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A Biossegurança como oportunidade histórica para o Brasil

O maior avanço cabe aos produtores, em cada granja, com a adoção das medidas de biossegurança na base da produção

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Artigo escrito por Alessandro Crivellaro, médico veterinário e consultor de serviços técnicos para saúde animal na Agroceres Multimix

O Brasil, sobretudo o agronegócio brasileiro, passa por um grande momento, que poderá ser a maior oportunidade da história, em função das consequências da ocorrência da Peste Suína Africana – PSA, na Ásia, Europa, e sobretudo na China.

Para isso, no entanto, devemos fazer o “dever de casa”, no que se refere a biossegurança.

Nos últimos anos, houve evoluções no Brasil, quanto a biossegurança, o que é muito positivo e nos dá algumas garantias para evitar a entrada das doenças com maior impacto econômico.

O maior avanço, no entanto, cabe aos produtores, em cada granja, com a adoção das medidas de biossegurança na base da produção.

Em tempos de pandemia de coronavírus humano (COVID – 19), as medidas de biossegurança implantadas fazem a diferença no Brasil, impedindo a entrada de várias doenças externas, como a PRRS (Síndrome Respiratória e Reprodutiva dos Suínos), a PSA (Peste Suína Africana), e ainda, dos coronavírus suíno.

Existem muitos tipos de coronavírus – um tipo para cada espécie animal – diferente do coronavírus humano, segundo o Médico Veterinário virologista Paulo Brandão, da USP (Universidade de São Paulo). Diferentes tipos de coronavírus infectam os suínos, aves, cães, gatos, cavalos, bovinos, ovinos e caprinos, e outras espécies.

Uma perigosa doença acomete as aves (frangos de corte e postura) aqui no Brasil, que é a IB (Bronquite Infecciosa Aviária), causada por um tipo de coronavírus.

Nos suínos, existem dois coronavírus principais que causam as doenças: TGE (Gastroenterite Transmissível), e a PED (Enterite Epidêmica Suína), ambas sem diagnóstico no Brasil, porém muito importantes em várias partes do mundo, a exemplo dos Estados Unidos da América.

Biossegurança

A biossegurança é um conjunto de procedimentos técnicos que, de forma direta ou indireta, previnem, diminuem e controlam os desafios gerados na produção de suínos, frente aos agentes patogênicos.

É importante compreendermos que a biossegurança não é somente para impedir a entrada de doenças exóticas, é também para reduzir as doenças já existentes na granja, o que viabiliza os custos de implantação.

Biossegurança – principais ameaças para o Brasil

PRRS: Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos.

Vírus da família Arteriviridae, foi detectada nos Estados Unidos em 1985 e chegou na Europa em 1990. Atualmente, é uma das mais importantes enfermidades infecciosas dos suínos. Nove, entre dez dos maiores produtores de suínos, reportaram a presença do vírus, excluindo somente o Brasil.

O custo anual com a enfermidade é de 664 milhões de dólares pelas perdas anuais de produtividade, o equivalente a 9.930.000 suínos vendidos, ou 1.090.000 toneladas de carne suína comercializada.

Peste Suína Africana – PSA

Vírus da família Asfarviridae, foi registrado no Brasil um surto de Peste Suína Africana no ano de 1978. O surto aconteceu em Paracambi – RJ, transmitido aos suínos através de restos alimentares de aeronaves oriundas de Portugal e Espanha. Anos mais tarde (1984), o Brasil conseguiu erradicar a doença.

Sem dúvida, a transmissão via restos alimentares é uma das maneiras mais efetivas e preocupantes da transmissão da doença.

Em 2019, que seria o ano do porco chinês, ocorreu um dos maiores surtos da doença, em curso até esse momento. Ainda não há uma vacina válida para o controle da doença, a qual dizimou metade do rebanho suíno chinês, segundo a instituição Rabobank. A doença espalhou-se pela Ásia e chegou à Europa, e continua apresentando novos casos. Estima-se que a epidemia tenha causado, até novembro/2019, cerca de 127 milhões de euros em prejuízos.

Peste Suína Clássica – PSC

Vírus da família Flaviviridae, em 2019, foram registrados focos da doença na região brasileira considerada não livre de PSC, nos estados do Ceará e do Piauí. Em outubro de 2019, foi notificado um foco da doença no estado de Alagoas, limite das zonas livre e não livre da doença.

