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19º Simpósio da Soja Copasul antecipa desafios e traz soluções para a safra 2023/24
Especialistas vão ajudar os cooperados a encontrarem caminhos para a estabilidade produtiva em meio aos desafios para a próxima safra. Entre eles estão o excesso de chuvas provocado pelo El Niño, que pode acarretar no surgimento de doenças, além de reforçar a matocompetição e o acamamento das plantas. Após as palestras técnicas, evento terá apresentação com Rodrigo Pimentel, o “Capitão Nascimento da vida real”.

O primeiro encontro do calendário de grandes eventos da Copasul para a safra 2023/24 já tem data marcada. No dia 06 de setembro a cooperativa realizará o 19º Simpósio da Soja no espaço Arena Coliseu, em Naviraí. Neste ano, o simpósio promete trazer perspectivas e soluções vitais para assegurar uma safra bem-sucedida aos cooperados, apesar dos desafios à frente.
Entre as principais dificuldades está a possibilidade de excesso de chuvas com a ocorrência de El Niño, que podem desencadear doenças e acamamento, além de infestação de plantas daninhas que estão causando prejuízos, como o capim pé-de-galinha. Na esteira disso, os especialistas vão apresentar soluções para manter a boa produtividade observada na safra 2022/23, quando a Copasul recebeu um volume recorde superior a 17,5 milhões de sacas.
Neste encontro único, além das orientações essenciais de consultores renomados em agronomia, haverá uma apresentação inspiradora com um convidado muito especial.
Safra 2022/23
Uma das expectativas para a próxima safra é a confirmação da boa produtividade que os agricultores tiveram no ciclo anterior, 2022/23. Depois de uma frustração provocada pela falta de chuvas em 2021/22, os produtores deram a volta por cima e superaram marcas importantes.
“Estamos vindo de uma safra recorde de soja. Teve muitas áreas que produziram muito bem, principalmente as áreas de Maracaju, Dourados, que sempre tiveram um solo mais construído, com maior teor de argila e matéria orgânica, portanto já têm esse histórico de produzir bem. Mas no sul do estado, onde estão solos mais mistos, com menos matéria orgânica, muito ácidos, era difícil atingir isso. Mas graças a Deus, ao longo desse trabalho que vem sendo feito de correção de perfil, neste ano a produtividade foi alavancada”, celebrou o engenheiro agrônomo Anderson Guido, gerente corporativo do departamento técnico agronômico da Copasul.
“Tem talhões que fecharam com 85 sacas de soja, 90 sacas de soja e estão produzindo agora 140 sacos, 130 sacos de milho, portanto passando dos 200 sacos de grãos durante o ano”, informou.
Estabilidade produtiva
Mas tão ou mais difícil do que alcançar o objetivo é manter o sucesso. Daí a importância de continuar fazendo o trabalho de construção de perfil de solo para manter a qualidade do ambiente produtivo. “Este é o seguro agrícola dele, e o departamento agronômico da Copasul pode ajudar a corrigir solo, aplicar calcário, gesso e melhorar essa a vida do solo”, comparou Guido.
Os efeitos da melhoria do perfil do solo serão abordados na primeira palestra do Simpósio da Soja 2023, em uma apresentação conjunta entre Guido e os agrônomos João Dantas e Henry Sako, sócios da consultoria DK Ciência Agronômica. Dantas e Sako são parceiros da Copasul em diversas frentes de pesquisa e consultoria agrícola, como ocorre no projeto Construindo Solos.
“No painel, eles vão mostrar como estavam as áreas dos nossos cooperados antigamente, quando eles chegaram para trabalhar conosco, e como elas estão ficando hoje. O objetivo é entender porque estamos neste patamar de produtividade. Eles vão mostrar que melhorou a fertilidade, a parte química, física e biológica do solo. Será uma apresentação de resultados dentro da nossa área mesmo, de Maracaju e Dourados até Anaurilândia. Além disso, eles vão falar sobre os desafios futuros e o que está vindo pra frente”, disse Guido.
O gerente do departamento técnico da Copasul resumiu qual o trabalho feito pelo agronômico para que os cooperados melhorem seu ambiente de produção e mantenham estabilidade produtiva. “São os trabalhos de manutenção de calagem, sempre prestar atenção em pH de solo. A gente fala que quer melhorar a vida biológica, mas o pH de solo influencia extremamente a vida, a biota do solo. Se o solo estiver ácido, só desenvolve nematoide e as coisas boas não vão se desenvolver. Então é preciso desenvolver alguns bacilos, algumas bactérias e fungos que são interessantes, que são os inimigos naturais das próprias doenças. […] E como eu melhoro isso? Corrigindo pH de solo com calcário e aumentando a matéria orgânica do sistema com vários tipos de raiz”, relacionou.
