Peixes
97% dos peixes migratórios de água doce estão ameaçados, aponta estudo global
Relatório global aponta colapso populacional desde os anos 1970, identifica 349 espécies sob risco e destaca bacias como Amazônia e Prata onde a cooperação internacional é decisiva para evitar novas perdas econômicas e ambientais.

A Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, lançada na última terça-feira (24) em evento paralelo da 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP da CMS, na sigla em inglês) , aponta que 97% dos peixes de água doce listados pela CMS estão ameaçados de extinção.
Realizado em conjunto pela CMS, WWF e Universidade de Nevada (EUA), o estudo contou com a colaboração do

Secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel: “Os peixes migratórios de água doce não são apenas maravilhas ecológicas, mas também essenciais para a segurança alimentar” – Foto: Divulgação/CMS
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e é o mais abrangente sobre peixes migratórios de água doce. “Os peixes migratórios de água doce não são apenas maravilhas ecológicas, mas também essenciais para a segurança alimentar, economias locais e patrimônio cultural de muitas populações ao redor do mundo”, ressaltou a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel.
Trata-se dos vertebrados mais ameaçados por fatores como alteração de fluxos, degradação do habitat, exploração, poluição, entre outros, que já levam a uma perda estimada de aproximadamente 90% da população das espécies listadas pela CMS desde os anos 1970. “Esses resultados são fruto de um esforço global. Temos todos os motivos para estarmos muito, mas muito preocupados. Nossas espécies de peixes, que são a base de tantas comunidades, essenciais para a segurança alimentar de tantas pessoas e para o funcionamento dos nossos sistemas econômicos, além de espécies que possuem

Secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita: “Temos todos os motivos para estarmos muito, mas muito preocupados” – Foto: Divulgação/MMA
características únicas, estão mais do que nunca nos enviando sinais claros do seu nível de ameaça, vulnerabilidade e da urgência de nossa atenção”, destacou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita.
Atualmente, apenas 24 espécies estão listadas pela CMS, mas o relatório identifica um total de 349 dentro dos critérios da convenção. Isso significa que 325 espécies de peixes migratórios de água doce que ainda não foram formalmente listados nos anexos da CMS podem estar sob algum nível de ameaça de conservação ou extinção. Na Ásia, concentra-se o maior número de peixes migratórios ameaçados (205), seguida por América do Sul (55), Europa (50), África (42), América do Norte (32) e Oceania (6).
O estudo também destaca as bacias hidrográficas em que a cooperação internacional pode fazer grande diferença: Amazônia, Prata-Paraguai-Paraná, Danúbio, Mekong, Nilo e Ganges-Brahmaputra. “É encorajador observar o alinhamento entre a agenda da CMS e os desafios relacionados à água doce.
Essa convergência mostra como iniciativas globais podem reforçar prioridades nacionais. A liderança ambiental do

Foto: Martin Glatz
Brasil se fortalece tanto na conservação dos peixes migratórios, quanto na manutenção da conectividade dos habitats.
Ao integrar essa agenda, o país reafirma seu compromisso com a sustentabilidade dos processos ecológicos essenciais”, destacou o presidente da COP15 da CMS e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco.
Bacia Amazônica
Somente na bacia Amazônica foram confirmadas 21 espécies de peixes migratórios em estado de conservação desfavorável, conforme estudo de caso divulgado na Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce.
O conjunto de espécies candidatas inclui bagres pimelodídeos de longa distância (como os grandes peixes-gato dos gêneros Brachyplatystoma e Pseudoplatystoma), caraciformes migratórios (como os dos gêneros Brycon, Leporinus, Prochilodus e Semaprochilodus) e serrasalmídeos amplamente explorados.
A bacia Amazônica se destaca pelos peixes migratórios de longa distância. O bagre dourado ou dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) é reconhecido por realizar o maior ciclo migratório em água doce. São mais de 11 mil quilômetros, saindo dos Andes até o oceano Atlântico e depois retornando.
Ainda conforme o estudo, esses grandes peixes migratórios representam 93% das capturas pesqueiras e movimentam cerca de US$ 436 milhões, aproximadamente R$ 2,28 bilhões por ano.
Plano de Ação Regional
Está sob análise da COP15 o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia. O documento foi apresentado pelo Governo do Brasil e elaborado com a participação de autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
Grandes bagres migratórios da Amazônia, como a dourada e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) foram

