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Suínos / Peixes Suinocultura

A Biossegurança como oportunidade histórica para o Brasil

O maior avanço cabe aos produtores, em cada granja, com a adoção das medidas de biossegurança na base da produção

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Artigo escrito por Alessandro Crivellaro, médico veterinário e consultor de serviços técnicos para saúde animal na Agroceres Multimix

O Brasil, sobretudo o agronegócio brasileiro, passa por um grande momento, que poderá ser a maior oportunidade da história, em função das consequências da ocorrência da Peste Suína Africana – PSA, na Ásia, Europa, e sobretudo na China.

Para isso, no entanto, devemos fazer o “dever de casa”, no que se refere a biossegurança.

Nos últimos anos, houve evoluções no Brasil, quanto a biossegurança, o que é muito positivo e nos dá algumas garantias para evitar a entrada das doenças com maior impacto econômico.

O maior avanço, no entanto, cabe aos produtores, em cada granja, com a adoção das medidas de biossegurança na base da produção.

Em tempos de pandemia de coronavírus humano (COVID – 19), as medidas de biossegurança implantadas fazem a diferença no Brasil, impedindo a entrada de várias doenças externas, como a PRRS (Síndrome Respiratória e Reprodutiva dos Suínos), a PSA (Peste Suína Africana), e ainda, dos coronavírus suíno.

Existem muitos tipos de coronavírus – um tipo para cada espécie animal – diferente do coronavírus humano, segundo o Médico Veterinário virologista Paulo Brandão, da USP (Universidade de São Paulo). Diferentes tipos de coronavírus infectam os suínos, aves, cães, gatos, cavalos, bovinos, ovinos e caprinos, e outras espécies.

Uma perigosa doença acomete as aves (frangos de corte e postura) aqui no Brasil, que é a IB (Bronquite Infecciosa Aviária), causada por um tipo de coronavírus.

Nos suínos, existem dois coronavírus principais que causam as doenças: TGE (Gastroenterite Transmissível), e a PED (Enterite Epidêmica Suína), ambas sem diagnóstico no Brasil, porém muito importantes em várias partes do mundo, a exemplo dos Estados Unidos da América.

Biossegurança

A biossegurança é um conjunto de procedimentos técnicos que, de forma direta ou indireta, previnem, diminuem e controlam os desafios gerados na produção de suínos, frente aos agentes patogênicos.

É importante compreendermos que a biossegurança não é somente para impedir a entrada de doenças exóticas, é também para reduzir as doenças já existentes na granja, o que viabiliza os custos de implantação.

Biossegurança – principais ameaças para o Brasil

PRRS: Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos.

Vírus da família Arteriviridae, foi detectada nos Estados Unidos em 1985 e chegou na Europa em 1990. Atualmente, é uma das mais importantes enfermidades infecciosas dos suínos. Nove, entre dez dos maiores produtores de suínos, reportaram a presença do vírus, excluindo somente o Brasil.

O custo anual com a enfermidade é de 664 milhões de dólares pelas perdas anuais de produtividade, o equivalente a 9.930.000 suínos vendidos, ou 1.090.000 toneladas de carne suína comercializada.

Peste Suína Africana – PSA

Vírus da família Asfarviridae, foi registrado no Brasil um surto de Peste Suína Africana no ano de 1978. O surto aconteceu em Paracambi – RJ, transmitido aos suínos através de restos alimentares de aeronaves oriundas de Portugal e Espanha. Anos mais tarde (1984), o Brasil conseguiu erradicar a doença.

Sem dúvida, a transmissão via restos alimentares é uma das maneiras mais efetivas e preocupantes da transmissão da doença.

Em 2019, que seria o ano do porco chinês, ocorreu um dos maiores surtos da doença, em curso até esse momento. Ainda não há uma vacina válida para o controle da doença, a qual dizimou metade do rebanho suíno chinês, segundo a instituição Rabobank. A doença espalhou-se pela Ásia e chegou à Europa, e continua apresentando novos casos. Estima-se que a epidemia tenha causado, até novembro/2019, cerca de 127 milhões de euros em prejuízos.

