Suínos
4.0 sim, mas humanos
Em comum, dois jovens tiveram uma entrada sem querer para a suinocultura e hoje mantém uma relação horizontal com os funcionários que lhes renderam bons ganhos de produtividade
Ela entrou para a suinocultura porque o pai queria vender a propriedade. Ele porque um trágico acidente automobilístico tirou precocemente a vida de seus pais, produtores rurais. Ela, em Salvador das Missões, Rio Grande do Sul. Ele, de Marema, Santa Catarina. Em comum, são jovens, tiveram uma entrada “sem querer” para a suinocultura e hoje mantém uma relação horizontal com os funcionários que lhes renderam bons ganhos de produtividade. Ela, Juliana Spohr, formada em Administração de Empresas, dona de uma unidade produtora de desmamados com três mil matrizes em terras gaúchas. Ele, Rodrigo Bevilaqua, médico veterinário, proprietário de uma UPD de 700 matrizes em solo catarinense.
Os dois jovens produtores têm o perfil do que o sócio-diretor da Agriness, Junior Salvador, admite ser do líder 4.0. Salvador intermediou uma conversa com os jovens produtores, que expuseram seus casos de sucesso na suinocultura com base em um relacionamento mais próximo e menos hierárquico com seus funcionários, obtiveram grandes resultados e estão em busca da excelência. Para eles, a qualificação e valorização do colaborador são imprescindíveis nesse novo momento.
“Sou formada em Administração. O pai iria vender a granja, então tive a certeza eu era a hora de voltar pra casa e assumir esse negócio. Entrei sem saber nada, entrei para aprender com os funcionários como se desempenham todas as funções da granja. Foi um processo longo”, lembra Juliana.
Em 2011 a gente estava com 23 leitões (desmamados/fêmea/ano: hoje a produtividade é de 29,5). A produtividade era baixa, mesmo assim a gente bonificava os trabalhadores. Isso acontecia por comodismo, medo de mudanças; o pai não ia mais na granja, cada um fazia o serviço por conta, não tinham responsáveis, nada era organizado. As pessoas chegavam e decidiam na hora o que iriam fazer. Foi uma situação desafiadora”, relembra.
“Entrei na granja e propus novas metas. As primeiras reuniões o pessoal já se assustava, mas construímos as metas com a participação de todos. Depois, para buscar (alcançar), fica mais fácil. Não é uma meta que a gente impôs, eles ajudaram a construir”, recorda. “Então tornamos a reunião uma rotina da granja, sem abrir mão, para tornar transparente os números, o mapa de produção. A gente viu como eles (colaboradores) ficaram mais felizes em conseguir entender aquilo em primeiro lugar. Eles viram que tinham que ajudar a construir , por etapas, participar ativamente das reuniões. Começamos a evoluir em resultados. Eles começaram trazer coisas que a gente não estava vendo, traçaram ações para resolver esses problemas. Cada resultado era motivação para o dia a dia. Tornamos a liderança mais participativa, cada um começou a assumir mais as suas responsabilidades”, assinala a produtora rural.
Naturalmente
Para Juliana, tornar as coisas mais claras entre os funcionários e mudar a cultura é um desafio que gera retorno. “Em gestão os desafios são diários. Tenho uma granja grande, com 26 funcionários. O que demora para mudar é a cultura. Pegamos a cultura de comodismo, mas ela vem mudando e mudando de forma positiva. As coisas vão se tornando mais simples, os resultados você consegue levantar de forma mais rápida, todos querem buscar a excelência. A liderança acontece de forma natural, longe da figura do ‘eu mando e vocês obedecem’. A gente trabalha com responsabilidade compartilhada. Tenho pessoas especiais, não estou sozinha nessa bronca, temos uma estrutura de bons líderes”, destacou Juliana. “Vou trabalhar para não precisar ir todo dia na granja. Vou saber se sou um bom líder quando sair da granja e os resultados ou continuam bons ou ainda melhoram”, destaca.
“Quando você dá voz aos funcionários, é todo mundo no mesmo nível, em uma relação aberta. Ele fica pronto e comprometido. Você tem que assumir aos funcionários que precisa melhorar em algumas coisas, estabelecer relação de confiança, discutir abertamente sobre mortalidade, ter transparência e confiança. Liderança você conquista. Não preciso me impor. É uma relação mais simples , acho que é a liderança do futuro”, aponta a jovem, que diz não abrir mão de “pessoas, bons parceiros, lucratividade/produtividade, gestão e investimento contínuo”.
Uma história de tragédia, amor e sucesso
A voz levemente embargada e um nítido sentimento de saudade deram o tom inicial do depoimento de Rodrigo Bevilaqua na Conferência Info360. Sob os olhares de mais de 500 pessoas, dividiu sua história de sucesso na suinocultura e como pretende se tornar um líder da geração 4.0.
Tudo começou com uma tragédia automobilística em 2014. A perda dos pais deixou um vazio na família, mas também na produção de suínos. Precocemente, Rodrigo teve que assumir os negócios da família. “Ainda vivo, o pai falava: ‘teu momento de férias acontece no ano letivo’”, relembrou com carinho. O jovem sempre ajudou na atividade, mas não imaginava que a responsabilidade lhe cairia ao colo após a tragédia. “O intuito era dar continuidade mais pra frente, mas meus pais morreram em um acidente. Sempre fui apaixonado pela criação de suínos. Era eu que cobria as férias dos funcionários”, conta. “Pra mim foi difícil tomar a decisão”, descreve.
Rodrigo buscou apoio. “Sou médico veterinário, mas o que adianta a parte técnica, se na prática não souber direcionar as informações. Ando em Santa Catarina e Rio Grande do Sul vendo granjas produzindo muito. Porque eu não posso?”, expressou.
A boa relação com os funcionários, é, em sua opinião, o que tem melhorado a produtividade. “Implantamos há um ano um modelo. Vou uma vez por semana na granja. Ele (líder) tem total autonomia. Todos são treinados para tomar decisões”, comenta. “Eles não vão ‘parar’ a granja ou deixar de tomar decisões se não me encontrarem”, explica. Resultado, em um ano a produção aumentou em 1,83 leitões/fêmea/ano. “Simplesmente organização e planejamento”, pontua. De acordo com ele, no período a mortalidade caiu de 8% para 3%.
A via de mão dupla é fundamental, opina Rodrigo Bevilaqua. “Os funcionários precisam se sentir incentivados, com mais remuneração. Não abro mão de equipe, relação de confiança, planejamento, bons parceiros e produtividade. O principal de tudo são as pessoas, que fazem e vão sempre fazer a diferença”, arremata o jovem suinocultor.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

