, fazendo a nossa parte para cuidar do meio ambiente”, reforça.

Para o produtor, o modelo tem grande viabilidade para a região, oportunizando aos produtores de proteína animal produzir a própria eletricidade e o combustível veicular, mas precisa ser disseminado. “A produção desse gás (biometano) será viável quando vários produtores tiverem projetos semelhantes. Tem que estender isso a novos produtores”, argumenta. “Já estou pensando em fazer a conversão de dois carros nossos. Seria muito bom produzir o próprio combustível”, avalia. Com a energia gerada, explica o produtor, a conta de luz da Granja Haacke ficou cerca de R$ 8 mil mais barata.

O biometano é um subproduto do biogás (refinado). Para o superintendente de Energias Renováveis da usina, Herlon Goelzer de Almeida, “a adesão de Itaipu ao uso do biometano tem uma ligação muito forte com a missão e visão da empresa, porque atende a todos os preceitos da sustentabilidade, que é baseada em três dimensões: ambiental, econômica e social”.

Biofertilizante

Todo o material das esterqueiras do gado confinado vai para o biodigestor por meio de bombas, assim como os dejetos das 84 mil aves, recolhidos automaticamente em dois galpões ao lado do biodigestor. Antes, porém, o material é classificado. Somente a porção líquida segue até o biodigestor, dando mais eficiência no processo, evitando entupimentos e garantindo uma vida útil maior ao equipamento. A parte sólida vira biofertilizante, que é misturado à água e irriga os dez alqueires de milho (silagem) para o gado. “Faço três safras de milho por ano. A fertilização funciona muito bem. Quase não preciso colocar calcário na terra”, justifica o produtor.

Ovos

Sim. A Granja também produz ovos. Toda a produção é dirigida à Ceasa de Foz do Iguaçu, onde o empresário mantém um box. Ele comercializa para atacadistas do Brasil e do Paraguai. Os ovos são recolhidos das granjas manual e automaticamente. Eles são conduzidos por esteiras para o setor de classificação e lavagem, depois são embalados e saem da propriedade prontos para a venda. A propriedade gera em torno de 20 empregos diretos. “Estou satisfeito com esse modelo que criamos. Produzo ovos, gero energia, mais renda e até combustível para os carros da Itaipu”, define Nilson Haacke.

 

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho 2016.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Saúde Animal

O que fazer quando a salmonella se torna uma realidade no plantel?

Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância

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Artigo escrito por Rafael Soares, médico veterinário, mestrando em Produção Animal e coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos

A primeira preocupação dos criadores de frangos de corte, antes mesmo do alojamento, é combater os problemas sanitários do lote futuro. Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância.

A Salmonelose é uma das principais doenças das aves, causada por bactérias de um gênero de duas espécies, a Salmonella bongori e a Salmonella entérica. Esta última apresenta seis subespécies: salamae, arizonae, diarizonae, indica, houtenae e enterica.

Dos mais de 1.500 sorovares da espécie entérica está a Salmonella Gallinarum (Tifo aviária) que causa anemia e deixa a ave com cristas e barbelas pálidas ou arroxeadas e penas arrepiadas. Além disso provoca apatia, anorexia, diarreia amarelo-esverdeada e febre. Já a Salmonella Pullorum (Pulorose) pode apresentar sinais subclínicos como diarreia, desidratação, queda de consumo de ração, perda de peso e diminuição da produção de ovos. Tanto a S. Gallinarum como a S. Pullorum causam doenças clínicas nas aves, mas sem impacto sobre seres humanos.

A subespécie Enterica ainda tem maior importância para a saúde pública. Isso porque a Salmonella enteritidis e a Salmonella typhimurium, presentes nesta subespécie, estão entre as doenças mais prevalentes em aves e que podem contaminar os humanos caso haja o consumo de alimentos de origem animal. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômito, dor abdominal, cansaço e perda de apetite nas pessoas.

