Bovinos / Grãos / Máquinas Dos escritórios para o estábulo
A fascinante trajetória da marqueteira que hoje produz 14 mil litros de leite por dia
Conforme a gestora de negócios da fazenda Bacelar Agroleite, Fernanda Krieger Bacelar, “O agronegócio evoluiu muito nos últimos e as mulheres chegaram para ficar, para estar à frente dos negócios, primando por uma gestão com muita firmeza, foco, consistência e atenção aos detalhes”.

Em um mundo que está em transformação o tempo todo, é preciso coragem e uma certa dose de ousadia para ajustar a trajetória e seguir por novos caminhos. Características essas que não faltam a Fernanda Krieger Bacelar, que, após construir uma sólida carreira na área de Marketing e Comunicação, decidiu migrar para o campo e dedicar-se à pecuária leiteira em Arapoti, cidade situada na região dos Campos Gerais, no Paraná.
Ela conta que a decisão de fazer a transição para um setor até então desconhecido foi tomada quando se tornou mãe, ganhando apoio da família, especialmente do seu pai. “Quando meu filho Lucas nasceu percebi que conciliar a maternidade com uma carreira que me exigia bastante e morando em uma cidade como Curitiba era um desafio constante. Nesta mesma época meus avós faleceram. Eles tinham uma propriedade de mil hectares em Arapoti, que até então eram arrendados para agricultura. Meu pai assumiu a gestão agrícola da fazenda e sugeriu que eu montasse uma leiteria, porque a propriedade fica em um dos grandes polos leiteiros do Brasil, com o argumento de que desta forma estaríamos investindo no patrimônio da família”, relata Fernanda.
Fascinada com a ideia, mesmo sem conhecimento prévio do setor, a publicitária aceitou o desafio e assim nascia a fazenda Bacelar Agroleite. “Começamos a elaborar o projeto, a visitar outras propriedades leiteiras e a realizar prospecções financeiras para viabilizar a construção de uma leiteria capaz de abrigar 400 animais em lactação. Iniciamos o empreendimento com 80 vacas prenhas, que gradualmente foram incorporadas à produção de leite à medida que iam parindo. No início, a quantidade de leite produzida era modesta, mas ao longo do tempo dobramos a produção, até atingir, após sete anos, a marca de 400 animais em lactação e uma produção diária de 14 mil litros de leite”, conta Fernanda, orgulhosa.
Atualmente, a propriedade tem um rebanho de 850 animais, composto por 483 vacas e 367 novilhas. Há seis anos, a Bacelar Agroleite tem sido reconhecida como uma das melhores leiterias em termos de qualidade do leite no Paraná, distinção concedida pela Associação Paranaense de Raça Holandesa e pela Capal Cooperativa Agroindustrial. “Essa premiação é resultado do nosso compromisso em produzir leite de alta qualidade, respeitando os mais elevados padrões sanitários e de bem-estar animal”, ressalta a gestora de negócios.
Desafios da transição
A transição não foi fácil. Fernanda teve desafios desde a busca de conhecimento sobre a criação de gado leiteiro até a adaptação das instalações e do manejo dos animais. No entanto, sua dedicação, perseverança e vontade de aprender foram essenciais para seguir adiante. “Começar uma atividade do zero, sem nenhum conhecimento prévio, experiência anterior ou repertório foi complicado, porque é muito difícil tomar decisões com base em algo que você ainda não vivenciou, especialmente considerando o fato de que comecei com poucos animais em lactação”, pontua.
Com um número pequeno de gado leiteiro, Fernanda conta que a preocupação inicial era garantir a liquidez do negócio, uma vez que havia feito um grande investimento em infraestrutura, o que gerou um ativo fixo imobilizado considerável. “A liquidez dependia do volume de leite produzido, mas para alcançar esse equilíbrio financeiro, para conseguir o payback do meu negócio precisaria ter 400 animais em lactação e 10 anos de operação em um crescimento linear”, relembra a produtora, que conseguiu atingir essa marca em pouco mais de seis anos de trabalho.
