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“A cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor”, afirma Valter Pitol

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro.

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Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Desde 2004 trabalhamos como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo” - Fotos: Sandro Mesquita/OP Rural

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro. O Presente Rural foi até Cafelândia, no Oeste do Paraná, para ouvir essa e outras histórias do presidente da Copacol, Valter Pitol, um homem obstinado a gerar oportunidades para os quase oito mil associados. Confira os planos dessa gigante do agro para as cadeias estratégias de aves, peixes, suínos, leite e grãos.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica”

O Presente Rural – Vamos começar falando um pouquinho da sua história. Como que ela se envolve com o cooperativismo?

Valter Pitol – Eu vim para Cafelândia trabalhar na cooperativa em fevereiro de 73, como extensionista. Eu me formei em 1972, em Passo Fundo, na segunda turma de agrônomos. Naquela época a agricultura demandava muitos profissionais. Tinham oportunidades no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. E aí o meu colega era Moacir Micheletto e ele dizia para eu vir ao Paraná porque era bom. Eu vim de carona e comecei a trabalhar na cooperativa. Fui responsável pela construção do departamento técnico. Passamos por uma evolução muito grande em tecnologia, com a exigência de prestar assistência ao produtor. Depois, fui convidado a ser vice-presidente em 1980, cargo que ocupei por 18 anos. E agora, com toda essa experiência faz 25 anos que eu sou presidente da cooperativa. Tenho muita satisfação, muita responsabilidade, mas também orgulho na caminhada profissional. Digo sempre que conto com uma grande equipe, pois ninguém faz nada sozinho.

O Presente Rural – O senhor pode nos contar um pouco da história da Copacol?

Valter Pitol – Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica. Em 1963, quando o padre Luiz e outros 32 produtores formaram a Copacol, a necessidade era energia elétrica nessa vila que era um distrito de Cascavel, então eles construíram uma usina, puxaram quatro quilômetros de rede aqui nessa comunidade. Depois, com a chegada dos colonizadores do Sul eles começaram a desbravar a região e surgiu a necessidade de estruturar a produção de grãos. Foi então que em 1967, com muitas dificuldades, começaram a estruturar a produção de grãos. No início era tudo manual, depois veio a mecanização.  Sempre gosto de lembrar um fato bastante importante, pois a fundação da cooperativa foi em outubro de 1963, mas ela também teve um fato histórico em fevereiro de 1972, que também diria que marcou o desenvolvimento e oportunidade da região. Foi neste período que foi realizado, no Oeste do Paraná, por órgãos do governo, o mapeamento da região, o projeto Iguaçu de cooperativismo é baseado nisso. Eles identificaram quais eram os locais onde seria melhor fundar cooperativas para poder dar sustentação a todo esse desenvolvimento que vinha da agricultura. Então em 1970 fundaram a Coopavel, com sede em Cascavel e aqui éramos um distrito vizinho, Cafelândia, dentro de Cascavel. E aí, qual era o sentimento naquela época, passávamos por dificuldades e muitos pensaram que devíamos nos incorporar a Coopavel. Porém, a história diz que por meio da ação de um homem, isso não veio a acontecer e foi muito importante para a nossa cooperativa. Contam que o padre, naquela época, foi de casa em casa pedindo aos produtores e cooperados para que votassem não na assembleia e permanecêssemos sozinhos enquanto cooperativa. O padre dizia que a incorporação não traria progresso para a Copacol. Então na assembleia, os 92 produtores associados da época não aprovaram a incorporação e a nossa cooperativa começou a deslanchar a partir daquele dia. Conseguimos financiar nosso primeiro armazém em 1972 e começamos a receber soja. Passamos por problemas, pois os financiamentos não eram fáceis de ser conseguidos na época, muitos produtores precisaram validar os financiamentos com promissórias, assumindo os valores caso a cooperativa não desse conta. Nenhum produtor precisou pagar, pois a cooperativa teve bons resultados. Isso é muito bonito e gosto de dizer, pois mostra a confiança e a expectativa dos associados. Depois, em 1974 iniciamos os trabalhos em Nova Aurora, Formosa do Oeste e em Jesuítas. Hoje temos mais de 30 unidades de recebimento de grãos no Oeste e Sudoeste do Paraná. Então nossa cooperativa foi formada por decisões fortes, por muita coragem e ousadia. As decisões daquela época proporcionaram o que somos hoje.

