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14ª Reunião de trigo e triticale aprova novas recomendações e cultivares
Mais de 300 pesquisadores participaram do evento realizado on-line pela primeira vez na história. Comissão aprovou 13 novas cultivares de trigo e triticale

Pela primeira vez em mais de 50 anos de história, a Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) aconteceu de forma on-line. Entre os dias 27 e 29 de julho foram realizadas as plenárias que discutiram os avanços nas pesquisas, receberam novas demandas e atualizaram as recomendações para as culturas. O evento foi gratuito e com transmissão pelo YouTube. Ao todo, foram aprovadas 13 novas cultivares e quatro extensões.
No ano passado a reunião foi cancelada por conta da pandemia. Para André Cunha Rosa, presidente da edição anterior e melhorista da Biotrigo Genética, o evento é importante para atualizar as informações de pesquisa e indicações para o agricultor. “Foi uma lástima não podermos fazer isso no ano passado. Neste ano, para que os produtores não ficassem sem essas informações por mais tempo decidimos fazer on-line”. Durante a abertura, André contou um histórico das reuniões, que ocorrem desde 1969 e passou a gestão para o novo presidente: Luis Henrique Penckowski, Gerente Técnico de Pesquisa da Fundação ABC.
Também durante a abertura foi apresentada a proposta para a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Entre as mudanças, estão o maior detalhamento no cultivo de trigo tropical, avaliação de risco de frustrações pelo excesso de chuva no final de ciclo, além da inserção de diferentes tipos de solo e ciclo de cultivares na base de dados. A apresentação foi feita pelo agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha.
Na avaliação final do evento, o presidente da 14ª RCBPTT, Luis Henrique Penckowski destacou que os objetivos de discutir os avanços nas culturas de trigo e triticale foram cumpridos. “A nossa expectativa era bem grande. A gente tinha um pouco de receio de como ia ser porque sempre foi presencial. A reunião se desenvolveu de uma forma tão boa e ficou claro que todas as comissões trabalharam de forma muito produtiva para atualizar as recomendações”.
Durante o evento, um grupo foi formado para discutir o manejo de plantas daninhas na cultura do trigo, com uma especificidade maior para o azevém. Outro destaque é que as subcomissões reuniram características técnicas para avançar num estudo de viabilidade e gestão financeira na cultura do trigo, um tema discutido recorrentemente. “Propor um modelo de avaliação da gestão financeira da cultura do trigo reforça que o trigo se for bem gerido traz rentabilidade além de agronômica, também financeira. Subimos a régua do ponto de vista das discussões. Foi uma reunião focada e produtiva. Obviamente gostaríamos de estar todos juntos de forma presencial, mas não deixamos nada a desejar nesse formato virtual”, avalia o presidente.
A 14ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) foi promovida pela Fundação ABC e Biotrigo Genética, com apoio da Embrapa Trigo e contou com o patrocínio das empresas Adama, Agrária, Apasem, Apassul, Bayer, Basf, Coamo, Cocamar, FMC, Helm, Ihara, Integrada Cooperativa, Syngenta, Unium e UPL. As transmissões das plenárias estão disponíveis na página da Reunião de Trigo no YouTube . A próxima edição, a 15ª RCBPTT, que acontece no início de julho de 2022, a Embrapa Trigo será a realizadora e contará com o apoio da Biotrigo Genética.
Cultivares aprovadas
Ao todo, foram apresentadas 13 novas cultivares. A Biotrigo Genética lançou três variedades: TBIO Blanc (ciclo médio-tardio, branqueador), TBIO Trunfo (ciclo precoce, trigo pão) e TBIO Calibre (ciclo superprecoce, trigo pão). A Embrapa Trigo apresentou uma cultivar de trigo para pastejo BRS Tarumaxi (ciclo tardio, classe outros usos) e uma cultivar de triticale BRS Zênite (ciclo precoce). Já a Tamona Agropecuária, lançou três variedades de trigos: RBO Crescente (ciclo precoce, melhorador); RBO Chimoio (ciclo médio, melhorador); RBO Combatente (ciclo médio, melhorador). As outras cultivares aprovadas foram: FPS Luminus (ciclo precoce, branqueador) da Fundação Pró-Sementes; ORSFeroz (ciclo precoce, melhorador); ORSSenna (ciclo superprecoce, melhorador); ORS Destak (ciclo médio precoce, trigo pão) e ORS Guardião (ciclo médio precoce, trigo pão), da OR Sementes.
