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A aplicação da biotecnologia no desenvolvimento de aditivos para aumentar a produção de ruminantes

Na prática, a biotecnologia agrega diferentes conhecimentos como biologia, química e física, podendo oferecer amplas linhas de estudos que exploram a vasta biodiversidade da natureza

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Artigo escrito por Luis Eduardo Ferreira, biomédico, doutor em Biotecnologia e analista de Pesquisa e Desenvolvimento na Premix

A criação de ruminantes é considerada como um dos principais setores produtivos que movimentam grande parte da economia nacional. Tal importância exige, tanto do setor público quanto do privado, a realização de grandes investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos e soluções que contribuam para a obtenção de resultados cada vez mais sustentáveis no campo. Na prática, todo conhecimento é pautado em pesquisas validadas, que tem como propósito gerar inovações e tecnologias que possam contribuir para a melhoria do manejo do rebanho, tornando assim o sistema produtivo, rentável e sustentável para o pecuarista.

Nos últimos anos, diferentes linhas de pesquisa dentro da pecuária têm dado origem a vários avanços tecnológicos, que oferecem ao criador modernos processos de manejo e a oferta de novos produtos para o mercado. Em especial, a área de nutrição animal possui diversas linhas de pesquisa que utilizam importantes métodos zootécnicos fundamentados em avaliar os efeitos biológicos das diferentes substâncias testadas, como aditivos, sobre o metabolismo da fermentação ruminal e, principalmente, o monitoramento dos índices de desempenho sobre o metabolismo dos animais, ganhos de peso, qualidade da carne, entre outros.

Do ponto de vista fisiológico, a principal fonte de energia dos ruminantes é proveniente da fermentação de todo o conteúdo da dieta consumida. Esse processo é realizado graças a presença de diferentes espécies de microrganismos que se relacionam simbioticamente no rúmen desses animais, cujo resultado desse complexo metabolismo consiste na produção de diferentes metabólitos, classificados como ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), sendo o acetato, propionato e o butirato os principais. Nesse contexto, os aditivos agem como antibióticos, modulando a flora microbiana em favorecimento das espécies mais importantes para o ecossistema ruminal, garantindo a melhor condição da fermentação. Por essa razão, a presença dos aditivos na alimentação dos ruminantes faz melhorar a eficiência e o aproveitamento da dieta, aumentando os índices de produtividade do rebanho e tornando a prática mais sustentável, através da redução da liberação de gases de origem animal, que são responsáveis pelo agravamento do efeito estufa.

Pesquisas nas áreas de biotecnologia, quando aplicadas na pecuária, têm acrescentado modernas metodologias que contribuem para o avanço no desenvolvimento de novas classes de aditivos para ruminantes e, inclusive, a validação dos efeitos biológicos de produtos já existentes no mercado. Tendo em vista a necessidade do desenvolvimento de novas classes de aditivos, dando preferência para aqueles de origem orgânica ou natural, diferentes linhas de estudos dentro da biotecnologia têm auxiliado na avaliação do desempenho de novas substâncias ativas, através de ensaios biológicos in vitro, in situ e in vivo e, inclusive, biomoleculares.

Na prática, a biotecnologia agrega diferentes conhecimentos como biologia, química e física, podendo oferecer amplas linhas de estudos que exploram a vasta biodiversidade da natureza, em busca de novas moléculas de interesse zootécnico e que possam ser avaliadas como aditivos para ruminantes. Dessa forma, a fitoquímica utiliza modernas técnicas, como Cromatografia em coluna clássica, Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massa (CG-EM) e a Ressonância Magnética Molecular (RMN), que podem extrair, isolar e identificar biomoléculas ativas de diferentes classes de metabólitos secundários, como alcaloides, flavonoides, óleos essenciais, compostos fenólicos, saponinas, óleos vegetais, entre outros.