O Presente Rural – E quando a cooperativa começou a trabalhar com a pecuária?

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais”

Valter Pitol – Em 1975 nós tivemos a famosa geada negra que acabou com os cafezais, alguns se recuperaram e outros não. Depois, em 1977 tivemos uma seca semelhante a essa que passou na soja (2022) e talvez até pior. A cooperativa ainda estava bastante fraca e trabalhava só com grãos, os dirigentes da época discutiram e observaram que se algo desse errado de novo a cooperativa corria o risco de desaparecer, então surgiu a ideia de discutir o que poderíamos fazer para agregar diversificação, para a gente poder crescer. Após as análises e discussões veio a avicultura. Começamos o abate de aves no dia 05 de maio de 1982. Somos os pioneiros do Oeste do Paraná no abate de frangos. Foi difícil no início, pois ninguém conhecia esse trabalho, mas logo começamos a ter renda muito boa e isso estimulou e desenvolveu a cooperativa e veio com uma velocidade muito grande. Hoje 50% do nosso faturamento vem do frango.

Nesta época também tínhamos a Sudcoop que era uma central de suínos, que basicamente atendia as cooperativas do sudoeste. Tinha estrutura em Medianeira e Céu Azul, foi então que o banco de crédito sugeriu que fizéssemos uma integração entre o Oeste e Sudoeste. E com isso veio todo o desenvolvimento da Frimesa que fazemos parte desde o início e enviamos a nossa produção de suínos e leite para ser industrializado pela Frimesa.

O Presente Rural – Presidente, o senhor pode falar sobre o quadro de associados e colaboradores. E quais são as regiões que a Copacol atua?

Valter Pitol – Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais. A participação do associado é muito forte. Ele confia no trabalho da cooperativa e nos negócios. Isso porque temos uma excelente estrutura de gestão. Temos negócios com grãos, cereais, frango, suíno, leite e piscicultura. A nossa cooperativa sempre procurou zelar pela integração do associado e da família com o desenvolvimento da cooperativa, com as oportunidades de crescimento do produtor, para ele poder participar mais, ter mais produção de frango, suínos e peixe, além dos grãos. E com isso vem agregando colaboradores. O processo de desenvolvimento é contínuo, o que proporciona oportunidades aos cooperados e também beneficia a geração de empregos.  Sempre digo que isso equilibra produção, pois o produtor produz, mas também gera emprego e riquezas para a região.

O Presente Rural – Em seus 60 anos de existência, a cooperativa tem desempenhado um papel crucial na comunidade dos cooperados. Presidente, diante dessa marca significativa, gostaríamos de saber como foram as comemorações desta importante data.

Valter Pitol – Estamos felizes, pois tivemos muitas dificuldades, mas a cooperativa sempre deu seus passos com segurança. Agora completamos 60 anos de história, de oportunidades aos cooperados e nós comemoramos com nossos familiares, com a presença de familiares de fundadores, pois temos somente três fundadores que ainda são vivos. Comemoramos lembrando da ousadia e da coragem dos primeiros. Tivemos também um momento de celebração para agradecer as bênçãos, independente de credo, com show do padre Ezequiel, no sentido de fortalecer o espírito da integração, do cooperativismo, agradecendo e também para pedir a Deus que continue a abençoar nossa cooperativa. E todos os associados também receberam um presente, bem como os colaboradores. Desta forma, as celebrações reafirmaram a importância dos cooperados e dos colaboradores que dedicam muito do seu tempo em prol da cooperativa, pois procuramos trabalhar de forma a desenvolver ações que beneficiem a agricultura.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos a quinta empresa do país em abate de frango”

O Presente Rural – A Copacol trabalha em diversas áreas. Como está cada uma delas e o que elas representam hoje para a cooperativa?

Valter Pitol – A área de grãos é uma área importante porque é onde produzimos a matéria-prima para produzir carne. Dentro dessa área tem um centro de pesquisa agrícola que oferece suporte, informações tecnológicas de primeira mão para o nosso cooperado. Nosso parceiro hoje é credenciado pelo Ministério da Agricultura, temos parceria com empresas nacionais e multinacionais de pesquisa. Desta forma, nosso produtor é muito bem assessorado para a produção de grãos e quando ele vai aplicar um defensivo ele tem muitas informações e pode fazer de forma bastante segura, pois tudo foi pesquisado e estudado de forma a ser eficiente.