As raízes que Guido mencionou são uma cortesia do uso de plantas de cobertura. “Quando eu tenho vários tipos de raízes, tem um monte de bactérias que se proliferam naquelas raízes específicas, que melhoram a quantidade de bactéria e a diversidade de vida nesse solo, de fungos. Portanto, o objetivo é aumentar a quantidade e a diversidade dessa vida no solo, o que é de extrema importância”, reforçou.
“Então eu preciso fazer um alicerce bem feito, correção de solo, corrigir a base e depois manter essa base com plantas de cobertura. Então para manter essa produtividade agora eu preciso continuar trabalhando com plantas de cobertura, rotação de culturas. São conceitos antigos e que de modo geral são pouco incentivados, mas a gente precisa falar mais disso”, acrescentou, justificando o tema da primeira palestra do Simpósio da Soja.
Manejo sanitário
A segunda palestra do dia vai tratar de manejo sanitário. O tema ganha importância à medida que novas doenças surgem nas lavouras da região e podem se agravar justamente pela previsão de excesso de chuvas, uma característica do fenômeno meteorológico El Niño.
O convidado para abordar o tema é o engenheiro agrônomo e mestre em fitopatologia Luís Henrique Carregal. Carregal é idealizador da Agro Carregal Pesquisa e Proteção de plantas, que ajuda produtores através de conhecimentos sobre fitopatologia, entomologia, plantas daninhas, patologia de sementes e nematologia, além de estudar indicações de inoculantes, adjuvantes e nutrição mineral.
“O Carregal vai falar de manejo fitossanitário, apresentar os produtos que chegaram e estão respondendo bem, quais são as doenças que estão em evidência na região e as que causam mais prejuízos”, comentou.
Fisiologia
Após a palestra sobre sanidade, o doutor em engenharia agronômica André Reis, professor de fisiologia vegetal da Unesp, vai falar de fisiologia de soja. “Tendo este conhecimento, a gente ajuda a planta a ter um pouco mais de tolerância ao estresse térmico. Esse ano tem uma previsão El Niño, que são anos que tendem a ter um pouco mais de chuva. Não deve ser um El Niño muito intenso, mas as chuvas podem passar um pouquinho da dose. Pode chover um pouco mais do que a gente quer, o que significa mais doenças ou que as plantas podem crescer mais do que o que a gente queria, com a possibilidade de acamar mais. Então a gente traz o André pra falar um pouco sobre isso, sobre essa tolerância ao acamamento”, contextualizou Guido.
“Aliás, eu prefiro um pouquinho de excesso de chuva do que a falta d’água, na verdade. Mas esse é um desafio em que a gente tem que saber vencer, controlar a população de plantas para não crescer demais. Existem ferramentas para isso”, considerou.
Controle de plantas daninhas
O doutor em agronomia Leandro Paiola, professor da UFPR e líder do grupo Supra Pesquisa, ligado à Universidade Federal do Paraná, retorna ao Simpósio da Soja em 2023 para abordar o controle de uma planta daninha que está afetando os agricultores. “Ele vai focar muito em capim pé-de-galinha, que está sendo um problema muito sério. No ano passado, ele falou de buva e capim-amargoso e o público gostou muito dele, então a gente vai trazê-lo novamente para falar de pé-de-galinha, que é outra realidade. […] Onde ela se estabelece, a soja não nasce bem, não se desenvolve. Então a gente precisa controlar melhor”, ponderou.
Motivação para mudar
Concluída a parte técnica do evento, os produtores ganharão ainda uma injeção de ânimo para colocar em prática todo o conhecimento adquirido ao longo do dia. A tarefa ficará a cargo de Rodrigo Pimentel, o “Capitão Nascimento da vida real”. Ex-capitão do Bope, Pimentel é pós-graduado em sociologia urbana, foi jornalista especialista em segurança pública e articulista, sendo um dos produtores do documentário Ônibus 174. O ex-capitão do bope atualmente é palestrante especialista na construção de “Tropas de Elite”.
O personagem Capitão Nascimento, protagonista dos filmes Tropa de Elite I e II, foi inspirado na sua própria experiência como comandante da equipe Alfa do Bope, a mesma equipe retratada nos filmes, que por sua vez foram inspirados em livros homônimos de sua autoria.
Inscrições
Em 2023, o Simpósio da Soja segue para a sua 19ª edição. O evento marcado para 06 de setembro, é organizado pela Copasul – Cooperativa Agrícola Sul-mato-grossense – e começará às 7h, com o credenciamento dos participantes no espaço Arena Coliseu, localizado na Rua Kobe, nº 67, no centro de Naviraí. No ano passado, o evento teve um público recorde de 1.000 pessoas, consolidando sua posição como o principal evento da cultura da soja na região sul de MS.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.

