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A agenda ESG no setor pecuário e seus benefícios para a sociedade
Dentro da cadeia produtiva da pecuária, a gestão ESG tem ocupado cada vez mais o centro estratégico das negociações, sendo, atualmente, quase uma exigência que as empresas ligadas ao setor se adaptem a essa tendência.

Nos últimos séculos verificamos um crescimento vertiginoso da população mundial. Segundo dados do relatório de perspectivas da população mundial projetados pela ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que até o ano de 2050 o número de habitantes no planeta pode alcançar cerca de 10 bilhões. Em paralelo a isso, haverá também o aumento na demanda de itens básicos como água potável, alimentação, emprego, moradia, saneamento básico, energia elétrica de origem limpa, educação de qualidade, saúde e bem-estar, mobilidade, cultura, tecnologia, entre outros. Será que as pessoas, empresas, cidades e países estarão preparados para conviver com uma população desse tamanho?
Diante dessa situação, atrelado às constantes mudanças e evoluções do mundo corporativo, o ESG consiste em um novo modelo de gestão adotado por diversas empresas como forma de se adequar a estas novas tendências. Os pilares que esta forma de gestão propõe e apoia em sua agenda de discussões estão relacionados a temas voltados: ao meio ambiente (Environment), social (Social) e governança (Governance), que, em inglês, são as três letras iniciais da sigla.
O setor agropecuário é um dos principais responsáveis pelo fornecimento de diversos tipos de commodities, insumos e derivados para a produção de alimentos diretos e indiretos. No mercado mundial, o Brasil se destaca por ser um dos principais exportadores de alimentos, o que beneficia a economia nacional, gerando milhões de empregos, além de contribuir para minimizar os efeitos negativos da fome e da pobreza no mundo.
Dentro da cadeia produtiva da pecuária, a gestão ESG tem ocupado cada vez mais o centro estratégico das negociações, sendo, atualmente, quase uma exigência que as empresas ligadas ao setor se adaptem a essa tendência. Essa política é importante para suprir as expectativas e interesses dos principais stakeholders, que são seus próprios colaboradores, investidores, fornecedores, frigoríficos e clientes, nacionais e internacionais. De certa forma, eles estão envolvidos no segmento pecuário, fiscalizando e cobrando responsabilidades ambiental e social e governança das empresas ligadas ao setor.
Pilar ambiental
Em definição, sustentabilidade não consiste apenas em preservar os recursos naturais, mas também utilizá-los e explorá-los de modo que haja respeito aos equilíbrios da natureza, agregando valores e trazendo benefícios sociais de maneira rentável. Dessa forma, ser sustentável é contribuir para o crescimento de todos os envolvidos e visar a melhoria da qualidade e a perspectiva de vida das gerações presentes, sem prejudicar as futuras.
Neste aspecto, o setor pecuário tem evoluído bastante nos últimos anos. Atualmente, podemos dizer que os avanços técnico-científicos já levaram para o campo inúmeros novos conceitos e soluções relacionados à redução de áreas de desmatamento e a emissões de gases de efeito estufa. Dentre as tecnologias implantadas estão aquelas ligadas ao melhoramento genético dos animais e o uso de dietas de precisão contendo ingredientes de origem vegetal energéticos balanceados, que podem ou não competir com a alimentação humana. Em paralelo a isso, a inclusão de suplementação mineral equilibrada e aditivos naturais (sem o uso de antibióticos promotores de crescimento) proporcionou a redução do tempo de abate, o aumento na eficiência produtiva por hectare, a redução de emissões de gases de efeito estufa de origem entérica dos animais e a melhoria na qualidade e segurança de derivados como carne e leite.
Vale lembrar que grande parte do sistema produtivo pecuário brasileiro é realizado a pasto (“boi de capim”). Isto significa que, quando associado às boas e corretas práticas de manejo, as emissões de gases de origem entérica dos animais podem ser compensadas através do metabolismo da fotossíntese do próprio pasto, que mitiga o gás carbônico (CO2). Assim, é possível considerar que as emissões de gases de efeito estufa tendem a ser neutralizadas em sua totalidade, podendo, até mesmo, sequestrar ainda mais carbono da natureza, o que poderá gerar créditos positivos de carbono para o pecuarista. Essa prática é chamada de “manejo de carbono neutro” e tem sido calculada a partir de matrizes matemáticas desenvolvidas para fazerem associação entre as áreas de preservação e de pastagem com o número de animais presentes na propriedade.
