Avicultura
Painel do SBSA destaca que genética do frango atual exige manejo mais preciso nas granjas
Especialistas apontam que ambiência, sanidade, nutrição e coleta de dados passaram a definir desempenho, conversão alimentar e perdas no abate.

O manejo do frango de corte moderno abriu os debates do painel sobre manejo, na quarta-feira (08), no 26° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). Os médicos-veterinários Rodrigo Tedesco Guimarães e Lucas Schneider debateram critérios relacionados ao processo de seleção genética, tecnologias e aspectos de manejo.
Rodrigo fez um comparativo com estratégias usadas no passado e na avicultura atual e propôs uma reflexão sobre a necessidade de adaptação de práticas tradicionais de manejo para que atendam a esse frango moderno e, de fato, garantam a expressão do seu potencial genético.
Na avaliação do especialista, a ave moderna está mais responsiva e isso exige um equilíbrio entre todos os processos. “O progresso genético exige um novo ponto de equilíbrio entre desempenho acelerado e robustez fisiológica. Com a evolução genética, as aves se tornaram ultra-responsivas ao ambiente. Ter apenas água e alimento não é mais suficiente. O sucesso agora exige precisão absoluta em sanidade, nutrição e ambiência”.
Na visão de Rodrigo, o manejo moderno continuará sendo sistêmico, mas exigirá cada vez mais excelência nos índices zootécnicos. “O tempo mais curto entre a eclosão e o abate faz com que cada erro tenha um custo cada vez maior. Isso exige que as oportunidades que se apresentam em cada etapa de produção sejam aprimoradas para melhorar o resultado do processo. É um efeito dominó. O ambiente perfeito vai levar ao enchimento de papo adequado, à obtenção do peso esperado, que consequentemente vai nos garantir uniformidade do lote e rendimento máximo no momento em que esse produto for para abate. Preciso fazer uma coleta criteriosa de dados, agir rapidamente para trazer soluções e ter um manejo estritamente responsivo, contando com equipes bem treinadas”, destacou.

Médico veterinário Lucas Schneider reforçou importância de adotar estratégias para conforto térmico – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Genética moderna exige precisão diária
O médico-veterinário Lucas Schneider reforçou que a evolução genética e os investimentos em granjas têm transformado significativamente o perfil do frango produzido atualmente. Um novo cenário que exige mudanças no manejo tradicional adotado pela cadeia produtiva.
Um dos grandes desafios do setor é romper paradigmas ainda presentes no dia a dia das granjas. “Muitas das práticas que funcionavam no passado já não atendem mais às exigências do frango atual. Precisamos avançar nesses conceitos para extrair o máximo potencial produtivo e garantir maior eficiência e rentabilidade”, ressaltou.
Para isso, é imprescindível que haja uma mudança de mentalidade, que alinhe o manejo às novas características das aves. A assertividade nessas estratégias vai trazer oportunidades como diminuição de custos, aumento da rentabilidade para o produtor e para a empresa, redução de mortalidade, especialmente na fase final, melhora do ganho de peso diário, melhora em conversão alimentar e redução das condenações em planta de abate, que é atualmente o maior custo do setor.
“Há várias estratégias que podemos adotar para atingir esses objetivos, como planejamento de produção, perfil de linhagem, observação do comportamento fisiológico, temperatura do ar, temperatura corporal, tudo focado em melhorar manejo e desempenho”, exemplificou Lucas.
Dentre essas estratégias, o estresse térmico é uma etapa chave. Nesse sentido, a ambiência, que envolve temperatura, ventilação e velocidade do ar, deixou de ser somente questão de conforto térmico e se tornou um limitante produtivo.
Na avaliação do especialista, as aves modernas operam com margens de erro menores, por isso, falhas nos processos produtivos podem resultar em prejuízos até mesmo irreversíveis. “As linhagens respondem de forma diferente ao manejo, por isso aplicar um manejo genérico limita o desempenho. A genética moderna exige precisão diária”, pontuou.