A utilização de plantas como forma alternativa aos aditivos classificados como antibióticos ou ionóforos pode ser compreendida como uma opção favorável, segura e vantajosa para ser aplicada no campo, pois tende a oferecer menores riscos ao meio ambiente. Também disponibilizam rápida biodegradabilidade e, quando associadas às boas práticas de manejo, tendem a reduzir as chances de evolução de resistência microbiana. Sendo assim, um produto desenvolvido nessas condições tecnológicas pode ser utilizado sem restrições, aumentando as margens de rentabilidade e sustentabilidade ao pecuarista.

Considerando que todo metabolismo fermentativo envolve ainda uma complexa e dinâmica interação de competição e interdependência entre cada uma das espécies microbianas presentes no ecossistema ruminal, a biotecnologia disponibiliza avançadas técnicas de biologia molecular que são capazes de extrair e manipular o material genético de amostras do conteúdo ruminal para identificar e quantificar as espécies microbiana envolvidas na fermentação ruminal.

A técnica chamada de PCR em tempo real (Polymerase Chain Reaction in Real Time) permite gerar clones in vitro de fragmentos de genes de interesse biotecnológico presentes no DNA extraído de amostras biológicas coletadas e processadas. A reação ocorre a partir do pareamento (ligação combinada) de primers em regiões específicas do fragmento de DNA, que irão dar início à reação de PCR. Tal condição possibilitará que, em seguida, uma enzima chamada de “TAQ polimerase”, incluída durante o preparo nas diluições da reação, construa várias cópias em cadeia do fragmento genético de interesse chamada de amplificação genética.

Softwares de bioinformática, como BLAST (Basic Local Alignment Search Tool), são utilizados para acessar bancos de informações genômicas que farão diversas avaliações e combinações gênicas para determinar a sequência de nucleotídeos utilizados para construir o primer. Considerando que cada espécie possui um código genético diferente, a sequência dos primers será específica para cada espécie bacteriana, e a presença ou não do DNA na amostra de líquido ruminal coletada será indicada através da amplificação ou não do gene de interesse.

Neste caso, o gene de interesse no estudo é chamado 16S ribossomal, que é responsável por conferir as principais características ligadas a filogenia bacteriana. Com a aplicação das técnicas de biologia molecular, foi possível identificar muitas outras espécies de microrganismos presentes no ecossistema ruminal, avaliar in situ o desempenho de substâncias bioativas como aditivos sobre a modulação da dinâmica da população de microrganismos durante a fermentação no rúmen e gerar novas perspectivas de trabalhos e projetos científicos mais avançados para o setor pecuário em geral. Além disso, a sensibilidade e a especificidade genética da técnica excluem a necessidade da utilização das técnicas clássicas de microbiologia para isolar, identificar e cultivar in vitro espécies microbianas fastidiosas de difícil manipulação em ambientes aeróbicos.

Capacitada em utilizar todas as tecnologias acima citadas, a Premix, uma das principais empresas de nutrição animal para bovinos e equinos do País, possui um amplo centro de pesquisa, localizado em Patrocínio Paulista (SP), que é capaz de realizar diversos estudos científicos em nutrição moderna de ruminantes e equinos. Investindo continuamente na capacitação de seus pesquisadores, com parcerias junto a instituições de pesquisas nas áreas de Zootecnia, Veterinária, Agronomia, Biotecnologia e Química; aplica o máximo da tecnologia disponível no segmento. Na prática, trabalha continuamente para conectar as ciências zootécnicas com as novas tendências biotecnológicas aplicadas, para aumentar qualidade e a produtividade no campo.

Fonte: Ass. de Imprensa

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Notícias Suinocultura

ACCS comemora 60 anos

Nesta quarta-feira (24) uma das mais importantes associações de suinocultores do Brasil comemora 60 anos de história e conquistas

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Em 2003, pela primeira vez a ACCS teve uma eleição com duas chapas; grupo de oposição, que na época enxergava a necessidade de mudanças, venceu a eleição

Nascida do propósito de melhorar a genética da suinocultura e engajar os produtores do Estado, a Associação Catarinense dos Produtores de Suínos (ACCS) comemora 60 anos de trajetória em 2019. A data – 24 de julho – simboliza a união de forças que sustenta o trabalho da entidade, considerada hoje a mais representativa do Brasil neste setor.

