Notícias
15º SBSS debate inteligência emocional e segredos para obter resultados
Médicos-veterinários Ton Kramer e Antônio Leomar palestraram sobre os temas no Painel Pessoas, nesta quarta-feira (9).

Inteligência e competência emocional foram os temas que nortearam a palestra do médico-veterinário, mestre em Ciência Animal e doutorando em Ciência Animal Ton Kramer, no Painel Pessoas do 15º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), nesta quarta-feira (9). O SBSS é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e segue até esta quinta-feira (10), no Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Kramer abordou o tema “Quem sou, onde estou e o que será de mim?”. Ele falou sobre aspectos físico, emocional, intelectual e espiritual e enfatizou que cada pessoa, de acordo com suas experiências ao longo da vida, tem diferentes características em relação a esses aspectos. Avaliou algumas dificuldades atuais para as pessoas fazerem uma autoavaliação, a exemplo do uso excessivo das redes sociais. “As redes sociais têm sido grandes inimigos do ‘verdadeiro eu’, aquele com seu máximo potencial, por conta das aparências que são, supostamente, exigidas frente à necessidade de exposição às opiniões alheias”, observou.
Uma revisão de literatura publicada pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Alagoas em 2019 avaliou o efeito do uso das redes sociais na saúde mental de adolescentes e concluiu que elas podem acentuar problemas sociais e gerar grandes impactos, dentre eles a ansiedade, a depressão e a dependência. “Por isso é essencial entender o momento em que ‘eu me encontro’, desenvolver inteligência e, especialmente, competência emocional. A inteligência cognitiva é importante, mas a inteligência emocional se mostra cada vez mais necessária, uma vez que pessoas são feitas de emoções”, salientou o palestrante.
Além do uso excessivo das redes sociais e o senso de urgência, a pandemia aumentou os problemas de ansiedade, o que prejudica as relações. Outro aspecto citado por Kramer é sobre o debate de ideias. “Tem sido difícil, uma vez que os argumentos fundamentados estão dando lugar às opiniões apaixonadas. Isso tem levado ao afastamento social, prejudicando ainda mais os relacionamentos e o desenvolvimento coletivo e, neste cenário, inteligência e competência emocional mostram-se ainda mais necessárias”.
Apesar dos desafios, realçou que as oportunidades não podem ser deixadas de lado. “Toda situação, por mais difícil que se apresente é, ao menos, oportunidade de aprendizado. Assim como somos o resultado das experiências vividas até o momento, nosso futuro será o resultado das decisões e atitudes que tomarmos. A diferença de quem ‘vai além’ e realiza está na atitude”.
Para Kramer, pessoas emocionalmente competentes adotam práticas ou comportamentos que incluem autoconfiança, autogerenciamento, empatia e habilidades de relacionamento. “É a atitude que promove a mudança. Da mesma forma, assumir a responsabilidade pela própria vida e ter atitude, com planejamento, é que promove a realização dos sonhos. Os fatos não mudam, são nossas atitudes em relação aos fatos que trazem mudança, que resolverão os problemas”, concluiu.
Resultados
Práticas do dia a dia desenvolvidas em algumas granjas de suínos foram apresentadas pelo médico veterinário Antônio Leomar na palestra “O que os melhores produtores estão fazendo para obter resultados e reter talentos?”. Ele começou falando sobre reposição e manejo nas granjas. De acordo com o relatório anual dos melhores da suinocultura Agriness, em 2022 a média de desmamado fêmea/ano ficou em 29,52, mas existem produtores com produtividade bem superior à média, atingindo números acima de 40 desmamados fêmea/ano. “O que esses produtores têm feito de diferente para alcançar estes índices tão elevados de produtividade?”, questionou, ao acrescentar que a mão de obra é o pilar mais importante que sustenta o resultado de uma granja. “Muito tem se falado em como é possível diminuir a rotatividade na suinocultura e o que pode ser feito para melhorar o engajamento das pessoas”.