Na parte de avicultura nós abatemos hoje 720 mil frangos por dia. Somos a quinta empresa do país em abate de frango. Com isso vem toda uma riqueza e uma oportunidade em relação à participação do cooperado. Nós estamos projetando um pequeno aumento no abate, já que as nossas unidades de Cafelândia e Ubiratã conseguem aumentar um pouco.

Na suinocultura somos parceiros da Frimesa que está crescendo e nós temos 18% da responsabilidade do capital da Frimesa, então nós temos que contribuir com 18% do suínos que são abatidos. Então você vai investir em estrutura de produção de leitões e você vai gerar oportunidade para o produtor fazer terminação, então projetamos crescimento.

No peixe nós estamos com duas plantas, uma em Nova Aurora e outra em Toledo. Qual é o caminho? É duplicar a capacidade de abate em Toledo, de 40 mil para 80 mil tilápias ao dia. Até 2025 nossa projeção é abater 230 mil tilápias ao dia nessas duas plantas. Tudo isso traz mais oportunidades ao produtores. Por isso eu digo sempre que a cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor. Esse é o papel da cooperativa, oferecer ferramentas de desenvolvimento e dar condições aos cooperados para que ele tenha mais renda.

O Presente Rural – Com relação a sucessão familiar, como a Copacol tem encarado isso?

Valter Pitol – É um desafio. Estamos há três anos trabalhando forte nisso. Trabalhamos com apoio da Faep, promovendo encontros com as famílias, passando orientações e informações para tomar a decisão de como fazer a sucessão familiar sem trauma. Claro, nós não obrigamos ninguém, mas o produtor que tem interesse, nós temos sempre uma turma para levar ao produtor uma visão do como ele pode fazer uma sucessão familiar de forma eficiente.

O Presente Rural – Presidente, a produção da Copacol está sendo direcionada para onde?

Valter Pitol – Toda a nossa produção de grãos é industrializada por nós. O frango que temos uma produção de quase 500 mil toneladas por ano, 60% é exportado, para 75 países, nos cinco continentes, 40% fica no mercado interno. Nossa exportação de peixe ainda não é tão expressiva, mas também estamos buscando abrir mercado porque planejamos crescer muito neste segmento.

O Presente Rural – Recentemente foi inaugurada uma nova unidade de produção de alevinos. Essa unidade vai suprir toda essa capacidade de aumento que a Copacol almeja na produção de tilápias?

Valter Pitol – Nós, dentro da piscicultura que iniciamos em 2008 e fomos pioneiros no Oeste, também no sistema de integração, temos uma unidade produtora de alevinos que produz 50 milhões de alevinos por ano, em Nova Aurora. E agora com a inauguração da nova unidade que conta com tecnologia israelense, temos uma unidade com renovação de água nos tanques, com bioflocos e que vai produzir 50 milhões de tilápias. Então nós vamos ter 100 milhões de tilápias produzidas ao ano, o que vai nos permitir chegar ao abate de 270 mil tilápias por dia. Então nós temos capacidade de produção de alevinos suficiente para a nossa produção e crescimento.

Equipe do Jornal O Presente Rural: Ueslei Stankovicz, Selmar Marquesin, Giuliano De Luca e Sandro Mesquista, ladeando o presidente da Copacol, Valter Pitol

O Presente Rural – Como está a tecnologia embarcada hoje dentro da produção de tilápia e como o produtor está analisando esse mercado?

Valter Pitol – Eu diria que a tilápia, como nós temos todo o processo genético e toda a cadeia, o que a gente analisa e vem buscar agora com essa estrutura dessas inovações, e digo que é inovação para nós, porque no mundo inteiro essa tecnologia já existe nesse sistema de bioflocos, como nós estamos fazendo com tanques. Então qual é o nosso desafio futuro? Buscar melhoramento genético. O melhoramento vai ser a base para poder ter mais rentabilidade e mais renda. Vamos em busca de mais informações e conhecimento para fazer cruzamento genético para ter mais rentabilidade.

O Presente Rural – No que tange a suinocultura, como está a parceria de vocês junto à Frimesa e o novo frigorifico em Assis Chateaubriand?