A região livre da PSC é a região onde há a maior concentração de suínos, com criação tipo industrial, com grande exportação da carne suína.

Embora haja vacina eficaz para prevenir a doença, as vacinas não estavam sendo utilizadas nas regiões em surto. Barreiras foram instaladas nas divisas para evitar a propagação da PSC. O surto de PSC ocorreu em regiões brasileiras com criações de suínos de subsistência, com baixa tecnificação, o que lembra a situação relatada na China no surto da outra peste, a Peste Suína Africana – PSA.

O maior risco para a região livre do Brasil, região produtora e exportadora de carne suína, é o trânsito de veículos entre as regiões, que transportam os animais para o abate.

Em 2020, a PSC está controlada nas regiões que sofreram o surto. As barreiras nas divisas demonstraram-se eficazes. A vacinação, antes não utilizada, foi liberada nas regiões brasileiras consideradas não livres da doença. Um novo plano de erradicação está em andamento: Plano Brasil Livre de Peste Suína Clássica, pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), com o apoio da ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos). Os frascos de vacina deverão ser menores, em função de atender pequenas criações na região. O plano iniciará no estado de Alagoas, local do último surto registrado no Brasil.

Coronavírus suíno: PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos):

Vírus da família Coronaviridae, a PED, doença altamente contagiosa, com alta morbidade e mortalidade, apresentou um grande surto nos Estados Unidos em 2013, causando enorme prejuízos, que resultou em sete milhões de leitões mortos, ou, aproximadamente, 10% da população de suínos do país.

A PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos), é uma das doenças causadas aos suínos por coronavírus. Outras doenças são a TGE (Gastroenterite Transmissível), a PRCV – Porcine Respiratory Coronavirus – Coronavírus Respiratório Suíno; a SADS – Diarrhea Syndrome Coronavirus – Síndrome Aguda de Diarreia Suína; a PHEV – Porcine Hemagglutinating Encephalomyelitis Virus – Vírus da Encefalomielite por Hemaglutinação Suíno; e a PDCov – Porcine Deltacoronavirus – Delta Coronavírus Suíno.

A boa notícia é que não temos diagnóstico positivo desses seis coronavírus suíno no Brasil.

Javalis

Considerado uma das maiores pragas atuais, os javalis (Suis scrofa), espécie exótica, erradicada no Brasil, estão distribuídos em todo o território brasileiro, conforme o mapa acima. Como são parentes muito próximos dos suínos, são portadores de todas as suas doenças, no entanto, não ficam enfermos, devido a maior resistência, e são potenciais transmissores, já que não há nenhum controle, pois vivem livres na natureza.

O Uruguai registrou granjas positivas para a PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória do Suíno) em 2017. Os javalis, comuns aos dois países, constituem um potencial risco de transmissão desta e de outras doenças ao Brasil, com entrada no estado brasileiro que faz fronteira, o Rio Grande do Sul.

Há uma norma para o controle de javalis no Brasil, com a caça dos animais, mediante autorização exclusiva a caçadores cadastrados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).

Não há recursos na suinocultura brasileira para pagar os prejuízos com a entrada de enfermidades com alto impacto econômico, como a PRRS, PSA, PED, e a disseminação da PSC nas áreas livres. Por outro lado, os USA e a Europa têm recursos para combater as doenças, com programas de controle e erradicação.

A única alternativa viável é promover as práticas ideais de biossegurança, para prevenir e ou minimizar os possíveis prejuízos com essas doenças.

A biossegurança no Brasil

Não é por acaso que as principais doenças que acometem os Estados Unidos, Europa e Ásia ainda não entraram no Brasil. Houve uma grande evolução em biossegurança no país nos últimos anos.

A maior evolução brasileira, em biossegurança, foi a quarentena de suínos importados, na ilha de Cananeia – litoral do estado de São Paulo. Através de um acordo entre o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e a ABEGS (Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos) foi organizada e financiada a quarentena aos suínos importados pelo Brasil.

A ilha de Cananeia proporciona o isolamento ideal para impedir quaisquer riscos de transmissão de doenças exógenas, o que pode ser responsável, até o momento, pela não entrada das principais doenças de alto valor econômico no Brasil. Os suínos importados trazem certificado de origem livre de várias doenças, e são submetidos a outros exames durante a quarentena.