Durante esse período, Fernanda adotou várias táticas e estratégias para melhorar a liquidez e superar os desafios diários na atividade. Ela adquiriu animais jovens para aumentar o número de vacas em lactação e assim duplicar sua capacidade de produção de leite. Além disso, diversificou seu negócio, aproveitando as opções disponíveis na fazenda, como a venda de feno e palha de trigo, a fim de aumentar sua rentabilidade. “Os desafios de administrar uma fazenda são complexos, porque você precisa entender um pouco de tudo, desde gestão pessoas, saúde animal, agronomia para poder fazer a gestão das safras e as vacas tenham comida, de processos operacionais, porque a fazenda é uma fábrica a céu aberto rodando sete dias por semana, 24 horas por dia, então todos os processos operacionais precisam estar muito bem alinhados para garantir que tudo ocorra bem”, salienta.
E o fato de ser uma mulher à frente de um negócio no setor agropecuário trouxe à tona desafios estruturais e culturais, que Fernanda teve que enfrentar no dia a dia com fornecedores, outros produtores e funcionários. Para desmistificar os estereótipos e a desconfiança inicial, Fernanda teve que trabalhar arduamente para obter resultados tangíveis e assim conquistar sua posição no mercado.
Por sua vez, Fernanda ressalta que o fato de ter vindo da publicidade favoreceu para que ingressasse na atividade com uma mentalidade aberta, voltada aos processos operacionais e com uma abordagem empresarial, adotando a criação de departamentos específicos e estabelecendo as funções de cada um dos funcionários, o que contribuiu para a eficiência e o profissionalismo na gestão do negócio.
Fernanda destaca ainda que sua relação com o leite é B2B. Como cooperada da Capal, sua produção leiteira é vendida por meio dessa cooperativa. “Não tenho uma marca para meu leite, mas tenho uma marca para o meu negócio, que é a Bacelar Agroleite, a qual representa nossa busca constante pela qualidade, eficiência, gestão e preservação do patrimônio familiar”, enfatiza, acrescentando: “Meu objetivo é me tornar cada vez mais eficiente, para que meu negócio seja cada vez mais lucrativo, para que eu possa trabalhar com o bem-estar dos animais e focar na qualidade de vida dos meus funcionários. Quando alcançar isso minha empresa vai se tornar completa e eu uma gestora muito satisfeita com o meu negócio. Por isso que eu, no momento, não tenho interesse em produzir uma marca própria”.
Em busca de conhecimento
Para adquirir o conhecimento necessário para gerenciar a produção de leite, Fernanda utilizou uma combinação de recursos e estratégias. Inicialmente, ela reconhece que começar do zero em um negócio tão complexo como a produção de leite demandou muita resiliência, mas, por outro lado, trouxe benefícios, pois teve a liberdade de trilhar seu próprio caminho e construir o negócio com base em suas próprias crenças.
Sua experiência anterior em gestão de empresas e os 15 anos de atuação em Marketing e Comunicação proporcionaram a ela uma perspectiva diferenciada, focando sua atenção em processos operacionais e na eficiência produtiva do rebanho, o que contribuiu para a rápida profissionalização do negócio.
Além disso, Fernanda ressalta a importância do contato e apoio de outros produtores no início de sua jornada. “Essa troca de informações e experiências foi muito valiosa, pois recebi dicas e pude esclarecer dúvidas sobre o dia a dia na atividade. A Capal, cooperativa em que sou associada, também desempenhou um papel fundamental, fornecendo suporte técnico especializado em áreas como alimentação, manejo de safras, sanidade e qualidade do leite. Atrelado a isso, a nossa propriedade está localizada em uma região reconhecida por sua alta tecnologia e excelência nos indicadores de qualidade do leite, o que serviu como referência e inspiração para elevar os padrões do meu negócio”, enfatiza.