Barreiras para evitar contaminação externa

Ciente deste desafio, o produtor deve estar municiado de barreiras para diminuir a presença de salmonella atuando já no momento do recebimento de pintinhos que devem estar livres de salmonelas. A garantia da sanidade destas aves vai depender de como está o processo de biosseguridade tanto nas granjas matrizeiras como no incubatório.

O primeiro ponto a ser avaliado pelos produtores é o isolamento das granjas. O ideal é ter um único portão de acesso, evitando desta forma, o livre trânsito de pessoas, veículos e animais no interior do núcleo de produção. As construções devem ser sempre protegidas por barreiras naturais e físicas, tendo o conhecimento da direção do vento no momento da construção. Isso é importante para que haja diminuição de contaminações por vias aéreas.

O cuidado com o ambiente de produção é muito importante. Para isso, é preciso observar as ações de higienização no local. Logo após a saída do último lote é preciso entrar com a limpeza e a desinfecção das instalações, que visam diminuir os riscos de infecções e realizar a quebra do ciclo de agentes infecciosos. Nesta fase, a limpeza é tão importante quanto a desinfecção. A remoção de detritos e gorduras dos lotes passados é imprescindível para o sucesso da desinfecção.

É importante destacar que o vazio sanitário ideal é de, no mínimo, 15 dias após concluídos todos os procedimentos de limpeza e desinfecção. Um controle da biosseguridade adequado nas granjas deve abranger o controle de tráfego e fluxo, ou seja, a observação de tudo que venha de fora e que entrará na granja para eliminar todo risco de contaminação.

O programa de vacinação é outro ponto de atenção. É necessária a elaboração de um programa de vacinação com foco no controle dos desafios sanitários da região e basear-se em resultados técnicos e laboratoriais. A vacinação deve dar proteção suficiente contra doenças intercorrentes na região, além da vacinação obrigatória em pintos de um dia contra a doença de Marek.

A vacinação nos programas de controle de S.enteritidis tem um grande efeito para redução da contaminação dentro dos lotes de matrizes e contribui eficazmente para eliminar a transmissão vertical. Para o êxito da vacinação é necessário:

  • Seguir o cronograma proposto
  • Respeitar os prazos de validade das vacinas, as vias de aplicação e as diluições indicadas
  • Realizar treinamento sistemático e educação contínua da equipe sobre boas práticas de vacinação
  • Manusear e conservar as vacinas de forma adequada
  • Manter a qualidade da água na vacinação (T °C e pH)
  • Limpar e desinfetar os utensílios utilizados pelos vacinadores

O programa de biosseguridade precisa ser averiguado e monitorado para que ocorra a identificação dos pontos críticos e dos níveis de contaminação. Assim, será possível estabelecer as estratégias de controle e as monitorias que devem ser feitas nos animais, no ambiente e nos insumos que são utilizados no sistema de produção. A água e as rações oferecidas as aves devem ser enviadas para laboratórios de patologia animal credenciados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA), com o acompanhamento do Médico Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura. O principal objetivo desta análise deve ser a identificação de Salmonella spp. e outras enterobactérias patogênicas.

Além das monitorias oficiais são utilizados métodos de swabs estéreis e plaqueamentos para avaliação dos desafios e avaliação da eficiência de um programa de limpeza e desinfecção. Esses monitoramentos podem analisar a carga microbiológica de enterobactérias e presença de salmonela. Com esses resultados é possível fazer um plano de ação para erradicação dessas doenças.

A aplicação de programas de 5S e auditorias são fundamentais para checar o programa de biosseguridade e, se existirem erros, agir rapidamente realizando planos de ações e ajustes nos procedimentos. O 5S auxilia na obtenção de padrões operacionais que contribuem para maior eficiência e excelência na realização das tarefas de biosseguridade. Aliado a isso, as auditorias constantes, com uma frequência mensal ou bimestral, permitem identificar quais os processos ou pontos que necessitam de ajustes ou correções.