Quanto as medidas de biossegurança nas granjas de suínos brasileiras, um bom exemplo vem do estado do Paraná, através da ADAPAR (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), onde emitiu uma nova norma de biossegurança, portaria 265, para as granjas de suínos, já em vigor, que compreende a instalação imediata de cercas, barreira sanitária, manejo adequado de suínos mortos, uso adequado da água, e outras medidas de biossegurança.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saiba a diferença

Bem-estar animal X Direito dos animais

Bem-estar animal e direito dos animais são dois conceitos diferentes, mas que algumas ONGs ou pessoas não entendem ou fingem não entender a diferença

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Arquivo/OP Rural

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal, Cleandro Pazinato Dias, co-autor do livro Bem-estar dos Suínos, a primeira condição para discutir os ataques à produção de proteína animal por uma parte da sociedade é entender a diferença entre bem-estar animal e direito dos animais. Dias, que é consultor, pesquisador e suinocultor, acredita que os ataques como os da Xuxa serão cada vez mais frequentes simplesmente pelo fato de que esses ativistas querem o fim da produção de proteína animal, algo inconcebível e até caricato em um mundo onde a fome ainda atinge mais de 820 milhões de pessoas, conforme o relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Dias explica que o bem-estar animal está ligado à produção de proteína, total e absolutamente pautado em ciência. Já o direito dos animais é intrínseco, por exemplo, aos animais de companhia, de estimação, como cães e gatos. No entanto, sugere o pesquisador, essas Organizações Não Governamentais (ONGs) não entendem ou fingem não entender a diferença entre os conceitos. Em sua opinião, é uma minoria de pessoas, mas que acaba confundindo a população em geral sobre os temas.

“Há uma grande diferença entre direito dos animais e bem-estar animal tem que ficar muito clara antes de iniciar um debate. O bem-estar animal vale para a suinocultura, mas também para todas as cadeias de proteínas, como leite, ovos, frango e carne bovina. O objetivo básico do bem-estar animal é melhorar qualidade de vida deles por meio de melhor alimentação, melhor alojamento, garantia da saúde e ambiente que lhe permita expressar seu comportamento. As práticas de bem-estar animal são feitas com base em pesquisas, em estudos que ajudem a melhorar esses parâmetros”, menciona Dias.

Ele explica que o bem-estar é observado não só nas granjas, mas também no transporte até o frigorífico e abate dos animais. O profissional destaca, por exemplo, que os animais são insensibilizados e não sentem dor ou qualquer outro infortúnio quando são abatidos. “A suinocultura, como também as outras cadeias de produção animal, é altamente regulamentada por órgãos oficiais, com base na ciência, com o objetivo que seja a mais humanitária possível, da granja ao abate. “O abate, por exemplo, ocorre sem dor e sem consciência”, frisa. Nas plantas mais modernas, a insensibilização ocorre com gás. Outros utilizam eletricidade – os animais são sensibilizados antes de sentirem dor.

Dias explica que além da qualidade nutricional, a suinocultura está cada vez mais conectada à produção ética, com respeito aos animais, aos trabalhadores, às comunidades e ao meio ambiente. “Além de ser importante para a geração de renda e alimento de qualidade, a suinocultura trata os animais com toda a dignidade, está cada vez mais conectada com a qualidade do produto, mas também qualidade ética, em todos os aspectos.

Ainda nas granjas, infraestrutura de primeira garante desempenho zootécnico e bem-estar animal. Dias garante que a ampla maioria das granjas brasileiras são modernas, inclusive climatizadas, e estão entre as melhores do mundo. “Já faz anos que começaram a surgir granjas cada vez mais modernas, até 100% climatizadas, com controle de temperatura, qualidade do ar, etc. As granjas brasileiras estão no patamar das melhores do mundo. Não perdemos para ninguém. Estamos no mínimo equivalentes aos melhores. Conheço granjas em outros países. Não podemos nos encolher para ninguém. Não da para achar que a gente é melhor que os outros, pois sempre tem alguém fazendo algo novo, mas estamos no nível dos melhores”, destaca.

Ainda conforme o pesquisador e consultor, as granjas mais antigas estão se transformando. “Foram criados modelos novos de produção, com propriedades dedicadas a creches ou engorda, por exemplo. Nesse contexto, as agroindústrias são muito eficientes”, aponta.

Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal e também produtor, no vídeo publicado por Xuxa há claros sinais de transgressão às práticas de bem-estar animal, mas trata-se de exceções. “Realmente o cidadão estava cometendo maus tratos. Esse é um extremo ruim da nossa cadeia, mas ele faz parte da cadeia, temos que entender para corrigir. Em minha opinião, eles (ONG Mercy for Animals) foram a dedo escolher um cara desses para ter argumentos e fatos, para dar base para eles defenderem que essa produção tem que parar”, avalia.

“Ataques de ativistas ao agronegócio serão cada vez mais frequentes”

Já o direito dos animais, frisa Dias, quer simplesmente acabar com a produção mundial de proteína animal. Ele versa, entre outras situações, na prática de abandono de pets nas ruas, no acorrentamento em espaços sujos e inadequados, na alimentação restrita e na manifestação de doenças sem o devido tratamento. “Muitas pessoas da zona urbana estão desconectadas da zona rural, não sabem da onde vem o alimento. Muitas ativistas dos direitos dos animais são vinculadas a ONGs, que, como primeiro ponto, querem a abolição da produção animal, querem que as pessoas parem de consumir leite, ovos e carne. Muitas estão ligadas ao vegetarianismo ou ao veganismo, que é mais extremo”, pontua.

Com visões tão diferentes, sugere Dias, profissionais de produção e ativistas jamais vão entrar em consenso. “Dificilmente vamos encontrar um meio termo nessas duas linhas de raciocínio. O direito dos animais é abolicionista, quer extinguir a produção”, reforça. “As partes não conversam entre si. O radicalismo é cada vez mais evidente na humanidade, as pessoas que pensam completamente diferentes não consegue falar entre si. Nesse caso, há uma diferença filosófica gigantesca”, amplia.

Por conta dessa visão oposta, sugere o pesquisador e produtor, os ataques ao agronegócio serão cada vez mais frequentes. “Essas investigações sigilosas vão ser cada vez mais usadas por essas ONGs de proteção ao direito dos animais. Ataques ao agronegócio vão ser cada vez mais frequentes, vão se repetir com muito mais agressividade. Vão aumentar em frequência e em nível de qualificação, por assim dizer, como essa que utilizou um drone. Eles pensam: vou bagunçar o coreto desses produtores de proteína animal, vou bagunçar a casa deles, pois não concordo com o que eles fazem. Para isso, vão tentar descobrir os piores transportes, os piores produtores, as piores indústrias, as falhas que tiverem no processo eles vão captar para jogar na mídia, fazendo com que aquilo pareça algo rotineiro, como se, na verdade, a exceção fosse a regra”, sustenta o profissional.

Para Dias, essas pessoas são poucas, mas conseguem criar desafios para o setor de proteína animal pois são financiadas, têm recursos financeiros à disposição. “Os ativistas têm recursos, têm empresas que colocam dinheiro, empresas que patrocinam, fazem campanhas na Internet, vão comprar drone, vão viajar, etc., não são desarticulados”, destaca. “É um grupo pequeno, mas que faz um barulho muito grande”, amplia.

Evolução do bem-estar animal

Dias é co-autor do primeiro livro em Português editado no Brasil, em 2014. Nos últimos seis anos, houve também evolução no bem-estar dos animais. “Esse livro foi um marco porque foi o primeiro em língua portuguesa. De 2014 até hoje a suinocultura evoluiu muito, por exemplo, com a adoção de gestação coletiva, em baias com vários animais, ao invés de gestação nas gaiolas individuais. Quando lançamos o livro, a gestação coletiva estava iniciando no Brasil. De lá para cá, as principais empresas produtoras, que são BRF, Seara JBS, Aurora, Frimesa, Pamplona e Alegra, já estão em transição para a gestação coletiva. “Juntas, representam cerca de 60% do mercado de produção de carne suína no país”, justifica o pesquisador. “É um exemplo claro e incontestável de evolução em bem-estar animal”, garante.

Ainda segundo Dias, “o bem-estar animal é pauta em todos eventos, congressos e nos trabalhos científicos produzidos nas universidades. Nosso entendimento de bem-estar animal hoje é muito contundente”, diz.