Foto: Divulgação
incluídas no Anexo II da CMS durante a COP14, reconhecendo a necessidade de cooperação internacional para sua conservação.
O Plano tem como objetivos estratégicos a conservação de habitats críticos e a conectividade fluvial, o fortalecimento da base de conhecimento científico e local, o impulsionamento das cadeias de valor sustentáveis, a concordância entre políticas e marcos normativos e o apoio à cooperação internacional. “O Brasil tem feito esforços enormes no sentido de estabelecer planos de ação de recuperação de espécies ameaçadas. Trabalhamos na revisão e atualização de listas de espécies ameaçadas de extinção e de espécies exóticas invasoras. Temos colocado na pauta uma questão clara de que é preciso discutir esses espaços”, explicou Rita.
No âmbito da COP 15, o Brasil propôs a inclusão do surubim (Pseudoplatystoma corruscans) no Anexo II da CMS.
Veja o relatório global aqui .

Peixes
Embrapa apresenta aplicativo gratuito para auxiliar gestão da piscicultura
Ferramenta reúne inteligência artificial, monitoramento da água, controle de custos e manejo de tilápia e tambaqui. Apresentação será no dia 05 de agosto.

A Embrapa promoverá no dia 05 de agosto, às 14 horas, uma apresentação on-line sobre o aplicativo Aquicultura Certa para técnicos, piscicultores e demais interessados. Disponível gratuitamente para dispositivos com sistema Android, o app é uma ferramenta de gestão inteligente da piscicultura, auxiliando no manejo e na tomada de decisões.
A apresentação será feita pelo pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (Campinas-SP) Silvio Evangelista, que explicará cada uma das funcionalidades da ferramenta. A participação é gratuita e o acesso pode ser feito clicando aqui.

Foto: Divulgação/Embrapa
A primeira versão do aplicativo conta com informações para a criação de tambaqui e tilápia. Nele, o usuário pode cadastrar seus tanques e criadouros, inserir informações sobre o número de alevinos, data de início da criação e peso alvo.
Um relatório traz indicadores sobre estimativa de despesca, estimativa de produção, custos com análises e tratamento da água, energia elétrica, produtos veterinários e manutenção do viveiro. O relatório traz também análises sobre a viabilidade econômica de cada viveiro.
O aplicativo ainda recebe dados sobre a biometria dos peixes, indicando curva de crescimento, calculando e orientando sobre a alimentação diária necessária. A qualidade da água também pode ser monitorada e as indicações de correção são feitas automaticamente usando, entre outras informações, os dados meteorológicos.
Alertas meteorológicos são emitidos pelo aplicativo, indicando, por exemplo, a recomendação de diminuir a quantidade de ração em certas condições climáticas, que mudam o comportamento dos peixes. O Aquicultura Certa conta ainda com recursos de inteligência artificial, que possibilitam tirar dúvidas do piscicultor por meio de um chat.
Reaqua
A apresentação do dia 05 será uma oportunidade de técnicos e piscicultores de todo o Brasil conhecerem melhor a ferramenta que está disponível gratuitamente. A iniciativa faz parte da Reaqua, rede que integra agentes de assistência técnica e extensão rural de todo o país. A coordenação da rede é da zootecnista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO).

Foto: Paulo Michellon
De acordo com ela, “a Reaqua vem se consolidando como um espaço de articulação e troca de conhecimentos entre esses profissionais voltados à aquicultura. Nesse processo, vêm sendo realizadas oitivas com todas as instituições integrantes da rede, cujas contribuições têm orientado a definição das ações prioritárias”.
Marcela continua: “entre as principais demandas identificadas, destacam-se a apresentação e o compartilhamento de tecnologias voltadas aos sistemas intensivos de produção, alinhadas às soluções desenvolvidas pelo projeto BRS Aqua, fortalecendo a transferência de conhecimento e a inovação para o setor”.
Coordenado pela Embrapa, o BRS Aqua tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Para a live, Marcela espera a participação de diferentes públicos: extensionistas, técnicos, produtores e representantes de instituições parceiras. “A live busca fortalecer o engajamento da rede, ampliar o acesso a informações técnicas qualificadas e apresentar novas tecnologias que contribuam para o desenvolvimento e a competitividade da aquicultura brasileira”, entende.
Peixes
Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras
Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.
O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.
Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.
No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.
Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.
Peixes
Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca
Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.
O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves
Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.
Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.
O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.
Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.