A educação continuada deve fazer da produção desde o momento da admissão dos funcionários. É indicada a aplicação das instruções já no processo de integração, mostrando uma visão geral das políticas da empresa, englobando neste momento, a importância da biosseguridade para o setor de produção avícola.

Aditivos para o controle da salmonella

A ração utilizada na granja também pode servir como meio de disseminação de contaminação, pois possui em sua formulação matérias-primas de origem animal e vegetal que servem de atrativos para aves e roedores intrusos, que podem trazer contaminações externas para a fábrica, e consequentemente, para a ração. Por este motivo, atualmente as fábricas de ração utilizam a associação de três pontos principais para controle de contaminantes em sua produção e controle do produto final: através de sistemas de segurança alimentar (BPF e APPCC), tratamentos térmicos como extrusão e peletização (atendendo os parâmetros de umidade, temperatura e tempo de condicionamento) e utilização de aditivos antissalmonelas.

Os aditivos mais utilizados nas formulações de rações para o controle microbiológico são os ácidos orgânicos, sais orgânicos e o formaldeído, que atuam na diminuição do pH intracelular. Com isso, podem causar alteração na permeabilidade da membrana microbiana com o bloqueio do substrato do sistema de transporte de elétrons, eliminando bactérias patogênicas como a Salmonella. A ação dos ácidos orgânicos nas aves ocorre de diversas formas, como na alteração da microbiota intestinal por ação bactericida ou bacteriostática, na melhora das atividades das enzimas digestivas e na redução do pH do trato gastrintestinal que reduz a presença de Salmonella no papo e no ceco. Observa-se ainda um benefício na flora intestinal que leva ao equilíbrio da imunidade, onde os nutrientes e a energia da fórmula da ração serão aproveitadas pelas aves, levando a melhora dos índices zootécnicos.

Treinamentos e planos de contingência

É necessário oferecer treinamentos aos funcionários das normas de biosseguridade pertinentes às suas atividades. E outras atualizações também precisam ser repassadas com periodicidade semestral no tocante às normas de biosseguridade, de acordo com a matriz de treinamento. Quando identificada uma oportunidade ou necessidade o ideal é realizar treinamentos extras com o intuito de oferecer capacitação adicional aos interessados.

É indicado que as empresas avícolas onde o produtor entrega seu produto tenham um plano de contingência para as possíveis emergências nos lotes. Este plano deve contemplar procedimentos extras a serem realizados, até que se tenham os resultados de laboratório se o lote está positivo ou negativo. Com este plano, pode-se bloquear a disseminação da doença para outros lotes até que se elimine as aves, se for o caso.

Em caso de positividade em qualquer uma das análises, oficial ou de rotina da empresa, devem ser adotadas medidas mínimas que incluem:

  • Isolamento do galpão
  • Isolamento dos funcionários por aviário
  • Controle rígido de tráfego e fluxo de veículos e caminhões (deve ser sempre o último a entregar insumos)
  • Fluxo de pessoas deve ser proibido
  • Calçados e roupas devem ser lavados e desinfectados diariamente
  • Adotar a inclusão de pedilúvios extras
  • Controle especial de destino das aves mortas

A prevenção e o controle sanitário são condições fundamentais para diminuir os problemas sanitários nos lotes, tendo em vista que a salmonelose é um desafio para a saúde pública e para a indústria avícola. Portanto, colocar em prática todos os procedimentos de biosseguridade nas granjas é essencial para que se tenha maiores garantias de efetividade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Produção de destaque

Mãe e filha cantam de galo na avicultura brasileira

Dona Dalair e a filha Jheynifer são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem

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Giuliano De Luca/OP Rural

Consertar o cano d’água que estourou, providenciar a manutenção dos equipamentos da granja, carregar toras e toras de lenha para manter o aquecedor funcionando, acordar três vezes por noite para observar a criação, no frio congelante ou no calor escaldante do Sul do país. Rotina pesada, encarada de frente por dona Dalair, viúva, chefe de família, produtora rural, e por sua filha Jheynifer, que por trás do título de Miss Marechal Cândido Rondon e das unhas bem pintadas se revela uma guerreira do agronegócio.