Outras quatro cultivares tiveram aprovação para extensão de uso: ORS Madrepérola – extensão de cultivo irrigado para a região 3 do Mato Grosso do Sul; ORS Agile para os estados de SP, MS, MG, GO e PR; ORS 1403 na macrorregião 3 do estado de Mato Grosso do Sul e BRS Pastoreio: extensão de indicação de cultivo para Santa Catarina.
Trabalhos destaque
No total, foram inscritos 118 trabalhos e seis deles foram escolhidos como os melhores pelas subcomissões. São eles: Subcomissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais: Rotação e sucessão de culturas: impacto da prática cultural sobre o trigo, por Salathiel Antunes Teixeira. Subcomissão de Entomologia: Oscilação populacional e risco de surtos de afídeos em diferentes localidades sul-brasileiras, por Eduardo Engel. Subcomissão de Fitopatologia: Caracterização molecular do vírus da espiga branca do trigo no Brasil, por Fernando Sartori Pereira. Subcomissão de Melhoramento, Aptidão Industrial e Sementes: Tamanho amostral para determinação da classe comercial indicativa de cultivares de trigo – período amostrado 2011-2020, por Eliana Maria Guarienti. Subcomissão de Solos e Nutrição Vegetal: Modelo para aplicação de Nitrogênio em taxa variável na cultura do trigo baseado em NDVI, por Maicon Andreo Drum. Subcomissão de Transferência de Tecnologia: Lacunas do rendimento de grãos de trigo na área de atuação de cooperativas do Brasil, por Adão Acosta.
Livro de recomendações
Todas as recomendações serão unidas e publicadas no livro “Indicações técnicas para trigo e triticale – safra 2022. A publicação, que será distribuída gratuitamente na forma impressa e disponibilizada também no site da Reunião de Trigo, terá informações técnicas desde a semeadura até a colheita, com dados atualizados sobre quantidade de sementes, adubação, controle de pragas e doenças, manejo de plantas daninhas, entre outros. A previsão é que a publicação esteja disponível para o setor produtivo até o final de 2021.
Homenageado
Neste ano, a Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale homenageou o engenheiro agrônomo e doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes, Ivo Marcos Carraro. O pesquisador reconhecido como referência técnica no setor sementeiro e no cooperativismo, faleceu no último dia 10 de julho, vítima de câncer. A homenagem aconteceu durante a transmissão da plenária final da 14ª Reunião de Trigo com a presença virtual dos familiares. Diversos depoimentos lembraram sua incansável dedicação e incentivo à pesquisa, à evolução da produtividade e ao fortalecimento do agronegócio. Os relatos também ressaltaram que Carraro era uma referência não apenas técnica, mas de uma pessoa generosa, de bom convívio e respeito na sua vida familiar, como nas relações amizade e de trabalho.
Carraro foi diretor executivo da extinta Coodetec (Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola) por 39 anos. Participou ativamente das reuniões da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e ocupou diversos cargos em importantes entidades ligadas à pesquisa e produção de sementes do país. Foi diretor da Abrasem (Associação Brasileira de Sementes e Mudas e do Centro de Pesquisas) e da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) e, ainda, presidiu a Braspov (Associação Brasileira de Obtentores Vegetais).
Fórum Nacional do Trigo 2021
No Fórum Nacional do Trigo , realizado na véspera da 14ª RCBPTT, as temáticas das palestras trouxeram uma visão ampla sobre o consumo do trigo num cenário pós-pandemia, contemplando desde os desafios e oportunidades para o setor produtivo até o consumidor final. O evento foi promovido pela Embrapa Trigo com o apoio da Biotrigo Genética e Fundação ABC.
Durante os 3 dias de evento, os participantes participaram de plenárias e reuniões pelo YouTube e salas do Zoom.

Notícias
Agro responde por metade das exportações e leva balança comercial a novo recorde em 2025
Setor alcança US$ 169,2 bilhões em vendas externas, garante superávit de US$ 149,1 bilhões e reforça papel estratégico da soja, das proteínas animais e do café no comércio exterior brasileiro.