Avicultura
Preço do frango cai 0,83% no início de julho
Frango congelado e resfriado são negociados a R$ 7,20/kg no atacado paulista. Desaceleração das vendas pressionou as cotações, mas pagamento de salários pode estimular a demanda.

Após dois meses consecutivos de alta, os preços da carne de frango recuaram em junho, refletindo o enfraquecimento das vendas, sobretudo na segunda quinzena do mês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora o volume negociado tenha permanecido satisfatório, ficou abaixo do registrado nos meses anteriores, levando vendedores a flexibilizar os preços para manter a liquidez e evitar a formação de estoques.

Foto: Divulgação
O movimento de baixa se estendeu para os primeiros dias de julho. Levantamento do Cepea/Esalq mostra que, na sexta-feira (03), tanto o frango congelado quanto o resfriado foram comercializados a R$ 7,20 por quilo no atacado do Estado de São Paulo, valor estável em relação aos dois dias anteriores, mas 0,83% inferior ao registrado no encerramento de junho.
No último dia útil de junho, o frango congelado era negociado a R$ 7,26/kg, acumulando valorização mensal de 3,27%. Já o frango resfriado fechou o mês a R$ 7,26/kg, com alta acumulada de 2,98% em junho. Na última segunda-feira (29), ambos os produtos chegaram a R$ 7,29/kg, antes do ajuste observado nos dias seguintes.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a perda de ritmo das vendas na segunda metade de junho levou frigoríficos e distribuidores a reduzirem os preços para facilitar o escoamento da produção. A estratégia buscou evitar o aumento dos estoques em um período de menor demanda.
Apesar do cenário de queda nas médias recentes, a expectativa para o início de julho é mais favorável. Conforme o Cepea, o pagamento de salários nos próximos dias tende a elevar o consumo de proteínas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da carne de frango no atacado.
Os preços se referem à média da carne de frango negociada no atacado nas regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado, em reais por quilo.
Avicultura
Preço dos ovos recua até 3,88% na primeira semana de julho
Médias mensais ficaram acima das registradas em maio, porém os primeiros dias de julho já mostram recuo das cotações, principalmente em Recife (PE) e Bastos (SP).

Os preços médios dos ovos comerciais encerraram junho em patamar superior ao observado em maio na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O avanço interrompeu dois meses consecutivos de queda nas médias mensais, sustentado pelas cotações mais elevadas registradas na primeira quinzena do mês.

Foto: Divulgação
De acordo com o Cepea, embora os preços tenham perdido força na segunda metade de junho, os valores praticados nas semanas iniciais foram suficientes para elevar a média mensal em relação ao mês anterior.
Apesar desse desempenho, o mercado iniciou julho em trajetória de baixa. Levantamento do Cepea mostra que, na sexta-feira (03), as maiores quedas ocorreram em Recife (PE). O ovo branco foi cotado a R$ 145,67 por caixa com 30 dúzias, recuo de 3,88% em relação ao dia anterior. Já o ovo vermelho caiu 1,45%, para R$ 162,73.
Em Bastos (SP), principal referência nacional para o mercado de ovos, os preços permaneceram praticamente estáveis entre quinta (02) e sexta-feira (03). O ovo branco passou de R$ 133,25 para R$ 133,24 por caixa (-0,00%), enquanto o vermelho permaneceu em R$ 149,89.
Nas demais praças monitoradas, as cotações não apresentaram variações no período. Em Grande Belo Horizonte (MG), o ovo branco foi negociado a R$ 146,20 e o vermelho a R$ 157,25. Na Grande São Paulo, os preços ficaram em R$ 142,23 para o ovo branco e R$ 152,63 para o vermelho. Em Santa Maria de Jetibá (ES), importante polo produtor, as cotações permaneceram em R$ 141,40 para o branco e R$ 160,50 para o vermelho. Os valores se referem à caixa com 30 dúzias de ovos comerciais, comercializada à vista.
Segundo pesquisadores do Cepea, o setor acompanha com cautela o comportamento da demanda ao longo de julho. O período de férias escolares costuma reduzir o consumo, o que tende a pressionar as cotações. Diante desse cenário, produtores monitoram a evolução do mercado nas próximas semanas para avaliar a intensidade desse movimento sobre os preços.
Avicultura
Exportações avícolas do Rio Grande do Sul mantêm caminho de recuperação
Crescimento nos volumes e receitas sinalizam recuperação de espaço no mercado externo.

As exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul apresentaram desempenho positivo no mês de maio de 2026, reforçando o cenário de recuperação para a avicultura gaúcha no mercado internacional. O resultado consolida a retomada gradativa de mercados e a manutenção da demanda externa pelo produto avícola do Estado.
O mês de maio deste ano registrou crescimento de 22,3% em comparação ao mesmo período de 2025, passando de 51.4 mil toneladas no ano passado para 62.9 mil toneladas embarcadas neste ano. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o volume exportado alcançou 317.8 mil toneladas, resultado 3,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 307.4 mil toneladas.

Presidente executivo das Asgav, José Eduardo dos Santos: “Os resultados registrados em maio reforçam a competitividade da avicultura gaúcha no mercado internacional e demonstram a capacidade do setor em manter o abastecimento externo com qualidade, regularidade e segurança sanitária”
Na receita obtida, o desempenho também se mantém positivo, evidenciando a valorização da proteína avícola gaúcha nos mercados importadores. Em maio deste ano, as exportações de carne de frango apuraram faturamento de US$ 127.4 milhões, representando alta de 35,7% frente aos US$ 93.9 milhões registrados em maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, a receita atingiu US$ 615.5 milhões, crescimento de 11% em comparação aos US$ 554.5 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior.
Segundo o presidente executivo da Organização Avícola do RS (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, o desempenho das exportações demonstra a capacidade de reação do setor frente as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, mas que ainda há um longo caminho a seguir para recuperar os prejuízos gerados nas últimas crises.
“Os resultados registrados em maio reforçam a competitividade da avicultura gaúcha no mercado internacional e demonstram a capacidade do setor em manter o abastecimento externo com qualidade, regularidade e segurança sanitária. Observamos um cenário positivo, apesar dos obstáculos, sustentado pela retomada de mercados e pela manutenção da demanda internacional pela proteína avícola brasileira”, destaca o dirigente.
Mercado internacional

O mercado brasileiro de carne de frango no exterior também registrou desempenho histórico em maio de 2026. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), pela primeira vez na história do setor, a receita mensal das exportações brasileiras superou a marca de US$ 1 bilhão, totalizando US$ 1,009 bilhão no período. O resultado representa crescimento de 36,1% em comparação a maio de 2025. Em volume, os embarques alcançaram 509,9 mil toneladas, maior resultado já registrado para um mês de maio, com avanço de 29,6% frente ao mesmo período do ano passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 2,453 milhões de toneladas de carne de frango, alta de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025. A receita no período atingiu US$ 4,714 bilhões, crescimento de 11,3%, reforçando o fortalecimento da proteína avícola brasileira no mercado internacional.
Mercado de ovos

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
No setor da indústria e produção de ovos, as exportações do Rio Grande do Sul totalizaram 2.771 toneladas no acumulado até maio, volume 40,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando foram embarcadas 1.974 toneladas. Com o crescimento dos volumes exportados, a receita apresentou alta de 43,8%, alcançando US$ 10.2 milhões, frente aos US$ 7.1 milhões registrados em 2025.
“O crescimento das exportações de ovos e derivados evidencia a evolução do setor e a confiança dos mercados importadores no produto gaúcho. A indústria e produção de ovos do Rio Grande do Sul vêm ampliando sua presença internacional, demonstrando capacidade produtiva, qualidade e adaptação às demandas do comércio exterior”, complementa Santos.
Com o desempenho registrado até maio, a avicultura gaúcha segue demonstrando resiliência e capacidade de adaptação às dinâmicas do comércio internacional, mantendo o compromisso com a qualidade, segurança sanitária e fortalecimento da presença do Rio Grande do Sul entre os principais fornecedores globais de proteína animal.



