Avicultura Editorial
2026 no radar: otimismo com método e vigilância
Setor avícola projeta demanda firme e espaço no mercado externo, mas mantém atenção aos custos de produção e às exigências regulatórias.

O início de um novo ano costuma trazer duas tentações recorrentes ao setor produtivo: o excesso de confiança e a pressa em transformar expectativa em decisão irreversível. Para a avicultura brasileira, 2026 se desenha como um ano de boas perspectivas, mas que exige algo mais sofisticado do que entusiasmo – exige leitura fina de mercado, disciplina operacional e cautela estratégica.
Os sinais são, em grande parte, positivos. A demanda interna segue resiliente, sustentada pelo papel central da carne de frango e dos ovos na mesa do consumidor brasileiro. No mercado externo, o Brasil mantém posição consolidada como fornecedor confiável, com vantagem competitiva construída ao longo de décadas em sanidade, escala produtiva e capacidade industrial. Em um cenário global ainda marcado por instabilidade geopolítica e restrições sanitárias em países concorrentes, esse ativo não é pequeno.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Mas o cenário não é linear. Custos de produção continuam no radar – especialmente grãos, energia, logística e mão de obra. A volatilidade cambial, embora possa favorecer exportações em determinados momentos, também impõe desafios à previsibilidade de caixa e ao planejamento de investimentos. Soma-se a isso um ambiente regulatório cada vez mais exigente, com avanços em bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade que não admitem improviso.
É justamente nesse ponto que o otimismo precisa vir acompanhado de método. Crescer, em 2026, não será apenas produzir mais. Será produzir melhor, com eficiência técnica, controle rigoroso de processos e decisões ancoradas em dados. A margem não estará na expansão desordenada, mas na gestão fina da granja ao frigorífico, da nutrição à ambiência, da biosseguridade à logística.
A avicultura brasileira já provou que sabe atravessar ciclos. Os anos mais desafiadores ensinaram que desempenho consistente não nasce de apostas isoladas, mas da repetição disciplinada do que funciona. O ano de 2026 oferece oportunidades reais, mas elas não recompensarão quem confundir expectativa com garantia. O sentimento que deve guiar o setor é claro: confiança, sim. Relaxamento, não.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Ovo ganha destaque como aliado de energia e leveza no verão
Alimento combina proteínas de alto valor biológico, saciedade e fácil digestão mesmo em dias de calor intenso.

Com as temperaturas em alta e uma rotina que segue acelerada mesmo durante o verão, cresce a busca por alimentos que entreguem energia, saciedade e praticidade sem pesar no organismo. Nesse contexto, um alimento simples e acessível voltou ao centro das atenções: o ovo.
Presente no dia a dia de quem busca uma alimentação funcional, o ovo também aparece com frequência na rotina de famosas que compartilham hábitos de bem-estar nas redes sociais. Nomes como Virginia Fonseca e Gracyanne Barbosa já citaram o consumo de ovos como estratégia para manter saciedade, foco e energia, inclusive em períodos de calor intenso.

Segundo a nutricionista Lúcia Endriukaite, do Instituto Ovos Brasil, essa escolha faz sentido do ponto de vista nutricional. “Em dias muito quentes, o organismo gasta mais energia para manter o equilíbrio térmico. O ovo oferece proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B e colina, nutrientes fundamentais para a produção de energia e para manter disposição e concentração sem sobrecarregar a digestão”, explica.
Além da energia, o alimento também contribui para a sensação de leveza, algo valorizado no verão. Com cerca de 70 calorias por unidade, alta digestibilidade e preparo simples, o ovo promove saciedade sem causar desconforto gastrointestinal, um ponto importante quando o corpo já está trabalhando mais para regular a temperatura.
Imunidade e proteção em dias de calor
O verão também traz desafios extras para o sistema imunológico. Exposição solar intensa, desidratação, estresse oxidativo, mudanças na rotina podem afetar as defesas do organismo.
“O ovo reúne vitaminas A, D e E, além de minerais como zinco e selênio, que ajudam a fortalecer a imunidade e proteger as células contra os efeitos do estresse oxidativo”, afirma Lúcia. A presença de antioxidantes como luteína e zeaxantina, concentrados na gema, também contribui para a proteção celular e a saúde da pele e dos olhos.
Como incluir o ovo na alimentação de verão
Versátil e fácil de adaptar à rotina, o ovo pode ser consumido de diferentes formas nos dias quentes, inclusive refeições frias como lanche ou refeição leve. Entre as opções mais comuns estão:
- Ovo cozido consumido frio, como lanche rápido
- Ovo cozido temperado com azeite, sal e ervas
- Ovo com pesto ou pastas leves, para variar o sabor
- Patê de ovos, ideal para refeições práticas ou fora de casa
“O ovo é um alimento acessível, funcional e extremamente democrático. Ele se encaixa no estilo de vida de quem busca saúde, energia e equilíbrio, inclusive no verão”, finaliza a nutricionista.
Avicultura
Nova edição de Avicultura revela os diferenciais que tornam os produtores mais competitivos
Reportagem de capa mostra como disciplina, rotina e decisões estratégicas sustentam resultados consistentes na atividade, além de análises de mercado, consumo e inovação no setor.