Atenta às exigências do mercado e às necessidades dos produtores, a ACCS trabalha dando suporte às granjas e também auxilia nas negociações e pleitos que vêm do campo. “A ACCS sempre foi fundamental, pois desde o começo trabalha de olho na indústria para fortalecer o melhoramento genético”, diz o presidente da entidade, Losivanio Luiz de Lorenzi. “Não dá para mensurar o peso da entidade, é uma importância fundamental no aprimoramento do plantel e no crescimento das propriedades”.

Desde o momento de sua implantação, a ACCS teve atuação significativa, a ponto de elevar a região ao reconhecimento de todo o Brasil, como centro de referência na produção e industrialização de suínos, e de conquistar para Concórdia o direito de realizar anualmente a exposição nacional de suínos.

Com conquistas gradativas todos os dias, a entidade enxerga um futuro cheio de desafios. “Sempre vamos ter que bater em alguma coisa diferente para que a carne suína consiga o seu espaço. Já estamos entrando bem no mercado, mas precisamos fazer com que o consumidor veja as questões de saúde, os valores agregados e tudo de bom que tem a nossa proteína”, frisa Lorenzi.

A fundação da entidade

A ACCS foi fundada em 24 de julho de 1959, por um grupo de 81 pessoas, com o objetivo principal de auxiliar no melhoramento genético da suinocultura catarinense. Mas a importância deste papel nasceu bem antes. Os primeiros agricultores a colonizar as terras próximas a Concórdia já criavam porcos para consumo da própria família.

A engrenagem se tornou, com o tempo, um negócio. Lá nos anos de 1950, os cinco principais frigoríficos da região já empregavam mais de 1700 funcionários (Sadia / Perdigão / Chapecó / Seara/ Pagnoncelli). Nasceram as primeiras granjas especializadas, incentivadas pelas indústrias para ampliar a qualidade do produto das raças existentes.

De lá para cá, a ACCS protagoniza a história por se preocupar com a qualidade da suinocultura e com a defesa dos interesses dos produtores. Desde o início, a entidade associou os primeiros produtores, acompanhou o nascimento de granjas que até hoje mantem-se ativas.

Iniciou um trabalho de genética, sanidade, tradição e consumo diante de todo o Estado Catarinense. Foi a pioneira ao implantar a primeira Central de Sêmen do país, visando o melhoramento das raças, maior produção de carne por animal – menos gordura, realizando exposições de suínos vivos e julgamento de animais.

Trabalho de excelência

Após contribuir para formar uma suinocultura de excelência, ao longo das últimas cinco décadas, a ACCS participou com grande responsabilidade de ações que mudaram o valor da suinocultura catarinense. Conquistar o Reconhecimento da OIE – Organização Mundial de Saúde Animal para com Santa Catarina, como área livre de febre aftosa sem vacinação tornou a suinocultura catarinense mais forte. Sendo referência em produção de suínos no mundo, é possível fortalecer também as propriedades.

Central de Coleta e Difusão Genética

Nesta trajetória, a Associação Catarinense de Criadores de Suínos confirma seu pioneirismo no melhoramento genético com a inauguração da Central de Coleta e Difusão Genética da ACCS, na comunidade de Fragosos, em Concórdia. O funcionamento da Central é mais um importante avanço na produção de suínos em Santa Catarina, já que a estrutura tem à disposição as melhores genéticas do mercado e respeita todos os padrões de bem estar animal em seu processo produtivo.