Valter Pitol – A Frimesa, desde quando nós entramos de sócios na fundação, sempre foi um porto seguro para os nossos terminadores de suínos. Porque a cooperativa produz os leitões em todas as unidades produtoras, nós temos estrutura e repassamos ao produtor e ele está seguro com a Frimesa, pois é uma parceria muito forte. Nós produzimos produto de qualidade, para que ela faça um bom abate e ofertamos um produto de qualidade e segurança. A Frimesa garante a segurança para o produtor, é claro que acontecem altos e baixos no mercado, mas a Frimesa sempre deu suporte e condições aos produtores. Com este novo frigorífico em Assis nós fornecemos 450 mil suínos por ano e vamos chegar aos 700 mil. Esse é um número muito grande.

O Presente Rural – Quais são os projetos futuros da Copacol?

Valter Pitol – A cooperativa trabalha com um projeto estratégico. Desde 2004, trabalhando como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo. Em 2024 vamos atualizar nosso planejamento para os próximos cinco anos. Baseados neste planejamento, nós buscamos informar a todos desde os cooperados, as lideranças e nossos colaboradores, para que todos possam saber das oportunidades e contribuir no processo. Nós projetamos, nos próximos cinco anos, aumentar nossa produção de frangos, de peixes e suínos, pois isso está dentro das possibilidades. Sempre trabalhando com eficiência, pensando no custo, porque a gente não consegue regular o preço, mas precisamos trabalhar com um custo de produção mais baixo para que o produto seja viável.  Essa é uma realidade que a gente trabalha constantemente e eu sempre busco aperfeiçoar os processos gerenciais.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor”

O Presente Rural – E dentro dessa projeção de crescimento, que é a perspectiva de faturamento em 2023 e 2024?

Valter Pitol – Neste ano (2023), nossa previsão é chegar em torno de R$ 10 bilhões de faturamento. E para os próximos cinco anos, é claro que nós não esperamos preços tão extraordinários de grãos também, por isso, nos almejamos chegar em cinco anos em um faturamento de R$ 12,8 bilhões. O faturamento é importante, mas não é o principal. O que precisa para que você possa crescer é fazer com que as suas atividades tenham resultados positivos. O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor. Então a gente sempre trabalha com essa perspectiva, buscando fazer o melhor, porque nós entendemos que o produtor, o associado é o sustento da cooperativa, nossa responsabilidade é conduzir, gerenciar, processar e comercializar. Mas o produto vem do produtor. Nós temos um diferencial, porque conseguimos integrar muito as famílias dos associados, começando a trabalhar com atividades com eles desde que são crianças. Isso aproxima a família do cooperado à cooperativa.

O Presente Rural – Qual a sua visão com relação as temáticas da agenda ESG, bem-estar animal e o uso de tecnologias? Como a Copacol vem lidando com estes temas atuais?

Valter Pitol – Dentro de todas essas temáticas citados por você, nós precisamos saber cada uma delas e precisamos cumpri-las. Para nós, o bem estar animal é essencial, é uma obrigação. Sempre digo que isso não é modernismo, mas precisamos estar inseridos nestas temáticas para acompanhar as mudanças que acontecem. Só que você também não pode achar que isso vai salvar o mundo, o que vai salvar é o nosso trabalho, é preciso acompanhar as exigências em termos de mercado e sociedade. Então aqui na Copacol nós estamos por dentro de todos estes temas e estamos fazendo a nossa parte, porque sabemos que é preciso ser feito.

O Presente Rural – Quais os principais desafios que vocês enfrentam hoje dentro da cooperativa?

Valter Pitol – Olha, se você olhar na indústria, é a falta de mão-de-obra, principalmente nos setores industriais. Na parte industrial das nossas quatro indústrias nós temos dificuldade séria de mão-de-obra.

O Presente Rural – Vocês têm buscado tecnologia para substituir essa mão-de-obra que falta?

Valter Pitol – Na maior parte de onde era possível substituir já foi feita esta substituição, é claro que nós não substituímos as pessoas, mas usamos tecnologia para ajudar naquilo que estava faltando. Estamos buscando, constantemente, estar atualizados com as novas tecnologias de automatização para suprir as nossas demandas.