Antônio Leomar falou sobre o que os melhores produtores estão fazendo para obter resultados e reter talentos
Leomar enfatizou sobre comunicação, papel do líder, premiações, metas e retenção de talentos. Frisou que as pessoas são o fator principal no sucesso de qualquer atividade e, na suinocultura, não é diferente. “É recorrente vermos altos investimentos em instalações, automação, nutrição, entre outros, porém, não é comum encontramos empresas na suinocultura que tenha como prioridade as pessoas, não há um plano de investimento na equipe”, analisou.
Para a organização ou produção continuar crescendo, citou a necessidade de analisar, de planejar e de executar, além de ter uma comunicação eficaz. Sobre os líderes, reforçou que eles têm papel fundamental na formação, manutenção da equipe e para promover um ambiente propício dentro da granja. “Liderar é, antes de tudo, ser exemplo, então, é importante que a pessoa que foi promovida a líder reúna as características básicas para essa função, como caráter, lealdade, empatia, capacidade de resolver conflitos e conhecimento técnico das atividades inerentes ao seu cargo”.
O palestrante trouxe ao debate também questões referentes às metas, que precisam existir para direcionar a equipe para um objetivo comum, e de premiar a equipe por metas alcançadas. Para Leomar, o maior desafio atualmente é a retenção de pessoas. Para isso, deu algumas dicas: buscar pessoas que já tem uma identificação com a atividade; ter remuneração justa que atenda minimamente as expectativas do colaborador; promover um ambiente de trabalho agradável, com respeito e harmonia; promover condições básicas de trabalho, fornecendo alimentação, uniformes e moradias se necessário; e ter uma liderança capaz de influenciar seus colaboradores a permanecerem na equipe.
“Nos últimos anos houve uma grande evolução na suinocultura, principalmente em genética, nutrição, sanidade e equipamentos. Porém, não aconteceu essa mesma evolução com mão de obra. O momento é de investir nas pessoas e ter a consciência que este investimento não pode ser entendido como custo, mas como oportunidade. Uma equipe treinada e engajada é o caminho para maximizar os índices zootécnicos e financeiros da granja”, concluiu Leomar.

Notícias
Unidades da Embrapa passam a usar IA para gerar recomendações técnicas no campo
Projetos como o SORaIA e o Semear Digital integram dados de solo, clima e genética para gerar recomendações técnicas, simulações produtivas e ferramentas digitais voltadas à decisão no campo e à inclusão da agricultura familiar.

Quatorze unidades de pesquisa da Embrapa ampliam o uso de inteligência artificial (IA) generativa a fim de desenvolver e validar soluções tecnológicas para os sistemas agroalimentares e florestais no Brasil. Estratégica para apoiar a tomada de decisão, a tecnologia se incorpora à construção de modelos integrados nas bases de conhecimento da Empresa, com potencial de escalabilidade, replicação e geração de recomendações prescritivas adaptadas às demandas do setor agropecuário.
Com aplicações que vão da organização e análise de grandes volumes de dados à simulação de cenários produtivos, a tecnologia contribui para agilizar a pesquisa, orientar decisões, qualificar recomendações no campo, impulsionar a inovação em sistemas agropecuários e ampliar o acesso ao conhecimento, em integração com ferramentas da agricultura digital.