Já está disponível na versão digital a nova edição do jornal Avicultura Corte & Postura, publicação voltada à análise estratégica, técnica e econômica de uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro. A edição traz um conjunto de reportagens que abordam desde gestão e desempenho produtivo até mercado, consumo, sanidade e inovação.
A reportagem de capa, intitulada “Quando vencer vira método”, convida o leitor a ir além dos números pontuais e entender o que sustenta trajetórias consistentes na avicultura nacional. Em um cenário de margens cada vez mais ajustadas e custos elevados, o material mostra que resultados recorrentes não são fruto do acaso, mas de disciplina, rotina e decisões diárias bem estruturadas. A matéria analisa os bastidores de uma trajetória pentacampeã no setor e reforça que, na avicultura, ganhar uma vez pode ser circunstancial, mas vencer de forma contínua exige método.
Ainda na capa, a edição destaca a reportagem “Lideranças projetam um ano sólido”, que reúne análises de executivos sobre mercado, custos e perspectivas para a avicultura em 2026. O conteúdo traz leituras estratégicas sobre produção, consumo e competitividade, em um momento de ajustes e reorganização do setor.
Conteúdo amplo e atual
Entre as reportagens desta edição, o jornal aborda temas que estão no centro das discussões da cadeia avícola. O leitor encontra análises sobre o crescimento da presença de brasileiros na IPPE, nos Estados Unidos, principal feira mundial do setor de processamento de proteínas animais, além de um balanço que mostra que frango e ovos cresceram em 2025 e mantêm expectativas positivas para este ano.
O consumo também ganha destaque, com a projeção de que o consumo de ovos deve ultrapassar 300 unidades por brasileiro em 2026, reforçando a importância do alimento na segurança alimentar e na dieta da população.
A edição traz ainda reportagens sobre investimentos industriais, como a nova planta da Aurora no Rio Grande do Sul dedicada ao frango griller, além de alertas técnicos com especialista chamando atenção para condenações por artrite, pododermatite e ascite em frangos, temas diretamente ligados à rentabilidade e ao bem-estar animal.
A inovação também está em pauta, com destaque para o avanço da Embrapa em estudos sobre carne cultivada de frango, tema que começa a ganhar espaço nas discussões sobre o futuro da proteína animal.
Além das reportagens, a publicação reúne artigos técnicos assinados por especialistas, abordando temas como manejo, inovação, bem-estar animal, biosseguridade e novas tecnologias aplicadas à produção de aves. A edição também apresenta as principais novidades das grandes empresas do agronegócio, com lançamentos, soluções e tendências do Brasil e do exterior.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Nutrição fortalece a saúde das aves e impulsiona a eficiência da avicultura
Especialista destaca que dietas equilibradas e focadas na saúde intestinal são decisivas para o desempenho produtivo, o bem-estar e a sustentabilidade dos plantéis.