Peste Suína Clássica – PSC

Vírus da família Flaviviridae, em 2019, foram registrados focos da doença na região brasileira considerada não livre de PSC, nos estados do Ceará e do Piauí. Em outubro de 2019, foi notificado um foco da doença no estado de Alagoas, limite das zonas livre e não livre da doença.

A região livre da PSC é a região onde há a maior concentração de suínos, com criação tipo industrial, com grande exportação da carne suína.

Embora haja vacina eficaz para prevenir a doença, as vacinas não estavam sendo utilizadas nas regiões em surto. Barreiras foram instaladas nas divisas para evitar a propagação da PSC. O surto de PSC ocorreu em regiões brasileiras com criações de suínos de subsistência, com baixa tecnificação, o que lembra a situação relatada na China no surto da outra peste, a Peste Suína Africana – PSA.

O maior risco para a região livre do Brasil, região produtora e exportadora de carne suína, é o trânsito de veículos entre as regiões, que transportam os animais para o abate.

Em 2020, a PSC está controlada nas regiões que sofreram o surto. As barreiras nas divisas demonstraram-se eficazes. A vacinação, antes não utilizada, foi liberada nas regiões brasileiras consideradas não livres da doença. Um novo plano de erradicação está em andamento: Plano Brasil Livre de Peste Suína Clássica, pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), com o apoio da ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos). Os frascos de vacina deverão ser menores, em função de atender pequenas criações na região. O plano iniciará no estado de Alagoas, local do último surto registrado no Brasil.

Coronavírus suíno: PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos):

Vírus da família Coronaviridae, a PED, doença altamente contagiosa, com alta morbidade e mortalidade, apresentou um grande surto nos Estados Unidos em 2013, causando enorme prejuízos, que resultou em sete milhões de leitões mortos, ou, aproximadamente, 10% da população de suínos do país.

A PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos), é uma das doenças causadas aos suínos por coronavírus. Outras doenças são a TGE (Gastroenterite Transmissível), a PRCV – Porcine Respiratory Coronavirus – Coronavírus Respiratório Suíno; a SADS – Diarrhea Syndrome Coronavirus – Síndrome Aguda de Diarreia Suína; a PHEV – Porcine Hemagglutinating Encephalomyelitis Virus – Vírus da Encefalomielite por Hemaglutinação Suíno; e a PDCov – Porcine Deltacoronavirus – Delta Coronavírus Suíno.

A boa notícia é que não temos diagnóstico positivo desses seis coronavírus suíno no Brasil.

Javalis

Considerado uma das maiores pragas atuais, os javalis (Suis scrofa), espécie exótica, erradicada no Brasil, estão distribuídos em todo o território brasileiro, conforme o mapa acima. Como são parentes muito próximos dos suínos, são portadores de todas as suas doenças, no entanto, não ficam enfermos, devido a maior resistência, e são potenciais transmissores, já que não há nenhum controle, pois vivem livres na natureza.

O Uruguai registrou granjas positivas para a PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória do Suíno) em 2017. Os javalis, comuns aos dois países, constituem um potencial risco de transmissão desta e de outras doenças ao Brasil, com entrada no estado brasileiro que faz fronteira, o Rio Grande do Sul.

Há uma norma para o controle de javalis no Brasil, com a caça dos animais, mediante autorização exclusiva a caçadores cadastrados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).

Não há recursos na suinocultura brasileira para pagar os prejuízos com a entrada de enfermidades com alto impacto econômico, como a PRRS, PSA, PED, e a disseminação da PSC nas áreas livres. Por outro lado, os USA e a Europa têm recursos para combater as doenças, com programas de controle e erradicação.

A única alternativa viável é promover as práticas ideais de biossegurança, para prevenir e ou minimizar os possíveis prejuízos com essas doenças.

A biossegurança no Brasil

Não é por acaso que as principais doenças que acometem os Estados Unidos, Europa e Ásia ainda não entraram no Brasil. Houve uma grande evolução em biossegurança no país nos últimos anos.