Com base no número de machos alojados, a Central atinge a produção mensal de 19 mil doses de sêmen. Para se ter uma ideia do avanço, em setembro de 2014, quando a ACCS reassumiu os trabalhos da Central, a produção foi de apenas 2.577 doses no mês.

Ao longo de sua trajetória, a ACCS também foi uma grande apoiadora do sistema cooperativista, que através da união, faz uma sociedade mais forte. Com o objetivo de amparar os suinocultores independentes, a ACCS fundou a Cooperativa Agroindustrial dos Suinocultores Catarinenses, a Coasc, no dia 13 de fevereiro de 2014.

A cooperativa foi fundamental, por exemplo, em épocas de crise, oferecendo insumos de qualidade e com preço justo aos produtores.

O diferencial comercial da cooperativa é tão grande, que no início de 2017 foi inaugurada a AgroCoasc. A primeira loja agropecuária da marca está localizada no coração de Concórdia e tem uma grande variedade de preços e produtos.

Participação na política

Seja na esfera municipal, estadual ou federal, a ACCS tem forte participação na política em busca das melhores condições para os suinocultores produzirem. Em 2013, os parlamentares catarinenses aprovaram a criação da Frente Parlamentar da Suinocultura, uma proposta da ACCS que tem como objetivo agilizar as os pleitos propostos para melhorar o setor.

Lei de Integração e Cadecs

Atuando como mediadora nas Comissões de Acompanhamento e Conciliação da Integração, a ACCS acompanha de perto a relação entre produtores e integrados para que a Lei de Integração seja cumprida. Através de uma lei específica, integradoras e seus integrados têm direitos e deveres assegurados.

Salário Educação

No ano de 2010 a ACCS ingressou com uma ação coletiva para que os produtores empregadores rurais deixassem de pagar o imposto “salário-educação”, que incidia sobre a folha de salários à alíquota de 2,5%.

Em 2015 o processou terminou com ganho de causa para a ACCS, permitindo que todos os produtores empregadores rurais deixassem de pagar o imposto, além de terem os valores pagos indevidamente restituídos.

A partir de então, vários empregadores rurais do Estado de Santa Catarina vem se beneficiando através desta decisão, sendo que até o momento já foram recuperados mais de R$ 3 milhões.

Integração entre os associados

Na última década, a ACCS estreitou os laços com os proprietários das granjas de material genético com a realização do Encontro de Produtores de Material Genético do Estado de Santa Catarina. Essa é uma oportunidade para a troca de conhecimento e também oportunizar momentos de lazer para os produtores e suas famílias.

Leilão de Suínos

A entidade também foi precursora na realização do 1º Leilão de Suínos transmitido ao vivo pelo Canal Rural – uma experiência inédita no país. O fato memorável ocorreu durante a Expo Concórdia 2015.

A certeza de que o leilão seria um sucesso se confirmou pelo potencial genético dos produtores catarinenses, em especial das granjas Bagdá, Canadá, Embrapa Suínos e Aves e Suruvi que participaram do leilão e que tiveram 100% dos animais comercializados.

Comunicação e inovação

Hoje a ACCS distribui informações para milhares de pessoas ao redor do mundo através de seus canais de comunicação, sempre com o intuito de aumentar a visibilidade da proteína animal mais consumida ao redor do mundo.

Compromisso renovado

Inovação, dedicação e muito trabalho. Esses são os principais atributos que posicionam a ACCS como uma das entidades mais representativas da suinocultura brasileira. Na data em que comemoramos 60 anos, renovamos o nosso compromisso em trabalhar muito em prol do desenvolvimento da atividade em Santa Catarina. O apoio dos nossos produtores, indústrias e lideranças setoriais, nos fornece energia para construir uma entidade ainda mais forte.

Fatos marcantes na história da ACCS

1959 – Foi fundada a ACCS. Período marcado por profundas transformações na suinocultura, já que a atividade estava em franca expansão, mas tinha dificuldades com a logística.

1962 – Os produtores começaram a receber raças de suínos e aves de outros países, com foco no aumento da produtividade na propriedade.