O pesquisador e produtor acredita que os avanços no setor não param com o tempo. “Para o futuro, vamos produzir carne suína com o bem-estar cada vez mais evoluído, vamos ser ainda melhores, levando lado a lado com as questões econômicas. O bem-estar na suinocultura vai continuar evoluindo, seja na melhoria das instalações, na alimentação, entre outros aspectos e outras áreas de tecnologia, como climatização e ambiência”, garante. Para Dias, a suinocultura já aplica o bem-estar único, que inclui animais, funcionários, comunidade no entorno e meio ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O rigoroso transporte de suínos que Xuxa não conhece

Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando BEA, boas práticas no manejo pré-abate e segurança do alimento

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Divulgação/ABCS

 Artigo escrito por Charli Ludtke, médica veterinária e diretora técnica comercial da ABCS

No Brasil são transportados mais de 92 milhões de suínos ao ano, sendo que a maioria das viagens está relacionada ao transporte dos animais para os frigoríficos, quando atingem o peso para o abate que varia de 100 a 130Kg. A decisão de transportar os suínos requer responsabilidade compartilhada entre o produtor, transportador e a indústria, devendo ser adotadas as boas práticas e o bem-estar animal durante toda a viagem. Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando o bem-estar animal, as boas práticas no manejo pré-abate e a segurança do alimento.

Os produtores são responsáveis por manter os animais saudáveis e bem nutridos, e em condições físicas adequadas para a realização da viagem. Além disso, manter com a agroindústria uma equipe capacitada com colaboradores cuidadosos para realizar o manejo de embarque dos suínos, é essencial. Para realizar o transporte dos animais, os produtores precisam solicitar a emissão da GTA (Guia de Trânsito Animal) nas unidades veterinárias da região para fins de controle do trânsito dos animais, exigências sanitárias (saúde) e rastreabilidade dos suínos. O transporte dos suínos da granja ao frigorífico é realizado em veículos específicos para este fim e acompanhado de toda a documentação fiscal e da GTA. As empresas de transporte, proprietários de veículos e motoristas são responsáveis pelo planejamento da viagem, transportar somente animais aptos para a viagem e garantir o cuidado durante todo o percurso, além disso buscar atender os requisitos que se refere a: utilizar o veículo e lotação adequada para a viagem, (espaço disponível para todos os animais deitarem) capacitar todos os envolvidos no transporte, principalmente os motoristas em relação ao comportamento e bem-estar dos animais. Assim como desenvolver e manter o plano de viagem incluindo o embarque e desembarque dos animais, duração da viagem, caminho a ser percorrido e o plano de contingência para tratar de emergências (acidentes, condições climáticas adversas) visando minimizar o estresse dos animais durante o transporte.

Os responsáveis das indústrias devem promover as boas instalações durante o embarque, transporte e desembarque no frigorifico, de forma que os suínos possam ser conduzidos com o mínimo de estresse e proporcionando interação positiva com os manejadores. Atenção deve ser dada ao frigorifico, quando os suínos desembarcam e são encaminhados para a área de descanso, antes de serem abatidos. Este ambiente deve promover a recuperação dos animais com áreas adequadas de descanso, conforto térmico, acesso a água e proteção das condições climáticas adversas. Nesta etapa todos os suínos são avaliados pelo Médico Veterinário Oficial quanto aos aspectos de saúde e do bem-estar animal, a fim de permitir que sejam encaminhados ao abate.

Toda a equipe de colaboradores do frigorífico que maneja diretamente os animais deve ser treinada para adotar as boas práticas, evitando assim o sofrimento e o estresse desnecessário aos suínos, mantendo os padrões de qualidade e de segurança do alimento. O transporte constitui uma importante parte do processo, e se não for bem executado pode ocasionar sérios problemas de bem-estar aos animais e de perdas econômicas. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) tem desenvolvido material técnico e treinamentos para a conscientização de toda a cadeia de suínos, atuando, junto às suas afiliadas estaduais na capacitação, visando o aprimoramento do bem-estar animal nas granjas e as boas práticas no transporte e frigorífico. Assim, a suinocultura brasileira se mantém em sintonia com as exigências dos consumidores.

Nota do editor: O título deste artigo não reflete a opinião da autora. É de responsabilidade do jornal O Presente Rural.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Uso de leveduras vivas na suinocultura: alternativa para nutrição de matrizes prolíficas

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente técnico LAM da AB Vista

Nas últimas décadas o tamanho da leitegada e o número de leitões desmamados por porca por ano foram consideravelmente melhorados, principalmente devido à maior produtividade da matriz visando esta característica nos processos de seleção. Com um aumento de 0,2 leitão/ano nos últimos 20 anos. O número de desmamados/fêmea/ano nos Estados Unidos saiu de 23,2 para 25,0 leitões e na União Europeia de 24 para 27,8 leitões, se compararmos os dados de 2008 a 2017.