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Copacol fatura R$ 11,1 bilhões e demonstra a força do cooperativismo
Resultado expressivo reflete gestão estratégica e união de 62 anos de história, com distribuição de R$ 224,9 milhões em sobras e complementações aos cooperados.

A união de elos que faz a diferença, gera oportunidades e promove desenvolvimento marcou o anúncio do faturamento da Copacol durante a Assembleia Geral Ordinária, realizada nesta sexta-feira (30), em Cafelândia. Em um ano desafiador para o agronegócio, a Cooperativa alcançou R$ 11,1 bilhões em faturamento, que representa a solidez de um modelo construído ao longo de 62 anos de história.

Foto: Divulgação/Copacol
O resultado expressivo é fruto da adoção de medidas estratégicas e complexas para a superação de obstáculos em um cenário de instabilidades de mercado, custos elevados e desafios logísticos e sanitários. Ainda assim, a Copacol registrou crescimento no desempenho produtivo de suas atividades, impulsionado pelo manejo exemplar no campo e pela transformação eficiente das matérias-primas, garantindo presença de destaque em 85 países.
Durante a apresentação dos números, o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol, destacou que o desempenho é reflexo direto da confiança e do trabalho coletivo. “Alcançar um faturamento de R$ 11,1 bilhões nos enche de orgulho e representa a força do cooperativismo em cada elo. Esse resultado é reflexo de uma gestão sólida, de decisões estratégicas acertadas e, principalmente, da confiança construída ao longo de 62 anos de história da Copacol. No entanto, mais importante que isso é a rentabilidade proporcionada em cada uma das propriedades que fazem parte da Copacol: disseminamos essa prosperidade com todos, garantindo um crescimento conjunto”, salienta Pitol.
Entre as atividades, a Avicultura esteve entre as mais desafiadoras do período. Mesmo diante de custos elevados, instabilidades no mercado internacional, questões sanitárias e pressões logísticas, a Cooperativa manteve equilíbrio operacional e competitividade.
A diversificação dos negócios foi um dos pilares do resultado, com contribuições significativas também da piscicultura, suinocultura e

Foto: Divulgação/Copacol
bovinocultura de leite, que alcançaram índices recordes graças ao manejo exemplar, à orientação técnica e a um cenário favorável de mercado.
Na Agricultura, as culturas de soja e milho se destacaram pela excelente produtividade. O uso intensivo de tecnologia, o planejamento técnico e a dedicação dos cooperados fortaleceram a base produtiva, garantindo eficiência e qualidade grão a grão.
Sobras e complementações
Como marca do cooperativismo, o sucesso dos negócios foi convertido em benefícios diretos aos cooperados. A Copacol distribuiu R$ 224,9 milhões em sobras, complementações e juros de capital aos cooperados, de forma proporcional à participação de cada um, valorizando quem trabalha diariamente no campo e acredita no modelo cooperativo como instrumento de crescimento coletivo. “Antecipamos em dezembro a primeira parcela fazendo com que muitos cooperados pudessem cumprir com objetivos financeiros e realizar sonhos. Agora estamos liberando o pagamento da segunda parcela, que chega as contas dos cooperados, mantendo a tradição cooperativista que nos move”, afirma Pitol.

