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“A cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor”, afirma Valter Pitol

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro.

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Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Desde 2004 trabalhamos como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo” - Fotos: Sandro Mesquita/OP Rural

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro. O Presente Rural foi até Cafelândia, no Oeste do Paraná, para ouvir essa e outras histórias do presidente da Copacol, Valter Pitol, um homem obstinado a gerar oportunidades para os quase oito mil associados. Confira os planos dessa gigante do agro para as cadeias estratégias de aves, peixes, suínos, leite e grãos.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica”

O Presente Rural – Vamos começar falando um pouquinho da sua história. Como que ela se envolve com o cooperativismo?

Valter Pitol – Eu vim para Cafelândia trabalhar na cooperativa em fevereiro de 73, como extensionista. Eu me formei em 1972, em Passo Fundo, na segunda turma de agrônomos. Naquela época a agricultura demandava muitos profissionais. Tinham oportunidades no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. E aí o meu colega era Moacir Micheletto e ele dizia para eu vir ao Paraná porque era bom. Eu vim de carona e comecei a trabalhar na cooperativa. Fui responsável pela construção do departamento técnico. Passamos por uma evolução muito grande em tecnologia, com a exigência de prestar assistência ao produtor. Depois, fui convidado a ser vice-presidente em 1980, cargo que ocupei por 18 anos. E agora, com toda essa experiência faz 25 anos que eu sou presidente da cooperativa. Tenho muita satisfação, muita responsabilidade, mas também orgulho na caminhada profissional. Digo sempre que conto com uma grande equipe, pois ninguém faz nada sozinho.

O Presente Rural – O senhor pode nos contar um pouco da história da Copacol?

Valter Pitol – Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica. Em 1963, quando o padre Luiz e outros 32 produtores formaram a Copacol, a necessidade era energia elétrica nessa vila que era um distrito de Cascavel, então eles construíram uma usina, puxaram quatro quilômetros de rede aqui nessa comunidade. Depois, com a chegada dos colonizadores do Sul eles começaram a desbravar a região e surgiu a necessidade de estruturar a produção de grãos. Foi então que em 1967, com muitas dificuldades, começaram a estruturar a produção de grãos. No início era tudo manual, depois veio a mecanização.  Sempre gosto de lembrar um fato bastante importante, pois a fundação da cooperativa foi em outubro de 1963, mas ela também teve um fato histórico em fevereiro de 1972, que também diria que marcou o desenvolvimento e oportunidade da região. Foi neste período que foi realizado, no Oeste do Paraná, por órgãos do governo, o mapeamento da região, o projeto Iguaçu de cooperativismo é baseado nisso. Eles identificaram quais eram os locais onde seria melhor fundar cooperativas para poder dar sustentação a todo esse desenvolvimento que vinha da agricultura. Então em 1970 fundaram a Coopavel, com sede em Cascavel e aqui éramos um distrito vizinho, Cafelândia, dentro de Cascavel. E aí, qual era o sentimento naquela época, passávamos por dificuldades e muitos pensaram que devíamos nos incorporar a Coopavel. Porém, a história diz que por meio da ação de um homem, isso não veio a acontecer e foi muito importante para a nossa cooperativa. Contam que o padre, naquela época, foi de casa em casa pedindo aos produtores e cooperados para que votassem não na assembleia e permanecêssemos sozinhos enquanto cooperativa. O padre dizia que a incorporação não traria progresso para a Copacol. Então na assembleia, os 92 produtores associados da época não aprovaram a incorporação e a nossa cooperativa começou a deslanchar a partir daquele dia. Conseguimos financiar nosso primeiro armazém em 1972 e começamos a receber soja. Passamos por problemas, pois os financiamentos não eram fáceis de ser conseguidos na época, muitos produtores precisaram validar os financiamentos com promissórias, assumindo os valores caso a cooperativa não desse conta. Nenhum produtor precisou pagar, pois a cooperativa teve bons resultados. Isso é muito bonito e gosto de dizer, pois mostra a confiança e a expectativa dos associados. Depois, em 1974 iniciamos os trabalhos em Nova Aurora, Formosa do Oeste e em Jesuítas. Hoje temos mais de 30 unidades de recebimento de grãos no Oeste e Sudoeste do Paraná. Então nossa cooperativa foi formada por decisões fortes, por muita coragem e ousadia. As decisões daquela época proporcionaram o que somos hoje.

