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José Zeferino Pedrozo Opinião

A agricultura está fazendo a sua parte

Serenidade, diálogo e cooperação entre todos os setores da sociedade brasileira.

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Serenidade, diálogo e cooperação entre todos os setores da sociedade brasileira. Isso é o que o País precisa nesse período em que o mundo enfrenta a pandemia do novo Coronavírus. É uma pena que essa orientação ainda não impregna plenamente os três Poderes da República na busca de convergência de ações e decisões no combate ao mal que nos aflige. De outra parte, algumas autoridades e especialistas (uma minoria, diga-se de passagem) deveriam parar de emitir opiniões e avaliações na contramão do que orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS), questionando os efeitos de orientações que o mundo todo segue.

Esses são alguns dos aspectos que, nesse momento particularmente preocupante da vida nacional, desnecessariamente geram intranquilidade aos brasileiros.

É consenso que, quando essa pandemia estiver superada e a perda de vidas humanas cessarem, as suas consequências serão terríveis no plano econômico. Milhares de empresas fecharão, milhões de empregos estarão ceifados, muitos pequenos negócios estarão inviabilizados. Provavelmente a sociedade brasileira não será mais a mesma. Então, será necessária uma hercúlea união nacional para a reconstrução.

Nesse quadro perturbador é justo destacar o importantíssimo papel da agricultura brasileira: ela trabalha para que não faltem alimentos na mesa dos brasileiros, evitando que um quadro que se apresenta potencialmente caótico não se torne desesperador.

Através da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) – e de forma articulada com as demais federações e confederações patronais e de trabalhadores – buscamos medidas junto a todas as esferas da Administração Pública para que todas as atividades ligadas à produção e à distribuição de alimentos jamais paralisem.

A prioridade é combater os efeitos causados pelo Coronavírus para ajudar o produtor rural a continuar produzindo e garantir o abastecimento de alimentos à população brasileira durante a quarentena.

Articulações junto ao Governo permitiram garantir a eficiência logística, assegurando a continuidade do fluxo da produção de alimentos, bem como da sua cadeia de suprimentos. Nessa mesma linha, para reduzir os impactos na comercialização dos produtos agropecuários, a Medida Provisória 926 e o Decreto 10.282 definiram a alimentação como atividade essencial durante a quarentena. Era necessário um normativo legal para determinar que a alimentação fosse uma prioridade, impedindo que todo o processo produtivo fosse interrompido. Assim, na longa cadeia de geração de alimentos, produtores, agroindústrias, fornecedores de insumos e transportadoras continuaram em pleno funcionamento.

Em razão de sua complexidade, muitas foram as reivindicações para assegurar a normalidade e a viabilidade da agricultura, entre elas, aquelas relacionadas ao crédito rural e à tributação, prorrogação automática de todos os tipos de financiamento, principalmente custeio e investimento. Outro ponto foi a suspensão de qualquer tipo de procedimento em que o produtor precise ir ao cartório ou agência bancária.

Para ampliar o fornecimento de comida à população carente defendemos medidas de apoio à comercialização de alimentos por meio de programas  públicos de aquisição direto dos produtores rurais, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Nesse aspecto, foi fundamental a aprovação do Projeto de Lei 786/2020, que prevê a distribuição de alimentos da merenda escolar às famílias de estudantes da rede pública, que tiveram as aulas suspensas. A proposta é fundamental nesse momento de crise, pois beneficia os produtores que precisam continuar vendendo os produtos e as famílias que precisam de alimentos de qualidade.

As entidades de representação e defesa do agro estão dialogando de modo responsável e produtivo com os Ministérios da Agricultura, da Infraestrutura e da Fazenda e com o Governo do Estado, subordinando os interesses setoriais e classistas aos superiores interesses da coletividade. A agricultura está fazendo a sua parte.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

SC quer produzir mais carne bovina

Estado é líder mundial na produção e exportação de carnes de aves e de suínos, mas a pecuária de corte é ainda incipiente

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo – Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

O fim de ano foi marcado por queixas generalizadas de consumidores em relação ao preço das proteínas, especialmente a carne bovina.  A seca em várias regiões produtoras do País comprometeu as pastagens e afetou o desempenho da bovinocultura de corte. Ao mesmo tempo, o aumento dos insumos (milho, farelo de soja, sal mineral etc.) elevou os custos de produção.

Em Santa Catarina, a questão do abastecimento é mais complexa. O Estado é líder mundial na produção e exportação de carnes de aves e de suínos, mas a pecuária de corte é ainda incipiente. Em números arredondados, os catarinenses consomem 300 mil toneladas de carne bovina, mas só produzem 140 mil toneladas. Assim, é necessário buscar em outros Estados cerca de 160 mil toneladas dessa carne.

