Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

A carga pesada do agronegócio

O frete cobrado tem dado grande prejuízo para toda a cadeia agrícola e pecuária brasileira

Publicado em

em

Não é de hoje que a logística brasileira joga contra os interesses de quem trabalha e produz. Refém do modal rodoviário, o país se viu paralisado com a greve dos caminhoneiros deflagrada dia 21 de maio deste ano. No que pese as justas reivindicações desta classe de trabalhadores, as sequelas econômicas deste período e seus desdobramentos vão impactar por muito tempo as contas do agronegócio paranaense. Para compreender melhor este delicado momento da economia, o Departamento Técnico e Econômico (Detec) da FAEP elaborou o estudo: “Efeitos pós-greve dos transportadores e a política de tabelamento de fretes”, que analisa profundamente as consequências econômicas, tanto do tabelamento do frete, quanto da paralisação dos caminhões, nas principais cadeias produtivas do agronegócio paranaense: soja, milho, leite, bovinocultura de corte, suinocultura e avicultura. Em todo o Brasil as sequelas são semelhantes às apresentadas no estudo, divulgado na última semana de junho.

Esta última, além da análise da greve dos caminhoneiros, traz dados sobre os prejuízos decorrentes da operação Carne Fraca, da Polícia Federal; do embargo da União Europeia ao frango brasileiro e das recentes tarifas antidumping estabelecidas pela China. Trata-se de um material de peso, que traz dados inéditos para ajudar a entender de que forma esta dinâmica de preços e custos vai impactar o bolso do produtor rural. Foram ouvidas agroindústrias, cooperativas, transportadoras, traders, cerealistas, o Porto de Paranaguá e produtores de diversas áreas. O material na íntegra você pode acessar na página do Sistema Faep/Senar-PR no menu Serviços. Por conta de sua relevância, o jornal O Presente Rural reproduz matéria completa disponibilizada pela Faep.

Após oito dias de paralisação, o governo federal atendeu uma pauta de reivindicações que incluía, além de redução no preço do óleo diesel, a definição de preços mínimos para os fretes rodoviários. Esta medida foi contemplada através da Resolução nº 5.820/2018 da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que definiu o tabelamento de preços por quilômetro rodado. A tabela publicada pela agência reguladora trazia inconsistências grotescas em sua metodologia, gerando diversas críticas dos setores que utilizam frete rodoviário.

Foi editada então uma nova tabela através da Resolução nº 5.821/2018, que foi revogada apenas cinco horas depois, voltando a vigorar o estipulado na resolução inicial, contribuindo para o clima de incerteza e insegurança que passou a ser a tônica dominante no setor brasileiro de transportes.

Grãos

Para dimensionar o impacto desta medida, o estudo da Faep comparou os valores do frete no Paraná antes e depois da paralisação e seus desdobramentos. O Detec simulou três fretamentos para o transporte de grãos, saindo de Cascavel, Maringá e Ponta Grossa, com destino ao Porto de Paranaguá. Estes cálculos consideraram um caminhão bitrem de sete eixos, com capacidade de 38 toneladas, e a obrigatoriedade do pagamento do frete de retorno imputada pela ANTT. Também foi considerado o desconto das tarifas de pedágio para os eixos suspensos dos veículos, também previsto na resolução.

O resultado é um aumento de 105% no custo do frete saindo de Cascavel, 99% saindo de Maringá e 51% quando o frete sai de Ponta Grossa, quando aplicada a tabela da ANTT.

As dificuldades para o escoamento da produção de grãos já são sentidas no campo. Segundo o produtor Edilson Gorte, de Ponta Grossa (Campos Gerais), desde que a greve foi deflagrada, muitas operações foram interrompidas pelas tradings, devido às incertezas quanto ao custo

do frete. “Estávamos trabalhando normalmente quando chegou a greve. De lá pra cá não foi comercializado mais nenhum grão, até chegar a nova tabela do frete, eles não vão comprar nada”, diz. “Como eles [as empresas] vão me pagar 80 reais pela saca de soja se eles não sabem quanto o governo vai estipular de frete?” questiona o produtor.