Para complementar seu conhecimento, Fernanda também participou de diversos cursos voltados para a produção leiteira, os quais forneceram a base necessária para que pudesse gerenciar e tomar decisões mais embasadas no dia a dia de seu negócio.
Gestora de negócio
Desde o início, Fernanda diz que tinha plena consciência de que seria uma gestora do negócio e para isso precisaria ter profissionais qualificados e parceiros para atuar na atividade. “Antes mesmo de começar o negócio, fechei uma parceria com o médico-veterinário Nilton Vieira para nos ajudar na adequação do projeto e seleção dos animais. Ele segue até hoje na fazenda nos ajudando na parte sanitária, clínica e cirúrgica dos animais”, menciona.
Além disso, Fernanda reconhece a importância de contar com bons funcionários, que estejam comprometidos com o cuidado diário dos animais. A fazenda atualmente emprega 16 funcionários, sendo parte deles responsável pelo manejo dos animais e outra parte dedicada às atividades de ordenha, alimentação, manejo das camas e dos processos operacionais, que abrangem desde a manutenção dos equipamentos até a gestão de pessoas, compras, estoque e demais tarefas inerentes à rotina da fazenda.
Tirando o projeto do papel
Para dar início à criação de gado leiteiro, a família Bacelar realizou um investimento inicial por meio de um financiamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para a construção de dois barracões free stall, cada um com capacidade para abrigar 200 animais, além da instalação de uma sala de ordenha de porte médio, com 12 postos, e um bezerreiro. Posteriormente, buscaram novos financiamentos para viabilizar a construção de uma área destinada ao pré-parto, bem como espaços específicos para vacas secas e novilhas. “Essas expansões foram essenciais para o crescimento e aprimoramento de nossas instalações, proporcionando condições adequadas de manejo e bem-estar animal em todas as fases de desenvolvimento do rebanho”, frisa a gestora da fazenda.
Referência em qualidade
A produtora de leite destaca que sua busca constante é pela qualidade, colocando o bem-estar animal e a excelência do leite como seus principais focos. Para Fernanda, produzir alimentos é uma grande responsabilidade, especialmente quando se trata de um alimento nobre como o leite. Desde o início da Bacelar Agroleite, ela direcionou seus esforços para produzir leite com a máxima qualidade, o que se reflete nos índices de contagem de células somáticas (CCS), bactérias mesófilas (CTB) e ausência de resíduos de antibióticos ou outros contaminantes, certificada com as melhores médias anuais nestes indicadores. “Recebemos bonificação no preço do leite pela qualidade do produto entregue quando atingimos todos esses indicadores.
Desde que comecei o meu negócio sempre peguei a bonificação máxima em qualidade do leite”, exalta, complementando: “Todas as premiações do Paraná referentes a qualidade do leite ganhamos desde o começo do nosso negócio, que vai fazer sete anos, ou seja, há seis anos ganhamos como o melhor leite de qualidade na região de atuação da Capal e a nível de Paraná somos reconhecidos pela Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa”, enaltece.
Na propriedade da família Bacelar, o bem-estar animal e o conforto são as principais prioridades, a fim de garantir uma boa produção em harmonia com a saúde e o conforto dos animais. “Nosso objetivo é proporcionar um ambiente confortável para eles. Nossos barracões foram projetados com muito cuidado, oferecendo um alto nível de conforto. As camas são limpas, repostas e higienizadas duas vezes ao dia. O trato é fornecido duas vezes ao dia, garantindo uma alimentação adequada. Na linha de cocho, as vacas recebem aspersão de água oito vezes por dia, proporcionando resfriamento e ajudando a reduzir a temperatura corporal para que se sintam mais confortáveis”, expõe Fernanda.