O perfil fundiário catarinense – com a predominância de pequenas propriedades rurais – justifica a opção pela criação intensiva de pequenos animais (aves e suínos) em desfavor do boi. Em 2020,  Santa Catarina produziu e destinou ao abate 792,5 milhões de aves, 13,4 milhões de suínos e apenas 656 mil bovinos. Mesmo pequena, a atividade está presente em 293 municípios, onde 77 mil criadores mantêm um rebanho de 4,7 milhões de cabeças, entre bovinos de corte e de leite.

Mas essa situação tende a mudar. Nos últimos anos tem havido um esforço muito intenso de aperfeiçoamento da cadeia produtiva da bovinocultura catarinense para ampliar a produção de carne e de leite. No setor lácteo Santa Catarina  já é a quarta maior bacia leiteira do País e a prioridade, agora, é elevar a qualidade. No setor cárneo, porém, reside o desafio.

Para atender a essas duas frentes, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) – com apoio do Sebrae, da CNA e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc) – desenvolve há cerca de quatro anos o Programa de Assistência Técnica e Gerencial. Desde 2016, quando foi implantado em território barriga-verde, o programa atendeu – nas cadeias produtivas da bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, ovinocultura de corte, apicultura, piscicultura, maricultura e olericultura – mais de 5 mil produtores rurais.

O programa representa um avanço na capacitação dos produtores rurais, preparando-os para a condução das atividades com uma visão empresarial e o emprego de avançadas técnicas de gestão e controle. Os expressivos resultados obtidos estimularam a ampliação do programa que receberá investimentos da ordem de 22 milhões de reais para a capacitação de mais 5.000 produtores catarinenses nos próximos três anos. Esses recursos adicionais serão aportados pelo Senar nacional e pelo Senar de Santa Catarina,  com apoio do Sebrae.

Paralelamente à ampliação dos investimentos em qualificação de alto nível, foi adotada uma estratégia de natureza mercadológica com o lançamento da marca coletiva de carnes do Estado de Santa Catarina. O projeto foi concebido como uma estratégia de diferenciação do produto catarinense, ou seja, busca agregar valor à carne produzida na primeira área livre de aftosa sem  vacinação do Brasil.

Essa é uma demonstração de pioneirismo no desenvolvimento completo da cadeia produtiva da carne bovina catarinense, associando-a à preservação ambiental, à segurança de alimentos e à qualidade do produto.

A marca coletiva já tem nome: “Purpurata – carne catarinense certificada” em homenagem a Laélia purpurata, a flor-símbolo de Santa Catarina. Para implementar esse sistema, a Faesc fará a certificação de propriedades, habilitação de frigoríficos, desenvolvimento do sistema de identificação de produto, habilitação de varejistas e estratégias de marketing dentro e fora do território barriga-verde.

Esse é um projeto do setor pecuário voltado ao produtor rural e à cadeia produtiva, mas quem ganhará é a sociedade catarinense.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Um ano de desafios

A pandemia não recuou, muitas regiões estão em situação de pré-colapso e a esperança geral é a vacina

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Crise sanitária, crise econômica, crise social. O ano de 2020 ficará na história como um festival de dificuldades que assolou o Brasil e o mundo. Entramos no primeiro bimestre com expectativa de uma retomada lenta, gradual e segura do crescimento econômico, mas fomos abatidos antes da decolagem pelos efeitos nocivos da pandemia que já se instalava em vários países.

A economia não decolou e a crise sanitária se instalou. Inimigo misterioso e traiçoeiro, o novo coronavírus ceifou muitas vidas até que a Medicina descobrisse o melhor protocolo de prevenção e os medicamentos mais adequados para tratamento. A pandemia não recuou, muitas regiões estão em situação de pré-colapso e a esperança geral é a vacina.

Nesse cenário, a agricultura e a agroindústria tiveram um papel essencial na manutenção da paz social. O setor adaptou processos e procedimentos para proteger seus trabalhadores e operar ininterruptamente. Garantiu o fornecimento regular de alimentos em todas as regiões, enquanto o Brasil entrava em lockdown. O extraordinário salto nas exportações de carnes, grãos, frutas e cereais não prejudicou o abastecimento interno. Esse desempenho comprova a competência e o caráter essencial da agricultura brasileira, pois, é notório que o caos se instala rapidamente onde não há abastecimento regular de alimentos.

Para se manterem em atividade, os produtores rurais no campo e as indústrias de processamento de alimentos nas cidades tiveram que vencer resistências – mesmo sendo setores essenciais – e provar que seus processos são confiáveis e que a segurança e a saúde de todas as pessoas envolvidas no processo produtivo estavam garantidas.

A longa e complexa cadeia produtiva da carne em Santa Catarina – em especial, a avicultura e a suinocultura – foi uma das primeiras a se adaptar às novas exigências. Imensos esforços e investimentos foram despendidos nos estabelecimentos rurais e nas plantas frigoríficas, com destaque para milhões de reais gastos na maciça compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) e outros insumos de proteção à saúde.

