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A banalização da genética na pecuária

De posse da definição da palavra, de cara podemos perceber que o que se vende por aí sob o rótulo "genética" na pecuária brasileira nem sempre pode ser considerada a genética que os pecuaristas pensam que estão comprando

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Gabriela Giacomini, gerente de operações do Programa Montana

A palavra genética, segundo o dicionário on line Dicio, significa "a ciência que estuda a transmissão, de pai para filhos, dos caracteres de hereditariedade anatômicos, citológicos e funcionais, cujas primeiras leis foram estabelecidas por Mendel em 1865".

De posse da definição da palavra, de cara podemos perceber que o que se vende por aí sob o rótulo "genética" na pecuária brasileira nem sempre pode ser considerada a genética que os pecuaristas pensam que estão comprando.

O que os produtores de touros deveriam oferecer são animais geneticamente melhorados ou geneticamente avaliados. Infelizmente, na maioria dos casos, o que se vende são animais que possuem escrituração zootécnica pura e simples. Animais que estão gordinhos, bonitinhos e que são filhos de determinado touro da moda.

O geneticista e professor da USP, José Bento S. Ferraz, costuma mostrar uma informação interessante em suas apresentações. Nesse slide a que me refiro, ele nos mostra que o que é feito hoje em matéria de "seleção" de touros para venda é tecnologia (ou a falta dela) dos séculos XVIII, XIX e XX, antes de 1930. Essas "seleções" são baseadas em avaliações visuais, pedigree, medições simples ou ajustadas e provas de ganho de peso. Insisto que são tecnologias de antes de 1930. Pode parecer piada, mas a maioria dos rebanhos de "seleção" e venda de touros ainda está baseada nesses pilares.

Não são raros os catálogos de leilões que informam apenas pai, peso, perímetro escrotal e data de nascimento. Todas as informações são muito pouco relevantes na hora de se escolher um reprodutor. Existem alguns "selecionadores" que investem mais e informam medições de ultrassonografia de carcaça – detalhe que representam informações vazias: pouco importa uma medida de área de olho de lombo de um touro de 36 meses sem comparação estatística com nenhuma outra medida ou, ainda, informar marmoreio num touro de 36 meses que passou a vida toda comendo ração.

Ultimamente tenho visto até seleção de fêmeas, supostas doadoras de embriões, com seleção baseada em prova de ganho de peso, avaliação visual da vulva (!) e quantidade de oócitos por aspiração. Aí já entendo que o que importa é que a fêmea é capaz de produzir um caminhão de embriões, não importando se ela é geneticamente superior ou não.

Voltando à genética, entendo como "melhoramento genético" ou "avaliação genética" aquele processo estatístico conduzido por doutores na área do melhoramento animal, como o Prof. José Bento Ferraz (USP – campus de Pirassununga), com base no Modelo Animal. A partir desse tratamento estatístico que leva em conta todo o pedigree dos animais, desempenho próprio, dos parentes e dos filhos, os grupos de contemporâneos e uma variedade enorme de outros dados é que são calculadas as DEPs, que são as melhores ferramentas de comparação de animais até hoje. O próprio Modelo Animal já tem os seus 25 anos de idade e não é novidade pra ninguém. Atualmente, tem muita gente que já está comparando animais através de seus genes, calculando as novas DEPs genômicas.

As DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) são ferramentas seguras de comparação entre animais de um mesmo programa de seleção. Para características como peso ao desmame, ganho de peso e peso ao sobreano, quanto maiores as DEPs maior a probabilidade de seus filhos serem mais pesados quando comparados com touros com DEPs inferiores. Muitos programas de melhoramento genético combinam as DEPs em Índices de Seleção, que levam em conta as DEPs que seus coordenadores julgam importantes para conduzir o rebanho para determinada direção.

São inúmeras as opções de raças e touros oferecidos ao mercado todos os dias. Dentre todas as opções, procure fazer sempre uma escolha consciente. Animais de programas de seleção sérios, que fornecem as informações genéticas dos animais são os mais indicados.

Uma compra errada de touros leva a um grande erro na fazenda. Veja só: no primeiro ano, você usou o touro, que trabalhou com 30 vacas e produziu 25 bezerros. Enquanto você cria e desmama a primeira fornada de bezerros, esse touro já trabalhou novamente com as vacas e deixou mais 25 bezerros. No sobreano da primeira fornada de bezerros, você finalmente percebe que os filhos do touro não são bons. Enquanto isso, ele já produziu mais 25 bezerros e as primeiras filhas dele já estão entrando em monta. Dá para entender a extensão do engano?

Uma boa ferramenta oferecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o certificado CEIP – Certificado Especial de Identificação e Produção. Animais com CEIP (independente do registro da associação) são geneticamente superiores, pertencentes a uma faixa que engloba até os 30% melhores animais da safra. É a garantia de estar levando somente animais da ponta da avaliação genética.

Uma última dica: cuidado com produtores que oferecem animais com CEIP e/ou registrados. A cabeceira está sendo vendida com CEIP e registro. No caso de animais que vêm apenas com registro, é possível intuir que não fazem parte da elite genética do rebanho e não tiveram direito ao CEIP.

Sua fazenda é o seu negócio, sua empresa. Touros são insumos muito importantes e ninguém quer insumo de péssima qualidade em sua linha de produção.

