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2022 – Ano de desafios, mas de novos recordes da Suinocultura Brasil!
Os desafios são os custos de produção e a manutenção da sanidade dos rebanhos. Mas as exportações e a competitividade da carne no mercado interno podem render margens necessárias

O mercado mundial das carnes entra no terceiro ano da pandemia da Covid-19 e a Suinocultura brasileira promete reviver os mesmos esforços desde 2020, mas com novas conquistas históricas. As metas já foram previstas. Produzir 4,85 milhões de toneladas em 2022, chegando a um consumo de 17,3 quilos por habitante. No front externo, a ambição também é positiva. Comercializar 1,2 milhão de toneladas, o que seria um terceiro recorde consecutivo. “Contamos com a força produtiva dos criadores brasileiros para chegar perto de cinco milhões de toneladas produzidas. No mercado internacional, nosso padrão sanitário privilegiado e a confiança de quase 100 países parceiros de 2021 sugerem um novo ano de boas expectativas, principalmente pelo cenário vivido por diversos países concorrentes do Brasil, que enfrentam problemas com a Peste Suína Africana (PSA) e outros fatores de produção”, explica Ricardo Santin, Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Realmente, o avanço da PSA vem sendo avassalador, tanto na Europa como na Ásia. A enfermidade se espalhou ainda mais na Europa Ocidental, aumentando o risco de mais restrições às vendas do principal exportador de carne suína do mundo. A Alemanha vem lutando contra a Peste há mais de um ano, levando compradores importantes, como a China, a proibir as importações. Um caso foi detectado em um javali no noroeste da Itália no fim da semana passada, aproximando o vírus da Espanha e França, dois dos importantes fornecedores europeus ao mundo.
A União Europeia já enfrenta um excesso de carne suína, que está derrubando os preços, e ainda lida com o aumento dos custos dos grãos para a ração dos rebanhos. “A PSA não é apenas um problema alemão, polonês ou italiano. É um problema europeu. A doença está se movendo. É um pesadelo pensar em como podemos controlar o movimento de animais selvagens”, analisou com preocupação Miguel Angel Higuera Pascual, Diretor da Associação Espanhola de Suinocultores. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE na sigla em inglês) informou que a cepa encontrada na Itália corresponde a uma que circula na Europa desde 2007. A Europa Oriental foi a mais atingida pela PSA e a Macedônia do Norte confirmou na semana passada seu primeiro caso da doença. Assim como Hungria e Letônia nesta semana. “Para os países que ainda não têm PSA, os casos mais recentes representam mais um alerta”, apontou Justin Sherrard, estrategista global de proteína animal do Rabobank International.
Os criadores brasileiros também precisam de atenção máxima aos custos de produção, que chegaram a crescer até 70% sobre os valores do início de 2020. Certamente, várias referências vão permanecer pressionando as contas das granjas. Milho, farelo de soja, aditivos. E o câmbio, que ajuda nas vendas externas, mas sufoca financeiramente na questão dos produtos importados, principalmente na suplementação nutricional e tecnologias veterinárias. “As exportações são um importante instrumento para minimizar os impactos da histórica alta dos custos de produção. Confiamos no bom trabalho de gestão dos suinocultores e na evolução dos embarques para a Ásia e para a Rússia”, aposta Ricardo Santin.
Esses temas vitais para um 2022 de melhores resultados para a cadeia produtiva de carne suína serão destaque da 10ª edição da ‘PorkExpo e Congresso Internacional de Suinocultura’, o mais tradicional encontro da Suinocultura Mundial, que vai ser realizado nos dias 26 e 27 de outubro, em Foz do Iguaçu (PR). Um evento que já havia conseguido comercializar a totalidade dos estandes da Feira de Negócios há mais de um ano do seu início. Vai ser uma edição especial, reunindo entidades representativas, investidores, parceiros, jornalistas, pesquisadores, profissionais e estudantes de mais de vinte países, além de integrantes de toda a cadeia produtiva de carne suína do Brasil. É a coroação de uma marca que reúne há duas décadas mais de quinze mil participantes por edição. Em 2022, a PorkExpo vai ser marcada por dois dias intensos em atividades, privilegiando um programa científico de qualidade, rodadas de negócios, feira de novas tecnologias e as marcas principais que sempre fizeram presentes: alegria, convívio, festa, espontaneidade, amizade e congraçamento.
“Vamos, novamente, congregar todos os elos da cadeia produtiva, o que há de mais representativo nos diversos setores da suinocultura mundial. Por isso, ainda abrimos novos espaços para vários parceiros se unirem a esse movimento, com salas paralelas, marcas em materiais promocionais, capas de cadeiras e muito mais. Basta entrar em contato com a nossa equipe”, convoca Flávia Roppa, Presidente do Congresso Internacional de Suinocultura. Assegurar presença na PorkExpo é aproveitar um momento único da proteína animal brasileira. Venha fazer parte desse mundo novo da proteína mais saborosa e saudável do mundo, a carne suína. PorkExpo – O melhor lugar para formar grandes parcerias!
PORKEXPO E 10º CONGRESSO INTERNACIONAL DE SUINOCULTURA
Dias 26 e 27 de outubro de 2022
Foz do Iguaçu (PR)
Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention
Site oficial do evento: www.porkexpo.com.br
Fone: +1 (321) 987.0512
E-mail: [email protected]
Facebook: www.facebook.com/Porkexpo
Instagram: @brazilporkexpo
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O Cerrado entre o desenvolvimento e a destruição
Maior fronteira agrícola do país, o bioma concentra parte da expansão da produção de grãos, enquanto especialistas, produtores e comunidades divergem sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais desse modelo de desenvolvimento.