Ainda dentro dos sistemas de manejos, podem ser destacados os avanços nos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que levaram ao campo importantes métodos de preservação de florestas, rios e nascentes, e recuperação de grandes áreas de pastagens degradadas. Além disso, outras práticas têm contribuído para tornar a pecuária efetivamente sustentável, como o uso racional da água ao longo da produção, a busca de fontes de geração de energia limpa, como a energia solar ou biodigestores, e o uso de aditivos naturais que geram menos resíduos ao meio ambiente e minimizam os riscos quanto ao surgimento de resistência antimicrobiana. Diante dessas condições, o Brasil se posiciona como pioneiro no sistema de produção sustentável, favorecendo a economia com a geração de empregos, renda e alimentos para a sociedade, conforme os ideais e conceitos propostos pelo modelo ESG.
Pilar da governança
No pilar da governança, muitos steakholders têm exigido ou dado preferência às negociações com criadores que possuem documentos de garantia de rastreabilidade dos animais ao longo da cadeia produtiva. Esse mecanismo não visa apenas garantir a fiscalização em relação à qualidade do manejo sanitário, mas também avalia se em alguma fase do ciclo da cria, recria e engorda, o animal passou por propriedades que desrespeitam as leis ligadas ao desmatamento ou preservação ambiental, ou ainda, se foi abatido em locais que não obedecem aos protocolos de bem-estar animal (abate humanitário).
Atualmente, diante dessas necessidades, a tecnologia chamada de block-chain tem auxiliado o pilar da governança no modelo de gestão ESG, sendo que muitos pecuaristas já começaram a adotar o sistema devido a exigência de alguns investidores e frigoríficos. Esse termo, que, em português, significa “cadeia de blocos”, visa monitorar as operações realizadas ao longo do ciclo de vida dos animais do rebanho, desde o nascimento até a carne no prato do consumidor final. Neste caso, é possível gerar rastreabilidade, transparência e confiança nos dados registrados dos animais ao longo da cadeia produtiva. Além disso, é muito importante também que as empresas apliquem regras de compliance (ética), possuam conselhos de administração com membros independentes, favoreçam a participação feminina e de pessoas negras e prestem treinamento e capacitação para o seu time corporativo.
Pilar social
No pilar social, muitos pecuaristas têm respeitado principalmente as populações que vivem em torno de sua propriedade, como pessoas carentes, povos indígenas e quilombolas. Neste caso, há de se preservar as terras que já são destinadas a essas populações e, em alguns casos, oferecer-lhes emprego, educação, cultura, moradia e acesso ao sistema de saúde.
Diante de toda a discussão aqui apresentada, podemos considerar o modelo de gestão ESG como uma inovação nos modelos de negócio para os próximos anos. No entanto, todo processo de inovação tende a ser uma prática disrruptiva, já que necessita quebrar os paradigmas antigos, como os sistemas de manejo produtivo que foram aprendidos de maneira errada. Por isso, é necessário desaprender e, em seguida, reaprender, de maneira que seja mais coerente aos novos conceitos e métodos de produção alinhados ao modelo ESG.
Muitos consumidores estão cada dia mais atentos às empresas que têm inserido os pilares da agenda ESG aos seus valores e propostas de gestão. Neste sentido, muito se tem fiscalizado sobre a prática de “greenwashing”, que são aquelas empresas que apenas aparentam fazer uso de boas práticas ambientais, mas por trás negam qualquer uma delas.
Conscientização
Portanto, alimentar o mundo de maneira ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável, de modo a atender aos padrões de consumo que passarão a ser exigidos pelas próximas gerações, não é uma tarefa fácil. Para isso, é necessário a aplicação de investimentos em tecnologia, inovação e, principalmente, liderança por parte dos pecuaristas e todos os demais steakholders envolvidos na cadeira produtiva, para que se construa um posicionamento que permita mudanças de paradigmas através da ação disrruptiva da ciência.
Apesar de toda a evolução aqui apresentada, muitos desafios ainda precisam ser superados. Neste sentido, é necessário que a sociedade conheça e entenda sobre os verdadeiros princípios holísticos do sistema pecuário moderno. Por isso, antes de tratar ou punir o setor como vilão e principal responsável pelo desmatamento e mudanças climáticas, é importante diferenciá-lo da atividade pecuária ilegal, que se constitui de práticas criminosas como o desmatamento, garimpo, queimadas, contrabando de madeira e especulação imobiliária de terras. Tais práticas não podem ser confundidas ou associadas com a atividade pecuária profissional, que obedece a todos os preceitos ambientais e sustentáveis que conciliam a produção e a conservação.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: daniel@dsvox.com.br.
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Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
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Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.
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Exportações de carne bovina batem recorde em 2025
Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).
Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.
Dezembro
No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).