A maior evolução brasileira, em biossegurança, foi a quarentena de suínos importados, na ilha de Cananeia – litoral do estado de São Paulo. Através de um acordo entre o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e a ABEGS (Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos) foi organizada e financiada a quarentena aos suínos importados pelo Brasil.

A ilha de Cananeia proporciona o isolamento ideal para impedir quaisquer riscos de transmissão de doenças exógenas, o que pode ser responsável, até o momento, pela não entrada das principais doenças de alto valor econômico no Brasil. Os suínos importados trazem certificado de origem livre de várias doenças, e são submetidos a outros exames durante a quarentena.

Quanto as medidas de biossegurança nas granjas de suínos brasileiras, um bom exemplo vem do estado do Paraná, através da ADAPAR (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), onde emitiu uma nova norma de biossegurança, portaria 265, para as granjas de suínos, já em vigor, que compreende a instalação imediata de cercas, barreira sanitária, manejo adequado de suínos mortos, uso adequado da água, e outras medidas de biossegurança.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Assistência técnica humanizada é diferencial na relação entre empresas e suinocultores

O entendimento das necessidades específicas de cada granja e a proximidade do corpo técnico com os produtores são pontos fortes neste tipo de prática

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Reconhecida pela vocação  para a  suinocultura, a região de Toledo atrai empresas de portes diversos do setor de proteína suína que estabelecem parcerias com os produtores na criação dos animais. Quem faz a ponte entre as empresas e os produtores são os técnicos, ou profissionais de campo,  num trabalho  de assistência técnica que consiste  em visitas de rotina às propriedades, observação das necessidades de cada lote de animais, se é de manejo, de sanidade, enfim, prestando auxílio ao produtor para melhorar os resultados. Tudo para que o suinocultor tenha um bom desempenho zootécnico, o que vai gerar mais renda para ele e, consequentemente, para a empresa.

Mas, indo além dos números e dos assuntos práticos relacionados  à criação de suínos, um outro aspecto vem ganhando força dentro dessa relação de profissionais de campo e criadores e que envolve justamente o lado humano, a empatia, a proximidade de um trabalho de assistência técnica baseado em práticas humanizadas, com um olhar voltado para além  do produto final.

E é justamente a assistência técnica humanizada que tem feito a diferença no dia a dia de 120 produtores de suínos da região que são integrados do RPF Group, ou seja, destinam suas criações exclusivamente para a empresa – que  é a quarta maior produtora de proteína suína do Paraná  e abate atualmente cerca de 3.100 cabeças por dia em duas unidades, nas cidades de Ibiporã e Bocaiúva do Sul. Hoje toda a criação do grupo está concentrada na região de Toledo.

O diferencial, segundo os produtores,  está no fato de os técnicos entenderem as necessidades de cada granja e construírem soluções customizadas, além de dedicar tempo para outras questões, como gestão da propriedade, financeiro, organização e boas práticas.

O produtor Fernando Scholz Slongo, que tem uma granja de Terminação com 5.200 suínos, é um dos que faz boa ‘propaganda’ dos serviços prestados pela empresa. “Estou muito satisfeito com o atendimento técnico que recebo na granja. Os técnicos estão sempre atentos para resolver qualquer problema que possa surgir e, quando não há dificuldades, fazem um ótimo acompanhamento dos animais. Aliás, não é somente a equipe de campo que desempenha um bom trabalho, mas toda a equipe da RPF, seja no campo ou na administração”, disse à reportagem.

Dona Iracy Zaura, que comanda junto com o marido, Serafim, uma granja de 1.000 suínos, também em fase de Terminação, compartilha do mesmo ponto de vista. “A assistência técnica da empresa é ótima. O pessoal que faz o atendimento é excelente. Não tem como reclamar de nada, pelo contrário, só tenho a elogiar. Os técnicos são pessoas simples, amigáveis e compreensivas. Gostamos muito deles. São todos nota dez”, sentencia a produtora.