Mãe e filha são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem. São as responsáveis pelos dois aviários que a família tem no interior de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. A região, uma das que mais produz frangos no Brasil, baseado na presença marcante de cooperativas agropecuárias, apresenta exemplos de mulheres que atuam na linha de frente da avicultura, dentro do galpão, no dia a dia das propriedades rurais.

Mas granjas exclusivamente dirigidas por mulheres são mais raras. Para não dizer exclusivamente, o filho de Dalair, Jonathan, moderadamente, ajuda com a lenha nos aquecedores, mas ela já reclama. “Ele até vai colocar lenha nos fornos, só que tem muita força. Coloca aquela lenha com uma vontade que detona aqueles fornos. Eu digo, coloca com carinho”, brinca a avicultora.

Dalair Allebrandt Boroski trabalha na avicultura há cerca de 40 anos. Uma das pioneiras da atividade no Oeste paranaense, casou-se com Haribert Boroski e teve dois filhos, Jheynifer e Jonathan. Depois de 37 anos casados, o destino levou Boroski mais precocemente, há pouco mais de dez anos. Desde então, Dalair e Jheynifer são as responsáveis pelos aviários. Jonathan ajuda, mas trabalha com caminhão, para terceiros, especialmente nas safras. “É o que ele gosta”, diz a produtora.

“Trabalho com avicultura desde que eu tinha 16 para 17 anos. Construímos o primeiro aviário na época da Sadia. Há cerca de 20 anos, quando entrou o frigorífico da Copagril (hoje Lar), colocamos aquele aviário no chão. Começamos tudo de novo. Hoje são dois galpões”, conta. “Eu e meu marido trabalhávamos juntos, até que ele teve um problema no coração. Ele acabou morrendo há cerca de dez anos, quando assumi sozinha os aviários. Foi por necessidade”, lembra Dalair.

Jheynifer, então com 18 anos, encarou a responsabilidade e acompanha a mãe até hoje. De dia, é dona Dalair que cuida das aves. À noite, quando Jheynifer volta do trabalho de uma cooperativa de crédito na cidade, é ela quem se responsabiliza pelas duas granjas. “Ela me ajuda muito, ela é meu braço direito”, orgulha-se Dalair.

Todo o funcionamento da granja é de responsabilidade delas. Fazer parte das atividades adequar as instalações, receber os pintinhos, fornecer água e alimento, estimular os animais, recolher e destinar as aves mortas, manusear os equipamentos da granja, entregar os lotes, administrar os recursos financeiros, decidir por investimentos. Tudo é feito por elas.

A produção atual comandada por mãe e filha é de 34 mil aves por lote. São seis lotes ao ano, somando mais de 200 mil frangos anuais. Números que fazem aflorar o brio de Jheynifer. “Pra mim é um prazer enorme trabalhar na avicultura. Saber que estou contribuindo com a produção de alimentos do Brasil, contribuindo com o crescimento do Brasil, colocando alimento nas mesas das famílias, é muito gratificante”, diz a jovem produtora de 28 anos. “Ela ama isso”, retruca dona Dalair, pautada em seus 57 anos de sabedoria.

Rotina dura

O sucesso na produção é marcado por trabalho árduo. “Acordo às 5h30 da manhã. Minha primeira viagem é para os aviários. Vou lá ver se está tudo certo. É tudo automático, mas sempre pode dar algum problema”, diz a produtora. Na primeira passada do dia pelos galpões, conta Dalair, checa temperatura do ambiente, o funcionamento do sistemas de água e ventilação, observa a saúde dos animais, entre outras situações.