Durante muito tempo, o debate sobre nutrição animal esteve restrito às tabelas nutricionais, ao cálculo preciso de energia e proteína e à busca por eficiência na conversão alimentar. Hoje, no entanto, o olhar técnico se ampliou. Nutrição e saúde se tornaram indissociáveis, e compreender como esses dois pilares se conectam na prática é o que diferencia os sistemas mais eficientes e sustentáveis da avicultura.
A ciência vem demonstrando que a ração não é apenas combustível, ela é parte ativa da imunidade e do equilíbrio fisiológico das aves. O intestino, por exemplo, não é apenas um órgão digestivo. Ele abriga cerca de 70% das células do sistema imunológico e é controlado por uma complexa rede de neurônios chamada sistema nervoso entérico, uma via de comunicação direta entre o sistema gastrointestinal, o sistema imunológico e o sistema nervoso central. Esse eixo integrado, conhecido como eixo intestino-cérebro-imunidade, desempenha papel decisivo na manutenção da saúde geral do organismo.

PhD em Ciência Animal e consultor agro de Nutrição Animal da MBRF, Rodolfo Vieira: “Dietas bem estruturadas, com ingredientes de alta digestibilidade e uso racional de aditivos funcionais, como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e enzimas, reduzem inflamações, fortalecem as defesas naturais e favorecem o bem-estar e a eficiência produtiva das aves” – Foto: Divulgação/MBRF
De acordo com o PhD em Ciência Animal e consultor agro de Nutrição Animal da MBRF, Rodolfo Vieira, a formulação das rações impacta diretamente esse sistema. “O equilíbrio nutricional adequado é capaz de modular a microbiota, preservar a integridade da mucosa intestinal e regular as respostas imunes”, ressalta, complementando: “Dietas bem estruturadas, com ingredientes de alta digestibilidade e uso racional de aditivos funcionais, como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e enzimas, reduzem inflamações, fortalecem as defesas naturais e favorecem o bem-estar e a eficiência produtiva das aves”.
Na prática, o papel da nutrição vai além de alimentar, ela é parte da estratégia de prevenção sanitária. “A saúde intestinal é o ponto de partida para a saúde sistêmica, e qualquer desequilíbrio na dieta pode desencadear uma cadeia de efeitos negativos”, enfatiza Vieira, mencionando que desequilíbrios nutricionais, como excesso de proteína ou desbalanço entre cálcio e fósforo, comprometem a digestibilidade e a absorção de nutrientes, geram substratos para a proliferação de bactérias patogênicas e aumentam a incidência de enterites e inflamações crônicas.
O especialista destaca que o excesso de proteína, por exemplo, pode gerar acúmulo de substrato não digerido no intestino, criando ambiente favorável a disbiose e enterite. Já o descompasso entre cálcio e fósforo interfere no metabolismo ósseo e muscular, prejudicando crescimento e postura. “Deficiências de vitaminas A, E e do complexo B reduzem a integridade das mucosas e comprometem a eficiência imunológica. O resultado é um organismo sob maior estresse metabólico e mais vulnerável a agentes infecciosos”, salienta.
Nesse contexto, o conceito de custo imunológico ganha força. Sempre que o organismo é desafiado, seja por calor, microrganismos ou condições de manejo, ele redireciona energia para a defesa, e isso impacta o desempenho produtivo. “A dieta, portanto, precisa estar preparada para sustentar essa demanda. A ausência desse suporte gera desequilíbrios fisiológicos e perdas zootécnicas”, pontua Vieira.
Saúde intestinal
O PhD em Ciência Animal ressalta que a saúde e a produtividade do plantel começam na escolha e controle das matérias-primas. “Ingredientes mal processados, oxidados ou contaminados reduzem a digestibilidade e o aproveitamento da dieta. Óleos e farinhas oxidados, por exemplo, diminuem a absorção de energia e comprometem o metabolismo lipídico. Farelo de soja com baixa solubilidade ou altos níveis de inibidor de tripsina interfere na digestão de proteínas. Já micotoxinas e contaminações bacterianas prejudicam a absorção intestinal e alteram a microbiota, provocando queda de desempenho e maior risco sanitário”, sustenta.
Para Vieira, a busca por matérias-primas de qualidade deve ser tratada como política de biosseguridade nutricional. “Cada ingrediente precisa ser visto como uma ferramenta de saúde. A ração é o primeiro filtro de defesa do sistema produtivo”, observa.
Menos antibióticos, mais equilíbrio