O Presente Rural – E quando a cooperativa começou a trabalhar com a pecuária?

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais”

Valter Pitol – Em 1975 nós tivemos a famosa geada negra que acabou com os cafezais, alguns se recuperaram e outros não. Depois, em 1977 tivemos uma seca semelhante a essa que passou na soja (2022) e talvez até pior. A cooperativa ainda estava bastante fraca e trabalhava só com grãos, os dirigentes da época discutiram e observaram que se algo desse errado de novo a cooperativa corria o risco de desaparecer, então surgiu a ideia de discutir o que poderíamos fazer para agregar diversificação, para a gente poder crescer. Após as análises e discussões veio a avicultura. Começamos o abate de aves no dia 05 de maio de 1982. Somos os pioneiros do Oeste do Paraná no abate de frangos. Foi difícil no início, pois ninguém conhecia esse trabalho, mas logo começamos a ter renda muito boa e isso estimulou e desenvolveu a cooperativa e veio com uma velocidade muito grande. Hoje 50% do nosso faturamento vem do frango.

Nesta época também tínhamos a Sudcoop que era uma central de suínos, que basicamente atendia as cooperativas do sudoeste. Tinha estrutura em Medianeira e Céu Azul, foi então que o banco de crédito sugeriu que fizéssemos uma integração entre o Oeste e Sudoeste. E com isso veio todo o desenvolvimento da Frimesa que fazemos parte desde o início e enviamos a nossa produção de suínos e leite para ser industrializado pela Frimesa.

O Presente Rural – Presidente, o senhor pode falar sobre o quadro de associados e colaboradores. E quais são as regiões que a Copacol atua?

Valter Pitol – Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais. A participação do associado é muito forte. Ele confia no trabalho da cooperativa e nos negócios. Isso porque temos uma excelente estrutura de gestão. Temos negócios com grãos, cereais, frango, suíno, leite e piscicultura. A nossa cooperativa sempre procurou zelar pela integração do associado e da família com o desenvolvimento da cooperativa, com as oportunidades de crescimento do produtor, para ele poder participar mais, ter mais produção de frango, suínos e peixe, além dos grãos. E com isso vem agregando colaboradores. O processo de desenvolvimento é contínuo, o que proporciona oportunidades aos cooperados e também beneficia a geração de empregos.  Sempre digo que isso equilibra produção, pois o produtor produz, mas também gera emprego e riquezas para a região.

O Presente Rural – Em seus 60 anos de existência, a cooperativa tem desempenhado um papel crucial na comunidade dos cooperados. Presidente, diante dessa marca significativa, gostaríamos de saber como foram as comemorações desta importante data.

Valter Pitol – Estamos felizes, pois tivemos muitas dificuldades, mas a cooperativa sempre deu seus passos com segurança. Agora completamos 60 anos de história, de oportunidades aos cooperados e nós comemoramos com nossos familiares, com a presença de familiares de fundadores, pois temos somente três fundadores que ainda são vivos. Comemoramos lembrando da ousadia e da coragem dos primeiros. Tivemos também um momento de celebração para agradecer as bênçãos, independente de credo, com show do padre Ezequiel, no sentido de fortalecer o espírito da integração, do cooperativismo, agradecendo e também para pedir a Deus que continue a abençoar nossa cooperativa. E todos os associados também receberam um presente, bem como os colaboradores. Desta forma, as celebrações reafirmaram a importância dos cooperados e dos colaboradores que dedicam muito do seu tempo em prol da cooperativa, pois procuramos trabalhar de forma a desenvolver ações que beneficiem a agricultura.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos a quinta empresa do país em abate de frango”

O Presente Rural – A Copacol trabalha em diversas áreas. Como está cada uma delas e o que elas representam hoje para a cooperativa?

Valter Pitol – A área de grãos é uma área importante porque é onde produzimos a matéria-prima para produzir carne. Dentro dessa área tem um centro de pesquisa agrícola que oferece suporte, informações tecnológicas de primeira mão para o nosso cooperado. Nosso parceiro hoje é credenciado pelo Ministério da Agricultura, temos parceria com empresas nacionais e multinacionais de pesquisa. Desta forma, nosso produtor é muito bem assessorado para a produção de grãos e quando ele vai aplicar um defensivo ele tem muitas informações e pode fazer de forma bastante segura, pois tudo foi pesquisado e estudado de forma a ser eficiente.