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com desempenho histórico no comércio exterior, consolidando-se como o principal motor da balança comercial do país. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados no Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA, as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões no ano, superando o recorde anterior registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série, com US$ 20,1 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 149,1 bilhões, alta de 2,8% em relação a 2024.
O resultado reforça o peso do agronegócio na economia brasileira. Em 2025, o setor respondeu por 49% de toda a receita obtida pelo Brasil com exportações, mantendo participação elevada e estável em relação aos dois anos anteriores. A trajetória confirma a centralidade do agro no desempenho externo do país ao longo da última década, com crescimento expressivo especialmente a partir de 2021.

Foto: Claudio Neves
O avanço foi impulsionado por diferentes cadeias produtivas, com destaque para a soja, as proteínas animais e o café. No complexo soja, os embarques de grãos atingiram 108 milhões de toneladas, crescimento de 10% em volume na comparação anual. Apesar da queda de 7% no preço médio, para US$ 402,4 por tonelada, a receita alcançou US$ 43,53 bilhões. Os derivados também mantiveram relevância: o farelo de soja somou 23 milhões de toneladas exportadas, enquanto o óleo de soja permaneceu estável em 1,4 milhão de toneladas, com aumento de 11% no preço médio.
No segmento de proteínas animais, os números também foram expressivos. As exportações de carne bovina in natura totalizaram 3,1 milhões de toneladas, alta de 21% em volume, com valorização de 17% no preço médio, o que resultou em receita de US$ 16,61 bilhões, recorde histórico. A carne suína in natura embarcou 1,3 milhão de toneladas, crescimento de 12%, com faturamento de US$ 3,37 bilhões. Já a carne de frango in natura apresentou retração de 6% nos envios, reflexo direto da ocorrência de gripe aviária em maio de 2025, que levou ao fechamento temporário de mercados importantes. Ainda assim, considerando todos os embarques do setor avícola, incluindo industrializados e miúdos, houve leve crescimento de 0,1% no total exportado.
Outro destaque do ano foi o café verde. Mesmo com queda de 18% no volume embarcado, o forte avanço dos preços internacionais, alta de 60% no comparativo anual, levou a um faturamento recorde de US$ 14,9 bilhões, ampliando a participação do produto na cesta de exportações do agronegócio.
Em contraste, o complexo sucroenergético enfrentou um ano mais desafiador. O açúcar VHP teve queda de 12% no volume exportado, enquanto o açúcar refinado recuou 10%, ambos impactados pela combinação de preços mais baixos e maior oferta global. O etanol também apresentou retração de 15% nos embarques, apesar da leve alta no preço médio.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Na análise da composição da pauta exportadora, a soja manteve liderança, com 26% do valor total exportado pelo agronegócio em 2025, repetindo o desempenho do ano anterior. A carne bovina ganhou espaço, ampliando sua participação em 2,7 pontos percentuais, impulsionada pelos recordes de volume e receita. O café verde também avançou, com incremento de 1,9 ponto percentual, refletindo a valorização dos preços.
Quanto aos destinos, a China permaneceu como principal parceiro comercial do agro brasileiro, com compras de US$ 55,3 bilhões, crescimento de 11,3% em relação a 2024. Soja, carne bovina e celulose lideraram os envios ao mercado chinês. A União Europeia ocupou a segunda posição em receita, com US$ 25,2 bilhões, alta de 8,6%, tendo café, soja, farelo de soja e celulose como principais produtos. Já os Estados Unidos responderam por 6,7% das exportações, com US$ 11,4 bilhões, queda de 5,6% frente ao ano anterior, influenciada pelas tarifas ainda vigentes sobre alguns produtos brasileiros.
Os dados de 2025 confirmam a robustez e a diversificação do agronegócio brasileiro, que, mesmo diante de oscilações de preços, barreiras sanitárias e mudanças no cenário internacional, manteve capacidade de geração de divisas e sustentou o superávit da balança comercial do país.
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IAT amplia lista e dispensa 27 atividades agropecuárias de licenciamento ambiental no Paraná
Nova regulamentação reconhece baixo potencial poluidor de empreendimentos rurais e busca dar mais agilidade aos processos no campo.