Um dos efeitos mais práticos das estratégias nutricionais bem planejadas é a redução do uso de antibióticos na produção avícola. Ao fortalecer a barreira intestinal e manter a microbiota em equilíbrio, as dietas funcionais reduzem a necessidade de antibióticos promotores de crescimento. “Probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, enzimas, óleos essenciais e fitogênicos assumem parte do papel antimicrobiano, inibindo patógenos e estimulando o desenvolvimento de bactérias benéficas”, expõe o especialista.
Esse conceito de nutrição de precisão é cada vez mais associado à sustentabilidade e à biosseguridade, pilares que definem o futuro da produção de proteína animal. “Dietas balanceadas, formuladas com foco na integridade intestinal e na resposta imunológica, mantêm o desempenho zootécnico e reduzem o risco sanitário sem comprometer o bem-estar”, reforça Vieira.
Bem-estar animal
Práticas nutricionais adequadas também contribuem para o bem-estar das aves, reduzindo lesões, estresse térmico e problemas fisiológicos. O equilíbrio de eletrólitos (sódio, potássio e cloro) ajuda na regulação térmica e na manutenção do equilíbrio ácido-base, especialmente em períodos de calor intenso. “Vitaminas antioxidantes como A, C e E, associadas a minerais como selênio e zinco, reduzem o estresse oxidativo e favorecem a recuperação celular. Já o controle adequado do balanço cálcio-fósforo previne problemas locomotores e lesões ósseas em frangos de rápido crescimento”, explica o PhD em Ciência Animal.
Outro ponto de destaque é a adequação energética da dieta, que evita o excesso de calor metabólico e contribui para o conforto térmico e o comportamento alimentar estável. “O resultado é um plantel mais uniforme, com menor incidência de mortalidade e melhor desempenho produtivo”, destaca.
Qualidade do produto final
A nutrição também é determinante para a qualidade da carne e dos ovos. O equilíbrio de aminoácidos favorece a deposição muscular e melhora a textura da carne, enquanto vitaminas antioxidantes e minerais como o selênio retardam a oxidação lipídica, prolongando a conservação e o frescor do produto. “O fornecimento adequado de cálcio, fósforo e vitamina D fortalece as cascas dos ovos, e pigmentos naturais, como xantofilas, melhoram a coloração da gema e da pele, atributos valorizados pelo mercado consumidor”, evidencia Vieira.
Para o especialista, a alimentação equilibrada agrega valor à proteína produzida, melhora a aparência, o sabor, a segurança e o valor nutritivo, reforçando a conexão entre saúde animal e qualidade do alimento final.
Indicadores de desempenho
A tomada de decisão nutricional depende de um olhar sistêmico sobre os indicadores de desempenho e saúde. De acordo com Vieira, ganho de peso diário, conversão alimentar, consumo de ração e água, qualidade das fezes, uniformidade dos lotes e mortalidade são dados que orientam ajustes finos na formulação. “Em poedeiras, qualidade de casca, fertilidade e coloração da gema também são parâmetros de resposta à dieta”, pontua.
O avanço da automação e das tecnologias de monitoramento vem permitindo uma leitura mais precisa desses indicadores. “Com dados em tempo real, o nutricionista consegue ajustar a dieta conforme as variações ambientais ou fisiológicas, garantindo maior estabilidade produtiva”, afirma.
Tripé de eficiência
Conforme Vieira, o futuro da avicultura depende da integração entre nutrição, manejo e biosseguridade. Segundo ele, a nutrição adequada fortalece o sistema imunológico e preserva a integridade intestinal, reduzindo a entrada e multiplicação de patógenos, enquanto o manejo correto e as medidas de biosseguridade, como controle de entrada, limpeza, desinfecção e monitoramento sanitário, limitam a exposição a agentes infecciosos. “Quando combinadas, essas estratégias criam um ambiente de baixa pressão infecciosa e um organismo mais resistente”, enfatiza.
Nutrição equilibrada e biosseguridade eficaz atuam, portanto, de forma complementar. O resultado é um sistema mais eficiente, com menor uso de antibióticos, melhor conversão alimentar e maior sustentabilidade produtiva. “No campo, essa integração se traduz em rentabilidade, previsibilidade e bem-estar, os pilares que sustentam a avicultura do futuro”, enaltece.
A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.