1964 – Na década de 60, começaram as exposições de animais, eventos que motivavam os produtores a melhorarem os plantéis. Concórdia foi o grande palco da época.

1970 – A ACCS colocou à disposição uma equipe com 40 funcionários para realizar o registro genealógico do plantel de suínos, estrutura fundamental para o controle dos animais daquele período.

ANOS 70 – Attílio Fontana doou um terreno para a construção da sede própria da ACCS, uma das grandes conquistas para o desenvolvimento da entidade e do fortalecimento da classe.

1971 – Santa Catarina lidera a produção suinícola com destaque para o trabalho de excelência desenvolvido pela ACCS. Concórdia também ganhou destaque no cenário nacional.

1976 – Foi inaugurada em Concórdia a primeira Estação de Teste de Reprodutores Suínos. Através da liderança da ACCS, a suinocultura de SC ganhou notoriedade por todo o país.

1976 – Foi construída a primeira central de sêmen do país. O objetivo era difundir amplamente as características almejadas em termos de qualidade e produtividade.

1978 – O Centro Nacional de Pesquisa de Suínos incorporou a área de avicultura. Hoje a instituição é a Embrapa Suínos e Aves – uma referência mundial no desenvolvimento de estudos.

1981 – Como forma de protesto para cobrar ações de combate à crise, um porco foi lançado de paraquedas durante a Exposição Nacional de Suínos, em Concórdia.

2002 – Com a apresentadora Ana Maria Braga como garota propaganda, o consumo da carne suína saltou de sete para 13 quilos per capita ao ano.

2003 – Pela primeira vez a ACCS teve uma eleição com duas chapas. Um grupo de oposição, que na época enxergava a necessidade de mudanças, venceu a eleição.

2005 – Em 2005 ocorreu a primeira SuiLeite, em Concórdia, evento que teve forte atuação da ACCS. O momento era de extrema importância para adquirir conhecimento e realizar negócios.

2007 – Em Paris, Santa Catarina recebeu o certificado da OIE como estado livre de febre aftosa sem vacinação, uma das principais conquistas da suinocultura catarinense.

2008 – Os suinocultores do estado se comprometeram a assinar um TAC para realizar adequações relacionadas ao destino dos dejetos suínos e recomposição da mata ciliar.

2015 – Os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foram certificados como área livre de Peste Suína Africana pela OIE. Lideranças do setor estiveram em Paris mais uma vez para receber o reconhecimento.

Fonte: Assessoria
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Notícias Segundo Embrapa

Inoculante reduz uso de nitrogênio em milho e aumenta produtividade em mais de 100%

Na pesquisa, verificou-se que a inoculação das sementes com Azospirillum brasiliense aumentou o teor de rendimento de milho

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Síglia Souza

Experimento realizado na Embrapa Amazônia Ocidental (AM) demonstrou que a inoculação da bactéria Azospirillum brasiliense em sementes de milho para cultivo em terra firme, permitiu economia de 20 kg de nitrogênio por hectare e rendimento superior em 104% à média da cultura no estado do Amazonas.

Nos cultivos experimentais no Amazonas em que foi utilizado tratamento com o inoculante nas sementes, o rendimento médio foi de 5.359 kg por hectare, enquanto a média de produtividade dos cultivos de milho no Amazonas é de 2.626 kg por hectare, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A tecnologia de inoculação com Azospirillum no milho foi desenvolvida pela Embrapa e já é utilizada em várias regiões no Brasil, contribuindo para o aumento de produtividade e redução de custos das lavouras. “É a primeira vez que esse produto é avaliado em pesquisas com milho no Amazonas”, conta o pesquisador da Embrapa, Inocêncio Oliveira, que realizou experimentos em área de terra firme, em latossolo amarelo, no Amazonas com o cultivo da variedade de milho BRS Caimbé e o híbrido AG 1051, sob sistema de plantio direto, com avaliação de duas colheitas. Participaram do trabalho também os pesquisadores da Embrapa, Aleksander Muniz e José Roberto Fontes, e o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Bruno Pereira.