Durante o processo de ordenha, as vacas são conduzidas por um percurso curto e nenhum animal é submetido a qualquer forma de agressão. Na sala de espera, também é fornecido aspersão de água para evitar qualquer estresse térmico antes de entrar na ordenha. “Nosso principal objetivo é garantir o bem-estar de todos os animais, desde os bezerros até as vacas em lactação, por meio de cuidados e tratamentos exemplares”, frisa Fernanda.
Em 2017, a fazenda Bacelar Agroleite produzia 2,9 mil litros de leite diariamente no tanque, e até o final de 2022, alcançou a marca de 14 mil litros. “Essa evolução foi bastante rápida, acompanhada do crescimento da produção e do plantel ao longo dos anos”, pondera a produtora rural, ampliando: “E o que me traz muito orgulho também é de talvez servir de inspiração para futuras gerações de mulheres. Não tem nada mais poderoso do que uma mulher estar onde ela deseja estar. O agronegócio evoluiu muito nos últimos e as mulheres chegaram para ficar, para estar à frente dos negócios, primando por uma gestão com muita firmeza, foco, consistência e atenção aos detalhes”.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Bovinos, Grãos e Máquinas. Boa leitura!

Bovinos / Grãos / Máquinas
Gadolando enfrenta retração em registros, mas avança na valorização genética do gado Holandês
Mesmo em um ano marcado pela crise do leite, associação gaúcha registra forte crescimento nas classificações de animais e reforça o trabalho técnico como estratégia para fortalecer a atividade.

A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) divulgou os números do serviço de controle leiteiro e do sistema de registros da raça referentes a 2025. De acordo com o levantamento, 5.256 animais estão sob controle leiteiro, com a realização de 63.072 controles. O sistema contabiliza 10.007 animais registrados e 4.355 em classificação linear.
Os dados apontam uma queda de 21,19% no número de registros e de 18,5% no controle leiteiro em relação à 2024. Em contrapartida, as classificações apresentaram um crescimento expressivo de 272,54%, resultado, segundo a Gadolando, da participação direta de 90 produtores e do reforço no corpo técnico da entidade.
Para o presidente da Gadolando, Marcos Tang, os números refletem a realidade vivida pelo setor leiteiro ao longo do último ano. Segundo o dirigente, apesar da diminuição nos registros e em parte dos controles, a entidade comemora a manutenção dos serviços por grande parte dos associados. “A maioria dos nossos produtores continuou realizando registro, controle e classificação. Tivemos, inclusive, um aumento significativo no número de animais classificados, pois disponibilizamos um corpo técnico mais estruturado para atender essa demanda”, destaca.
Tang avalia que a retração nos registros já era esperada diante da crise enfrentada pelo setor. O presidente da Gadolando lembra que, nos últimos quatro a cinco anos, os produtores lidaram com condições climáticas adversas, como períodos de estiagem intercalados com enchentes que comprometeram a produção de alimentos para o rebanho.
A situação se agravou, de acordo com ele, a partir de agosto, com a forte queda na remuneração do leite pago ao produtor. “Estamos vivendo uma das piores crises do setor leiteiro. Nesse contexto, é natural que haja redução no número de registros e de serviços”, afirma.
Apesar do cenário desafiador, Tang tem uma expectativa de estabilidade e recuperação gradual do setor. “Nós, da Gadolando, apostamos no fortalecimento da qualidade genética e na continuidade do trabalho técnico como caminhos para melhorar os indicadores e dar suporte aos criadores gaúchos nos próximos períodos”, conclui.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Leite mais barato alivia custo da alimentação nas capitais brasileiras
Com recuo de até 5,6% em dezembro, produto foi um dos principais responsáveis por frear a alta da cesta básica, embora os preços sigam pressionados em grandes centros urbanos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgaram na última quinta-feira (08) a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025, estudo publicado em parceria entre as duas instituições desde agosto do ano passado. Segundo o levantamento, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais, diminuiu em outras nove cidades e se manteve estável em um município, João Pessoa (PB), em que o preço permaneceu em R$ 597,66.