Importante ressaltar que peso do frete na composição do custo de um produto é cumulativo ao longo de toda cadeia produtiva. De acordo com o estudo do Detec, o frete rodoviário corresponde a 67% do custo de exportação da soja e representa cerca de 10% do preço final da oleaginosa. Com o tabelamento, esse percentual passa para 17% (considerando que o contratante terá que arcar com o frete de retorno), minando a competitividade dos produtos paranaenses.

Não bastasse isso, as incertezas relacionadas à manutenção do preço do frete fazem com que muitos produtores, empresas e cerealistas aguardem alguma mudança para fechar negócios. Com isso, os armazéns continuam ocupados pela soja e milho da primeira safra e agora, com a colheita do milho safrinha, pode faltar espaço para estocar os grãos.

Os reflexos nas exportações já são sentidos. De acordo com o estudo, 1,06 milhão de toneladas de soja deixaram de ser embarcadas pelo Porto de Paranaguá nos primeiros dias de junho deste ano, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Leite

Por se tratar de um produto altamente perecível, a cadeia do leite foi bastante prejudicada. Como deixar de ordenhar os animais não é uma opção, estima-se que cerca de 64 milhões de litros tenham sido descartados em todo Paraná. Em oito dias de paralisação, o prejuízo do setor produtivo foi da ordem de R$ 75 milhões. “O prejuízo foi muito grande pela parte do produtor e das industrias, ficamos dez dias sem faturamento”, afirma o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite), Wilson Thiesen.

O tabelamento do frete também é uma preocupação deste setor, que pela própria natureza, percorre grandes distâncias para coletar o produto nas propriedades. “Não concordamos com esta tabela até porque temos o transporte de leite UHT a grande distância, que é um produto que não tem valor agregado significativo. A margem das empresas já é muito estreita e se o frete vir a onerar essa margem, pode se tornar negativa”, avalia.

Avicultura

Na avicultura nacional, acumulam-se aos problemas causados pela greve e o tabelamento de frete os reflexos que ainda são sentidos por causa de operações da Polícia Federal (Carne Fraca e Trapaça) e, mais recentemente, do embargo europeu. Em termos de Brasil, o estudo mostra que nos 13 meses entre abril de 2017 e maio de 2018, em 11 houve redução no volume de carne exportado na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No período de janeiro a maio de 2018, ante período equivalente de 2017, houve uma redução de 12,23% na receita. O estudo pondera que esse cenário preocupa, em especial, o Paraná, pois o Estado é o maior produtor nacional de aves, responsável por quase 35% de todo o frango nacional.

Outro fator que preocupa, conforme o levantamento da Faep, é o fato de a empresa BRF ter anunciado férias coletivas para os funcionários dos complexos industriais de Chapecó e Concórdia, em Santa Catarina; e em Serafina Corrêa e Lajeado, no Rio Grande do Sul. No total, 5.600 funcionários foram impactados com a medida. A mesma empresa divulgou ainda que vai fechar sua unidade em Campo Verde, em Mato Grosso, em operação desde 1989.

Sobre o impacto da greve dos caminhoneiros no setor, a indústria ainda levanta os prejuízos causados pela paralisação nas atividades. A expectativa é que mesmo com o fluxo logístico da cadeia restabelecido desde 30 de maio, apenas no início de julho a normalidade tenha retornado à produção de frangos. Esta situação se reflete nas gôndolas dos supermercados. “Distribuidoras consultadas pelo Detec informaram variações na cotação do frango congelado de R$ 3,50/kg antes a até R$ 5,50/kg após o período de paralisação dos transportes (semanas de 14 a 19 de maio e 4 a 9 de junho)”, aponta o estudo.