Realizando uma comparação com dados brasileiros apresentados pela Agriness (2020), podemos observar que o número médio de nascidos vivos/fêmea/ano no Brasil foi de 27,22 leitões em 2008, para 31,02 leitões em 2019, incremento de 14%. Neste mesmo período, houve uma redução do peso médio do leitão ao nascimento de 1,47kg em 2008 para 1,37kg em 2019, uma perda de 100gr/leitão, ou de 6,8%.

O aumento do tamanho da leitegada levou inevitavelmente a uma redução no peso médio de nascimento dos leitões e a uma escalada na variabilidade de peso desta leitegada. Analisando outros dados, o peso ao nascer e o tamanho da leitegada são características importantes para a produtividade. Aumentos rápidos no tamanho da leitegada interferem na produtividade anual de reprodutoras. Peso ao nascer mais leve em leitões tem sido associado a uma maior mortalidade ao desmame, taxas de crescimento mais lentas e diminuição da qualidade de leitões. Estes dados referem-se, possivelmente, a um resultado de menor volume de fibras musculares primárias. De forma geral, existem animais que nascem com até 0,89 kg de diferença entre aqueles mais leves e os mais pesados, o que influenciam em até 9,64 kg o peso ao abate (Tabelas 1 e 2).

Fica claro que elevar o peso geral da leitegada possui uma medida de correlação muito elevada com o peso ao abate, pois animais mais pesados ao nascer irão possuir um melhor volume de fibras musculares de qualidade que sustentaram o crescimento futuro deste animal.

Uma forma para sustentar o crescimento do peso da leitegada ao nascimento refere-se ao uso de leveduras vivas na alimentação das fêmeas suínas reprodutoras durante a gestação e lactação. Embora haja muitos fatores que possam afetar o peso do desmame, o uso de leveduras vivas deve ser algo a ser considerado como uma importante ferramenta para elevá-lo.

Estudo norte-americano analisou-se a suplementação de levedura viva em um período de 18 dias de lactação. Os resultados mostraram que as taxas de crescimento em maternidade de leitões proveniente de matrizes alimentadas com leveduras vivas foram melhoradas em 6% em relação aos leitões controles (0,30 kg extras em peso à desmama). Além disso, os leitões nas porcas alimentadas com levedura viva tiveram uma mortalidade reduzida antes do desmame em comparação com os leitões do grupo controle. Esta redução da mortalidade pré-desmame resultou em 0,5 leitões a mais por desmame. Trabalhos europeus mostraram que para leitões desmamados com idades mais elevadas (> 21 dias), a taxa de crescimento pré-desmame aumentou (+12%) e houve um volume extra de 0,4 leitões desmamados quando as matrizes foram alimentadas com levedura viva durante o período de lactação. Com base em três ensaios, o ganho de peso médio ao desmame foi de +0,86 kg/suíno.

Em outro trabalho, o uso associado de levedura viva durante a fase de gestação gerou um benefício de até 3.1 kg de peso de leitegada (Tabela 4).

Atuação

Uma importante pergunta que resta ser respondida seria: Porque a levedura viva beneficia a matriz suína a ponto de elevar o peso ao nascimento da leitegada e melhorar sua performance na maternidade?

Existem diferentes razões para os resultados apresentados nestes trabalhos, essencialmente a levedura viva é um probiótico e atua como aglutinante de patógenos por meio de seus oligossacarídeos mananos exclusivos na parede celular externa, o que reduz a população de patógenos no lúmen intestinal. As leveduras atuam igualmente como um eliminador de oxigênio, o que suprimem o crescimento de bactérias indesejáveis, enquanto mudam o ambiente intestinal para mais favorável à fermentação de fibras, pois a maioria da microbiota fermentadora de fibras é anaeróbica e prefere um pH mais baixo do que a microbiota patogênica.

O ambiente luminal favorável para bactérias degradadoras de fibra pode resultar em maior hidrólise da fibra em detergente neutro, em níveis mais altos de produção de ácidos graxos voláteis e, portanto, em um nível mais alto de extração de energia nos materiais de alimentação, que pode ser desperdiçado. Ambos os modos de ação são fundamentais para apoiar as necessidades do animal durante períodos estressantes.

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal e um desenvolvimento sadio do trato gastrintestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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