O agronegócio do Brasil é apontado como motor do crescimento econômico do país. Por outro lado, é criticado pelo potencial de concentração de terras e renda, além dos danos ambientais em larga escala. Entre os problemas está o desmatamento da savana brasileira, o Cerrado, tido como berço das águas por sediar as nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas do país. Para pesquisadores, ambientalistas e ativistas, o avanço do desmatamento no bioma coloca em risco a segurança hídrica do país ao agravar a redução das vazões dos rios.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Tribunal Permanente dos Povos (TPP), que reúne 56 movimentos sociais, acusa estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior de ecocídio do Cerrado, que é o crime de destruição do bioma. E chamam de genocídio o que ocorre com povos tradicionais expulsos dos seus territórios. “O veredito do júri foi unânime na condenação e reconhecimento da responsabilidade objetiva e compartilhada entre Estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior, pela destruição e perda do ecossistema do Cerrado como um todo”, diz o documento de 2022.
A savana mais biodiversa do planeta já teve sua vegetação nativa suprimida em 47,9% ao longo da história, segundo dados do Mapbiomas. As atividades agropecuárias são as que mais pressionam o Cerrado, ocupando 24% do bioma após expandir sua área de atuação em 74% entre 1985 e 2024.
Do Cerrado ainda em pé, quase metade (47,8%) está na região do Matopiba – região que abarca Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde se concentram as maiores taxas de desmatamento do bioma e onde segue ativa a expansão da fronteira agrícola brasileira.
O que é agronegócio?
Antes de delimitar a contribuição econômica dessa atividade, existe uma disputa em torno do que pode ser considerado agronegócio. O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e