De acordo com o Detec, esse cenário tem levado ao surgimento de produtores com dificuldades para honrar seus compromissos com financiamentos. Nesse sentido, a Faep se antecipou ao problema e pediu, em ofício encaminhado ao Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Banco Centro do Brasil e ao BNDES, um aumento no prazo para pagamento dessas dívidas. Outra ferramenta fundamental para esse período de dificuldades, as Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs) têm sido de extrema importância, já que constituem o principal canal de diálogo entre os produtores integrados e as agroindústrias.

Sobre a questão do tabelamento do frete, um dos pontos que fez governo e caminhoneiros entrarem em acordo e finalizarem a greve, Guilherme Jonker, vice-presidente da Comissão Técnica de Avicultura da Faep, vê o arranjo com apreensão. “O livre mercado, a lei da oferta e da procura é o que gera o equilíbrio de todas as coisas. E quando se tabela o frete, daqui a pouco tem que tabelar também a soja, o trigo, o milho, todas as coisas. O tabelamento do frete, tecnicamente, não tem nada a ver com a realidade. O que aconteceu é que em vez de diminuírem-se os impostos que a nação cobra sobre o óleo diesel, acabaram impondo um valor fora da realidade e nós é que estamos pagando a conta”, critica.

O setor também é afetado diretamente pelos efeitos da Operação Carne Fraca desde 2017. Mesmo assim, os produtores conseguiram se segurar e manter resultados positivos no ano passado, com a ajuda da redução no preço do milho que tinha sido um fator de dificuldade em 2016. Em 2018, no entanto, a conjuntura indica para aumento na cotação do cereal e estabilidade no preço do suíno, o que pode desestimular a continuidade da produção, como aponta o levantamento da Faep.

Somado a isso, o período de paralisação da greve dos caminhoneiros causou desabastecimento de ração nas granjas. O fato provocou redução no rendimento dos lotes e só não foi maior pelo fato de a suinocultura ter um ciclo longo e com animais mais resistentes. Durante a greve, o varejo chegou a ficar desabastecido pela falta de animais.

Os reflexos são sentidos até agora. No momento, de acordo com o estudo, a situação nas principais cooperativas e integradoras do Paraná é de represamento de animais para abate e acúmulo de leitões para alojamento nas granjas para a normalização.

Sobre o tabelamento dos fretes, a pesquisa aponta que a maior parte da logística é feita de forma terceirizada. Com a indefinição do governo, a prática mais adotada é a manutenção dos valores praticados antes da greve. Mas já há uma sinalização de negociação desses valores assim que houver um posicionamento efetivo das autoridades sobre o tema.

Jacir Dariva, vice-presidente da Comissão Técnica de Suinocultura da Faep, lembra que tudo na suinocultura depende diretamente do transporte e que a dependência logística deixa o setor em uma das situações mais delicadas vividas nos últimos anos. “Hoje os produtores de suínos estão assustados com a questão do transporte dos insumos para as granjas, está subindo muito, pois os distribuidores já estão colocando a diferença do transporte nas entregas de insumos nas granjas. Na verdade, isso vai virar uma reação em cadeia, porque na hora de receber o insumo, o produtor paga a mais, e na hora de vender, recebe menos pelo suíno”, revela.

Dariva diz que, independentemente de ser justa ou não a reivindicação dos caminhoneiros, os suinocultores também amargam prejuízos nos últimos meses e precisam de uma solução para poder manter seus negócios. “Nós não temos mais de onde tirar nada para tentar salvar outros setores. A situação ficou complicada, no início achamos que diesel ia baixar e que ia ficar melhor, diminuir o custo de produção, porque o diesel e o frete impactam diretamente no custo de produção. Mas com esse preço tabelado nas alturas impactou e bastante, nossas contas que já não fechavam antes agora ficaram ainda mais difíceis”, lamenta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

catorze − catorze =

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

Publicado em

em

Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
ALLFLEX – Novo Site

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.