Foto: Divulgação/Copacol
Os pagamentos começam a ser feitos na próxima terça-feira (03), com depósitos nas contas dos cooperados, equivalentes as participações de cada um nas atividades e negócios da Cooperativa.
Conselho fiscal
A AGO contou com expressiva participação dos cooperados e a presença do presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, reforçando a relevância do resultado para o cooperativismo paranaense.
Ricken também conduziu parte do evento e empossou o novo Conselho Fiscal. Efetivos: Celio Baldussi, Darci Mezzari, Nelida Mara Guerreiro. Suplentes: Augustinho Exteckoetter, Martim Jose Steimbach, Rogério Effting. “Mais do que números, o desempenho da Copacol comprova que união, diversificação e trabalho conjunto seguem sendo os grandes diferenciais que transformam desafios em conquistas e garantem um futuro cada vez mais sólido para a Cooperativa, seus cooperados, colaboradores e toda a comunidade”, finaliza Pitol.
Veja mais fotos da AGO 2026
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IBGE usa inteligência artificial para mapear campos agrícolas no Brasil
Tecnologia com machine learning integra manual da ONU e promete dados mais precisos, rápidos e baratos para o agro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma tecnologia inovadora capaz de automatizar a identificação e o monitoramento de campos agrícolas em todo o território nacional. O método, que utiliza Inteligência Artificial e Machine Learning (ML), integra o novo Manual da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas, colocando o Instituto na vanguarda do uso de ML para a produção estatística agropecuária.
Na prática, os algoritmos modernizam o setor ao entregar resultados mais próximos à realidade, com maior agilidade e frequência de atualização. O trabalho marca a segunda contribuição do IBGE para publicações da ONU sobre estatísticas agropecuárias e observação da terra no ciclo de 2025.
Toda a metodologia foi desenvolvida e implementada pela Gerência de Inteligência em Dados Agropecuários e Inovação (GIDAI/COAGRO/DPE) e está publicada no capítulo Semantic Segmentation for Automatic Field Boundary Delineation do “UN Handbook on Remote Sensing for Agricultural Statistics” (Manual prático da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas). O artigo é assinado pelos técnicos do IBGE Ian Nunes e Octavio Oliveira, além do professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Hugo Oliveira e do pesquisador independente Edemir Ferreira.

Tecnologia inovadora capaz de automatizar a identificação e o monitoramento de campos agrícolas em todo o Brasil – Imagem: Reprodução/IBGE
Ao utilizar redes neurais profundas, a metodologia desenvolvida inova ao aprender os padrões do agro brasileiro, permitindo a identificação precisa de áreas contínuas com atividade agropecuária. O avanço elimina a dependência de processos manuais, conferindo ao sistema autonomia para delimitar automaticamente os talhões, que são subdivisões estratégicas, ou seja, áreas normalmente homogêneas dedicadas a uma única cultura. O talhão é a menor unidade de análise da atividade agropecuária no Brasil. “O modelo é pré-treinado para assimilar características intrínsecas ao nosso território, o que lhe confere robustez. Ele aprende a generalizar padrões complexos da paisagem brasileira antes mesmo de ser ajustado para a tarefa específica de encontrar e desenhar talhões. O resultado é um sistema muito mais preciso e com menor custo de anotação de dados”, analisa Ian Monteiro Nunes, pesquisador do IBGE e responsável pela Gerência de Inteligência em Dados e Inovação (GIDAI).
O professor da UFV, Hugo Oliveira, explica que o principal papel do ML diante desse conjunto de bases de dados consolidadas é o processamento dos dados. “Em vez de depender exclusivamente de especialistas humanos e/ou de visitas de campo dispendiosas, o processo de produção de estatísticas agropecuárias se beneficia do uso ML principalmente pela automação de algumas tarefas que anteriormente precisavam de um conjunto de profissionais treinados para serem realizadas”, ressalta.