Na parte de avicultura nós abatemos hoje 720 mil frangos por dia. Somos a quinta empresa do país em abate de frango. Com isso vem toda uma riqueza e uma oportunidade em relação à participação do cooperado. Nós estamos projetando um pequeno aumento no abate, já que as nossas unidades de Cafelândia e Ubiratã conseguem aumentar um pouco.

Na suinocultura somos parceiros da Frimesa que está crescendo e nós temos 18% da responsabilidade do capital da Frimesa, então nós temos que contribuir com 18% do suínos que são abatidos. Então você vai investir em estrutura de produção de leitões e você vai gerar oportunidade para o produtor fazer terminação, então projetamos crescimento.

No peixe nós estamos com duas plantas, uma em Nova Aurora e outra em Toledo. Qual é o caminho? É duplicar a capacidade de abate em Toledo, de 40 mil para 80 mil tilápias ao dia. Até 2025 nossa projeção é abater 230 mil tilápias ao dia nessas duas plantas. Tudo isso traz mais oportunidades ao produtores. Por isso eu digo sempre que a cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor. Esse é o papel da cooperativa, oferecer ferramentas de desenvolvimento e dar condições aos cooperados para que ele tenha mais renda.

O Presente Rural – Com relação a sucessão familiar, como a Copacol tem encarado isso?

Valter Pitol – É um desafio. Estamos há três anos trabalhando forte nisso. Trabalhamos com apoio da Faep, promovendo encontros com as famílias, passando orientações e informações para tomar a decisão de como fazer a sucessão familiar sem trauma. Claro, nós não obrigamos ninguém, mas o produtor que tem interesse, nós temos sempre uma turma para levar ao produtor uma visão do como ele pode fazer uma sucessão familiar de forma eficiente.

O Presente Rural – Presidente, a produção da Copacol está sendo direcionada para onde?

Valter Pitol – Toda a nossa produção de grãos é industrializada por nós. O frango que temos uma produção de quase 500 mil toneladas por ano, 60% é exportado, para 75 países, nos cinco continentes, 40% fica no mercado interno. Nossa exportação de peixe ainda não é tão expressiva, mas também estamos buscando abrir mercado porque planejamos crescer muito neste segmento.

O Presente Rural – Recentemente foi inaugurada uma nova unidade de produção de alevinos. Essa unidade vai suprir toda essa capacidade de aumento que a Copacol almeja na produção de tilápias?

Valter Pitol – Nós, dentro da piscicultura que iniciamos em 2008 e fomos pioneiros no Oeste, também no sistema de integração, temos uma unidade produtora de alevinos que produz 50 milhões de alevinos por ano, em Nova Aurora. E agora com a inauguração da nova unidade que conta com tecnologia israelense, temos uma unidade com renovação de água nos tanques, com bioflocos e que vai produzir 50 milhões de tilápias. Então nós vamos ter 100 milhões de tilápias produzidas ao ano, o que vai nos permitir chegar ao abate de 270 mil tilápias por dia. Então nós temos capacidade de produção de alevinos suficiente para a nossa produção e crescimento.

Equipe do Jornal O Presente Rural: Ueslei Stankovicz, Selmar Marquesin, Giuliano De Luca e Sandro Mesquista, ladeando o presidente da Copacol, Valter Pitol

O Presente Rural – Como está a tecnologia embarcada hoje dentro da produção de tilápia e como o produtor está analisando esse mercado?

Valter Pitol – Eu diria que a tilápia, como nós temos todo o processo genético e toda a cadeia, o que a gente analisa e vem buscar agora com essa estrutura dessas inovações, e digo que é inovação para nós, porque no mundo inteiro essa tecnologia já existe nesse sistema de bioflocos, como nós estamos fazendo com tanques. Então qual é o nosso desafio futuro? Buscar melhoramento genético. O melhoramento vai ser a base para poder ter mais rentabilidade e mais renda. Vamos em busca de mais informações e conhecimento para fazer cruzamento genético para ter mais rentabilidade.