Se para os produtores, a assistência humanizada faz grande diferença, para os técnicos também. Segundo Luana Bombana, médica-veterinária e sanitarista da empresa, a extensão humanizada permite ao profissional impactar positivamente na vida de outras pessoas.

Troca de conhecimento e empatia

Luana lembra que na empresa existem padrões operacionais, mas eles não  limitam a troca de experiências. “Temos integrados que produzem suínos há 30, 40 anos, e que acabam passando conhecimento para os técnicos. Nossa equipe de campo é aberta à troca de ideias com o produtor, a ouvir o que ele tem para dizer, sem impor padrões rígidos”.

Outro ponto que fica muito claro na relação entre os técnicos e produtores e que colabora para os bons resultados nessa parceria é a questão da empatia, que implica em ouvir e buscar atender verdadeiramente o outro.

“A gente sempre tenta se colocar no lugar do outro, lembrando que todos têm problemas. Eu costumo dizer que hoje não tem mais como separar trabalho e vida pessoal. A pessoa que trabalha é a mesma que convive com a família, então, é claro que eventuais problemas vão impactar na realização e produtividade do trabalho realizado. Nas granjas é a mesma coisa. Quando o produtor tem qualquer problema, isso pode influenciar no tempo e no desempenho que ele direciona aos animais”, destaca Luana, e complementa: “Tentamos entender aspectos pessoais dos produtores porque, além de realmente nos importarmos, muitas vezes detectamos problemas no lote que são reflexos dessas situações”.

Ela conta que muitas vezes chega à granja e o produtor não quer falar sobre suínos, ele quer desabafar. Por estarem em locais afastados, muitos deles quase não falam com outras pessoas e sentem falta desse contato presencial, de conversar. Por isso, é comum que o técnico acabe empenhando mais tempo em assuntos que não dizem respeito aos suínos, como lavoura, doenças, família, do que nos dados técnicos. “Para o produtor, esse tipo de atendimento faz com que ele se sinta importante. Ele percebe que nos preocupamos com ele e não apenas com o trabalho que realiza com os nossos animais”, enfatiza a sanitarista.

Ciclo virtuoso

O gerente de Fomento e Integração da RPF em Toledo, Daniel Metz, reforça que, além de oferecer uma assistência humanizada, técnica e assertiva, a equipe de campo também trabalha de forma menos burocrático junto aos produtores. “É um ciclo: nossa assistência proporciona mais satisfação aos integrados, que entregam seu melhor à atividade. O bom trabalho dos produtores garante a sanidade e produtividade do plantel, o que, por sua vez,  se reflete na qualidade dos produtos da RPF”, exemplifica.

Metz vê o trabalho técnico da RPF como um diferencial capaz até mesmo de fazer frente à concorrência na região. “Hoje temos 11 empresas no mesmo segmento no Oeste do Paraná, muitas delas maiores que a RPF. Por isso, trabalhamos com nossa equipe técnica e de apoio para ter um atendimento voltado à parceria com os produtores, discutindo e analisando em conjunto as melhores formas de trabalho. Dessa forma conseguimos ganhar muito mercado na região, pois os produtores estavam carentes de uma assistência técnica mais aberta e humanizada”.

Assistência completa

Na região de Toledo, a RPF atende produtores que atuam em todas as fases da suinocultura: Unidades Produtoras de Leitões (UPLs), Creche e Terminação. Nas UPLs ficam as matrizes e leitões com até 28 dias. Perto dos 30 dias os ‘bebês’ são desmamados e vão para a segunda fase, que é a Creche. Essa fase dura de 38 a 40 dias. Os animais chegam ali com aproximadamente 7,5 quilos e ganham em torno de 17 quilos, saindo para a última fase ao atingirem, em média, 24,5 quilos. Na Terminação, os suínos permanecem até atingir 120 quilos e, depois, seguem para o abate.