Método, que integra o novo Manual da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas, utiliza Inteligência Artificial e Machine Learning (ML) – Imagem: Reprodução/IBGE
Além da precisão elevada, Ian Nunes e Hugo Oliveira destacam que a automação traz ganho de escala e redução de custos, garantindo um impacto contínuo no monitoramento do território. Segundo os pesquisadores, a estratégia pode encurtar o intervalo da produção de dados oficiais. Para Ian Nunes, essa agilidade permite ajustar políticas públicas a mudanças granulares de produção com a rapidez que o contexto atual exige.
Mudanças aplicadas no dia a dia
Na prática, a nova tecnologia será um pilar do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, viabilizando uma coleta de dados geoespacializados com detalhamento inédito no país. Além do retrato censitário, o sistema permitirá o acompanhamento contínuo das mudanças no uso da terra, identificando, por exemplo, a expansão e modificação de lavouras. Outro ganho crucial está na projeção de safras, pois ao delimitar com exatidão a área plantada e cruzar esse dado com modelos de rendimento, o IBGE poderá aprimorar a produção de estatísticas.
Com essa inovação, o Instituto passa a contar com uma ferramenta que indica áreas em expansão, potenciais usos agropecuários e apoia diretamente o trabalho de campo das também das pesquisas regulares, como a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).
Esforço coletivo e nacional para construção dos algoritmos
A construção da base de dados que alimenta as redes neurais usadas pela metodologia é um projeto contínuo de anotação que iniciou há 17 meses e só é possível por meio de uma força-tarefa que envolveu mais de uma centena de profissionais de quase todas as Superintendências do IBGE espalhadas pelo Brasil. Juntos, a equipe fez a anotação manual de mais de 1,6 milhão de polígonos (campos agrícolas) sobre imagens de satélite. “Isso é um marco para a produção estatística nacional. É crucial destacar que, sem o apoio maciço e o engajamento das Superintendências, não teria sido possível avançar e obter os resultados que alcançamos”, ressalta Ian Nunes.

Sistema delimita automaticamente os talhões, subdivisões estratégicas que são a menor unidade de análise da atividade agropecuária no Brasil – Imagem: Reprodução/IBGE
A versatilidade do método extrapola as fronteiras agrícolas, tornando-se aplicável a qualquer desafio de mapeamento territorial, seja rural ou urbano. Para o IBGE, a tecnologia abre novas frentes: desde a classificação refinada de cobertura e uso da terra até o mapeamento de áreas verdes intraurbanas e a delimitação precisa de favelas. Há ainda potencial para inovar em outras áreas, como na demografia, utilizando o sistema para apoiar estimativas populacionais em recortes geográficos específicos.
Publicações da ONU com participação do IBGE
Esta é a segunda publicação da ONU em 2025 que conta com a participação ativa de técnicos do IBGE, reforçando o protagonismo do Instituto no cenário estatístico internacional. O atual projeto é conduzido pelo UN Committee of Experts on Big Data and Data Science (UN CEBD) em parceria com o UN Expert Group on Rural, Agricultural and Food Security Statistics (CEAG), um desdobramento direto do Task Team on Earth Observations for Agricultural Statistics.
Para Ian, a publicação no manual da ONU é um reconhecimento de que o IBGE busca a fronteira do conhecimento, aplicando ciência de dados de ponta para modernizar e aprimorar suas estatísticas. “O trabalho da GIDAI/COAGRO, alicerçado no esforço das unidades regionais, serve agora como um estudo de caso e um guia prático para outros países que buscam incorporar a observação da Terra e a Inteligência Artificial em seus sistemas oficiais. A busca de longo prazo é transformar a maneira como produzimos estatísticas agropecuárias”, salienta.
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Copel e setor produtivo criam força-tarefa para atender demanda por energia no Paraná
Companhia e entidades do G7 alinham plano de ação para ampliar o atendimento energético e sustentar o avanço da produção e das grandes safras no Estado.