Os resultados positivos no crescimento do valor bruto da produção e no aumento exponencial das exportações do agronegócio foram obtidos com muito esforço pelos produtores rurais e pelas agroindústrias A seca no sul e no centro-oeste castigou lavoura, prejudicou a produção de grãos e, por consequência, encareceu a produção de leite e de carnes em geral. A seca associada à aquecidíssima exportação de grãos gerou um perigoso quadro de escassez de milho e de soja no mercado interno. Parte pela escassez, parte pela especulação, esses insumos tiveram aumento de 80% e 50% respectivamente. Milho e farelo de soja representam quase 70% dos custos de produção para a avicultura e a suinocultura.

Não há dúvidas que 2021 será outro ano desafiador. A contribuição do agro ao desenvolvimento do País continuará em alta. As projeções da CNA indicam aumento de 3% do PIB do agronegócio (R$ 1,8 trilhões) e de 4,2% no VBP (R$ 941 bilhões), além de queda nos preços dos alimentos aos consumidores e maior demanda do mercado externo. A produção nacional de grãos atingirá 300 milhões toneladas (4,3% de aumento), um novo recorde.

Submetida as muitas variáveis imprevisíveis como clima e mercado, o desempenho da agricultura deverá ser, novamente, surpreendente. O encarecimento e a escassez de milho e soja para transformação em proteína animal será uma preocupação maiúscula da agroindústria. O rigoroso controle sanitário animal e vegetal (uma das nossas características mundialmente reconhecidas) continuará uma prioridade. A agricultura contribuirá novamente para a retomada econômica, mas espera que as reformas tributária e administrativa avancem no Congresso Nacional.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

O agro e as eleições municipais

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Os atuais e futuros gestores municipais – antes e depois das eleições – precisam olhar com atenção para o setor primário da economia dos municípios: ali, onde funcionam a agricultura, a pecuária e o extrativismo e cujo movimento econômico impacta integralmente na fixação do índice de retorno do ICMS, principal receita tributária.

Desde o início dos tempos, os produtores e empresários rurais convergem suas reivindicações para o setor viário. Eles pedem a abertura e a conservação de estradas na zona rural. Estradas vicinais, estradas gerais, acessos, rodovias-troncos… O único ente federativo capaz de atender a essa reivindicação é o Município, porque não cabe ao Estado nem à União cuidar das estradas da zona rural.

A importância do sistema viário rural para o sucesso do agronegócio é vital. A entrega de insumos agrícolas como rações, sementes, fertilizantes, defensivos etc. ou de ativos biológicos e a retirada da produção (grãos, frutas, hortigranjeiros e animais prontos para abate) dependem da circulação diária de milhares de caminhões. É uma operação logística cuja eficiência define – ao lado de outros fatores – o sucesso ou o fracasso do agronegócio.

Outro fator igualmente importante é o suprimento de água para consumo das famílias, irrigação de lavouras e dessedentação dos planteis. Em muitas regiões catarinenses a escassez de água nas áreas agrícolas é mais grave do que nos centros urbanos, exigindo das administrações municipais investimentos em sistemas descentralizados de captação, tratamento, armazenagem e distribuição de água para os estabelecimentos rurais.

Felizmente, grande parcela dos municípios catarinenses prioriza o agro e fez investimentos sustentados e de longo prazo para solucionar essas duas necessidades. Com isso, apoiaram e viabilizaram a produção agrícola e pecuária, elevaram a qualidade de vida do meio rural, sustaram o êxodo de jovens e asseguraram a produção de riquezas e a geração de tributos.

A retribuição das Prefeituras à enorme contribuição do agro ao desenvolvimento econômico local manifestou-se em outras ações. Uma delas é a criação da patrulha agrícola mecanizada através da qual o Município empresta máquinas – tratores, trilhadeiras, ceifadeiras, colheitadeiras etc. – para serviços nas propriedades rurais, cobrando apenas o combustível em sinal de cooperação e estímulo aos produtores.

Em outra frente, sozinhas ou em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), as Prefeituras oferecem ou apoiam centenas de treinamentos técnicos e especializados e totalmente gratuitos em todas as áreas da atividade agrícola e pecuária.

Os municípios mais avançados mantém o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) credenciado junto ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) do Ministério da Agricultura. Esse serviço permite que milhares de pequenas agroindústrias de processamento de carne sejam inspecionadas e habilitadas à comercialização de produtos cárneos, com expressivo incremento à economia local e regional.

Nessa mesma linha de vanguarda, alguns municípios estabeleceram convênio com o Instituto de Meio Ambiente do Estado e foram autorizados a analisar, aprovar e emitir licenças ambientais de construção, instalação e operação de empreendimentos, como granjas, incubatórios, criatórios de aves e suínos etc. Os ganhos são impressionantes em simplificação, desburocratização e rapidez.

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais, razão pela qual as eleições deste ano devem estar no radar das prioridades de todos que formam nosso rico e multifacetado universo rural.

Fonte: Assessoria
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