Bovinos / Grãos / Máquinas
6 estratégias que podem transformar os resultados da sua estação de monta
É a hora de aproveitar para investir na nova Estação de Monta e isso deve ser feito de forma estratégica

*Por Reuel Gonçalves: médico-veterinário e gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó
Com a estiagem se alongando por todo o Brasil Central e com a grande retenção de fêmeas bovinas para reprodução, os produtores devem estar atentos na próxima estação de monta (EM), principalmente às novilhas e primíparas. Porém, com orientações claras e cientificamente comprovadas, o pecuarista não precisará temer a passagem de mais essa etapa da produção. Esse é um momento importante no processo de cria e, adotando cuidados e recomendações corretos, é possível obter bons índices. Caso contrário, a estação de monta pode ser, sim, um desastre. Para que isso não ocorra, seguem seis dicas imprescindíveis a se atentar nessa fase:
1- Indução de ciclicidade e puberdade em novilhas
A expectativa para este ano é de atipicidade devido à estiagem que assolou o País em uma onda que vem de dois anos seguidos. Nesse cenário, a atenção deve ser redobrada no protocolo de indução das novilhas, que pode ser feito utilizando-se progesterona (P4) injetável, dispositivos de P4 novos (de 0,5g ou 1g) ou ainda dispositivos de segundo ou terceiro uso, desde que bem lavados, desinfetados e armazenados.
O protocolo expõe as novilhas tanto a uma fonte de progesterona exógena (injetável ou em dispositivos) como também aos estrógenos, benzoato (BE) ou cipionato de estradiol (CE). De forma simples, na prática, se adota o primeiro dia como Dia 0 (D0) para colocação do dispositivo de P4 intravaginal (1g, 0,5g ou reutilizado) e no Dia 10 (D10) se faz a retirada do dispositivo e a aplicação do estrógeno, geralmente usando o Cipionato de Estradiol (CE – 0,5mg) intramuscular. Quem optar pelo uso da P4 injetável no D0, deverá fazer a aplicação do estrógeno no D12, já que a P4 tem ação prolongada nas novilhas.
2 -Exame ginecológico nas fêmeas de mais de uma cria
Esse procedimento deve ser feito entre dois momentos: prévio à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) ou até no D0, previamente à aplicação do dispositivo de progesterona, por meio de toque-retal ou uso de ultrassom. É fundamental para excluir animais com lesões de cérvix, infecções uterinas (metrites ou endometrites), entre algumas outras questões físicas/infecciosas, evitando gastos com a sincronização de fêmeas não aptas à reprodução. O processo consegue identificar se a fêmea terá uma gestação tranquila, se será uma boa mãe e gerará bons produtos. Além disso, consegue sinalizar problemas com os animais e ajudar na tomada de decisões.
3- Suplementação com microminerais e vitaminas injetáveis
Outra ferramenta que deve ser utilizada é a suplementação com microminerais (Zn, Cu, Se e Mn) e vitaminas (A e E) pré-protocolo de IATF para combater radicais livres (ERO´s) produzidos pelo estresse oxidativo.
Vale lembrar que o organismo possui um complexo sistema de proteção antioxidante para evitar a formação de radicais livres ERO´s no organismo, que são formados constantemente no metabolismo celular normal e em vários eventos patológicos. Entretanto, quando em excesso como em situações de estresse de transporte, de doenças e manejos extenuantes, podem ocasionar a oxidação de moléculas biológicas. O desequilíbrio entre o desafio oxidativo e a capacidade de defesa antioxidante do organismo é denominado estresse oxidativo. Uma maneira de combater o estrese oxidativo é aumentar a produção de antioxidantes pelo organismo ou absorvidos na dieta, com uma suplementação mineral e vitamínica injetável.
4- Vacinas Reprodutivas
As doenças infecciosas reprodutivas, tanto virais, quanto bacterianas e parasitárias, necessitam estar no radar do produtor durante a estação de monta. Herpes vírus bovino (IBR-1), peste vírus bovino (BVD 1 e 2), leptospiroses e bactéria Campylobacter são alguns exemplos de enfermidades que afetam as fêmeas reprodutoras, principalmente as novilhas.
Uma estratégia vacinal a ser empregada pode ser utilizar no Dia 0 da indução de ciclicidade/puberdade das novilhas para primeira dose das vacinas reprodutivas (Bioabortogen H + Bioleptogen) e o D0 da IATF para fazer a 2ª dose. Caso o produtor não vá fazer a indução das novilhas, a vacinação das mesmas – e das outras categorias (primíparas e multíparas) – pode ser feita no D0 (1ª dose) do protocolo de IATF e no D40 (2ª dose), no primeiro diagnóstico de gestação. Estes momentos também podem ser utilizados para aplicação da suplementação injetável (D0 e D40), pontuado na dica #3.
5- Utilização de fosfato de levamisol
É sabido que o controle parasitário é uma ferramenta indispensável para evitar perdas no desempenho produtivo dos animais. O que não se sabia ainda é que o uso de parasiticidas para o tratamento de verminoses também pode elevar a eficiência reprodutiva de matrizes de corte submetidas à IATF. É o que mostrou um estudo de campo realizado por um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela médica-veterinária Dra. Roberta Machado Ferreira Saran, em parceria com o professor Dr. Pietro Sampaio Baruselli.
Segundo a pesquisadora, muitos pecuaristas se sentem atraídos pela ideia de aproveitar o manejo de IATF nos currais para também lançar mão de estratégias de controle parasitário, mas acabam desistindo em fazê-lo justamente por temer algum efeito negativo desses medicamentos na taxa de fertilidade. Com base nos resultados da pesquisa, o uso de antiparasitário, fosfato de levamisol durante o período de estação de monta, além de garantir o controle das verminoses, proporcionou melhor desempenho reprodutivo e maior ganho de peso dos animais.
6- Protocolos de IATF e ressincronização
É preciso muita atenção no protocolo de inseminação utilizado, especialmente diante das especificidades por tipo, raça, idade e/ou arraçoamento. Do mesmo modo, a ressincronização pode estar entre as “cartadas do produtor”. A nutrição terá um impacto forte na ciclicidade e prenhez dos animais e uma segunda chance de inseminação artificial, por meio de resincronização, deve fundamental para não perder a oportunidade de emprenhar mais fêmeas, em especial as novilhas – futuras matrizes da propriedade.
A ressincronização consiste em fazer uma nova IATF logo em seguida de uma IATF anterior, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Pensando em vacas de corte, o início do protocolo de IATF pode se dar 22 dias após a IATF anterior (todos os animais são protocolados e o diagnóstico de gestação ocorre somente no dia da retirado do dispositivo intravaginal de progesterona) ou 30 dias após a IATF anterior. Neste caso, o protocolo é iniciado no momento do diagnóstico de gestação e somente as vacas vazias são reprotocoladas.
É a hora de aproveitar para investir na nova Estação de Monta e isso deve ser feito de forma estratégica. As incertezas climáticas, cambiais e políticas acenderam um alerta ao campo: não atrase sua EM, muito menos a alongue: utilize as orientações que os resultados aparecerão. E tome cuidado com informações recebidas em grupos de WhatsApp, dizendo que o protocolo X, Y, ou Z é milagroso. Solicite comprovação científica por meio de publicações, artigos, ou pôsters de congressos que comprovem as indicações.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock
O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock
incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock
O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