Porém, outras duas etapas muito importantes antecedem as fases já citadas e também contam com a assistência técnica da RPF: a Central de Sêmen e o Quarto Sítio. Luana Bombana explica cada uma delas. “Na Central, que é uma granja de ciclo contínuo, mantemos produtivos em torno de 45 a 50 machos de alta genética. Lá fazemos a coleta, processamento e envase de sêmen em laboratório. Esse material vai para o Quarto Sítio e também para as UPL’s, onde se realiza a inseminação artificial das matrizes. São fêmeas adquiridas de uma empresa de genética que chegam com 160-180 dias. Neste local elas são inseminadas e mandadas para os produtores de UPLs após confirmação da prenhez (por volta de 42 dias depois da inseminação), esclarece.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Bem-estar

No calor ou no frio, saiba como evitar estresse térmico em cada fase na produção de suínos

Nas regiões em que o frio é mais agudo as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais

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Arquivo/OP Rural

O friozinho está chegando, mas o calor ainda pode atingir boa parte do país nos próximos meses. Nas regiões em que o frio é mais agudo, como no Sul, onde fica ampla parte da produção de suínos do país, as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais.

Para orientar sobre os manejos ideais, destacar os riscos do estresse térmico na suinocultura, o jornal O Presente Rural entrevistou o PhD. em Medicina Veterinária, Filipe Antonio Dalla Costa, da Maneja Consultoria, e seu pai, o também PhD. Osmar Antonio Dalla Costa, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves nas áreas de bem-estar animal e qualidade de carne.

O Presente Rural – O que é estresse térmico em suínos, em suas diferentes etapas de produção e quais suas consequências em cada uma delas?

Filipe Antonio Dalla Costa e Osmar Antonio Dalla Costa – Estresse térmico tem características semelhantes para todas as fases de produção, contudo, as condições ambientais que desencadeiam essa condição são distintas. O estresse térmico ocorre quando o desafio ambiental extrapola a capacidade do animal de manter a temperatura dentro da zona termo neutra, resultando em maior gasto fisiológico ao animal, uma vez que requer a ativação de mecanismos de controle térmico. O estresse térmico pode ocorrer tanto por condições ambientais de excesso quanto de falta de calor. Em ambos extremos haverá consequências negativas para o animal e índices produtivos.

No verão, caso as condições ambientais caracterizadas por altas radiações solares e temperaturas superam as capacidades de controle do animal, pode haver redução de consumo alimentar, maior gasto energético para perda de calor e, consequentemente, redução no ganho de peso, conversão alimentar, aumento de casos de diarreia e em alguns casos extremos aumento na mortalidade.

Já em períodos de inverno, onde as temperaturas são menores, pode haver um aumento na demanda energética do animal (maior consumo alimentar) que é direcionado para produção de calor através da maior atividade metabólica e muscular.

O Presente Rural – Suínos passarem por estresse térmico ainda é comum na suinocultura brasileira?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A ocorrência de estresse térmico pode acontecer em casos de falhas no controle ambiental. Contudo, a suinocultura moderna evoluiu muito nos últimos anos, principalmente na parte de ambiência e o conforto ambiental. É notável a preocupação dos produtores em em fornecer condições adequadas aos animais, a fim de que possam manter uma boa adequação ao meio e assim ter boas condições para expressar seu máximo potencial genético em cada uma das fases produtivas. Tecnologias como pisos aquecidos, controle automatizado de cortinas, sensores de monitoramento e galpões com ambiência totalmente controlada e ventilação forçada são apenas algumas das melhorias que estão atualmente presentes no campo para reduzir a ocorrência de estresse térmico e manter uma boa ambiência.

O Presente Rural – Quais são as fontes geradoras de calor de uma granja?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Maternidade: A manutenção do conforto térmico na maternidade é um dos maiores desafios da suinocultura, pois precisamos fornecer dois ambientes muito distintos: um para a matriz, que está produzindo muito calor devido ao metabolismo acelerado para produção de leite, e outros ao leitão que ainda está desenvolvendo seus mecanismos de homeostase e precisa receber calor. Assim, muitas das maternidades estão adotando os sistemas climatizados. Esses sistemas têm ventilação forçada/pressão negativa para manter uma boa ambiência as matrizes que precisam de uma faixa de temperatura baixa, e estratégias como pisos aquecidos para manutenção da ambiência dos leitões. Outras alternativas de aquecimentos para leitões são escamoteadores com resistências ou lâmpadas de aquecimento.