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou nesta semana uma nova regulamentação que classifica alguns tipos de empreendimentos agrícolas como inexigíveis de licenciamento ambiental no Paraná. Entre os itens da Instrução Normativa IAT Nº 01/2026, está uma lista de 27 tipos de atividades agropecuárias de insignificante potencial poluidor e degradador do meio ambiente, que passam agora a ser isentas da necessidade do processo licenciatório. Os responsáveis por essas atividades podem agora solicitar ao órgão ambiental a Declaração de Inexigibilidade de Licença Ambiental (DILA), caso exista a necessidade comprovar a categorização.
Para entrar nessa classificação, os empreendimentos devem atender a um conjunto de exigências. Elas incluem não necessitar de acompanhamento de aspectos de controle ambiental pelo Instituto; não estar localizada em uma área ambientalmente frágil ou protegida; e não necessitar da supressão de vegetação nativa. Além disso, devem ser respeitadas condições estabelecidas pelas legislações municipais vigentes.
Entre as atividades englobadas destacam-se benfeitorias e equipamentos necessários ao manejo da apicultura fixa e migratória; cultivo de flores e plantas ornamentais; aquisição de equipamentos e instalações de estrutura de apoio para plantio em ambiente protegido (casas de vegetação/estufas); aquisição de máquinas, motores, reversores, guinchos, sistemas de refrigeração e armazenagem de pescado; implantação de viveiros de mudas florestais; adequação do solo para o plantio; e pecuária extensiva, exceto bovinocultura.
Segundo a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves, essa classificação de inexigibilidade de licenciamento vem para agilizar o processo para os agricultores. Como são atividades de baixo impacto ambiental, eles não precisam passar pelo processo licenciatório simplificado ou trifásico, que é aplicado em empreendimentos com médio e alto potencial poluidor. “Também não existe a obrigatoriedade da emissão da DILA, que pode ser solicitada apenas se for requisitada para o proprietário por um órgão que exige uma comprovação da inexigibilidade, como um banco por exemplo”, explica.
Licenciamento
O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.
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Biológicos impulsionam produtividade de soja a 126,7 sc/ha em lavoura de São Paulo
Campeão do Desafio Nacional do CESB, consultor destaca manejo integrado com produtos biológicos, monitoramento em tempo real e estratégias para enfrentar a variabilidade climática.

Imagine uma produtividade de 126,71sc/ha em uma lavoura de soja, com a utilização estratégica de produtos biológicos. Foi o que aconteceu na Fazenda Santana, de Itapeva (SP).
O consultor Adriano Oliveira, campeão da Categoria Irrigado/Nacional no último Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), destaca que a utilização de produtos biológicos no sulco e em cobertura para controle de nematoides e doenças de solo contribuiu para a elevada produtividade. “Também realizamos tratamento de sementes com fungicidas, inseticidas e bioestimulantes, e incluímos inoculantes com rizóbios e promotores de crescimento”, acrescenta.
Desafios na lavoura
Adriano aponta que um dos principais desafios foi lidar com a variabilidade climática, especialmente no período de florescimento e enchimento de grãos. “Tivemos veranico no início da formação de vagens e chuvas excessivas na maturação. Para superar isso, apostamos em cultivares com bom teto produtivo e estabilidade, fizemos o escalonamento do plantio dentro da janela ideal e utilizamos tecnologias de monitoramento em tempo real para antecipar manejos e proteger o potencial produtivo”, observa.
Em relação ao controle de pragas e doenças, o consultor sinalizou que priorizou a ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom, por serem recorrentes na região. “Atuamos com fungicidas protetores desde o V4-V5 e intensificamos o manejo com alternância de mecanismos de ação. Para pragas, adotamos controle antecipado com aplicações programadas e monitoramento semanal. A adoção de produtos com efeito fisiológico e residual ajudou a manter o estande e o enchimento de grãos”, lembra.
Importância do desafio
O consultor considera o Desafio do CESB um termômetro técnico. “Ele nos tira da zona de conforto e exige um nível de excelência em cada detalhe”, expõe, acrescentando: “Durante o ciclo, tivemos momentos de preocupação com o clima, mas mantivemos o foco com base nos dados e no planejamento técnico bem feito. Cada decisão foi tomada com respaldo em monitoramento e histórico da área”.