Fonte: Assessoria

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BRF planeja aumentar em 300% espaços diferenciados em redes varejistas por todo o Brasil

Companhia já implementou modelo Store in Store em importantes redes como Pão de Açúcar, Extra e BIG

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Divulgação.

A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, pretende ampliar em 300% sua presença com espaços diferenciados de venda dentro de redes varejistas do País. O modelo Store in Store, uma opção que reúne os principais produtos das marcas Sadia, Perdigão e Qualy em um único lugar dentro dos supermercados, oferece aos clientes praticidade ao organizar os itens por ocasiões de consumo – como café da manhã, churrasco, feijoada e pratos congelados, por exemplo. O conceito, que já está em operação no Pão de Açúcar, Extra, Makro, Big e G.Barbosa, deve alcançar 400 espaços de venda ainda este ano.

O Store in Store fechou 2020 com mais de 100 espaços instalados. Nesta modalidade de vendas, o varejista cede umlocal dentro do seu estabelecimento comercial para a BRF promover uma experiência de compra diferenciada, transmitindo a mensagem “tudo o que o consumidor precisa em um só lugar”. Com esse formato, a BRF leva para os varejistas uma modalidade inovadora, que permite que os consumidores tenham uma nova experiência de varejo totalmente B2B2C.

O conceito traz para o mundo físico o que o cliente já encontra no canal online Mercato em Casa e expande o modelo da loja própria Mercato Sadia. Nos dois locais de compra, os produtos estão organizados para facilitar a compra por ocasião de consumo e proporciona uma melhor experiência para os consumidores.

“Oferecer alimentos com qualidade, sabor e ainda mais praticidade, onde e como o consumidor quiser, é um dos nossos compromissos: colocar o consumidor sempre no centro das decisões. O Store in Store nos possibilita atingir esta meta. Por meio deste modelo, a BRF busca o acesso direto com o consumidor pelo varejo”,diz Manoel Martins, Diretor Comercial do Mercado Brasil da BRF. “O modelo foi tão bem recebido pelo mercado que planejamos, para este ano, abrir 300 novos espaçosem todo o Brasil”, finaliza o executivo.

A estratégia de expansão do Store in Store está alinhada com a Visão 2030, plano de crescimento da Companhia anunciado no final de 2020 que visa consolidar a liderança da BRF como uma empresa global de alimentos de alto valor agregado, com marcas reconhecidas e produtos de alta qualidade.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado

JBS adquire empresa europeia e expande sua plataforma global de alimentos plant-based

Compra da Vivera, terceira maior produtora de proteína plant-based da Europa, impulsiona a JBS no mercado de proteína vegetal

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A JBS, maior empresa de proteína e segunda maior indústria de alimentos do mundo, celebrou acordo para a compra da empresa Vivera, terceira maior produtora de plant-based na Europa, por um enterprise value (valor de empresa) de 341 milhões de euros. A Vivera desenvolve e produz um diversificado e inovador portfólio de produtos plant-based substitutos de carne para grandes varejistas em mais de 25 países europeus, com presença relevante na Holanda, no Reino Unido e na Alemanha. A transação inclui três unidades fabris e um centro de pesquisa e desenvolvimento localizados na Holanda.

A aquisição da Vivera fortalece e impulsiona a plataforma global de produtos plant-based da JBS. A tendência global é de forte crescimento no consumo desse segmento. A operação vai ampliar o portfólio da JBS com uma marca consolidada na preferência dos consumidores, reforçando o foco da Companhia em produtos de valor agregado.

A Vivera, atualmente a maior companhia independente de plant-based da Europa, se soma às iniciativas da Seara, no Brasil, onde a Linha Incrível detém a liderança em hambúrgueres vegetais, e da Planterra, que conta com a marca OZO nos Estados Unidos.

“É um passo importante para o fortalecimento da nossa plataforma global de proteína vegetal. A Vivera traz musculatura para a JBS no setor de plant-based com conhecimento tecnológico e capacidade de inovação”, afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.

Para fomentar seu espírito empreendedor, a JBS vai manter a Vivera como uma unidade de negócios autônoma, mantendo sua atual liderança.

“Juntar forças com a JBS nos dá acesso a recursos significativos e capacidades para acelerar nossa atual trajetória de forte crescimento”, diz Willem van Weede, CEO da Vivera.

A transação, que foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da JBS, está sujeita à validação das autoridades antitruste.

Fonte: Assessoria
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Notícias Soja

Indicador Paraná atinge recorde nominal

Preços da soja estão em alta no Brasil, influenciados pelas maiores demandas doméstica e externa

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Danilo Estevão/Embrapa

Os preços da soja estão em alta no Brasil, influenciados pelas maiores demandas doméstica e externa. Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores mostra preferência em comercializar a soja em detrimento do milho, o que eleva a liquidez no mercado da oleaginosa.

Diante disso, mesmo sendo período de finalização de colheita no Paraná, o Indicador CEPEA/ESALQ da soja atingiu R$ 172,66/saca de 60 kg no último dia 14, recorde nominal da série do Cepea, iniciada em julho de 1997. Já outra parcela de vendedores não mostra interesse em fechar negócios para entrega no curto prazo, atentos à maior paridade de exportação para embarques nos próximos meses.

Fonte: Cepea
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