Suínos
17º SBSS destaca ciência, inovação e conexão da cadeia produtiva da suinocultura
Levantamento segue metodologia internacional e vai mapear fontes de gases de efeito estufa em todas as operações da cooperativa até 2026.

Três dias intensos e espetaculares na difusão de conhecimento técnico, científico e de qualidade. Assim, pode ser avaliado o 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), realizado neste mês, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o evento técnico se consolidou como o mais relevante da América Latina. Sua programação científica abordou questões estratégicas emergentes desde os avanços em bem-estar-animal, sanidade, nutrição, genética e gestão de pessoas.

Os números comprovam o sucesso desta edição, que teve incremento de 16,26% no número de participantes ao atingir a marca de 2.194 profissionais. Esse número é superior a edição 2024 do SBSS que registrou um público de 1.887 pessoas, entre veterinários, zootecnistas, produtores rurais, consultores, estudantes, pesquisadores e demais profissionais da agroindústria do Brasil e da América Latina. “Em 2025, tivemos um público recorde das nossas edições presenciais, o que comprova que estamos no caminho certo ao propor assuntos de interesse da cadeia de suínos”, observou o presidente do Nucleovet, Tiago Mores.
Em sua trajetória o SBSS cresceu não apenas em números de público, mas de impacto na geração de valor ao compartilhar resultados de pesquisas, proporcionar debates sobre inovações e, principalmente, propiciar conexões humanas. O sucesso de mais uma edição foi celebrado pelo presidente do Nucleovet e pela comissão organizadora da décima sétima edição. “Estamos muito contentes. Os feedbacks foram positivos e a feira oportunizou a troca de experiências. E, agora temos uma responsabilidade ainda maior de preparar a próxima edição, para que seja melhor do que a recém-encerrada”, antecipou ao destacar que o evento é resultado de um projeto coletivo, de uma jornada compartilha entre associados do Nucleovet e demais atores do setor.
Geração de valor

Para o presidente da Comissão Científica, Paulo Bennemann, mais uma vez o SBSS superou as expectativas. Ao todo, foram 21 palestrantes distribuídos em sete painéis, que proporcionou um debate interessante. “Os feedbacks que recebemos foram bem positivos dos congressistas e com muitos elogios em relação à qualidade dos temas debatidos. Então, finalizamos mais uma edição com aquela sensação de dever cumprido, de que conseguimos levar a nossa essência que é trazer ciência aplicada ao dia a dia do campo, sempre pensando no bem-estar animal, sustentabilidade, nutrição, eficiência alimentar e sanidade”, analisou.
Um ponto que chamou a atenção foi a participação do público nas palestras. Paulo comentou que, infelizmente, o tempo acabou sendo limitado em virtude de tantas demandas de perguntas e questionamentos. “Isso mostra que conseguimos atingir um grau de maturidade e que a cada ano o SBSS vem se consolidando como um dos principais eventos técnicos científicos do país e da América Latina. Além de comprovar que conseguimos entregar o que há de melhor para a cadeia suinícola, para que seja cada vez mais produtiva e destaque sua eficiência na produção de proteína de alta qualidade”, enalteceu.
Conexões que fortalecem
Além dos conhecimentos técnicos o SBSS promoveu debates sobre tendências tecnológicas que mudarão o futuro da atividade, como bem-estar animal e sustentabilidade, análise prática e inspiradora sobre os caminhos da cadeia produtiva ao conectar mercado, inovação e futuro em quatro eventos paralelos da grade científica. Mais de 100 marcas aproveitaram a oportunidade para apresentar seus principais lançamentos e novidades tecnológicas para a cadeia produtiva ao serem expositores da 16ª Pig Fair e da Granja do Futuro, que ocorreram em paralelo ao Simpósio. A estrutura de exposição esteve distribuída em 47 estantes, seis lounges internos, quatro lounges externos, 12 espaços na Granja do Futuro, quatro espaços de mídias parceiras, além de patrocinadores institucionais.

De acordo com Mores, muitas empresas se programaram para fazer lançamentos de produtos e tecnologias durante o evento, justamente, porque enxergam esse potencial de visibilidade de suas marcas em um público de qualidade. “Não há lugar melhor do que esse evento para trazer novidades que impulsionem o crescimento da cadeia suinícola”. O presidente complementou que associar a difusão de conhecimento científico e os eventos paralelos de qualificação profissional com a Pig Fair e a Granja do Futuro é extremamente relevante. “Nosso objetivo é trazer conteúdo técnico de qualidade que possa ser aplicado no dia a dia do profissional que participa do Congresso. Aliado a isso, a feira é o momento de networking e troca de experiência prática, no qual as empresas têm a oportunidade de mostrar as recentes novidades para o mercado”. Como exemplo, citou a utilização da inteligência artificial na produção animal.
Responsabilidade social

O presidente do Nucleovet, Tiago Mores, enalteceu que os números comprovam o sucesso desta edição: “Em 2025, tivemos um público recorde das nossas edições presenciais, o que comprova que estamos no caminho certo ao propor assuntos de interesse da cadeia de suínos”
Além de uma oportunidade de aprendizado, networking e inspiração o Nucleovet tem compromisso com o bem-estar social, por isso a cada edição do Simpósio realiza doações para entidades que fazem a diferença na vida de diversas pessoas. Nesta edição, o valor de R$ 10 mil provenientes das inscrições no SBSS foi destinado ao Núcleo de Voluntários Formigas do Bem. A instituição tem como missão auxiliar crianças e adolescentes a partir do atendimento de necessidades básicas e diárias como doação de água, leite, suplementos alimentares, produtos de higiene, medicamentos e muito mais. O cheque simbólico foi entregue na solenidade de abertura do SBSS pela diretora social do Nucleovet Celita Matiello e pelo diretor executivo Nilson Sabino às representes da instituição beneficiada Leiri Diva Golo Piva e Enezilda Baggio.
Outra ação social tradicional é o NúcleoStore, que comercializa produtos personalizados relacionados ao evento, cujo lucro é revertido para entidades locais. Neste SBSS a entidade beneficiada foi a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó, que tem como objetivo principal a conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e colo do útero. Entre os itens disponíveis, estiveram meia, camiseta, bóton, toalha, lixeiro para carro, vira mate e mouse pad. Cada produto carregou uma missão maior, já que todo lucro será integralmente destinado a Rede Feminina, ou seja, é um gesto de amor que se multiplica.

Suínos
ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura
Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.
Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”
O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.
A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.
Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.
O ciclo da carne bovina e a sanidade
O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.
Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.
Preocupações políticas e a escala 6×1
Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.
No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.
Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.
Insegurança jurídica e a defesa do produtor
O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.
Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.
Suínos
Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo
Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.
No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.
Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.
No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.
Suínos
Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026
Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.
Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30 às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.
Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.
Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.
A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.