Na pesquisa, verificou-se que a inoculação das sementes com Azospirillum brasiliense aumentou o teor de rendimento de milho, tanto nas plantas não fertilizadas com adubo nitrogenado, quanto nas que receberam o nitrogênio na adubação de cobertura. “O efeito benéfico da inoculação com bactérias diazotrópicas deve-se à produção de substâncias promotoras de crescimento, solubilização de fosfatos, aumento da resistência das plantas ao estresse e à própria fixação biológica de nitrogênio”, explica Oliveira.

O pesquisador conta que, no caso do milho, o processo de fixação consegue suprir parcialmente a demanda da planta pelo nutriente, por isso é necessária complementação com a adubação de cobertura para ter melhor rendimento, conforme foi verificado nos experimentos. A adubação de cobertura no milho é realizada, aproximadamente aos 20 e 40 dias, após o plantio.

Alto potencial de crescimento do milho amazonense

No Amazonas, existe demanda interna por milho para utilização na ração animal, principalmente para as atividades de piscicultura e criação de aves. Entretanto, como há pouca produção, o produto é comprado de outros estados.

O pesquisador cita que as dificuldades logísticas para aquisição de insumos (fertilizantes e calcário) impactam no custo de produção do milho no estado e, diante do alto custo, faltam produtores capitalizados para a produção em maior escala. Além disso, nos plantios atuais há pouca adoção de tecnologias e eles apresentam baixa produtividade.

Por outro lado, as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental, no Amazonas, mostram o potencial de cultivo de milho com produtividade superior à média estadual de 2.626 kg/ha.  Seguindo as recomendações técnicas e agronômicas para o estado, é possível obter produtividades que variam de 3.000 kg/ha a mais de 5.000 kg/hectare.

Após várias etapas de seleção em pesquisas agronômicas, a Embrapa Amazônia Ocidental em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo já recomendaram diversas cultivares adaptadas às condições de solo e clima do estado do Amazonas como, por exemplo as variedades BR 106, BR 5110, BR 5102, BRS Saracura, BRS 4103, BRS Caimbé, BRS 5011 Sertaneja; e os híbridos BRS 1055, BRS 1060 e BRS 3040.

Confira as produtividades obtidas em experimentos da Embrapa no Amazonas:

No experimento realizado no Amazonas, quando se utilizou apenas a inoculação das sementes com Azospirillum brasiliense, sem usar posteriormente a adubação de cobertura, houve ganho de produtividade de 1.000 kg/ha em relação aos plantios realizados, nas condições da região, o que representa 38% maior que nos cultivos sem nitrogênio. Em outra situação, em que se fez a inoculação com a bactéria Azospirillum brasiliensena semeadura e se utilizou as doses recomendadas de nitrogênio na adubação de cobertura, o ganho em produtividade foi elevado a mais que o dobro (127%) comparado ao cultivo sem adubação nitrogenada.

Segundo Oliveira, a inoculação das sementes com Azospirillum brasiliense associada à adubação nitrogenada em cobertura aumentou em torno de três mil quilos por hectare o rendimento de milho no experimento. Comparando o desempenho das cultivares utilizadas na pesquisa, os resultados do híbrido foram superiores em 47% ao BRS Caimbé em todas as avaliações realizadas.

R$ 1,2 milhão em economia

O cienstista destaca que mesmo usando a adubação de cobertura, a inoculação com a bactéria permite uma economia de 20 kg de nitrogênio por hectare, na semeadura. “Considerando o cultivo de 8.100 hectares de milho no estado do Amazonas em 2018, segundo a Conab, e a economia de 20 kg de nitrogênio por hectare a partir do uso do inoculante na semeadura, há uma redução de 162 toneladas de nitrogênio ou 360 toneladas de ureia”, exemplifica. Essa economia representaria anualmente o valor aproximado de 1,2 milhão de reais, considerando o custo do adubo nitrogenado em Manaus (AM), segundo estimativa do pesquisador.