Foto: Divulgação
economista Danilo Araújo Fernandes alertou que há setores do agro que tentam incluir toda produção agrícola dentro do conceito, mas que é preciso diferenciar o agronegócio da chamada agricultura familiar. “Agronegócio é um termo meio fantasia que é muito genérico. Eu classifico de agro essa agricultura patronal, ou seja, onde você tem a massa da mão de obra assalariada, em grande parte mecanizada, mas não necessariamente”, explicou.
Para o professor de economia política da Universidade Federal do Pará (UFPA) Gilberto de Souza Marques, o termo agronegócio deve ser restrito aos grandes conglomerados econômicos controlados por complexos financeiros de larga escala, que financiam, junto com o Estado, toda essa atividade. “O agro, na realidade, é a grande produção, as grandes propriedades, os grandes conglomerados e os grandes complexos financeiros”, classificou.
Peso econômico
Ao mesmo tempo em que acumula danos ambientais, o agronegócio brasileiro é tido pelos governos e especialistas como fundamental para economia do país, ao criar superávits na balança comercial que ajudam a estabilizar a moeda, além de gerar renda e empregos e impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
O setor primário – que reúne agricultura e pecuária, mas também mineração – foi diretamente responsável por 6,2% do PIB em 2024. Porém, pesquisas apontam que o peso do agro pode chegar a até 25% do PIB quando considerado o efeito cascata dessa produção nos setores de transporte, insumos e da agroindústria, conforme calcula a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
No primeiro trimestre de 2025, o governo federal comemorou o crescimento do PIB puxado pelo agronegócio. O setor cresceu 2,9% se comparado ao primeiro trimestre de 2024. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 12,2%. “O agro foi o grande responsável por esse crescimento. É a força da economia brasileira puxada pela agropecuária”, destacou, à época, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
Muito além do PIB
Para o economista da UFPA Danilo Fernandes, que estuda o desenvolvimento econômico sustentável, não podemos limitar a avaliação do papel do setor ao PIB, sendo necessário incluir na equação a área total que a atividade usa para gerar essa riqueza. “Não é só o PIB. Quanto você imobiliza o território nacional para produzir aquele PIB? O quanto você destrói de outras possibilidades, de desmatamento, de impacto sobre a biodiversidade? Ou seja, naquele momento você gera uma riqueza que usa bastante terra, desmata a floresta, destrói a biodiversidade e pode diminuir o nível da chuva”, ponderou.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Apesar de reconhecer a importância econômica do agronegócio empresarial para a economia nacional, o professor Danilo Fernandes defende que é preciso barrar a expansão desse modelo para novas áreas. “O agro é importante, portanto, a gente não pode eliminar o agronegócio. Esses empresários têm um papel muito grande na economia, na política e na influência cultural. Mas a gente precisa, de alguma forma, conter essa expansão”, afirmou.
Negócio financiado pelo Estado
Os economistas destacaram que o agronegócio brasileiro se tornou um dos mais competitivos do mundo graças ao apoio do Estado ao longo das últimas décadas. Atualmente, o Brasil lidera a produção do principal grão do mercado mundial, a soja, com 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025, o que representa 40% de toda produção mundial.
Em seguida, vêm os Estados Unidos (EUA), com 118 milhões de toneladas, e, em terceiro, a Argentina, com aproximadamente 51 milhões de toneladas, volume semelhante ao que é produzido apenas no Mato Grosso (MT).
Segundo os pesquisadores, fatores que contribuíram para a competitividade do agro brasileiro foram terras abundantes e baratas, em alguns casos fruto da grilagem; e o apoio estatal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal que desenvolveu tecnologias que permitiram a expansão das culturas para regiões mais áridas, como o Cerrado.
Os especialistas também destacam os incentivos fiscais, em especial por meio da Lei Kandir, de 1996, que isenta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos primários ou semielaborados usados na exportação.
Ao criticar iniciativas de mudanças na Lei Kandir no Congresso Nacional, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, reconheceu o