O Presente Rural – Hoje as indústrias trabalham com ociosidade por falta de mão-de-obra?

Valter Pitol – Não dá para dizer que temos ociosidade, mas as vezes deixamos de produzir algum produto que possa agregar mais valor, esse é o problema. Então você abate o frango, mas se tivesse a mão-de-obra completa você poderia fazer alguns produtos que você poderia agregar valor para ter mais resultado. Então essa é a deficiência maior.

O Presente Rural – O que a Copacol enxerga de oportunidade no futuro?  

Valter Pitol – Nós acreditamos que vamos continuar crescendo e nos desenvolvendo com segurança, atendendo o produtor. A gente também sabe que temos desafios futuros, como fazer sempre melhor, pois cada vez temos mais concorrência. Então o nosso desafio é crescer com qualidade, com gestão dos negócios, com boas decisões da cooperativa, tudo de maneira organizada e estruturada, pois acredito que é isso que fortalece a cooperativa e vai trazer resultado para os cooperados, que são os donos da cooperativa.

Fonte: O Presente Rural

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MBRF integra Índice Carbono Eficiente da B3

Empresa passa a integrar o ICO2 após fusão entre Marfrig e BRF, com reconhecimento à gestão das emissões de gases de efeito estufa.

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Foto: MBRF

A MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, integra a carteira 2026 do Índice Carbono Eficiente da B3 (ICO2 B3), que reconhece empresas com desempenho consistente na gestão e na transparência das emissões de gases de efeito estufa (GEE), contribuindo para o avanço da transição para uma economia de baixo carbono. No processo de avaliação, 94 companhias foram analisadas, das quais 65 foram selecionadas para compor a nova carteira.

Esta é a primeira avaliação da companhia como MBRF, após a fusão entre Marfrig e BRF, concluída em 2025. No ciclo anterior, a Marfrig integrou o ICO2 B3 pelo quinto ano consecutivo, enquanto a BRF participou da carteira pela 14ª vez.

“A inclusão da MBRF na carteira do ICO2 B3 evidencia a robustez das práticas para mitigação e adaptação climáticas da companhia e reflete a consolidação de uma trajetória construída por Marfrig e BRF, já reconhecidas individualmente pela eficiência na gestão das emissões. Agora, ampliamos esse legado, com uma atuação integrada, em maior escala e com compromisso permanente com a agenda climática”, afirma Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da MBRF.

Criado pela B3 em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ICO2 avalia indicadores como metas de mudanças climáticas  atreladas a remuneração variável dos executivos, reporte público de emissões de gases de efeito estufa, estudo de identificação de riscos e/ou oportunidades relacionados ao clima, plano de transição alinhado à ambição de limitar o aquecimento global a 1,5°C (conforme preconizado pelo Acordo de Paris), metas de descarbonização da cadeia de valor, entre outros.

Mudança do clima

Para mitigar os efeitos da mudança do clima e contribuir para o fortalecimento de uma economia de baixo carbono, a MBRF estabeleceu compromissos e metas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Os desafios climáticos foram validados pela Science Based Targets initiative (SBTi) e estão alinhados com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5º C, conforme estabelecido no Acordo de Paris. O plano de ação está baseado em quatro frentes de ação: cadeia livre de desmatamento, agropecuária de baixo carbono, transição energética e eficiência operacional.

Entre as ações, destacam-se a geração de créditos de carbono certificados, com rentabilidade compartilhada ao longo da cadeia; o desenvolvimento de sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta (ILPF), certificados em parceria com a Embrapa; o uso de fontes renováveis, que já respondem por cerca de 50% da eletricidade consumida nas operações industriais, além da adoção de energia solar em aproximadamente 60% da criação de aves e suínos. A empresa também atua na intensificação e no manejo adequado de pastagens, evitando a supressão de vegetação nativa, investe no Programa de Produção Sustentável de Bezerros da IDH – The Sustainable Trade Initiative, e promove o melhoramento genético integrado que reduz o tempo de preparo dos animais para o abate, contribuindo para a diminuição das emissões.

Fonte: Assessoria MBRF
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Florescimento da soja define potencial produtivo da lavoura

Fatores climáticos, nutrição equilibrada e manejo adequado são decisivos para o pegamento de flores e a formação de vagens.