O Presente Rural – No que tange a suinocultura, como está a parceria de vocês junto à Frimesa e o novo frigorifico em Assis Chateaubriand?

Valter Pitol – A Frimesa, desde quando nós entramos de sócios na fundação, sempre foi um porto seguro para os nossos terminadores de suínos. Porque a cooperativa produz os leitões em todas as unidades produtoras, nós temos estrutura e repassamos ao produtor e ele está seguro com a Frimesa, pois é uma parceria muito forte. Nós produzimos produto de qualidade, para que ela faça um bom abate e ofertamos um produto de qualidade e segurança. A Frimesa garante a segurança para o produtor, é claro que acontecem altos e baixos no mercado, mas a Frimesa sempre deu suporte e condições aos produtores. Com este novo frigorífico em Assis nós fornecemos 450 mil suínos por ano e vamos chegar aos 700 mil. Esse é um número muito grande.

O Presente Rural – Quais são os projetos futuros da Copacol?

Valter Pitol – A cooperativa trabalha com um projeto estratégico. Desde 2004, trabalhando como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo. Em 2024 vamos atualizar nosso planejamento para os próximos cinco anos. Baseados neste planejamento, nós buscamos informar a todos desde os cooperados, as lideranças e nossos colaboradores, para que todos possam saber das oportunidades e contribuir no processo. Nós projetamos, nos próximos cinco anos, aumentar nossa produção de frangos, de peixes e suínos, pois isso está dentro das possibilidades. Sempre trabalhando com eficiência, pensando no custo, porque a gente não consegue regular o preço, mas precisamos trabalhar com um custo de produção mais baixo para que o produto seja viável.  Essa é uma realidade que a gente trabalha constantemente e eu sempre busco aperfeiçoar os processos gerenciais.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor”

O Presente Rural – E dentro dessa projeção de crescimento, que é a perspectiva de faturamento em 2023 e 2024?

Valter Pitol – Neste ano (2023), nossa previsão é chegar em torno de R$ 10 bilhões de faturamento. E para os próximos cinco anos, é claro que nós não esperamos preços tão extraordinários de grãos também, por isso, nos almejamos chegar em cinco anos em um faturamento de R$ 12,8 bilhões. O faturamento é importante, mas não é o principal. O que precisa para que você possa crescer é fazer com que as suas atividades tenham resultados positivos. O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor. Então a gente sempre trabalha com essa perspectiva, buscando fazer o melhor, porque nós entendemos que o produtor, o associado é o sustento da cooperativa, nossa responsabilidade é conduzir, gerenciar, processar e comercializar. Mas o produto vem do produtor. Nós temos um diferencial, porque conseguimos integrar muito as famílias dos associados, começando a trabalhar com atividades com eles desde que são crianças. Isso aproxima a família do cooperado à cooperativa.

O Presente Rural – Qual a sua visão com relação as temáticas da agenda ESG, bem-estar animal e o uso de tecnologias? Como a Copacol vem lidando com estes temas atuais?

Valter Pitol – Dentro de todas essas temáticas citados por você, nós precisamos saber cada uma delas e precisamos cumpri-las. Para nós, o bem estar animal é essencial, é uma obrigação. Sempre digo que isso não é modernismo, mas precisamos estar inseridos nestas temáticas para acompanhar as mudanças que acontecem. Só que você também não pode achar que isso vai salvar o mundo, o que vai salvar é o nosso trabalho, é preciso acompanhar as exigências em termos de mercado e sociedade. Então aqui na Copacol nós estamos por dentro de todos estes temas e estamos fazendo a nossa parte, porque sabemos que é preciso ser feito.

O Presente Rural – Quais os principais desafios que vocês enfrentam hoje dentro da cooperativa?

Valter Pitol – Olha, se você olhar na indústria, é a falta de mão-de-obra, principalmente nos setores industriais. Na parte industrial das nossas quatro indústrias nós temos dificuldade séria de mão-de-obra.

O Presente Rural – Vocês têm buscado tecnologia para substituir essa mão-de-obra que falta?

Valter Pitol – Na maior parte de onde era possível substituir já foi feita esta substituição, é claro que nós não substituímos as pessoas, mas usamos tecnologia para ajudar naquilo que estava faltando. Estamos buscando, constantemente, estar atualizados com as novas tecnologias de automatização para suprir as nossas demandas.