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
papel fundamental da medida. “A Lei Kandir permitiu que os produtos agropecuários brasileiros se inserissem no mercado internacional de maneira competitiva, chegando a tornar-se um dos setores mais dinâmicos da economia nacional e um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo”, enfatiza.
Além disso, o setor é beneficiado com centenas de bilhões de reais anuais em empréstimos com juros subsidiados por meio do Plano Safra do governo federal. Em 2025, o valor bateu o recorde de R$ 516,2 bilhões. Já para a agricultura familiar, o total destinado foi de R$ 89 bilhões no ano agrícola 2025/2026.
Para o professor de economia política da UFPA, Gilberto de Souza Marques, a capacidade de geração direta de empregos do agronegócio empresarial é limitada diante do montante de capital envolvido. “E, principalmente, diante do montante de isenção fiscal que o Estado dá para esses setores e de crédito subsidiário que o Estado concede, além de outros favores”, menciona.
Dados do Censo de 2022 apontam que 7,5% da população total ocupada no Brasil está na agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. O dado não diferencia agricultura familiar da empresarial.
Como foi o Estado que direcionou a economia brasileira para o agro de exportação, por meio de décadas de investimentos, o economista Danilo Araújo Fernandes avalia que deve ser o Estado a projetar outro tipo de expansão econômica que seja social e ambientalmente mais sustentável. “Se não quero a expansão do agro, que tipo de expansão econômica queremos? Aí entra outra discussão. Quais as alternativas que você tem para o desenvolvimento de regiões como o Matopiba ou Amazônia?”, questiona.

Foto: Divulgação
Mercado interno de alimentos
E se os incentivos fiscais do governo dão competitividade aos produtos nacionais no mercado mundial, o economista Danilo Fernandes, por sua vez, destacou que o apoio ao agronegócio de exportação, ao longo das décadas, contrasta com o apoio à agricultura voltada para o mercado interno, o que teria criado distorções que prejudicaram o abastecimento nacional, pressionando o preço dos alimentos aqui no Brasil. “Esse apoio do Estado foi sendo direcionado aos poucos, com muito investimento, para o mercado externo. Ao mesmo tempo, o mercado interno ficou dependendo da agricultura familiar que, por sua vez, recebeu muito menos apoio. Durante o regime militar, por exemplo, é absurda a diferença”, disse.
Com a redemocratização do país, na década de 1980, Fernandes disse que o Estado voltou elaborar políticas focadas na agricultura familiar, em especial por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), criado em 1995. O atual governo afirma que aumentou em 47,5% o valor do Pronaf em relação à gestão anterior.

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Domínio internacional
Enquanto o Brasil participa como um dos maiores produtores mundiais de alimentos, esse mercado é controlado, em sua maior parte, por quatro grandes conglomerados multinacionais. “Elas controlam entre 50% e 80% do mercado mundial de grãos do planeta, dependendo da estimativa. De toda forma, isso é um absurdo em relação à concentração de mercado”, afirmou o economista Gilberto Marques.
Devido a essa estrutura de oligopólio, o especialista argumenta que essas multinacionais exercem amplo controle do mercado, incluindo dos preços, e financiam boa parte dos produtores brasileiros por meio de compras futuras. “Eles não são, em geral, produtores. São controladores do mercado. E hoje, em grande medida, são financiadores também. Eles já fazem contratos com preços fixados para as safras seguintes. E muitas vezes, nesses contratos, eles já adiantam parte do pagamento. Nesse sentido, o produtor direto, o chamado agro brasileiro, fica ali preso a eles”, explicou.
Por conta dessa dinâmica, o empresário brasileiro só tem ganhos em uma economia de escala, ou seja, de grandes proporções. “Esse preço tem uma margem pequena de lucro, mas, quando você produz em enorme quantidade, isso se transforma numa massa de lucro grande. E essa economia de escala, por outro lado, impõe que essa produção seja uma produção cada vez mais mecanizada, o que repercute em um baixo nível de emprego”, acrescentou
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Brasil intensifica negociação com os Estados Unidos para evitar tarifa de até 25%
Equipes técnicas dos dois países retomam as tratativas na próxima semana para tentar fechar um acordo antes de 15 de julho, prazo estabelecido por Washington para decidir sobre a aplicação das novas tarifas.