“A inoculação com Azospirillum brasiliense pode ser uma alternativa sustentável para a oferta de nitrogênio para culturas de milho em regiões tropicais, além de economizar custos na produção de milho, especialmente com fertilizantes químicos nitrogenados”, destaca Oliveira.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental
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Notícias Suinocultura

IV Encontro Técnico Abraves – SP anuncia programação

Evento vai debater sanidade, biossegurança, mitigação de riscos e programas de sanidade de suínos no próximo dia 10 de setembro, no IZ de Nova Odessa, SP

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Quais medidas de biosseguridade são mais relevantes para a manutenção do elevado status sanitário da suinocultura brasileira? Qual é a situação atual dos principais programas de sanidade vigentes no país? Como mitigar riscos de entrada de patógenos em propriedades rurais? Enfim, quais são as ferramentas mais importantes para blindar nosso plantel? Estas são algumas das perguntas que serão respondidas por especialistas reconhecidos internacionalmente durante o IV Encontro Técnico da Abraves –SP, que vai acontecer no próximo dia 10 de setembro, no auditório do Instituto de Zootecnia (IZ), de Nova Odessa, no interior de São Paulo.

Realizado pela Abraves – Regional SP, a Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Regional São Paulo, o encontro deve reunir cerca de 300 participantes, entre médicos veterinários, zootecnistas, empresários, produtores e profissionais das principais empresas do setor. O objetivo é promover uma rodada de discussões para traçar um panorama atual da biossegurança da suinocultura brasileira e as mais recentes ferramentas para manter nosso status sanitário privilegiado, explicou a médica veterinária e presidente da Abraves –SP, Izabel Muniz.

Outras informações sobre o IV Encontro Técnico Regional Abraves SP estão disponíveis no site do evento, ou podem ser obtidas pelo e-mail abraves.sp@hotmail.com.

Programa

A secretaria do evento será aberta às 7h30 do dia 10 de setembro para a realização de inscrições e entrega de material aos congressistas. A abertura será realizada pela presidente da Abraves –SP, Izabel Muniz, às 8h15. O Painel Situacional vai abrir a programação técnica às 8h30 com a coordenação do médico veterinário e membro da diretoria da Abraves -SP Edson Luis Bordin.

Os debates vão começar com o médico veterinário Guilherme Takeda, da Divisão de Sanidade dos Suídeos/CAT/CGSA/DSA/DAS, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), com uma apresentação sobre o “Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos: Situação atual”. Em seguida, o médico veterinário do Programa de Sanidade dos Suídeos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Artur Felício, vai debater o “Programa Estadual de Sanidade dos Suídeos: Situação atual”.

Logo depois, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luiz Gustavo Corbellini vai destacar “Gestão de Risco: Visão epidemiológica”. No período da tarde, a programação segue com o Painel Mitigação de Riscos, coordenado pela médica veterinária e membro da diretoria da Abraves – Regional SP, Simone Martins.

Na abertura deste painel, o tema “Programa de Biossegurança: trânsito internacional e nacional de animais” será debatido pela médica veterinária e membro da diretoria da Abraves –SP, Juliana Ribas. Na sequência, a zootecnistas Fernanda de Andrade vai discutir “Programa de Segurança Alimentar em Fábricas de Rações”.

O médico veterinário com mestrado em Produção Animal pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Lisandro Haupenthal, vai apresentar “Biossegurança em grandes sistemas”. O programa técnico do evento será encerrado pela médica veterinária mexicana com PhD pela Universidade de Minnesota e atuação no Canadá, Laura Batista, que vai abordar “Status Sanitário: ferramentas para manutenção do nosso maior patrimônio”.

Fonte: Assessoria
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