Foto: Divulgação/EBC
Entre novembro e dezembro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em Maceió (AL), com alta de 3,19%; Belo Horizonte (MG), com aumento de 1,58%; Salvador (BA), com crescimento de 1,55%; Brasília (DF), acréscimo de 1,54%; Teresina (PI), com alta de 1,39%; Macapá (AP), com aumento de (1,23%); Goiânia (GO), com alta de 1,19%; e Rio de Janeiro (RJ), que cresceu 1,03%. Já as quedas mais expressivas ocorreram em Porto Velho (RO), de 3,6%; Boa Vista (RR), de 2,55%; Rio Branco (AC), de 1,54%; Manaus (AM), de 1,43%; e Curitiba (PR), de 1,03%.
São Paulo segue sendo a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresenta o maior custo (R$ 845,95), seguida por outras capitais do Centro-Sul como Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22). Em contraponto, nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01), Recife (R$ 596,10), Natal (R$ 597,15) e João Pessoa (597,66).
Alimentos com maior queda
Leite integral, arroz agulhinha, açúcar, café em pó e óleo de soja foram os principais produtos que fazem parte da cesta básica de

Foto: Divulgação/Conab
alimentos que tiveram redução de preços. Apresentando a maior queda dentre as capitais, o arroz agulhinha teve o preço reduzido em 23 das 27 cidades, sendo as maiores diminuições registradas em Maceió (AL), de 6,65%; e Vitória (ES), de 6,63%. Em Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO), o valor não variou. Em Recife (PE) aumento 2,36% e em Manaus (AM) chegou a 1,04%. As causas para os preços mais baixos foram o menor volume exportado e a demanda retraída, que resultaram em novas diminuições do custo do grão no varejo.
Em seguida, o leite que caiu em 22 das 27 cidades, com variações entre -5,61%, em Curitiba (PR), e -0,69%, em Recife (PE). Em Palmas (TO), Aracaju (SE) e Maceió (AL), o valor não se alterou e observou-se aumento em outras duas cidades: Boa Vista (RR) com 3,28% de alta e Macapá (AP), com adição de 0,26%. De acordo com a pesquisa, a maior oferta interna, consequência da produção no campo e das importações de derivados, fez com que os preços diminuíssem no varejo.
Com maior oferta no varejo, o açúcar também apresentou menores valores em 21 capitais, com reduções entre -5,94%, em Teresina (PI), e -0,40%, em Florianópolis (SC). Em São Luís (MA), o valor médio não teve alteração. Houve aumento em cinco localidades, com destaque para Macapá (AP), que teve alta de 1,51%.

Foto: Geraldo Bubniak
O café em pó diminuiu em 20 cidades, com oscilações entre -3,35%, em Palmas (TO), e -0,07%, em Macapá (AP). Houve aumento em outras sete cidades, sendo que a variação mais alta foi verificada em Manaus (AM), chegando a um aumento de 3,97%. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores compradores de café, e as incertezas em relação à negociação reduziram as exportações e os preços no varejo.
Por fim, a maior oferta global da soja impactou na redução do valor do óleo no varejo, o qual ficou mais barato em 17 cidades, com destaque para os percentuais em Belo Horizonte (MG), baixa de 6,68%; e São Luís (MA), redução de 5,9%. Em Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE), o valor médio não se alterou e, em oito cidades, foi observada alta, sendo que a maior variação ocorreu em Belém (PA), de 3,54%.
Salário mínimo ideal e horas trabalhadas para aquisição da cesta
Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00. Em novembro, o valor necessário era de R$ 7.067,18 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em dezembro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.067,68 ou 5,01 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412,00.
Em dezembro de 2025, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais foi de 98 horas e 41 minutos,

Foto: Geraldo Bubniak
pouco maior do que o registrado em novembro, quando ficou em 98 horas e 31 minutos. Já em dezembro de 2024, considerando apenas as 17 capitais, a jornada média foi de 109 horas e 29 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em dezembro de 2025, 48,49% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em novembro, 48,41% da renda líquida. Em dezembro de 2024, considerando as 17 capitais, o percentual médio ficou em 53,80%.