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Foto: Divulgação

O florescimento da soja marca uma das fases mais estratégicas do ciclo da cultura, pois é nesse período que se define grande parte dos componentes de produtividade. Aspectos fisiológicos, ambientais e de manejo atuam de forma integrada e podem favorecer ou limitar o pegamento de flores e a formação de vagens, refletindo no rendimento final da lavoura.

Entre os principais fatores que influenciam o florescimento estão o fotoperíodo, a temperatura, a disponibilidade hídrica e a nutrição da planta. Fotoperíodo e temperatura atuam conjuntamente sobre o desenvolvimento da soja, sendo que cada cultivar apresenta exigências específicas de soma térmica para completar seu ciclo.

Foto: Shutterstock

Já o déficit hídrico reduz a divisão e o alongamento celular, diminui a área foliar e o porte das plantas, resultando em menor formação de nós. Como consequência, ocorre redução no número de flores, vagens e grãos, afetando diretamente os componentes de produção.

A nutrição equilibrada também é determinante nessa fase. Todos os macro e micronutrientes são importantes, mas alguns se destacam durante o florescimento da soja, como fósforo, potássio, cálcio, boro, magnésio, cobalto e molibdênio. Esses nutrientes estão diretamente ligados à formação das flores, à polinização, ao transporte de carboidratos, à nodulação e ao enchimento de grãos. Deficiências nutricionais, especialmente de cálcio e boro, podem provocar baixa formação de flores e vagens.

Segundo o PhD em Agronomia em Ciência do Solo, Roni Fernandes Guareschi, além dos fatores abióticos, questões de manejo também interferem no florescimento e, por isso, requerem planejamento e correta execução das práticas agrícolas neste momento. “As análises de solo e foliar permitem identificar e corrigir desequilíbrios nutricionais que comprometem o desenvolvimento da planta e aumentam o risco de abortamento. A escolha de sementes de alta qualidade, de variedades adaptadas à região, o respeito à janela de plantio e um manejo eficiente de pragas e doenças são fundamentais para garantir um florescimento uniforme e dentro do potencial de cada cultivar”, afirma.

Florescimento e o início do verão

A qualidade da semente utilizada na implantação da lavoura exerce forte influência no florescimento. Sementes com alto vigor, boa germinação e sanidade favorecem um estabelecimento mais rápido e uniforme, com sistema radicular mais desenvolvido e maior eficiência na absorção de água e nutrientes, resultando em maior número de flores, vagens e grãos.

Foto: Gilson Abreu

Nesse contexto, o suporte técnico especializado contribui para decisões mais assertivas ao longo do ciclo. “Além de auxiliar na escolha da variedade mais adequada para cada região e condição climática, o time de campo orienta o produtor durante toda a safra com análises de solo e foliar e na seleção correta dos insumos para promover estandes mais uniformes e maior segurança na floração e formação de vagens”, destaca Guareschi.

Com a lavoura em fase reprodutiva e sob condições típicas do início do verão, o produtor deve ter ainda mais atenção ao manejo. “Monitorar a nodulação da soja, acompanhar pragas e doenças de forma contínua e adotar estratégias para estimular o máximo potencial fisiológico da planta são cuidados essenciais para minimizar os efeitos dos estresses abióticos e preservar o desempenho da cultura”, reforça.

Fonte: Assessoria Grupo Conceito
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Dia de Campo da Copacol apresenta pesquisas e tecnologias para elevar a produtividade

Evento reúne cooperados no CPA, em Cafelândia (PR), e destaca manejo, cultivares e cenário do mercado de commodities.

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Cooperados de diversos municípios prestigiaram o primeiro dia do evento - Fotos: Divulgação/Copacol

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo Centro de Pesquisa Agrícola (CPA). “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperado Lucas visitou o CPA com o filho Gustavo: “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras”

Entre os temas abordados estiveram os resultados de pesquisa referente a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção; plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades; manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo e um painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA. A abertura do evento também contou com uma palestra especial sobre tendências do mercado de commodities com o palestrante Étore Baroni, da Stone-X Brasil.

Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor que participou do evento no primeiro dia.

Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.

Nesta sexta-feira (09) um novo grupo de produtores participa do Dia de Campo de Verão da Copacol. As atividades começam a partir das 08 horas no CPA, em Cafelândia (PR).

Fonte: Assessoria Copacol
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