A Copel e representantes das entidades que compõem o G7, grupo que reúne as lideranças do setor produtivo paranaense, vão formar grupos de trabalho para definir soluções de curto prazo a demandas por energia dos setores industrial, agroindustrial e cooperativista do Estado.

Foto: Divulgação/Copel
O alinhamento foi definido na última quarta-feira (28) pelo presidente da companhia, Daniel Slaviero, em conjunto com os presidentes das entidades de classe, durante a primeira reunião do G7 deste ano, realizada na sede da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar). “Temos objetivos comuns. Temos absolutamente o mesmo interesse, que é atender aos clientes. Vamos fazer um plano de ação para atuar em curtíssimo, curto, médio e longo prazos. Essa interlocução é muito importante”, afirmou Daniel Slaviero.
Na reunião, à qual esteve presente o vice-governador Darci Piana, participaram os presidentes do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos; da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette; e da Faciap, Flávio Furlan, que elencaram as necessidades de cada setor, com ênfase no primeiro atendimento às demandas dos representados pelas entidades. Também participou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Luiz Gustavo Vidal Pinto.
Piana destacou a importância da colaboração entre as partes envolvidas. Ele mencionou pontos críticos, como a necessidade de que empreendimentos de grande porte procurem a Copel antes de sua instalação, garantindo que a rede de energia esteja dimensionada para a futura operação. Além disso, ressaltou a importância da parceria no manejo vegetal, o cuidado com a regularidade da geração distribuída para evitar oscilações na rede e lembrou que produtores rurais podem solicitar a extensão da rede trifásica para suas propriedades com subsídios. “Estes assuntos são os que têm os maiores problemas”, afirmou.
“Teremos uma das maiores safras do Paraná. Devemos receber um pouco acima de 30 milhões de toneladas de grãos. A responsabilidade é

Foto: Divulgação/Copel
enorme e temos a energia como insumo principal”, salientou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken.
Show Rural
Como parte das ações em conjunto com o setor produtivo, a Copel estará presente no Show Rural Coopavel, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste, com estande próprio e equipes técnicas para orientações e compartilhamento de informações sobre a conexão à nova rede trifásica, com 25 mil km implantados em todo o Paraná, dos quais 4,3 mil quilômetros na região Oeste para o atendimento a 50 municípios.
No próximo dia 10, equipes da companhia participarão da reunião com representados da entidade das regiões Oeste e Sudoeste para elencar as demandas locais. A Copel estará representada na reunião, conforme acordado na reunião do G7, bem como de outros encontros regionais da Fiep, com cronogramas ainda a serem definidos.
A Copel irá participar também, no dia 09 de março, em Palmeira, nos Campos Gerais, no evento que abre o encontro de núcleos da Ocepar

Foto: Divulgação/Copel
com as cooperativas Witmarsum e Cerwit. Na sequência, até o dia 12, a companhia também terá técnicos participando dos encontros regionais em Francisco Beltrão, nas Cooperativas de Beltrão; Medianeira, na Cooperativa Lar e em Campo Mourão, na Coamo.
Resultados
Em relação às demandas trazidas durante a reunião, o presidente da Copel afirmou que a companhia irá analisar os casos específicos de cada entidade e encaminhar soluções. Aos representantes do G7, Daniel Slaviero sugeriu uma reunião de retorno para avaliar o avanço das ações. “Está clara a disposição e o trabalho que vamos fazer. Está clara a necessidade dos clientes relacionada ao tempo de resposta e recomposição da energia. Vamos nos reencontrar em 90 dias em uma reunião executiva para o andamento dos processos”, disse Slaviero.
Para o presidente da Fetranspar e coordenador do G7 na reunião, Sérgio Malucelli, a reunião com a Copel teve bom encaminhamento. “Na reunião tudo ficou bem encaminhado. A Copel entendeu os nossos problemas e vamos trabalhar em conjunto”, frisou.
O presidente da Copel esteve acompanhado do diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu; da diretora de Operação e Manutenção da Copel, Karine Torres e dos diretores Comercial, Julio Omori e de Comunicação, David Campos.








































