Creche: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada.

Terminação: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada e lamina d’água em alguns casos.

O Presente Rural – Quais as fases mais delicadas para o suíno em relação ao estresse térmico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O estresse térmico pode causar prejuízos em qualquer uma das fases de produção do suínos. Contudo, particularmente, os leitões recém-nascidos são os mais suscetíveis aos problemas de estresse térmico devido ao menor desenvolvimento dos mecanismos de controle da temperatura em relação as demais fases.

O Presente Rural – Como identificar suínos em situações de estresse térmico? Quais os sinais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A melhor forma de identificar um problema na suinocultura é através da observação do comportamento dos animais. Suínos em condições de estresse térmico por excesso de calor apresentam comportamento de ofegação – caracterizado pela respiração com a boca aberta, animais espalhados nas baias, deitados com a maior parte do corpo em contato com o chão ou buscando sombra e locais com água/molhados, aumento no consumo de água, redução no consumo alimentar.

Já em condições de estresse por falta de calor, os animais encontram-se sempre agrupados, buscando áreas de radiação solar ou luz, pode haver tremores musculares, piloereção e aumento de consumo alimentar. Esses são alguns reflexos clássicos observados no dia a dia.

O Presente Rural – Cite as temperaturas ideais de termoneutralidade para cada fase na produção de suínos.

O Presente Rural – Existem vários tipos de granjas, com diferentes tecnologias. Há diferença no manejo sob altas temperaturas?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Sim. Em dias com altas temperaturas, recomenda-se que os produtores mantenham as cortinas abertas ou, em sistemas de pressão negativa, seja mantida a ventilação forçada para manutenção de uma boa ambiência na granja. Esses sistemas podem ser manuais ou automatizados de acordo com cada tecnologia.

O Presente Rural – Quais os equipamentos mais modernos que o produtor pode instalar nessas diferentes granjas para controlar a temperatura?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Atualmente o sistema mais moderno para controle de ambiência consiste na utilização do sistema de pressão negativa que trabalha com placas evaporativas e ventilação forçada.

O Presente Rural – Como a nutrição pode ser aliada na manutenção de temperaturas ideais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O fornecimento de água em quantidade e qualidade adequada é fundamental para o manutenção da homeostase, bons níveis de bem-estar animal e obtenção de bons resultados. Isso implica em monitorarmos e adequarmos as instalações para que haja bebedouros e quantidade adequada nas baias e que a vazão esteja dentro do recomendado para cada fase. Bebedouros mal regulados, com vazão muito baixa, podem fazer com que os animais gastem muito tentando obter o recurso e até mesmo reduzir o seu consumo. Por outro lado, altas vazões podem jogar um jato de água nos animais e dificultar a obtenção do recurso. Outro ponto extremamente importante é mantermos caixas d’água em locais protegidos da ação do tempo para evitar que a radiação solar aqueça demais a temperatura da água, evitando que ela chegue aos animais em temperaturas inadequadas e reduza o consumo.

O Presente Rural – A nutrição dos suínos muda do inverno para o verão?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há algumas estratégias nutricionais que podem ser utilizadas para reduzir estresse térmico. Contudo, de forma geral, monitoramento e ajustes no ambiente são mais efetivos e oferecem maiores vantagens aos animais e produtores.

O Presente Rural – Durante o transporte para o frigorífico no verão e no inverno, o que muda?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Cada estação tem sua particularidade. Durante o inverno podemos aumentar a densidade dentro das carrocerias e precisamos nos atentar a fechar parcialmente as laterais a fim de manter a temperatura interna estável e dentro do recomendado.