Fotos: Shutterstock
O uso de IA na pesquisa agropecuária é uma evolução do que já é feito há décadas na Embrapa na análise de dados históricos para reduzir incertezas sobre a atividade agropecuária pela via da agricultura digital e de precisão.
Segundo Kleber Sampaio, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP), o domínio desse conhecimento é também um avanço em relação à IA preditiva, já utilizada no contexto científico da Empresa. “Enquanto a primeira antecipa cenários a partir de dados históricos, a generativa utiliza esses mesmos dados para produzir conteúdos, simulações e recomendações inéditas. É uma inovação no uso de informações geradas pela pesquisa agropecuária”, diz.
Exemplos do uso da IA generativa na agropecuária incluem a aceleração da pesquisa científica ao gerar relatórios técnicos e apoiar a revisão de literatura, além da organização de grandes volumes de dados experimentais. A tecnologia também contribui para a tomada de decisão no campo, por meio da simulação de cenários de clima, produtividade e manejo, da geração de recomendações personalizadas e da integração de dados de solo, clima e genética.
Outros destaques são o desenvolvimento de soluções inovadoras, como a simulação do crescimento de culturas, o apoio ao melhoramento genético e a criação de novos modelos preditivos. E, ainda, a pesquisa que desenvolveu método que usa laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono.
Inovação nas ferramentas digitais
O pesquisador Kleber Sampaio, que é o líder do projeto Soluções recomendativas e generativas baseadas em IA para aumento da eficiência, qualidade e resiliência produtiva (SORaIA), vê na IA uma aliada cada vez mais estratégica no apoio a decisões.
O projeto prevê o estímulo à produção de artigos científicos e a consolidação de acervos de dados estruturados para treinamento de modelos e reuso. O desenvolvimento de ferramentas digitais acessíveis, associado à qualificação de equipes técnicas e institucionais no uso dessas tecnologias, também é alvo da iniciativa.
“É improvável que alcancemos a fronteira do conhecimento utilizando um instrumental metodológico ou técnico já superado”, avalia Inamasu. Segundo ele, é importante que tanto as ferramentas de softwares e de hardwares quanto os especialistas estejam constantemente atualizados.
Vale destacar que as pesquisas nessa área na Embrapa asseguram que os algoritmos sigam padrões éticos em âmbito nacional e internacional em questões como a privacidade de dados sensíveis, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Patrimônio intelectual
A expansão planejada por meio de iniciativas como os projetos SORaIA e Semear Digital encontra respaldo nas análises do grupo de trabalho que apresentou recomendações para o avanço da IA generativa na instituição, como pontua Viviane Cavalcanti, que liderou o grupo de trabalho no âmbito da GCI.
De acordo com Cavalcanti, aliar inovação tecnológica à segurança jurídico-institucional, implantar governança permanente, além de investir em um processo dinâmico de curadoria e validação de dados também foram recomendados. “Essa visão estratégica inclui a proposta de um marketplace de contexto para proteger o patrimônio intelectual da Embrapa de forma soberana.”, argumenta.
O digital na agricultura familiar
Explorar a transformação digital em seu potencial de reduzir assimetrias de mercado é o propósito do projeto de inclusão socioprodutiva e digital da Embrapa e parceiros, o Semear Digital, criado em 2023 e idealizado pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá. A iniciativa apoia a chegada de tecnologias emergentes a dez municípios brasileiros, denominados Distritos Agrotecnológicos (DATs).
O projeto é coordenado pela Embrapa Agricultura Digital com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As equipes são constituídas por especialistas de 13 centros de pesquisa da Embrapa e de sete instituições fundadoras, além de 24 parceiros, somando 90 pesquisadores, incluindo 43 bolsistas. O trabalho já resultou em 160 publicações técnico-científicas que envolvem 15 cadeias produtivas.
Arte: Alexandre Adas
Entre os eixos de atuação estão: conectividade; IA e sensoriamento remoto; automação e agricultura de precisão; rastreabilidade e certificação digital. Também inclui parcerias e comunicação para constituir o ecossistema local necessário para a continuidade das ações.
O robô SEEmear (foto), baseado em imageamento georreferenciado para a contagem automatizada de frutos em pomares, é um exemplo. A automação de etapas da colheita é a expectativa de pequenos produtores de maçã em Vacaria (RS), para reduzir os impactos da escassez da mão de obra e da penosidade da atividade. “As pessoas têm a percepção de que os produtores são muito refratários. Isso não é verdade. Se a tecnologia, de fato, trouxer benefícios, eles ficarão muito felizes por adotá-la,” avalia Barbedo. O pesquisador instalou experimento com antenas de monitoramento climático para detectar doenças do trigo no DAT de São Miguel Arcanjo.
Em 2025, a metodologia de atuação do Semear Digital começou a ser replicada na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai em iniciativa com duração de três anos, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional para a Agricultura do Cone Sul (Procisur).
A agricultura digital também apoiará a retomada econômica da área rural na bacia do Rio Doce, junto a comunidades rurais atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana (MG). A ação compõe o Rio Doce Semear Digital, um dos braços do principal projeto. Nesse caso, a atuação da Embrapa está vinculada à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), que executa quatro eixos do Novo Acordo do Rio Doce.
Notícias
Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.
Notícias
Rio Grande do Sul inicia censo para mapear agroindústrias familiares
Levantamento deve alcançar mais de 4 mil empreendimentos e orientar políticas públicas.

O governo do Rio Grande do Sul iniciou, nesta terça-feira (14), a aplicação do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), com o objetivo de mapear a realidade de mais de 4 mil agroindústrias familiares no Estado. A primeira entrevista foi realizada em Estância Velha, na agroindústria Sabores do Rancho Laticínio Artesanal.

Secretário Gustavo Paim realizou a aplicação do primeiro censo na Agroindústria Sabores do Rancho em Estância Velha
Batizado de Censo das Agroindústrias Familiares, o levantamento vai reunir informações sobre gestão, sucessão familiar, qualidade de vida, nível de inovação e perspectivas futuras dos empreendimentos rurais.
A ação é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Departamento de Economia e Estatística (DEE). A proposta é gerar uma base de dados que auxilie na formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o diagnóstico permitirá identificar demandas específicas dos produtores. A partir dessas informações, o governo pretende direcionar ações com maior precisão, focadas na qualificação da produção e no desenvolvimento das agroindústrias familiares.
O presidente da Emater-RS/Ascar, Claudinei Baldissera, destacou que o levantamento também deve aprimorar o atendimento técnico no campo. Com dados mais detalhados, a expectativa é ampliar a atuação da assistência técnica e identificar novas oportunidades para os produtores.
A primeira entrevista foi realizada com a produtora Rafaela Jacobs, proprietária da Sabores do Rancho, agroindústria que produz queijos coloniais, iogurtes e sorvetes artesanais. Ela ressaltou que iniciativas como o censo contribuem para dar visibilidade ao setor e incentivar a permanência das famílias no meio rural.
O Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) reúne empreendimentos que podem participar de feiras promovidas pelo governo estadual. Em 2025, o programa atingiu a marca de 2 mil agroindústrias certificadas, consolidando sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.