O governo brasileiro e os Estados Unidos decidiram acelerar as negociações para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após uma reunião de alto nível realizada na última quinta-feira (02), representantes dos dois países concordaram em intensificar o diálogo técnico já no início da próxima semana e preparar um novo encontro ministerial antes de 15 de julho, data-limite estabelecida por Washington para definir eventuais medidas comerciais.

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural
Participaram da reunião o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo nota divulgada pelo ministério, o encontro foi considerado construtivo, mas as partes reconheceram que ainda será necessário aprofundar as discussões para reduzir divergências e detalhar propostas.
O objetivo é chegar a um entendimento antes que o governo norte-americano conclua a investigação comercial e decida sobre a adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros.
Quarta reunião
O encontro marcou a quarta reunião de alto nível entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer. As anteriores ocorreram em 19 e 28 de maio e em 13 de junho, além de diversas reuniões técnicas realizadas entre as equipes dos dois países.
Segundo o MDIC, as conversas seguem a orientação definida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em 7 de maio, quando os dois governos decidiram buscar uma solução negociada para a agenda comercial bilateral.
Seis temas concentram as negociações
As discussões giram em torno dos seis pontos da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os temas em análise estão:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção à propriedade intelectual;
- mercado de etanol;
- desmatamento ilegal.
Durante a reunião, o governo brasileiro voltou a contestar críticas apresentadas por Washington sobre políticas nacionais relacionadas ao comércio digital, aos sistemas de pagamento eletrônico,

Foto: Allan Santos/PR
incluindo o Pix, e a decisões do Judiciário brasileiro.
Governo admite corrida contra o tempo
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo trabalha para construir um entendimento antes do encerramento do prazo estabelecido pelos Estados Unidos. “Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, enfatizou.
Segundo o ministro, o avanço das negociações tem sido prejudicado por fatores externos que acabam alterando o ritmo das conversas. “Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar”, declarou.
Ministro critica interferência política nas negociações
Durante evento realizado no Rio de Janeiro, Márcio Elias Rosa também criticou, sem citar nomes, brasileiros que, segundo ele, transportam disputas políticas internas para uma negociação comercial entre os dois países.”Essas pessoas poluem o debate político, ou colocam num debate econômico comercial um debate político que não deveria estar”, afirmou o ministro.

Foto: Divulgação
Ele defendeu que o Brasil mantenha o diálogo técnico como principal estratégia para resolver o impasse comercial e reiterou o compromisso do governo com a negociação multilateral.”Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, frisou Rosa.
Próxima semana será decisiva
Ao final da reunião, Brasil e Estados Unidos determinaram que as equipes técnicas retomem os encontros já no início da próxima semana para aprofundar a análise dos pontos em discussão e preparar uma nova reunião ministerial antes de 15 de julho.
Em comunicado, o MDIC informou que ambos os governos reconheceram o caráter construtivo das negociações e concordaram com a necessidade de ampliar o diálogo para aproximar posições sobre os temas que permanecem em disputa.
Com menos de duas semanas até o prazo definido por Washington, a expectativa é que a próxima rodada de negociações seja decisiva para definir se Brasil e Estados Unidos conseguirão evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
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Petróleo, soja e carnes elevam superávit da balança comercial em 66,6%
Exportações cresceram 24,9% em junho e impulsionaram a maior corrente de comércio da série histórica, de US$ 62,8 bilhões. Com o desempenho do primeiro semestre, governo elevou em US$ 17,9 bilhões a estimativa de saldo comercial para 2026.

O avanço das exportações de petróleo bruto, soja, carnes e minério de ferro levou a balança comercial brasileira a registrar superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, alta de 66,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi acompanhado pelo maior fluxo de comércio já registrado para um único mês e reforçou a expectativa do governo de um desempenho próximo ao recorde histórico em 2026.