Quando um novo lote chega, o trabalho é intensificado. “Até os sete dias a gente vai aos aviários de hora em hora para estimular os pintinhos a comer, beber e se movimentar”, conta Jheynifer. “Se você não cuidar dos primeiros sete dias, pode abandonar o lote”, justifica a avicultora, destacando que na avicultura de corte esse período de desenvolvimento dos animais é fundamental para o resultado final da atividade, na hora de entregar ao frigorífico.

E não para por aí. “À noite, até os 20 dias do pintinho, a gente vai no aviário às 9 horas, à meia-noite, às 3 da manhã e às 5h30”, cita Dalair. O objetivo é saber se tudo está funcionando corretamente, como ventiladores e sistemas de água. “Ser avicultora é bem trabalhoso”, menciona.

Trabalho, aliás, em tempo integral. Durante a criação dos lotes, dona Dalair conta que sai do sítio raramente, desde que o filho esteja na retaguarda. “Quando recebo um novo lote eu saio muito pouco. Praticamente são 45 dias dentro de casa. Saio só para ir ao mercado quando o Jonathan está na propriedade. Não largo (a produção) sozinha, pode acontecer uma pane na luz, por exemplo, e alguém precisa estar em casa para ligar o gerador”, comenta.

“O pintinho é tão meigo”

O trabalho, que exige esforço físico, capacidade técnica e uma boa dose de vocação, é feito com graciosidade por mãe e filha paranaenses. “Cuido melhor dos pintinhos do que dos meus filhos”, diz a divertida avicultora. Em sua opinião, mulheres são mais sensíveis que homens no trato com os animais. “Conversando com minhas amigas que também são avicultoras, sempre digo que como a gente cuida dos filhos, a gente cuida dos pintinhos. Mas também, o pintinho é tão meigo”, confidencia Dalair.

A dedicação de mãe e filha é tamanha que no intervalo entre os lotes, quando as granjas estão despovoadas, elas sentem falta da rotina. “Chego até escutar o alarme da granja disparando. A gente dorme e acorda para ir nas granjas, mas lembra que não tem pintinho”, dizem aos risos as produtoras do Oeste paranaense. Mãe e filha são exemplo de como a força de trabalho da mulher está diretamente ligada aos sucessivos bons resultados da avicultura e do agronegócio brasileiro.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura SBSA

E. Coli se comunica com outras bactérias para se tornar multirresistente a antibióticos

O médico veterinário Mateus Matiuzi, abriu o bloco de discussões sobre a sanidade no sistema produtivo de aves

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Arquivo / OP Rural

As atenções de profissionais da avicultura estavam voltadas na tarde desta quarta-feira, 07, para a multirresistência bacteriana ligada a E. coli e os impactos na cadeia de produção de aves. Esse foi o tema da palestra do médico veterinário Mateus Matiuzi, que abriu o bloco de discussões sobre a sanidade no sistema produtivo de aves, um dos pilares da produção brasileira. Ele destacou os desafios aumentados com a retirada de antibióticos como promotores de crescimento na produção de aves.

O 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura é transmitido de Chapecó para as casas e empresas de profissionais do setor de toda a América Latina. O evento online, com tradução para o Espanhol, começou na quarta-feira (06) e segue até amanhã, 08 de abril, discutindo temas de importância para o setor avícola brasileiro e do continente.

De acordo com ele, os sorovares de E. coli que atacam aves são variados, alguns pouco agressivos e outros muito agressivos, e elas trocam informações com outras bactérias, inclusive com salmonella. Por isso, citou, “E coli. podem ser multirresistentes a seis ou sete antibióticos diferentes”, advertiu, frisando essa comunicação entre bactérias para adquirir essa resistência.

Ele destacou que a seleção de organismos resistentes a antimicrobianos ocorre também quando os anitmicrobianos são usados em excesso ou em subdosagens.

O bloco sobre sanidade incluiu ainda a apresentação de Guillermo Zavala, que falou sobre laringotraqueite infecciosa, sua prevenção e formas de controle. As duas apresentações foram seguidas de um debate entre palestrantes e congressistas.

Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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