O Presente Rural – Hoje as indústrias trabalham com ociosidade por falta de mão-de-obra?

Valter Pitol – Não dá para dizer que temos ociosidade, mas as vezes deixamos de produzir algum produto que possa agregar mais valor, esse é o problema. Então você abate o frango, mas se tivesse a mão-de-obra completa você poderia fazer alguns produtos que você poderia agregar valor para ter mais resultado. Então essa é a deficiência maior.

O Presente Rural – O que a Copacol enxerga de oportunidade no futuro?  

Valter Pitol – Nós acreditamos que vamos continuar crescendo e nos desenvolvendo com segurança, atendendo o produtor. A gente também sabe que temos desafios futuros, como fazer sempre melhor, pois cada vez temos mais concorrência. Então o nosso desafio é crescer com qualidade, com gestão dos negócios, com boas decisões da cooperativa, tudo de maneira organizada e estruturada, pois acredito que é isso que fortalece a cooperativa e vai trazer resultado para os cooperados, que são os donos da cooperativa.

Fonte: O Presente Rural

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Safra histórica e avanço logístico impulsionam desempenho econômico do Paraná

Dados do Departamento de Economia Rural indicam produção recorde de grãos, enquanto infraestrutura rodoviária e portuária amplia capacidade de escoamento.

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Foto: Gilson Abreu

O estado do Paraná tem se destacado pelo forte desenvolvimento econômico durante o ano. Em 2025, o estado bateu recordes históricos em três frentes fundamentais para seu crescimento: Agricultura, Infraestrutura e Portuário. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná atingiu a maior safra de grãos da história, com mais de 46 milhões de toneladas colhidas.

As estradas também foram destaque com o marco de 755 quilômetros de rodovias de concreto, segundo o Governo do Paraná. Enquanto isso, os portos do estado chegaram a 70 milhões de toneladas movimentadas. Esses números representam o crescimento contínuo do estado e apontam bons resultados para o próximo ano.

Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar): “Esse volume exige planejamento logístico, infraestrutura adequada e operações cada vez mais qualificadas”

Segundo o Deral, o resultado da safra de 2024/25 atingiu a meta esperada para 2035. O destaque da safra foi para a aveia com 470 mil toneladas, o maior volume dos últimos 10 anos. Outro elemento importante para o setor foi o milho, que atingiu 21 milhões de toneladas, um número recorde para o grão.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar),, o número reforça a importância de uma força conjunta entre os dois setores. “Esse volume exige planejamento logístico, infraestrutura adequada e operações cada vez mais qualificadas. O recorde histórico da safra paranaense fortalece a união entre os setores e evidencia a importância do Transporte Rodoviário de Cargas para garantir o escoamento eficiente dessa produção”, ressalta.

Avanços em infraestrutura

Os mais de 700 quilômetros de rodovias concretadas representam um aumento de 50% em relação à extensão registrada em junho, de 500 quilômetros. Ao todo, as rodovias de concreto já somam mais de R$3,3 bilhões investidos. Além dos resultados já alcançados, obras de restauração, ampliação e duplicação já estão previstas para a região Oeste. “A ampliação das rodovias de concreto no Paraná é um avanço importante para o setor, pois traz mais durabilidade, segurança viária e previsibilidade operacional para quem transporta cargas diariamente”, salienta Pilati.

Para o presidente do Sintropar, o Paraná apresenta um crescimento consistente diante dos investimentos e de uma economia diversificada: “Esse ambiente favorece o planejamento das empresas e fortalece toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas”, frisa.

Além das safras e das rodovias, os portos também alcançaram números históricos. Em 2025, os portos do estado movimentaram 70 milhões de toneladas, uma marca 5% maior do que a registrada em 2024. O Porto de Paranaguá é um dos mais importantes do mundo no embarque de grãos e farelos, além de ser o maior corredor de exportação de carne do Brasil, com saída de 40% da produção nacional. “O recorde histórico de movimentação nos Portos do Paraná mostra que o estado está preparado para atender a uma demanda crescente. Esse desempenho é possível, também, com o apoio de um transporte rodoviário eficiente, integrado e tecnicamente bem estruturado”, reforça Pilati.