Foto: Claudio Neves
Dados divulgados na última sexta-feira (03) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações somaram US$ 36,3 bilhões em junho, crescimento de 24,9% na comparação anual. As importações também avançaram, alcançando US$ 26,5 bilhões, alta de 14,4%.
Com isso, a corrente de comércio, soma das exportações e importações, atingiu US$ 62,8 bilhões, crescimento de 20,3% sobre junho do ano passado e o maior valor mensal desde o início da série histórica.
O saldo comercial de US$ 9,8 bilhões foi o terceiro maior já registrado para um mês de junho, ficando atrás apenas dos resultados de 2021 (US$ 10,414 bilhões) e 2023 (US$ 10,077 bilhões).
Indústria extrativa lidera crescimento das exportações
A expansão das vendas externas foi puxada principalmente pela indústria extrativa, cujas exportações cresceram 58,4%, alcançando US$ 9,9 bilhões. A indústria de transformação exportou US$ 18 bilhões, avanço de 14,7%, enquanto a agropecuária embarcou US$ 8,1 bilhões, alta de 18%.

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Entre os produtos que mais impulsionaram o desempenho destacam-se:
- petróleo bruto: +78,9%;
- minério de ferro: +20%;
- combustíveis: +88,8%;
- carnes de aves: +62,4%;
- carne bovina: +39,2%;
- soja: +17,3%;
- animais vivos: +208,8%;
- algodão bruto: +64,1%.
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que ainda é cedo para mensurar os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre o desempenho das exportações brasileiras. “Já existem relatos de empresas sobre um maior interesse de importadores europeus, mas ainda não há elementos suficientes para medir o impacto do acordo”, afirmou.
Ásia concentra quase metade das exportações brasileiras
O crescimento das vendas externas ocorreu em praticamente todos os principais mercados compradores. A Ásia permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, absorvendo US$

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17,4 bilhões em produtos nacionais, alta de 29,9% frente a junho de 2025. O continente respondeu por cerca de 48% de tudo o que o Brasil exportou no mês.
As exportações para a Europa cresceram ainda mais, avançando 43,9% e alcançando US$ 6,4 bilhões. Para a América do Norte, as vendas somaram US$ 4,9 bilhões, aumento de 8,5%, enquanto a América do Sul importou US$ 3,9 bilhões em produtos brasileiros, alta de 7%.
Mesmo diante das negociações para evitar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, as exportações destinadas aos Estados Unidos cresceram 3,7% em junho, interrompendo uma sequência de retração observada desde a adoção das sobretaxas pelo governo norte-americano.
Importações crescem puxadas pelo consumo
As compras brasileiras no exterior também aceleraram em junho, especialmente de bens destinados ao consumo e à produção industrial. Os bens intermediários lideraram as importações, com US$ 15,1 bilhões, alta de 10,9%.

Foto: Claudio Neves
As importações de bens de consumo cresceram 34%, alcançando US$ 5,7 bilhões, o maior avanço entre as categorias. Também registraram crescimento os bens de capital, com alta de 5,7% e movimentação de US$ 3,5 bilhões, além dos combustíveis, que somaram US$ 2,2 bilhões, aumento de 11,6%.
Superávit do semestre cresce 40%
No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 42,4 bilhões, crescimento de 40,3% sobre o mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de US$ 30,2 bilhões.
As exportações atingiram US$ 184,8 bilhões no semestre, alta de 11,5%, enquanto as importações somaram US$ 142,4 bilhões, crescimento de 5,1%. O desempenho indica que as vendas externas avançaram em ritmo mais que duas vezes superior ao das importações, ampliando o saldo positivo da balança comercial.
Governo eleva projeção do superávit para US$ 90 bilhões
Diante dos resultados do primeiro semestre, o MDIC revisou para cima suas estimativas para 2026. A projeção do superávit comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, um aumento de US$ 17,9 bilhões em relação à previsão divulgada em abril. Se confirmada, a marca será a segunda maior da série histórica.
O governo também elevou a estimativa para as exportações, que passou de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões. A previsão para as importações foi revisada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
As projeções oficiais permanecem mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, as instituições financeiras estimam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões em 2026, quase US$ 14 bilhões abaixo da nova previsão do governo.