Parceria Conab e Dieese
A coleta de preços de alimentos básicos foi ampliada de 17 para 27 capitais brasileiras, resultado da parceria entre a Conab e o Dieese. A iniciativa reforça a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos com todas as capitais começaram a ser divulgados em agosto de 2025.
Para acessar informações detalhadas sobre os valores dos produtos que compõem a cesta básica nas 27 capitais, consulte a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025 no site da Conab e no portal do DIEESE.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Bovinocultura de corte dispara e rompe os R$ 200 bilhões em 2025
Resultado representa um avanço nominal de R$ 35,4 bilhões sobre os R$ 169,97 bilhões registrados em 2024, crescimento de 20,8% em apenas um ano, um dos maiores incrementos absolutos entre todas as cadeias agropecuárias analisadas.

O ano de 2025 marca um movimento decisivo para a bovinocultura de corte brasileira. Segundo dados atualizados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 21 de novembro, o Valor Bruto da Produção (VBP) do setor rompeu a barreira inédita dos R$ 200 bilhões, atingindo R$ 205,38 bilhões. O resultado representa um avanço nominal de R$ 35,4 bilhões sobre os R$ 169,97 bilhões registrados em 2024, crescimento de 20,8% em apenas um ano, um dos maiores incrementos absolutos entre todas as cadeias agropecuárias analisadas.
A força desse movimento fica ainda mais evidente quando se observa a participação da bovinocultura dentro do VBP total do país. Em 2024, o setor respondia por 13,41% do faturamento do agro. Em 2025, esse índice salta para 14,54%, ampliando sua relevância econômica e consolidando a atividade como a segunda mais importante do Brasil, atrás somente da soja. O avanço ocorre mesmo em um cenário de custos operacionais elevados, ajustes climáticos regionais e volatilidade no mercado internacional de carnes, o que demonstra resiliência produtiva e boa adaptação das propriedades e frigoríficos ao novo ciclo de preços.
No ranking estadual, Mato Grosso se mantém como o grande polo nacional da pecuária de corte, alcançando R$ 37,96 bilhões em 2025. São Paulo mantém a segunda posição, com R$ 24,82 bilhões, seguido por Mato Grosso do Sul, que assumiu a terceira posição e registrou R$ 20,49 bilhões. Goiás e Minas Gerais aparecem logo na sequência, reforçando a dominância do Centro-Oeste e do Sudeste tanto em volume produzido quanto em estratégia de industrialização e exportação.
Essas regiões seguem concentrando investimentos em confinamento, manejo de pastagens, integração agricultura-pecuária e genética de alto desempenho, fatores que ajudam a explicar a expansão do VBP.

A evolução histórica também revela uma trajetória consistente. De 2018 a 2025, o VBP da bovinocultura salta de R$ 128,7 bilhões para mais de R$ 205 bilhões. É uma alta nominal expressiva, mas é importante destacar que esses valores são correntes e não consideram a inflação acumulada no período. Isso significa que parte da elevação do indicador decorre de variações nos preços recebidos pelos produtores, e não exclusivamente do aumento da produção física. Ainda assim, o crescimento registrado em 2025 supera de longe apenas um reajuste inflacionário, indicando expansão concreta do setor.
Outro ponto relevante é que o salto no faturamento coincide com um período de recomposição da demanda global por carne bovina, avanços logísticos e sanitários, ampliação de mercados internacionais e melhora na eficiência produtiva. Ao mesmo tempo, estratégias de intensificação, aumento da produtividade por hectare, genética superior e gestão alimentar mais precisa têm elevado a competitividade do rebanho nacional.
Com preços firmes, exportações recuperadas e sistemas produtivos mais tecnificados, a bovinocultura de corte termina 2025 fortalecida e com papel ainda mais central no agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