Perspectivas para 2026

Em 2026, estão previstas a continuação das obras de infraestrutura para melhorias na malha rodoviária, com restaurações, novas ligações e pavimentações. Além disso, com o recente investimento de R$1,5 bilhão para expansão do Porto de Paranaguá, a expectativa é de um salto na escalada do comércio exterior. “Para 2026, a expectativa é de um cenário ainda mais desafiador e promissor, com uma agricultura forte, portos cada vez mais eficientes e a necessidade permanente de rodovias adequadas para sustentar esse crescimento”, comenta o presidente.

O executivo reforça a integração entre os setores para o crescimento contínuo e eficiente do estado: “A integração entre produção, infraestrutura viária e logística portuária será determinante para manter a competitividade do Paraná, e o Sintropar seguirá atuando para que o transporte rodoviário esteja preparado para atender essa demanda com eficiência, segurança e planejamento”, enfatiza Pilati.

Fonte: Assessoria Sintropar
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Incerteza tarifária amplia retração nas importações de fertilizantes fosfatados

Importadores priorizaram negociações pontuais diante de balanço global apertado e poder de compra reduzido do agricultor.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

As importações de fertilizantes fosfatados de alta concentração registraram forte retração nos Estados Unidos em 2025, diante da combinação de preços elevados, oferta global restrita e relações de troca desfavoráveis. A análise é da StoneX, em seu relatório semanal de fertilizantes.

Entre janeiro e dezembro do ano passado, os EUA importaram pouco menos de 600 mil toneladas de DAP (fosfato diamônico), volume 53% inferior ao registrado em 2024. Já as compras de MAP (fosfato monoamônico) somaram pouco menos de 700 mil toneladas, queda de 34% na comparação anual.

Analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías: “Diante desse cenário, os importadores optaram por uma postura mais cautelosa, priorizando compras em pequenos volumes em vez de grandes compromissos” – Foto: Divulgação

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o desempenho negativo está ligado principalmente a dois fatores. “Durante boa parte de 2025, os preços dos fosfatados de alta concentração se mantiveram elevados, em meio a um balanço global apertado. Ao mesmo tempo, as cotações enfraquecidas no mercado de grãos levaram a algumas das piores relações de troca dos últimos anos”, afirma.

De acordo com Pernías, esse ambiente reduziu o apetite dos compradores norte-americanos. “Diante desse cenário, os importadores optaram por uma postura mais cautelosa, priorizando compras em pequenos volumes em vez de grandes compromissos. A perda de poder de compra do agricultor também desestimulou o consumo, levando a aplicações mais criteriosas”, destaca.

Outro fator relevante foi a incerteza em torno das tarifas de importação dos Estados Unidos ao longo de 2025. No ano passado, o então presidente Donald Trump elevou de forma súbita as tarifas de importação, impactando diretamente os fertilizantes importados. O aumento de custos no segmento de fosfatados, somado ao balanço global apertado, ampliou a imprevisibilidade e dificultou o planejamento das aquisições.

Perspectivas para a próxima safra

Para a próxima temporada, a expectativa é de que o consumo de fosfatados de alta concentração permaneça limitado. “As restrições financeiras impostas por relações de troca pouco atrativas e preços ainda elevados devem continuar condicionando as decisões de compra dos agricultores, que tendem a manter uma postura cautelosa”, projeta Pernías.

Além disso, os custos das principais matérias-primas utilizadas na produção desses fertilizantes, como amônia e enxofre, seguem em patamares relativamente elevados, o que dificulta uma queda mais consistente dos preços no curto prazo.

O cenário reforça a necessidade de monitoramento constante do mercado global de fertilizantes, especialmente em um ambiente marcado por volatilidade, incertezas comerciais e margens mais pressionadas no campo.

Fonte: Assessoria StoneX
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Agro brasileiro transforma agricultura tropical em ativo estratégico na agenda climática

No Dia do Agronegócio, setor destaca protagonismo na COP 30, avanço de tecnologias de baixo carbono e ganhos de produtividade que ampliam a oferta de alimentos sem expansão proporcional de área.

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Fotos: Shutterstock

A celebração do Dia do Agronegócio em 25 de fevereiro ganha relevância em um momento em que o Brasil apresenta a agricultura tropical como um ativo estratégico e conectado ao futuro, onde a inovação tecnológica no campo se traduz em mais sustentabilidade.