Já no verão, geralmente recomenda-se trabalhar com densidades mais baixas, e manter as laterais abertas para aumentar a circulação de ar no interior das carrocerias e favorecer a perda de calor. Além disso, deve-se atentar para cobertura do caminhão que deve estar fechada para evitar a incidência direta de raios solares sobre os animais. Pode-se também optar por transportar suínos em horários de temperaturas mais amenas e com menor incidência solar.

O Presente Rural – Quais as perdas mais comuns por estresse térmico durante o transporte e na chegada ao frigorífico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Perdas com estresse térmico no transporte incluem a maior ocorrência de animais cansados e taxa de mortalidade ao chegar no frigorífico ou granja. Além disso, pode haver também prejuízos a qualidade de carne, com maior incidência de carne classificada como PSE (pálida, mole e exsudativa).

O Presente Rural – Qual o tempo máximo que o suíno deve esperar nos caminhões?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Os caminhões devem permanecer parados o menor tempo possível. Quando parado, há uma redução na circulação interna de ar dentro da carroceria, podendo levar ao aumento da temperatura ambiental e, consequentemente, desconforto térmico. Contudo, sabemos que muitas vezes os caminhões precisam esperar para desembarcar ou para checar o estar dos animais. Assim, sempre que seja necessário parar, deve-se optar por locais protegidos do sol e com boa circulação de ar.

O Presente Rural – Quais os últimos estudos para a questão do estrese térmico? Há novas tecnologias a vista?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há muitos estudos sendo realizados sobre como a ambiência pode afetar os animais e a produção. Hoje o que há de mais moderno são instalações com pressão negativa, onde há uma ventilação forçada sobre placas evaporativas para manutenção de uma boa ambiência nas instalações. Isso tudo monitorado e controlado eletronicamente. Esse monitoramento tem gerado um banco de dados enorme (big data) que ainda vem sendo explorado e deve gerar muitos resultados positivos para melhorarmos o manejo dos animais num futuro breve.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações de carne suína crescem 35,1% em abril

Setor amplia vendas para nações da Ásia, África e América

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Arquivo/OP Rural

As exportações brasileiras de carne suína (incluindo todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram 98,3 mil toneladas em abril, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O saldo supera em 35,1% os embarques realizados no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 71,8 mil toneladas.

O resultado das exportações de abril chegou a US$ 232,3 milhões, número 40,6% superior ao registrado no mesmo período de 2020, quando foram obtidos US$ 165,2 milhões.

No acumulado do ano (janeiro-abril), as exportações de carne suína alcançaram 351,8 mil toneladas, volume 25,29% maior em relação ao primeiro quadrimestre de 2020, quando foram exportadas 280,8 mil toneladas.

A receita acumulada no mesmo período chegou a US$ 826,4 milhões, índice 27,1% superior ao efetivado entre janeiro e abril do ano passado, com US$ 650,3 milhões.

Na análise por país, a China, carro-chefe das exportações brasileiras, importou 51,5 mil toneladas em abril (+50,5% em relação ao mesmo período de 2020). Outros destaques foram Hong Kong, com 14,6 mil toneladas (+4,9%), Chile, com 5,4 mil toneladas (+130,9%), Angola, com 3,4 mil toneladas (+3,8%), Filipinas, com 2,4 mil toneladas (+623,4%) e Argentina, com 2,2 mil toneladas (+84,3%).

Também em abril, Santa Catarina, principal estado exportador, exportou 50,1 mil toneladas (+41,73% em relação ao mesmo período de 2020). Em seguida vieram Rio Grande do Sul, com 26,3 mil toneladas (+45,33%) e Paraná, com 12,4 mil toneladas (+11,34%).

“Além das expressivas vendas para o mercado chinês, temos observado o aumento das exportações para outras regiões do planeta, incluindo mercados vizinhos ao Brasil. Em meio à forte pressão gerada pelos custos internos de produção, o bom desempenho destas exportações diminuem perdas e melhoram o quadro para as indústrias  que atuam no mercado internacional”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria
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