O modelo de produção desenvolvido no Brasil é um aliado que pode contribuir para mitigar a crise climática, apoiar a transição energética e garantir segurança alimentar no mundo. Esta foi a mensagem levada pelo setor para o público da COP 30. “A consolidação desta agenda é vital para a competitividade brasileira em acordos como o Mercosul-União Europeia. Ao liderar a discussão, o Brasil combate barreiras comerciais unilaterais e se antecipa a exigências globais em comércio sustentável, o que demanda a implementação plena do Código Florestal e o combate rigoroso ao desmatamento ilegal”, avalia Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

Diferente das nações desenvolvidas, cujas emissões concentram-se em energia e transporte, o perfil brasileiro é dominado pelas emissões oriundas do uso da terra. O setor agropecuário tem avançado na demonstração de que práticas sustentáveis não apenas aumentam a produtividade, mas funcionam como sumidouros de carbono.

Entre as tecnologias e práticas desenvolvidas no Brasil estão o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, a integração lavoura-pecuária-floresta, a recuperação de áreas degradadas e a terminação intensiva de gado a pasto, além de bioinsumos. A biomassa e os biocombustíveis contribuem para que a matriz brasileira possua 49% de fontes renováveis, o triplo da média global, o que permite também ampliar a economia circular no setor, com aproveitamento de resíduos. “Os desafios estão em como ampliar o uso das práticas sustentáveis, o que demanda, de um lado mais produção e difusão de tecnologia e, de outro, mais investimentos chegando no campo”, analisa Sampaio.

“Outro desafio está em mensurar a contribuição dessa agricultura para o clima. É preciso tropicalizar os fatores de emissão, e também rediscutir no cenário internacional como são feitas essas métricas. Por exemplo, padrões internacionais medem carbono no solo apenas nos primeiros 20 centímetros de profundidade. No Brasil, as raízes das pastagens podem fazer o mesmo a profundidades superiores a 2 metros, revelando um ativo ambiental subestimado”, salienta Sampaio.

Mais produção, menos desmatamento

Historicamente, o ambiente tropical era considerado desafiador para a produção devido a solos de baixa fertilidade, alta incidência de pragas e irregularidades climáticas. Contudo, nas últimas cinco décadas, o Brasil protagonizou uma revolução científica que transformou o país de grande importador de alimentos em um dos maiores exportadores globais. Dados oficiais mostram que o agronegócio responde por 23,2% do PIB nacional e 49% das exportações.

Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura: “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo”

Esta ascensão refletiu em ganhos de produtividade: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2025/2026 deve alcançar 353,37 milhões de toneladas, com destaque para a soja, estimada em 178 milhões de toneladas, 3,8% a mais que no ciclo anterior, projeção que, caso confirmada, indica novo recorde histórico.

Esses números reforçam a capacidade do Brasil de ampliar a oferta de alimentos sem expandir proporcionalmente a área cultivada, um crescimento impulsionado por ganhos de eficiência a partir de boas práticas e tecnologia. Isso mostra que o país tem potencial para continuar sendo um grande produtor sem depender do desmatamento. “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo. O equilíbrio do clima é condição vital para a produção agrícola e, por consequência, da segurança alimentar”, acrescenta Sampaio.

Soluções práticas e próximos passos

Foto: Jonathan Campos

O Brasil tem políticas públicas desenhadas para apoiar o crescimento de uma agropecuária sustentável. Entre os destaques estão o Plano ABC+ e o Caminho Verde.  O ABC+ é hoje o principal instrumento para consolidar a agricultura de baixo carbono, com metas de ampliar sistemas sustentáveis em mais de 72 milhões de hectares até 2030. O Caminho Verde pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas nos próximos 10 anos. “Precisamos avançar em políticas públicas e ações privadas capazes de democratizar o acesso a tecnologias para pequenos e médios produtores. Mas também é preciso conter a ilegalidade, avançar na implementação do Código Florestal e na remuneração por ativos ambientais em áreas privadas”, ressalta Sampaio, enfatizando: “A consolidação dessa agenda agroambiental no país é um diferencial para garantir resiliência à nossa produção, atrair investimentos, ampliar mercados e mudar a imagem internacional da agricultura brasileira.”

Fonte: Assessoria Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura
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